<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063</id><updated>2012-01-31T15:32:01.215-08:00</updated><title type='text'>SINDÉRESE</title><subtitle type='html'>"A pérola nasceu no fundo do oceano
A violeta roxa sobre o rochedo nu
Em nuvens cor de opala, gotas de sereno...
E nos meus sonhos tu!"</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>27</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-3471917799013263400</id><published>2008-11-21T04:45:00.000-08:00</published><updated>2008-11-21T04:47:24.817-08:00</updated><title type='text'>A INJUSTIÇA UM MAL SEM CURA</title><content type='html'>Próximo para se comemorar, todo o dia é da eterna Injustiça, mãe da corrupção e de todo o mal da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A injustiça é uma desgraça. Se houvesse uma nódoa na Criação, essa seria a da injustiça. Não podemos descansar um só instante, estamos “sempre alerta”, como escoteiros, de atalaia, olhando de soslaio para este mal, insondável quanto mais procuramos a razão da sua aposição no cenário da tragicomédia humana. Não podemos calcular, por mais que nos esforcemos, o dano causado por esse instinto mesquinho, impeditivo, genocida, aposto no âmago da alma humana. O mundo, por inteiro, se ressente das investidas desse mal que mina os organismos e mumifica a dor através dos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nosso país, infelizmente, ela, a injustiça, medeia toda a trama do tecido social, incorrendo nos governos, em perdas sucessivas de batalhas que poderia ganhá-las, exatamente contra esse monstro de enésimas fácies que atormenta o homem e o reduz a mero traste diante da impotência crônica do fazer ou não fazer, patologia que se acerca, cada vez mais, do povo brasileiro, atônito com as investidas sucessivas e lépidas dos escândalos - dejetos dela, a injustiça - que envolvem a ética e a moralidade, virtudes intrínsecas da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para qualquer lado que se olhe, na rua ou mesmo no campo, na varanda, na sala, nos salões de recepções, ou na cozinha, a Injustiça campeia. É o mal mais presente entre nós, alastrado e arraigado em toda a sociedade, nos estamentos e até nas organizações religiosas.&lt;br /&gt; O Judiciário, como em todo o mundo, procura "suavizar” a intromissão impertinente dessa mancha encardida, sem lograr êxito no fechar das contas. Pelo contrário, o Judiciário vive imerso em injustiças, com as exceções escassas, o que se constata de todo ângulo.&lt;br /&gt;Ela é um câncer persistente, imune à totalidade dos específicos. É virulenta, deslumbra e forma os caracteres mais abomináveis. É hereditária e faz sucessores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A qualquer dia, a qualquer hora, ali está ela disposta, expedita, pérfida, diligente no trato com o que a nutre, auditora pragmática, monocrática, à espera do incauto para arremessar-lhe os seus opróbrios, as suas maquinações para o triturar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alimentada, ora pela ambição, ora pela pecúnia, visivelmente, sempre juntas, ora por mero diletantismo, ela destrói personalidades, famílias, parentescos, amizades, crenças, ideais, enrascando a própria alegria de viver. Não se pode descurar no seu trato. Haveremos de combatê-la, sempre, com “animus” e persistência. E, o pior, ela medra ao lado da Justiça, assim como a erva daninha – o joio – ao lado do trigo. É corruptora por excelência, e, por causa disso, com a corrupção não se estranha, e, ao seu lado, fica confortável e presunçosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem já foi alvo de injustiças, sabe muito bem o quanto elas podem acordar e arremessar, sobre o homem, os enxames esfogueados, que agem protegidos por uma esfera enlameada, que se escora por entre o aconchego das proteções tendenciosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredite-me, a injustiça é muito pior que a ignorância, pois, os males desta não têm, necessariamente, o fito em nos causar mal extremo. Aliás, as traquinices da ignorância não se igualam às transgressões desumanas da injustiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fel e vinagre, eis a composição orgânica da injustiça; estrume, eis a sua derivação fisiológica. Mas, as suas garras estão fincadas no centro da Terra... Radicadas! Os seus tentáculos envolvem o planeta num falso abraço e o sufoca tenazmente... É a musa dos infernos, a mamba negra dos destinos! Vizinha inimiga da felicidade e a antítese do altruísmo. A violência maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís da Velosa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-3471917799013263400?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/3471917799013263400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=3471917799013263400&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/3471917799013263400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/3471917799013263400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/11/injustia-um-mal-sem-cura.html' title='A INJUSTIÇA UM MAL SEM CURA'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-2755395140678976761</id><published>2008-11-21T04:13:00.000-08:00</published><updated>2008-11-21T04:15:06.520-08:00</updated><title type='text'>A CURIOSIDADE</title><content type='html'>Há muita gente que não pode deixar passar uma observação.  É um impulso incontrolável, às vezes chegando às raias da inconveniência. Outras tantas, parecem deixar patente uma pontinha de inveja, um sentimento de inferioridade. Seja lá o que for, pode acontecer. Estamos falando daquela pessoa, querida ou não, que ao defrontar-se com a nossa biblioteca não resiste à tentação e pergunta se já lemos aquele montão de títulos. Ora, realmente, é humanamente impossível que alguém possa ser afirmativo. Quase sempre a resposta é exatamente aquela que o interlocutor não esperava ouvir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não li todos os livros... Mas, lhe asseguro que os não lidos foram consultados.&lt;br /&gt;O sorriso, que mais parece de decepção, toma conta do rosto indigente e olhar quedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marco Antonio de Cádiz&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-2755395140678976761?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/2755395140678976761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=2755395140678976761&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/2755395140678976761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/2755395140678976761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/11/curiosidade.html' title='A CURIOSIDADE'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-1978588383104912005</id><published>2008-11-20T05:20:00.000-08:00</published><updated>2008-11-21T04:54:47.585-08:00</updated><title type='text'>O NAVIO NEGREIRO</title><content type='html'>I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘Stamos em pleno mar... Doudo no espaço&lt;br /&gt;Brinca o luar – doirada borboleta –&lt;br /&gt;E as vagas após ele correm... cansam&lt;br /&gt;Como turba de infantes inquieta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘Stamos em pleno ar... Do firmamento&lt;br /&gt;Os astros saltam como espumas de ouro...&lt;br /&gt;O mar em troca acende as ardentias&lt;br /&gt;- Constelações do líquido tesouro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘Stamos em pleno mar... Dois infinitos&lt;br /&gt;Ali se estreitam num abraço insano&lt;br /&gt;Azuis, dourados, plácidos, sublimes...&lt;br /&gt;Qual dos dois é o céu? Qual o Oceano?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘Stamos em pleno mar... Abrindo as velas&lt;br /&gt;Ao quente arfar das virações marinhas,&lt;br /&gt;Veleiro brigue corre à flor dos mares&lt;br /&gt;Como roçam na vaga as andorinhas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donde vem?... Onde vai?.... Das naus errantes&lt;br /&gt;Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?&lt;br /&gt;Nesta Saara os corcéis o pó levantam,&lt;br /&gt;Galopam, voam, mas não deixam traço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem feliz quem ali pode nest’hora&lt;br /&gt;Sentir deste pinel a majestade!...&lt;br /&gt;Embaixo – o mar... em cima – o firmamento....&lt;br /&gt;E no mar e no céu – a imensidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh! Que doce harmonia traz-me a brisa!&lt;br /&gt;Que música suave ao longe soa!&lt;br /&gt;Meu Deus! Côo é sublime um canto ardente&lt;br /&gt;Pelas vagas sem fim boiando à toa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homens do mar! Ó rudes marinheiros&lt;br /&gt;Tostados pelo sol dos quatro mundos!&lt;br /&gt;Crianças que a procela acalentara&lt;br /&gt;No berço destes pélagos profundos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperai! Esperai! Deixai que eu beba&lt;br /&gt;Esta selvagem, livre poesia,&lt;br /&gt;Orquestra – é o mar que ruge pela proa,&lt;br /&gt;E o vento que nas cordas assobia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que foges assim barco ligeiro?&lt;br /&gt;Por que foges do pávido poeta?&lt;br /&gt;Oh! Quem me dera acompanhar-te a esteira&lt;br /&gt;Que semelha no mar – doudo cometa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Albatroz! Albatroz! Águia do oceano,&lt;br /&gt;Tu, que dormes das nuvens entre as gazas,&lt;br /&gt;Sacode as penas, Leviatã do espaço!&lt;br /&gt;Albatroz! Albatroz! Dá-me estas asas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que importa do nauta o berço,&lt;br /&gt;Donde é filho, qual seu lar?...&lt;br /&gt;Ama a cadência do verso&lt;br /&gt;Que lhe ensina o velho mar!&lt;br /&gt;Cantai! Que a noite é divina!&lt;br /&gt;Resvala p brigue à bolina&lt;br /&gt;Côo um golfinho veloz.&lt;br /&gt;Presa ao mastro da mezena&lt;br /&gt;Saudosa bandeira acena&lt;br /&gt;Às vagas que deixa após.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do Espanhol as cantilenas&lt;br /&gt;Requebradas de languor,&lt;br /&gt;Lembram as moças morenas,&lt;br /&gt;As andaluzas em flor.&lt;br /&gt;Da Itália o filho indolente&lt;br /&gt;Canta Veneza dormente&lt;br /&gt;- Terra de amor e traição –&lt;br /&gt;Ou do golfo no regaço&lt;br /&gt;Relembra os versos do Tarso&lt;br /&gt;Junto às lavas do Vulcão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Inglês – marinheiro frio,&lt;br /&gt;Que ao nascer no mar se achou –&lt;br /&gt;(Porque Inglaterra é um navio, Que Deus na Mancha ancorou),&lt;br /&gt;Rijo entoa pátrias glórias,&lt;br /&gt;Lembrando orgulhoso histórias&lt;br /&gt;De Nelson e de Aboukir.&lt;br /&gt;O Francês – predestinado –&lt;br /&gt;Canta os louros do passado&lt;br /&gt;E os loureiros do porvir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os marinheiros Helenos, que a vaga iônica criou,&lt;br /&gt;Belos piratas morenos&lt;br /&gt;Do mar que Ulisses cortou,&lt;br /&gt;Homens de Fídias talhara,&lt;br /&gt;Vão cantando em noite clara&lt;br /&gt;Versos que Homero gemeu...&lt;br /&gt;...Nautas de todas as plagas!&lt;br /&gt;Vós sabeis achar nas vagas&lt;br /&gt;As melodias do céu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desce o espaço imenso, o águia do oceano!&lt;br /&gt;Desce mais, inda mais... que quadro de amarguras!&lt;br /&gt;É canto funeral!... Que tétricas figuras!...&lt;br /&gt;Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um sonho dantesco... O tombadilho&lt;br /&gt;Que das luzernas avermelha o brilho,&lt;br /&gt;Em sangue a se banhar.&lt;br /&gt;Tinir de ferros... estalar do açoite....&lt;br /&gt;Legiões de homens negros como a noite,&lt;br /&gt;Horrendos a dançar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Negras mulheres, suspendendo às tetas&lt;br /&gt;Magras crianças, cujas bocas pretas&lt;br /&gt;Rega o sangue das mães:&lt;br /&gt;Outras, moças... Mas nuas, espantadas,&lt;br /&gt;No turbilhão de espectros arrastadas,&lt;br /&gt;Em ânsia e máguas vãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E rir-se a orquestra, irônica, estridente...&lt;br /&gt;E da ronda fantástica a serpente&lt;br /&gt;Faz doudas espirais...&lt;br /&gt;Se o velho arqueja... se o chão resvala,&lt;br /&gt;Ouvem-se gritos... o chicote estala.&lt;br /&gt;E voam mais e mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presa nos elos de uma só cadeia,&lt;br /&gt;A multidão faminta cambaleia,&lt;br /&gt;E chora e dança ali!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;....................................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um de raiva delira, outro enlouquece...&lt;br /&gt;Outro, que de martírios embrutece...&lt;br /&gt;Cantando, geme e ri!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto o capitão manda a manobra&lt;br /&gt;E após, fitando o céu que se desdobra&lt;br /&gt;Tão puro sobre o mar,&lt;br /&gt;Diz do fumo entre os densos nevoeiros:&lt;br /&gt;“Vibrai rijo o chicote, marinheiros!&lt;br /&gt;Fazei-me mais dançar!...&lt;br /&gt;E rir-se a orquestra irônica, estridente...&lt;br /&gt;E da roda fantástica a serpente&lt;br /&gt;Faz doudas espirais!&lt;br /&gt;Qual num sonho dantesco as sombras voam...&lt;br /&gt;Gritos, ais, maldições, preces ressoam!&lt;br /&gt;E rir-se Satanás!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhor Deus dos desgraçados!&lt;br /&gt;Dizei-me vós, Senhor Deus!&lt;br /&gt;Se é loucura... se é verdade&lt;br /&gt;Tanto horror perante os céus...&lt;br /&gt;Ó mar! Por que não apagas&lt;br /&gt;Co’a esponja de tuas vagas&lt;br /&gt;De teu manto este borrão?...&lt;br /&gt;Astros! Noite! Tempestades!&lt;br /&gt;Rolai das imensidades!&lt;br /&gt;Varrei os mares, tufão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem são estes desgraçados,&lt;br /&gt;Que não encontram em vós,&lt;br /&gt;Mais que o rir calmo da turba&lt;br /&gt;Que excita a fúria do algoz?&lt;br /&gt;Quem são?.... Se a estrela se cala,&lt;br /&gt;Se a vaga à pressa resvala&lt;br /&gt;Como um cúmplice fugaz,&lt;br /&gt;Perante a noite confusa...&lt;br /&gt;Dize-o tu, severa musa,&lt;br /&gt;Musa libérrima, audaz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São os filhos do deserto&lt;br /&gt;Onde a terra esposa a luz.&lt;br /&gt;Onde voa em campo aberto&lt;br /&gt;A tribo dos homens nus...&lt;br /&gt;São os guerreiros ousados,&lt;br /&gt;Que os tigres mosqueados Combatem na solidão...&lt;br /&gt;Homens simples, fortes, bravos...&lt;br /&gt;Hoje míseros escravos&lt;br /&gt;Sem ar, sem luz, sem razão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São as mulheres sem razão&lt;br /&gt;Como Agar o foi também,&lt;br /&gt;Que sedentas, alquebradas,&lt;br /&gt;De longe... bem longe vêm...&lt;br /&gt;Trazendo com tíbios passos,&lt;br /&gt;Filhos e algemas nos braços,&lt;br /&gt;N’alma – lágrimas e fel.&lt;br /&gt;Como Agar sofrendo tanto&lt;br /&gt;Que nem o leite de pranto&lt;br /&gt;Têm que dar para Ismael...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá nas areias infindas,&lt;br /&gt;Das palmeiras no país,&lt;br /&gt;Nasceram – crianças lindas,&lt;br /&gt;Viveram – moças gentis...&lt;br /&gt;Passa um dia a caravana&lt;br /&gt;Quando a virgem na cabana&lt;br /&gt;Cisma da noite nos véus...&lt;br /&gt;...Adeus! ó choça do monte!...&lt;br /&gt;...Adeus! palmeiras das fontes!...&lt;br /&gt;...Adeus! amores... adeus!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do areal extenso...&lt;br /&gt;Depois o oceano de pó...&lt;br /&gt;Depois do horizonte imenso&lt;br /&gt;Desertos... desertos só...&lt;br /&gt;E a fome, o cansaço, a sede...&lt;br /&gt;Ai! Quanto infeliz que cede,&lt;br /&gt;E cai p’ra não mais s’erguer!...&lt;br /&gt;Vaga um lugar na cadeia,&lt;br /&gt;Mas o chacal sobre a areia&lt;br /&gt;Acha um corpo que roer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem a Serra Leoa,&lt;br /&gt;A guerra, a caça ao leão,&lt;br /&gt;O sono dormido à toa&lt;br /&gt;Sob as tendas d’amplidão...&lt;br /&gt;Hoje... o porão negro, fundo&lt;br /&gt;Infecto, apertado, imundo&lt;br /&gt;Tendo a peste por jaguar...&lt;br /&gt;E o sono sempre cortado&lt;br /&gt;Pelo arranco de um finado,&lt;br /&gt;E o baque de um corpo ao mar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem plena liberdade,&lt;br /&gt;A vontade por poder...&lt;br /&gt;Hoje... cum’lo de maldade&lt;br /&gt;Nem são livre p’ra morrer...&lt;br /&gt;Prende-os a mesma corrente&lt;br /&gt;- Férrea, lúgubre serpenete –&lt;br /&gt;Nas roscas da escravidão.&lt;br /&gt;E assim roubados à morte,&lt;br /&gt;Dança a lúgubre coorte&lt;br /&gt;Ao som do açoite... Irrisão!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhor Deus dos desgraçados!&lt;br /&gt;Dizei-me vós, Senhor Deus!&lt;br /&gt;Se eu deliro.... ou se é verdade&lt;br /&gt;Tanto horror perante os céus...&lt;br /&gt;Ó mar, por que não apagas&lt;br /&gt;Co’a esponja de tuas vagas&lt;br /&gt;De teu manto este borrão?...&lt;br /&gt;Astros! Noite! Tempestades!&lt;br /&gt;Rolai das imensidades!&lt;br /&gt;Varrei os mares, tufão!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VI&lt;br /&gt;E existe um povo que a bandeira empresta&lt;br /&gt;P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...&lt;br /&gt;E deixa-a transformar-se nessa festa&lt;br /&gt;Em manto impuro de bacante fria!...&lt;br /&gt;Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandira é esta,&lt;br /&gt;Qu impudente na gávea tripudia?!...&lt;br /&gt;Silêncio!... Musa! Chora, chora tanto&lt;br /&gt;Que o pavilhão se lave no teu pranto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Auriverde pendão da minha terra,&lt;br /&gt;Qua a brisa do Brasil beija e balança, Estandarte que a luz do sol encerra,&lt;br /&gt;E as promessas divinas da esperança...&lt;br /&gt;Tu, que da liberdade após a guerra,&lt;br /&gt;Foste hasteado dos heróis na lança,&lt;br /&gt;Antes te houvessem roto na batalha,&lt;br /&gt;Que servires a um povo de mortalha!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fataliadade atroz que a mente esmaga!&lt;br /&gt;Extingue nesta hora o brigue imundo&lt;br /&gt;O trilho que Colombo abriu na vaga,&lt;br /&gt;Côo um íris no pélago profundo!...&lt;br /&gt;... Mas é infâmia demais... De etérea plaga&lt;br /&gt;Levantai-vos, heróis do Novo Mundo...&lt;br /&gt;Andrada! Arranca este pendão dos ares!&lt;br /&gt;Colombo! Fecha a porta de teus mares!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Castro Alves&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Postado por Luís da Velosa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-1978588383104912005?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/1978588383104912005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=1978588383104912005&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/1978588383104912005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/1978588383104912005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/11/o-navio-negreiro.html' title='O NAVIO NEGREIRO'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-7042493607178701602</id><published>2008-11-19T23:36:00.000-08:00</published><updated>2008-11-19T23:58:56.911-08:00</updated><title type='text'>Candomblé-Culto dos Orixás pelo povo de santo da ilha de Itaparica - I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos falar sobre as trilheiras do candomblé, o culto dos Orixás pelo povo de santo, na ilha de Itaparica, que se localiza à S. O. da Baía de Todos os Santos, com 36km de cumprimento, e na largura 21km. Não será uma manifestação da minha lavra, não será uma pesquisa minha – mesmo porque alguns impedimentos não me permitem saborear dos arquivos históricos -, mas foi e será, uma importante informação que nos deixou Ubaldo Osório, na sua imortalidade, no seu livro A ILHA DE ITAPARICA – HISTÓRIA E TRADIÇÃO, IV Edição (todas esgotadas), 1979, p. 317-328. Mas, seria de todo interessante que nós brasileiros conhecessem mais essa religião que tem por base a alma- anima - da Natureza (Wikipédia). Acho mesmo que deveria ser matéria de ensino escolar. O alunado tenho certeza, se encantaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O negro, no parecer de Gilberto Freire, foi, na América Portuguesa, o maior e mais plástico colaborador do branco, na obra da colonização agrária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Itaparica, fomos ajudados, poderosamente, pelos escravos africanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As canas do massapê [terra argilosa, própria para a cultura da cana-de-açucar]. de Vera-Cruz, do Papa-Peixe, da Boa Vista e das Marcês, foram plantadas e ceifadas por eles, que ainda as conduziam para a moenda dos engenhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas casas de farinha, se encarregavam de tudo. Derrubavam matas e capoeiras, faziam a queimada, revolviam as terras e plantavam as manivas [mandioca].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da colheita, levavam a mandioca, para a serva do rodête e enxugavam, nos tipitis, a massa com a qual preparavam, no calor do fogo, em alguidares de barro. Os beijus e a farinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até nas ferrarias e nas armações de pesca, os negros, trabalhavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo observações de Richard Burton, não o de Liz Taylor, claro, [Richard Francis Burton, n. Torquay, Devon, Inglaterra, em 10.03.1821 – f. Triestre, Áustria-Hungria, 20 de outrobro de 1890, foi um escritos, tradutor, lingüista, diplomata, geógrafo, poeta antropólogo, explorador, espadachim, agente secreto e diplomata britânico. Leiam a sua biografia na Wikipédia; interessante] a raça, especialmente quando cruzada, era material inflamável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do cruzamento do negro, ficaram, na ilha, os crioulos fortes e as mulatas requebradas que, ainda hoje, prendem os brancos, com os seus feitiços. [Em Itaparica foram celebrados vários casamentos entre franceses, suíços, ingleses, suecos, e homens de outras nacionalidades com as mulatas, inclusive continuam as bodas, a que se refere o historiador].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram os negros, trazidos da costas d’África, nos meados do século XVII, pelo capitão de navios Pedro de Athayde, que introduziram, na ilha, o candomblé, com os seus Babalôs, seus Axôguns e as suas Iyálôrixás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yemanjá, segundo Edson Carneiro [Edison Carneiro, n. Salvador, em 12.08.1912; f. Rio de Janeiro, em 02.12.1972, foi escritor brasileiro, especializado em temas afro-brasileiros. Fez seus estudos em Salvador, até diplomar-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Bahia, em 1963. Suas obras: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Negros Bantos, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, &lt;a title="1937" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1937"&gt;1937&lt;/a&gt;;&lt;br /&gt;O Quilombo dos Palmares, Editora Brasiliense, São Paulo &lt;a title="1947" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1947"&gt;1947&lt;/a&gt;, 1958;&lt;br /&gt;Castro Alves, 1947, 1958;&lt;br /&gt;Candomblés da Bahia, Editora Museu do Estado da Bahia, Salvador, &lt;a title="1948" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1948"&gt;1948&lt;/a&gt;, 1954, 1961;&lt;br /&gt;Antologia do Negro Brasileiro, Editora Globo, Porto Alelegre, &lt;a title="1950" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1950"&gt;1950&lt;/a&gt;;&lt;br /&gt;A Cidade do Salvador, 1954;&lt;br /&gt;A Conquista da Amazônia, 1956;&lt;br /&gt;A Sabedoria Popular, 1957;&lt;br /&gt;Insurreição Praiana, 1960;&lt;br /&gt;Religiões Negras, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, &lt;a title="1963" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1963"&gt;1963&lt;/a&gt;.], é a mãe de todos os orixás e de tudo que existe na face da terra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seu promogênito foi Dadá, a quem Fernan Ortiz [El gran sabio cubano nace el 16 de julio de 1881 y muere el 10 de abril de 1969 en La Habana. En su larga y fructífera vida, que dedicó no solo a la etnología, sino que abarcó también las ramas de la sociología, lingüística, musicología, jurisprudencia y crítica, publicó más de cien títulos, entre los que podemos citar: Apuntes para un estudio criminal: Los negros brujos (1906); Los mambises italianos (1909); Entre cubanos (1914); Los negros esclavos (1916), Los cabildos afrocubanos (1921); Historia de la arqueología indocubana (1922); Glosario de afronegrismos (1924); Alejandro de Humboldt y Cuba (1930); Contrapunteo cubano del tabaco y el azúcar (1940); Martí y las razas (1942); Las cuatro culturas indias de Cuba (1943); El engaño de las razas (1946); El huracán, su mitología y sus símbolos (1947); Los bailes y el teatro de los negros en el folklore de Cuba (1951); Los instrumentos de la música afrocubana, cinco volúmenes (1952); e Historia de una pelea cubana contra los demonios (1959). Publicaciones póstumas de obras inéditas de Fernando Ortiz son: Hampa afro-cubana... Los negros curros (1986); La santería y la brujería de los blancos (2000); Culecció d’els mal-noms de Ciutadélla (2000) y Visiones sobre Lam (2002).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fernando Ortiz también escribió un sinnúmero de artículos para diversas publicaciones periódicas y fue fundador y/o director de algunas de estas, como Revista Bimestre Cubana, reeditada de nuevo desde 1910; Revista de Administración Teórica y Práctica del Estado, la Provincia y el Municipio (1912); Archivos del Folklore (1924); Surco (1930) y Ultra (1936). Don Fernando también creó instituciones, como Sociedad del Folklore Cubano (1923); Institución Hispanocubana de Cultura (1926); Instituto Panamericano de Geografía (1928); Sociedad de Estudios Afrocubanos (1937); Institución Internacional de Estudios Afroamericanos (1943) e Instituto Cultural Cubano-Soviético (1945). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Tan ancha y honda fue la tarea de Don Fernando”, escribió Juan Marinello, “que puede cargar, sin pandearse, con el título de Tercer Descubridor de Cuba...” - Wikipédia], considera o deus [Dadá] dos meninos recém-nascidos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apesar das transformações por quem tem passado o culto da poderosa Senhora das Águas, ainda, assim, a sua festa, é, todo o ano celebrada, em Amoreiras [D istrito de Itaparica, prazeroso lugarejo e de praia de águas mornas e esplendorosa vista da maior parte da Baía de Todos os Santos], no dia 2 de fevereiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nesse dia, o seu presente, é levado, em saveiros e canoas, até a pedra da Mercára, onde ela aparece, envolta num lençol de espumas, segundo a crença dos seus veneradores [a crença vê!].&lt;br /&gt;Há uma alegria louca entre os devotos da Encantada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São centenas de homens e mulheres conduzindo adornos e perfumes para a velha divindade que preserva o pescador das surpresas do mar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Terminada a cerimônia cantam, as filhas de santo, benzendo as águas:&lt;br /&gt;Minha Sereia da praia&lt;br /&gt;Quero contigo nada&lt;br /&gt;Quero vê o teu Castelo&lt;br /&gt;Princesa de Aioká&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois da benção há o bordejo pela enseada, o batuque, o samba de roda e as louvações.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma verdadeira procissão de crentes invade o antigo Terreiro do velho Eduardo, na Ponta de Areia [praia principal de Amoreiras onde os banhistas se deliciam], onde, ao som do Batá-Cotó, continua a festa que se prolonga até o outro dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eduardo, o Alibá da Ponta de Areia, teve sempre uma grande clientela entre a gente do mar.&lt;br /&gt;Era filho de Manuel Antonio de Paula, o que pertenceu ao misterioso culto do Eguns, e conservou, até a morte, o título de Obá-xorô.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São Cosme e São Damião, os filhos de Theodáta, são festejados, também em várias povoações da ilha. Em Gameleira e na Barra do Gil, os festejos obedecem ainda, ao antigo ritual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No dia dos Orixás dos gêmeos, é servido, às crianças numa esteira de palha da Costa, estendida no chão, o Amalá de Ibeiji.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Faz parte do Amalá, caruru, a banana frita, o ovo cozido, o bolo de arroz, a galinha de molho pardo e a farofa de azeite de dendê.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;São interessantes as cantigas entoadas durante a comida de Dois-Dois:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E te dou de come – Dois-Dois&lt;br /&gt;Eu te dou de bebê – Dois –Dois&lt;br /&gt;Eu tenho papai&lt;br /&gt;Que dá de come&lt;br /&gt;Eu tenho mamãe&lt;br /&gt;Que me dá de bebê&lt;br /&gt;Quem me dá de come&lt;br /&gt;Também come.&lt;br /&gt;Quem me da de beber&lt;br /&gt;Também bebe.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os convidados de maior categoria sentam-se à mesa larga servidos pelas filhas de santo que ostentam, cada qual, as insígnias dos Orixás a que pertencem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As filhas de Ogun trazem colar e braceletes de contas azul marino, as de Oxalá de contas brancas e as de Oxun as de contas amarelas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Além do eram-paterê, encontram-se na mesa, em pratos e terrinas fumegantes, as especialidades da cozinha africana, condimentadas, fortemente com o iérê e as favas de bejerecum. Não faltam, ao banquete, os acarajés apimentados, o olubó, o vatapá, com bolas de arroz aussá, o aberém, o humulucu, o efó, a galinha de ori, com camarões, o caruru, o ofun-oquedê, o abu e o latipá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nada de bebidas alcoólicas. Só o aluá de milho fermentado com gengibre e rapadura, é permitido aos devotos, beber à vontade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em 1889, Branner, o afamado geólogo norte-americano, assistiu, na costa da ilha, “a festa de Dois-Dois”. Assistiu a festa e tomou parte, no banquete, com surpresa dos praieiros, que ainda não tinham visto um estrangeiro comer com tanta satisfação, a “comida dos santos”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São consideradas “águas santas”, as águas das quartinhas de São Cosme e São Damião, cuja festa, nos terreiros da ilha, é celebrada no dia 27 de setembro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Outra festa que se realiza, ainda hoje, em Vera Cruz, é a de Xangô. Começa na noite de São Pedro, com a fogueira de Airá, e termina, no dia de São Nicolau, com a procissão de Iamacé.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Luís da Velosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CAPÍTULO II &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos tempos de assistir reunião do velho Serafim, o famoso pai de Santo do Terreiro da Cancela teve oportunidade de assistir à reunião dos Babalaôs, para o culto do mais poderoso Orixá que se festeja na ilha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É grande o movimento, dos Terreiros, nas festas de Xangô.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dezenas de abians, depois do oborí, são levadas para a camarinha ou liaché, onde ficam assistidas, pela mãe pequena, até o dia da consagração.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dar o nome é a primeira obrigação, das filhas de santo, ao saírem da camarinha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É dado, à referida cerimônia, o nome de ôrunkô.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;As filhas de santo, depois de feitas, permanecem, durante três meses, com o Kelê, ou “gravata do orixá”, ao pescoço.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pertencem à mãe do Terreiro, em que foram iniciadas, e só voltam à casa dos parentes, após a cerimônia da compra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Terminada a festa da consagração, a iyabás, apregoam e vendem, numa espécie de leilão, a que chamam “quitanda da iaô, doces e frutas, num tabuleiro protegido por figas de guiné.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Consta, ainda, do ritual a visita dos santos padroeiros e a benção aos devotos, benção que é paga segundo as posses de cada um.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os balangandãs são símbolos do culto africano. Tem os seus significados e as suas preferências.&lt;br /&gt;As devotas de Xangô usam carneirinhos de ouro ou de prata, nos braceletes de contas vermelhas e brancas, que são as cores de sua predileção. As devotas de Oxún preferem o cacho de uvas; as de Oxossi, a espada e a lua crescente; as Umulu, o carangueijo e as de Oxalá, o peixe e a cruz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O mais importante Terreiro que tivemos na antiga Vila de Itaparica, foi o dos Eguns, instalado no Tun-Tun pelos dois irmãos, Marcos e José Theodoro, afamados propagadores do culto iorubano.&lt;br /&gt;Hoje o Olegário Daniel de Paula, o Ogê Ladê, do Terreiro de Barro Branco, é o mais popular dos nossos babalaôs.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O famoso Pai de Santo exerce, no seu Terreiro, uma autoridade indiscutida.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos candomblés, segundo o ritual sagrado, é ele quem tira o ponto, enquanto as filhas dos orixás enchem o Terreiro, com os ritmos bárbaros das suas canções.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nas matanças, preside os sacrifícios, oferecendo, aos deuses, o sangue dos animais sacrificados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Roxinho e o Terêncio são os zeladores da Casa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Olorum é o deus protetor dos pescadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vive, segundo a crença dos iorubas, no fundo do mar, cercado de espíritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem várias mulheres, inclusive Olosá, a mais querida de todas elas.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Yansã, a deusa iorubana das tempestades, segundo Câmara Cascudo, é uma das três mulheres de Xangô.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gunocô, também chamado, pelos nagôs, Orixá-ô-cô, no dizer de Manoel Quirino, “da consultas, prevê males, e ordena a observação de preceitos contra o que está para acontecer”.&lt;br /&gt;É interessante o cerimonial dos ioruba. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se sucede morrer algum maioral da seita, decorridos sete dias, reúnem-se os irmãos, em torno do ixé, para as lamentações do cerrum.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois do sangelu, filhos e filhas da casa, ao ritmo dos ingombas, cantam o Axêxê-Axêxê-ô. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É o Cñtico da saudade. Em seguida há o despacho feito com as moeds que os devotos esfregam no corpo e depositam na ibá-xequerê colocada no centro da sala, pelo Babalaô.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Entre os ioruba, a festa dos mortos é celebrada no mês de junho de cada ano.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O ossé, ou a lavagem dos vasos sagrados, é feito pelas filhas do Terreiro em determinado dia, com água sagrada, apanhada em frente, antes do sol nascer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois da Iyá-Kê-Kêrê, são as Dagãs as personagens mais graduadas do Terreiro. Dagã, Otún-Dagã e Ossi-Dagã. Há também as Iyamôrôs e as Oiês, escolhidas, pela Iyalôrixá, entre as mais entendidas nas cerimônias do culto. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Ebomins são as filhas de santo que têm mais de sete anos de feitas.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Iya-tê-bê-xê, é incumbida de puxar os cânticos, enquanto a Iya-bassê se encarrega dos trabalhos da cosinha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A comida de Oxum é o xinxim de galinha, a de Ogum, o guizado da carne de vaca; e a de Xangô, ó amalá de quiabos, camarões e azeite de dendê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa em louvor de São João Batista, o Kelendê dos nagôs, era celebrada antigamente no dia 23 de junho, no Terreiro do Tun-Tun.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feito o embê era preparada, a comida dos santos, e distribuída pela mã do Terreiro, que, após a distribuição, encerrava-se na camarinha.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao anoitecer, acesa a fogueira, em frente do Barracão, começavam as danças que se prolongavam até a meia noite, quando era levado o presente ao santo protetor, no encruzamento da Estrada Velha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na volta, banhavam-se as filhas de santo no Riacho das Sereias, “e entravam, madrugada alta, pelo Terreiro a dentro, cantando agô-ilê”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A festa dos pratos de Nana, consagrada anualmente, a Nanã Burucu (Senhora Santana), é celebrada nos terreiros da ilha no último domingo de agosto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há nesse dia, a cerimônia da benção das frutas e outras oferendas levadas pelos devotos para o banquete da Rainha dos Orixás.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dar comida aos santos é uma cerimônia assistida, sempre, pelos Babás e pelos Ogãs, que são os protetores do Terreiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Começa pelo Padê de Exu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Formadas em torno do pagí-gã (o dono do altar, as filhas dos Orixás agitam-se, vertiginosamente, e cantam ao som dos atabaques:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exu Barabô&lt;br /&gt;Emojubá&lt;br /&gt;Ebô coxé&lt;br /&gt;Exu Barabô&lt;br /&gt;Emojubá&lt;br /&gt;Emode, ekô, ekô&lt;br /&gt;Barabô&lt;br /&gt;Emojubá&lt;br /&gt;Lobara Exu Lonan&lt;br /&gt;Depois do padê são feitas as saudações aos grandes orixás.&lt;br /&gt;Ogún, ajo Mariô&lt;br /&gt;Ogún ajo ê mariô&lt;br /&gt;Xangô terê, mobá terê&lt;br /&gt;Xangô terê, mobá terê&lt;br /&gt;Xaurô lese, anran, anran&lt;br /&gt;Aloire é uma divindade angolense que protege e guarda, os lares, contra as ciladas de Exu.&lt;br /&gt;Cada Santo ou Orixá tem o seu dia.&lt;br /&gt;Segunda-feira – Exu e Omolu&lt;br /&gt;Terça-feira – Nanã e Oxumaré&lt;br /&gt;Quarta-feira – Xangô e Yansã&lt;br /&gt;Quinta-feira – Ogún e Oxossi&lt;br /&gt;Sexta-feira – Oxalá&lt;br /&gt;Sábado – Yemanjá e Oxún&lt;br /&gt;Domingo – Todos os Orixás.&lt;br /&gt;É o interessante e variada a identificação católica dos Orixás:&lt;br /&gt;Yemanjá – Nossa Senhora da Conceição&lt;br /&gt;Oxún – Nossa Senhora das Candeias&lt;br /&gt;Oxalá – Senhor do Bonfim&lt;br /&gt;Xangô – São Gerônimo&lt;br /&gt;Ogún – Santo Antônio&lt;br /&gt;Irôco – São Francisco de Assis&lt;br /&gt;Omolu ou Umulu – São Lázaro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Senhor da Vera Cruz é o Grande Pai, o Babá Okê dos nossos Terreiros. É festejado no dia 14 de setembro. Suas devotas trajam-se de branco e as povoações praieiras, em seu louvor, amanhecem, todos os anos, no dia da sua festa, enfeitadas, profusamente, com bandeiras brancas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A festa de Alê, era celebrada no Terreiro de Marcos Theodoro, no Tun-Tun, no dia de Ano Bom.&lt;br /&gt;Angoroméia é a divindade ioruba, também festejada nos Terreiros da ilha. É identificada como Santa Isabel, a mãe de São João Batista. Os instrumentos usados, pelos negros, nas suas danças, são : os ílus, o amelê, o rum, o bata-cotô, o ágüe, o agogô, o adjá e o afofiê.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Luís da Velosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CAPÍTULO III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gameleira branca, o Iôko, é a árvore sagrada dos nagôs. À sua sombra, em certos dias, eram feitas as matanças e preparadas as oferendas destinadas às divindades da seita.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na ilha a influência dos Gêges, foi quase nula. Abolido o cativeiro, conservaram-se eles na antiga Povoação da Ponta das Baleias, trabalhando, como tarefeiros, nas armações de pesca e nas destilarias de aguardentes. Eram, na sua maioria, tanoeiros e forjadores. Nos dias de preceito faziam os seus despachos e dançavam o candomblé no Terreiro do Mestre Evódio, velho adorador de Avrikiti divindade marinha, cuja devoção foi trazida das terras de Daomé. As principais figuras do terreiro do velho Evódio, eram: Tio Cassiano, Mestre Jorge, Tia Henriqueta, e Mestre Antônio Laê.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os escravos Gêges foram introduzidos na Bahia, pelo mestiço Félix de Souza, brasileiro que residia em São João de Ajuda e obtivera o monopólio do tráfico de escravos em toda aquela região, graças a influência que exercia junto ao rei Gézo. O monarca africano, segundo o professor Artur Ramos, chegou a conferir a Feliz de Souza, o título de Chá-Chá de Ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Gêges adoravam a Dangbé, a serpente sagrada que figurava nos seus candomblés. Não era menos fervoroso o seu culto pelo Arco-Íris, ao que chamavam Obessém.&lt;br /&gt;São profundos os mistérios do culto africano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Maria Bibiana do Espírito Santo, a Mãe Senhora, foi Yiolorixá do mais famoso candomblé da Bahia: o Axê-Opô-Afonjá. Fundou na Ponta de Areia, no alto da Bela Vista, em Itaparica, a Ilê de Aboulá, freqüentada nas festas pelas figuras mais importantes do seu Terreiro. É zelador do Ilô da Bela Vista, Antônio Daniel de Paula, filho sucessor do velho Eduardo da Ponta da Areia. Sobre a morte de Mãe Senhora, a Yialorixá que reinou por muitos anos em São Gonçalo do Retiro, e foi consagrada, na Guanabara, em 13 de maio de 1965, a MÃE PRETA DO BRASIL. Há episódios surpreendentes narrados pela conhecida africanista Zora Seijan, numa correspondência que A TARDE publicou na sua edição de 3 de junho de 1967:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Estávamos em Warri, nas margens do Rio Etíope, visitando o maior colégio secundário da Nigéria. Havíamos percorrido a cidade velha e deslizado pelo rio, em barca, passando ao largo de navios do mar e canoas rudes. Os deuses das águas, gente de Olokun, o terrível pai do oceano, moram em casinholas de sapé, nos alagadiços cobertos de vegetação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;É o Hussey Collegy um estabelecimento modelo. Estende-se por milhas, como povoado, com seus edifícios escolares e as casas dos professores. Um destes inspirou-se nas colunas “V” de Brasília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Discutimos com os professores temas atuais de estética e filosofia. Vimos arte, ouvimos e fizemos conferências, constamos a harmonia entre a cultura e tradição, sob os auspícios de amor erudito. Gostei das cerâmicas e das danças itsekiris. Lembro-me de alguns bailados: o dos leques, e dos penachos e o do culto aos antepassados, no qual os bailarinos usam máscaras em forma de peixe, parecendo casquetes em cujas bordas, são pregadas até o chão fazendas de estampas fulgurantes.no braço esquerdo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Passamos com a gente tranqüila daquela nação, passeios imponentes, de caminhar lento porque os homens usam camisas européias, casacas e saias de caudas longas que deslizam pelo chão ou se recolhem graciosas no braço esquerdo.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando visitamos Ogbemi Rewani, o diretor do Hussey Collegy, encontramos privando da sua douta intimidade um velho, muito velhinho, de olhos brilhantes e rosto vivo. Era um famoso Babalaô que só falava uma língua já morta, uma espécie de latim do culto de Ifá, dono da adivinhação. Poucos os que podiam conversar com ele, como pai Rewani, também Bablaô e idoso. A seu pedido, o velho de olhar brilhante jogou para nós as correntes do mestre dos segredos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo quanto disse está acontecendo, as coisas boas e as ruins. E a pior delas com que dor escrevo – foi a morte de minha querida amiga Senhora. Disse o Babalaô na língua dele que Senhora ia morrer. O pai de Rewani traduziu para a língua itsekiri e Rewani para o inglês. Nós comentamos em português: mentira! Andou nos idiomas do mundo o aviso medonho. Tratei de esquecê-lo. Disse para mim: tolice, ele se enganou, não pode ser, não quero que seja. E esqueci mesmo.&lt;br /&gt;Quando voltamos ao Brasil, alguns meses depois, veio me ver uma amiga fraternal, Eulina de Xangô:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Sabe, minha irmã, nossa mãe já recebeu o “aviso”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aviso? – Sim, o aviso de passagem”. - O que é isto, insistiu minha patetice. – Vamos perdê-la. Não é para já, mas ela já está se despedindo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eulina é filha de santo de Senhora, das mais antigas e fiéis. Além da linha do candomblé circula entre caboclos e pretos velhos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Fiquei arrepiada, o Babalaô dos olhos de fogo e agora Eulina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como é que você sabe disto, criatura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi minha velha que contou.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Respirei aliviada. Era coisa de macumba, não vinha da Bahia, oficialmente de “Axé-Opô-Afonjá” o candomblé de São Gonçalo do Retiro, onde Senhora reinava. Calei minha boca, nada contei do Babalaô e telegrafei para Salvador pedindo notícias. Senhora não estava passando bem. Vinha sentindo-se indisposta há algum tempo. Então escrevi para Pierre Verger, o antropólogo francês que passa seis meses na África e seis no Brasil e entende da seita dos candomblés mais do que estes pai-de-santos jovens e novidadeiros que não conhecem os segredos profunfos dos orixás. Não falei de Elina nem de Warri, só da doença – que segundo resposta de Xangô para Senhora, “era doença de médico, não era de feitiço”. Verger veio de Osogbo, a cidade de Oxum, e trouxe uma coisa para Senhora colocar sobre a língua. Feito isto, pouco depois, Senhora ria e lidava, bm disposta e cheia de entusiasmo, passando descompostura nos relaxados e desatentos. Estivemos nesta época na Bahia e ela queixou-se:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Imagine, Zora, que Eulina teve a ousadia de me pedir para tirar minha mão da cabeça dela, já ouviu?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Vai ver ela teve medo de ficar doente no Rio e não poder vir mais aqui, ela anda meio caída. Senhora não se deu ao trabalho de responder. Continuou picando quiabo, como fazia todas as quartas-feiras para amalá de Xangô – Kabieci!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Tirar minha mão da cabeça dela... como se estivesse para morrer. Quando chegar a minha hora vou com as graças de Deus. Sou muito contra essas Yialorixás que doentes deixam uma filha morrer no lugar delas. Nós temos de obedecer a lei de Deus. Aprendi assim com minha mãe Aninha e conservo a mesma direção deixada por ela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A propósito, Senhora cantou algumas cantigas na língua ioruba, zombando do aviso que Eulina tentara dar-lhe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No dia 22 de janeiro último, recebemos, em Nova Iorque, uma carta de Jorge Amado: “Tenho de dar uma notícia terrível para vocês, mas que remédio, é preciso contar que Senhora morreu...” Vieram depois outras com recortes do enterro e do que se falou dla em jornais e revistas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reunimos os amigos de Senhora e mandamos celebrar missa na capela das Nações Unidas. Um mês depois, outra missa em Paris, na Igreja de Saint Germain des Prés. Senhora deixou amigos na França, na América, na Inglaterra e em tantos outros países.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A terra caindo. Assim guardo pedaço de vida, seu riso alegre, seu corpo enorme dançando tão leve, cantando com Foi bom ter estado longe e não ter visto Senhora morta. Senhora sendo enterrada. O axexê de Senhora voz dengosa e meneios faceiros”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Coligimos de uns apontamentos divulgados por Deoscóredes dos Santos, o Assobá do Axé-Apô-Afonja, que Maria Bibiana do Espírito Santo, a Mãe Senhora, “foi condecorada, em 1966, pelo Governo Senegalês, com a medalha de Cavaleiro da Ordem do Mérito, pela preservação da cultura e tradição africanas no Brasil”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando esteve em Itaparica, aos 25 anos de idade, freqüentou, no Tun-Tun, o Terreiro do Eguns, dirigido por Marcos Theodoro Pimentel, conquistando, no mesmo Terreiro, o título de Yá Egbé Aboulá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com a morte de Marcos, passou a freqüentar o Terreiro de Alibá, Eduardo Daniel de Paula, conservando o título que havia conquistado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nas proximidades da morte de Mãe Senhora, Deóscoredes esteve no Reino Kêtu, na África, fazendo pesquisas sobre a família da famosa Yialorixá, iniciada, no culto dos seus ancestrais, com o nome de Oxum Muiwá”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Agora entendo que deve haver uma pessoa graduada, culta e íntegra, que comprometa a sua destinação com as grandes missões, oriunda dos Terreiros, que fiscalize a continuidade dessas comemorações religiosas em todo o Brasil. Essa pessoa não pode ser prosélita nem receber nenhum título de governos. Só dos seus templos, se reconhecido for. Não se pode esquecer, como aconteceu com outras religiões, serem relegadas as celebrações, e sim, mantendo a nossa cultura e os nossos sentimentos espirituais. Nada pode ser esquecido, principalmente, por nós, o que nos chegou da Mãe África, nosso berço encantado, amado e verdadeiramente de onde todos brotamos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Postado por Luís da Velosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Osório.Ubaldo. Ilha de Itaparica. História e Tradição. IV Edição, 1979, p.317-328. Fundação Cultural do Estado da Bahia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-7042493607178701602?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/7042493607178701602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=7042493607178701602&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/7042493607178701602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/7042493607178701602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/11/candombl-culto-dos-orixs-pelo-povo-de.html' title='Candomblé-Culto dos Orixás pelo povo de santo da ilha de Itaparica - I'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-3608063284286748871</id><published>2008-11-12T21:02:00.000-08:00</published><updated>2008-11-12T21:11:18.157-08:00</updated><title type='text'>ODISSÉIA NO INTERIOR DA MENTE</title><content type='html'>O Capítulo 01, foi publicado abaixo e logo estará no espaço correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 02&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sentido do escapismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém poderia, agora, estar pensando: se as informações são desnecessárias, por que então estamos sendo informados para abandoná-las? Estas são informações técnicas, objetivas, responderia o informante, lembrando o que dissera anteriormente: o conhecimento técnico são necessários à sobrevivência orgânica, e que a preservação da psique só pode ser conquistada pela ausência da interferência do pensamento nas questões subjetivas. Suponhamos que o nosso planeta em breve não ofereça mais condições à sobrevivência da raça humana, e a ciência tendo descoberto a existência de outro planeta que ofereça as condições propícias à sua perpetuação, necessite de uma nave para transportá-la tão somente até o seu objetivo. Feita a transição esta nave não terá mais serventia, salvo para os neuróticos saudosistas que queiram voltar ao cataclismo terráqueo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as informações dadas para se abandonar os conhecimentos condicionados, que se têm armazenados na memória inata e as que foram adquiridas por experiências próprias, por fim forem abandonadas e se tenha conseguido uma vivência autoperceptiva, então, tudo o que nos forem apresentado pela imprensa, escrita ou falada, não mais será registrada pela memória. Não há como se registrar algo que já se compreenda ser inútil, e assim, apesar de se compreenderem todas as mensagens, a memória não as terá para repeti-las. Pela nova dimensão de consciência, o homem através dos seus cinco sentidos, compreenderá todas as experiências e as responderá com plena exatidão e coerência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os orientadores tornam-se respeitáveis e venerados pelos seguidores, criando-se uma divisão entre os que sabem e os que aprendem - superiores e subalternos - ensejando condições degenerativas. A subserviência à autoridade motiva a hierarquia, e o conhecimento torna-se o fundamento para as soluções que nunca vêm. Quando as pessoas entenderem o significado do respeito mútuo, e dos valores morais que deverão prevalecer no relacionamento humano todo o sentido diferencial será extinto. Quem não desrespeita, não precisa respeitar alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As inverdades através das repetições escritas e verbais, por séculos sucessivos, consagram-se verdadeiras, e o condicionamento mental torna-se enraigado, com tanta profundidade, que qualquer tentativa em arrancá-lo, causa imensa celeuma física e mental, como a serpente lutando para preservar o seu veneno. Convicções religiosas, ideológicas e pessoais são condicionamentos catastróficos, causadores de tantas desgraças no mundo, como as guerras e as discriminações preconceituosas. Esta situação é tão desoladora que fazem com que as pessoas não a queiram ver; estão inconscientes na defensiva, potencialmente dispostas a descarregar toda sua ira, em quem por ventura pretenda mostrar-lhes a urgência de acordarem de tal pesadelo. Acordadas porém, do sono psíquico, poderão ver que problemas não devem ser destruídos, mas compreendidos. Nessa compreensão, ver-se-á a impotência deles em causar qualquer dano. Podendo conviver com os problemas pessoalmente já existentes, veremos como as pessoas confusas não podem mais nos neurotizar, tanto quanto em outras situações. No enfrentamento tranqüilo da desarmonia intrínseca e extrínseca, perceber-se-á como em verdade evento algum pode conduzir ao desespero, mas haverá o equilíbrio emocional pleno, se efetivamente tivermos nos capacitado a convivência com ele. Como chegar a este estado de enfrentamento dos fatos? Procurando entender com a mente tranqüila isto que foi escrito, sentindo com profundidade o impacto destas declarações, por certo despertar-se-á a energia necessária para tal. Se amamos realmente uma coisa, a própria energia do amor exterminará as condições adversas e impedirá a intervenção do intelecto ou pensamento, que impede a percepção do fato, tal como ele o é na realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É praticamente impossível às pessoas descrentes tornarem-se deprimidas, isto porque não tendo posições falsas a defenderem, a mente fica imune de conflitos. Sendo a personalidade uma conseqüência da cultura, da tradição e da própria experiência, obviamente para se proteger lutará contra tudo e contra todos que tentem lhe arrancar uma das partes de sua formação; mas como no íntimo, esporadicamente lhe vem o vislumbre e a desconfiança de que as crenças são um absurdo, e que na verdade nada lhe têm acrescentado de útil, é acometida de decepção por si própria. Começando a perceber a sua fraqueza, e tendo horror de encarar de frente esta realidade, inventa uma série de evasivas: justificativas, sublimações, tentações satânicas etc. Mas a desconfiança persiste no âmago, a teimosia também persiste em não abandonar o engodo, pois a personalidade que também é falsa teme destruir-se, e a depressão é implantada - já que as informações falsas contidas na memória é a personalidade carente de realidade para ser feliz, luta desesperadamente para superar os seus conflitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vezes por outra, alguém no sofrimento tirano “permite” que a dor o “mate”, e então, como em um passe de mágica, a personalidade falsa morre, ocorrendo o renascer de uma nova mente, uma nova personalidade, saudável e imorredoura. Esta realização, no entanto, é algo praticamente utópica nas condições em que se encontra a mente, pois o seu envolvimento com o pensamento é tão antigo e profundo que se nega terminantemente a sequer entender o problema, por mais simples lhe seja sugerido mesmo por alguém confiável, que se tenha como possuidora de grande equilíbrio emocional e reconhecidamente idônea. Observe-se como o hábito, ou acostumar-se a alguma coisa, cria na mente uma imposição de domínio, de profunda escravidão, um autêntico estado hipnótico. De tal forma é o apego as suas desgraças, que temem aquilo que fala gostar de possuir - a felicidade tão decantada pela própria consciência. Todos gostariam de abandonar os seus vícios, de fumar, beber e etc., mas não há como livrar-se de um, sem que se contraia outro substitutivo. Chega-se a idolatrar seu ódio e violência, por se ter a ilusão de serem os promotores de força moral e atos heróicos, sem a mínima previsão de se estar marchando para a penitenciária, depressão, suicídio ou manicômio. A mente é mestra em enganar a si mesma, fingindo até mesmo de que não é capaz de fazê-lo. Não quer se livrar do condicionamento por sentir-se falsamente protegida por ele, como o animal peçonhento, que não abandonaria o seu veneno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade só poderá apresentar-se àqueles que realmente estiverem interessados nela, e não naqueles buscadores de conformação, de consolo, de recompensas ou escapar às punições impostas pelo condicionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se percebe que algo não tem valor, tal como moedas falsas, não o utilizamos mais; assim deverá ocorrer com os conhecimentos psicológicos, quando efetivamente percebidos como nulidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Religião é a capacidade que alguém tenha adquirido em comportar-se condignamente no ambiente em que vive, respeitando as pessoas os animais e a natureza; não criando problema algum, vivendo com mansidão, ao invés de fazer movimentos de paz ou da não-violência, pois, isto apenas demonstra o desejo que se tem de não ser molestado ou violentado e nenhuma capacidade para eliminar sua própria violência e auto-interesse. Se percebermos a nossa hipocrisia, por certo deixaremos de fazer tanto circo a respeito de como se comportam as outras pessoas, e assumiremos o fato de que precisamos mudar, melhorarmos a nós mesmos. Assim, o mundo será melhorado pela ação do próprio exemplo de dignidade e decência, afastando definitivamente a ilusão de ensinar aquilo que não possuímos em nós mesmos. “Dizer é fácil; fazer é que são elas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Efetivamente, só deixaremos de escapar ao que é quando a verdade se nos apresentar – vermos que a compreensão imediata de todos os desafios emergentes a cada instante, é de fato a verdade, pois evita a incompreensão e o medo. Perceber “o que é” – uma corda, por exemplo, ao invés de uma suposta serpente, evita que o conflito faça morada no campo mental, preservando-lhe a serenidade. Ao compreender uma coisa, tem-se a sua verdade e a ação daí originada está imune de deformações. Neste estado em que a mente percebe não mais ter necessidade de lutar por coisa alguma, permanece apenas no estado de receptividade – atenta aos movimentos do pensar, sentir e agir. O que realmente for necessário à sobrevivência, como um todo, é-lhe oferecido espontaneamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Capítulo 03&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos um só espírito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas potencialmente têm a mesma personalidade; são idênticas no pensar, no sentir e no reagir; a diferença parece acontecer tão somente em atitudes oriundas do poder aquisitivo, social e cultural; mas, no aspecto da agressividade, maledicência, perfídia, hipocrisia, não se percebem diferenças; são como as sementes de uma mesma fruta que têm em si codificadas, como nos genes humanos, todas as informações para produzirem as árvores e frutos da mesma espécie. Os princípios cósmicos vivem em cada um de nós. Quando alguém cai e morre, continuam em nós outros, como a luz ao apagar-se outras lâmpadas e outros sóis, continuam a brilhar.&lt;br /&gt;É interessante abandonarem-se todas as influências, tanto as adquiridas em experiências próprias quanto as que constantemente estão nos sondando, quer pela imprensa escrita e falada ou simplesmente em conversas amistosas. Não se deve crer em coisa alguma, mas, estar atento com todos os sentidos em alerta, afim de que efetivamente, se descubra o que de fato funciona ou não. Com esta seriedade perante a vida, por terem percebido que os nossos orientadores estão tão perdidos quanto nós mesmos, marcharemos para o desdobramento de nossas potencialidades mentais, colaborando de forma consistente e duradoura para uma sociedade saudável, digna de autênticos seres humanos. Esta seriedade de enfrentamento aos fatos cotidianos, deverá ser de tal responsabilidade, que o indivíduo descobrirá a liberdade quanto as suas próprias influências, isto é, perderá a presunção de auto-suficiência e mania de persuadir a quem quer que seja - será um eterno aprendiz do livro da vida; não será guia nem seguidor de ninguém. São nas páginas do livro da vida, nos acontecimentos do cotidiano que estão impressas as verdades eternas, e, portanto, dignas de serem apreendidas e, isto ocorrerá, se realmente estivermos interessados em todos os seus momentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante livrar-se de todas as influências, principalmente as nossas próprias que consideramos importantes, por terem sido baseadas em nossas experiências sobre os fatos observados, mas normalmente contaminados pelos pensamentos. “Experienciar” e o “estado de experimentar”, são absolutamente diferentes. No “estado de experimentar”, os pensamentos estão omissos; a percepção é que está atuando, o que faz com que os fatos sejam revelados segundo sua autêntica natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podemos deixar que a realidade dos fatos, correspondente a nossa situação de agora, estando a nos deixar medrosos, ansiosos, impacientes e agressivos, prossiga naturalmente a nos degradar moral e fisicamente. Renunciando alegremente ao passado e ao futuro e, com vigor, permitindo que os acontecimentos surjam, passem e terminem sobre nossa vigilância passiva, sem reclamações e sem desejar livrar-se deles; ver-se-á a capacidade mágica, de como a consciência alerta transforma-os em condições razoáveis e impossíveis de criarem qualquer seqüela ou resíduo conflitante. Sendo cada um de nós responsável por toda degeneração da raça humana, pois como a semente da fruta, possuímos codificadas nas células cerebrais todas as condições que levaram a sociedade ao nível catastrófico em que se encontra; e, como sagazmente procuramos os culpados, para ficarmos como inocentes, por temermos descobrir que nada temos a ver com a auto-imagem magnânima forjada por cada um de nós, ficamos impossibilitados de resolver esta complexa questão. Somente quando o homem tiver o mínimo de dignidade, poderá sentir com profunda compreensão a sua responsabilidade, partindo daí para uma ação capaz de transformar-se radicalmente, dando então sua efetiva colaboração pelos exemplos de honradez e justiça - assim como só uma pessoa saudável pode cuidar de outras pessoas em estado doentio. Obviamente uma condição mórbida só poderia contaminar, em vez de curar. Somente quem não tenha força moral para cuidar-se, propõe-se a cuidar de outrem. Quando se alcançou o senso de autêntica moralidade, então esta pessoa tem a percepção para tornar-se um ente humano autêntico, capacitando-se pelo novo vigor, a promover a cura social. Quando efetivamente respeitamos as pessoas não precisamos fazer nada por elas. Se não as roubássemos em seus direitos em tudo que a terra produz, não haveria a necessidade de alguém erguer a mão para dar ou receber, como esmolas, coisa alguma. A mãe-terra que as gerou tem em si a capacidade e obrigação de criá-las e alimentá-las, fartamente com dignidade e amor. Para que a humanidade alcance tal nível de percepção, terá que surgir espontaneamente em sua consciência o fulgor da visão intuitiva - o despertar psíquico. E isto ocorrerá pela atenção consciente à toda problemática que de forma contínua está ocorrendo dentro de cada um de nós, a todo instante.&lt;br /&gt;O sentimento de culpa leva-nos à penitência, e a um mecanismo perfeito para o envolvimento com as pessoas, tirando “uma” de guarda do irmão. Isto é sem dúvida, o reflexo de seu pequenino ego. Enquanto desejarmos alguma coisa para nós mesmos, nunca teremos nada para oferecer a alguém. Mas os espertalhões fecharam os olhos a isso e, aproveitando-se da grande maioria dos incautos e medrosos, transformaram suas prédicas religiosas em um dos mais rentáveis negócios, justamente agora, quando o povo está em crise econômica e psicológica, profundamente carentes de uma autêntica espiritualidade que os pregadores não têm sequer para si mesmos. São pessoas “de princípios”, por isso desonestas por não agirem por si próprias, mas segundo a disciplina daqueles princípios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A autêntica moral nos proporciona um vigor intenso - justamente por ter tido a coragem de abandonar toda influência - impelindo-nos à pesquisa e ao descobrimento dos fatos morais por si mesmos. Esta é que é a condição altaneira que a mente alcançou: o estado de liberdade tão decantado em versos e em prosas, mas tão desgraçadamente incompreendido. Em se percebendo esta verdade o homem nada mais precisa fazer; a total transformação da mente ocorrerá de forma automática e instantânea, numa prova inconteste de que a compreensão acontece de forma atemporal; e com o sentir profundo dos fatos, sem medo e sem motivos de mudança - isto é, sem querer alterar os fatos, mas tão somente senti-los até que se revelem por si mesmos, tais como o são em suas próprias naturezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se já estivermos conscientes de que, como pessoas humanas, somos idênticos, como um gato ou um cão, um tigre ou qualquer outro animal são exatamente, em qualquer parte do mundo, absolutamente semelhantes - diferindo-se apenas por suas características regionais e “raças” - compreenderemos lucidamente que nossos sentimentos nos trarão a compreensão de que todas as circunstâncias apresentadas são exatamente as mesmas. Com esta conclusão não precisaremos mais andar em busca de informações alheias, pois já descobrimos que podemos obtê-las genuinamente por nós mesmos e com a convicção de que são autênticas - por terem sido constatadas pessoalmente pela atenção consciente e silenciosa às crises apresentadas.&lt;br /&gt;Capítulo 04&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falácia dos “Eus”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em estudos psicológicos sobre os fenômenos mentais falam-se da existência dos “Eus”, superior e inferior. O “Eu” superior seria por certo a entidade imorredoura, permanente, sapientíssima - a alma. O “Eu” inferior seria a auto-imagem, o ego, a imagem fictícia, durável até o momento em que o ser humano se apercebesse de sua falsidade, despertando o “Eu” superior; que seria o seu renascimento, sua glória para a vida eterna. Compreendendo-se, no entanto, que estas entidades são projeções do pensamento - reacionário às ânsias, ao medo e às esperanças, contidas na memória desaparecem como tudo aquilo que se tenha percebido ser ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convém que se saiba realmente o que são os símbolos denominados - Eu superior e Eu inferior - O “Eu” superior simboliza o estado em que a mente estando livre do condicionamento age sempre corretamente, por estar sob o comando da visão intuitiva. O “Eu” inferior é o estado em que a memória age compulsoriamente, segundo as informações e experiências adquiridas durante a vida aqui na terra - e as congênitas transmitidas pela nossa ancestralidade. É a compulsão (força do hábito) a causa da tragédia humana. Com a autocompreensão, surgida após se ter libertado a mente dos conhecimentos obtidos de outrem e das próprias experiências - estas influências impedem as pesquisas através da atenção plena aos acontecimentos, no auge dos mesmos, quer de natureza íntima ou externa - todos os segredos do campo mental vêm à luz, regenerando o cérebro, pois, estando vazio dos conhecimentos psicológicos, a intuição assume o seu comando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admito a regeneração das células cerebrais, porque tendo elas os registros, experiências e conhecimentos, que têm induzido aos fatos cotidianos, quando é percebido o desastre e sofrimento causado por estas ações e reações, de imediato deixam de dar continuidade a este procedimento, passando então a agirem de forma diferente. E para que esta mudança tenha ocorrido, necessário se fez uma regeneração celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o surgimento do verdadeiro ser humano que um dia haverá de povoar a Terra, onde a nova sociedade, absolutamente sadia, trabalhará com um único objetivo: manter o mesmo nível de vida para todos, através de uma política de absoluta igualdade, onde a colaboração generalizada, será o fato digno de uma autêntica civilização, consciente de que todos somos um, e que todos têm direito a condições e posses exatamente iguais; somente assim haverá harmonia plena, uma só família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A compreensão profunda de que não se pode resolver problemas psicológicos de hoje com idéias e experiências adquiridas de outros ou próprias - por que o passado nada tem a ver com o agora, ou seja, a memória nada tem de comum com a dinâmica do presente -liberta a mente deste mecanismo gerador de problemas e, em vez de procurar soluções, detém-se tranquilamente diante do fato, sentindo-o profundamente sem nenhuma reação. É necessário que se observe o surgir e o findar do pensamento ou sentimento, para se ter a sua compreensão plena.&lt;br /&gt;Atentemos bem para este aspecto que nos parece de primordial importância: na vida não existe realmente um único problema causado por qualquer forma experiencial; mas, a perturbação mental é nos imposta, exclusivamente, pela reação contumaz, ao desafio que se nos apresenta, e não pelo fato em si. A reação tradicional em se livrar do problema doloroso é procurar uma solução, em vez de conviver com o mesmo, afim de compreendê-lo. É justamente nesta busca de solução que se perpetua a permanência do conflito. É urgente que o compreendamos, pois, assim descobriremos que os conflitos não têm solução e, sim, dissolução. Quando os pensamentos cessam, os conflitos apagam-se da mente, tal como o fogo, ao retirar-se o oxigênio do ambiente onde ocorre o sinistro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se finalmente tivermos a coragem de ver que vivemos uma vida miserável, que a chamada civilização é um terrível engodo, um “túmulo caiado”, que as filosofias, psicologias, teologias e todos os escritos para melhorar esta desgraçada raça humana, em nada a melhorou em seu caráter moral, nunca mais, em tempo algum, utilizaremos a memória ou o pensamento para interferir em questões psíquicas. Se deixarmos de pensar e sentirmos plenamente o estado depressivo, nesse enfrentamento, seremos felizes. Urge, então, que tentemos isso; afinal, que há de se perder se experimentarmos a falsidade ou a realidade dessa questão? Se tentarmos nos compreender, o conseguiremos; e, assim, nunca mais lamentaremos a vida, não temeremos a morte. A compreensão guiará nossos passos, acabando com o sofrimento e trazendo-nos a paz tão sonhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o homem quer deixar um hábito qualquer como fumar, beber ou roubar, entrará imediatamente em conflito, pela contradição do presente momento de ter o vício e o momento posterior que seria o de não ter o vício. O conflito está implantado ao se tentar resolver um fato com teorias. A teoria é o não-fato, e como tal, nada tem a ver com o fato que é a questão do vício a ser eliminado. Somente a sua compreensão, ao ser percebido pela atenção consciente, poderá erradicá-lo. Tudo que é compreendido deixará de ser problema - A impercepção do que está ocorrendo é que causa conflito; ao se perceber o que está acontecendo, a existência da compulsão desaparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um vício, ou qualquer situação irracional, para serem exterminados, não podem sofrer resistência alguma; mas que o homem permaneça perceptivo ao seu constrangimento e inconveniências que provocam, antes e depois de satisfazê-los. Sendo o vício uma parte daquilo que somos, como os chamados defeitos e virtudes, é necessário que os conheçamos adequadamente, afim de que cônscios de suas propriedades, a percepção assuma o comando sobre o “eu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mente utiliza os vícios como um mecanismo de compensação, com o objetivo de fugir a dor íntima, em cada um de nós, para encontrar alívio e prazer. Toda vez que a mente se vir compelida a abandonar aquilo a que está acostumada - condicionada - automaticamente começa a registrá-lo novamente, fortalecendo-o cada vez mais, escravizando-se e deprimindo-se. Entendido isto, a mente continuará à prática de seus vícios tranquilamente, observando-os, em vez de reagir ou fugir para outros. Se, efetivamente, a observação for profunda, ocorrerá o “eureka” que extirpará todos eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise é importante para que o homem faça um apanhado da sua situação. Ao perceber onde se encontra o perigo ameaçador, o homem pára e reflete, evitando naturalmente o desastre. Mas se quiser eliminar com segurança o conflito, não poderá contar com os conhecimentos, e sim com a atenção plena. Isto porquê o tomar-se conhecimento do que aconteceu, ou acontecerá, não tem funcionado eficazmente - temos deixado de viver o que “acontece” e ficamos perdidos a olhar para o passado e o futuro. Sabemos as causas e conseqüências dos vícios: drogas, alcoolismo, tabagismo, orgias, jogos e etc. No entanto nunca foram sanados pelo intelecto. O intelecto deve ser usado para comunicação, e na apreciação dos fatos. É perda de tempo utilizá-lo como solução nas questões sentimentais. Minimizar a compulsão é diferente de eliminá-la. Quanto mais o homem investiga dentro de si mesmo analiticamente, mais permanece sendo o que é, pois o revolver o passado, que é a memória repleta de frases feitas e soluções fabricadas implica na consolidação do ego. Então, convém eliminar-se esta prática, pois somente a investigação silenciosa (observação imparcial dos movimentos mentais) pode contribuir com o término do condicionamento, de forma radical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o despertar da mente faz-se necessário estar, intencionalmente, atento a tudo que acontece objetiva e subjetivamente, para que se compreenda de imediato o que está ocorrendo. É interessante, para que se tenha radicalização definitiva dos problemas que nos afligem, como seres humanos, perceber que a análise dos acontecimentos só tem importância para orientar a situação em que nos encontramos e, então, em um estado mais tranqüilo, assistir conscientemente ao filme de terror que a mente está exibindo. E ao assisti-lo, corajosamente, veremos que este filme é um blefe, tal como os da televisão e do cinema, que nunca causam danos às suas telas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o pensamento silencia diante de qualquer fato ou experiência, constantes em nossa vida cotidiana, eles são compreendidos naturalmente e isentos de conflitos. Isto porque, não sofrendo avaliação alguma pela intromissão da memória, os acontecimentos surgem e terminam deixando suas mensagens corretas, extirpadas de forma direta, sem necessidade de qualquer raciocínio, ou informações adquiridas de segunda mão, ou seja, conhecimentos acumulados provenientes de outras pessoas, através da imprensa falada e escrita. Nossa percepção do mundo interior e exterior vem da convivência de outros eventos, codificados nas células cerebrais, desde o surgimento do primeiro animal, que por certo, deu origem ao homem. A esse processo intuitivo, proveniente de percepções registradas nos neurônios das profundezas do cérebro, costumo referir-me a elas como provenientes do “vazio da mente”. Chamo assim, por ter percebido, nas minhas memórias silenciosas, que elas parecem surgir “do nada”; do profundo vazio da mente, onde a tranqüilidade e ausência do eu, é algo imensurável e indizível. Adiante falaremos sobre as células especiais, cuja sabedoria cósmica é despertada, aflorando à consciência pelo silêncio do cérebro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tenho enfatizado, em repetições várias, cumpre que se observe profundamente todo o movimento reacionário do pensamento ao invés de se buscar informações de outrem para resolverem os conflitos. Não têm funcionado, e as pessoas teimam em tentar, sem nunca pararem para sentir, que a realidade de suas pretensões não tem obtido êxitos e, portanto necessário se faz abandoná-las definitivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tiverem a ousadia de observar como as traquinices de uma criança o perturba; como as pessoas nos transportes coletivos, ou outros lugares de aglomeração social, estão sempre se comportando de formas irracionais e, vivenciarmos todas estas manifestações pungentes, aceitando-as, como sendo um “holocausto psíquico”, o nosso crescimento, como pessoa, será magnânimo. Todo o autoconhecimento nascerá desta posição, perante os fatos constrangedores que se nos apresentam ininterruptamente, desde o nascimento até a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem autoconhecimento o homem não significa coisa alguma, além de um animal vivente, hipócrita e covarde. Somente libertar-se-á o homem da sua irracionalidade, quando, efetivamente, despertar para a autopercepção criadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autoconhecimento não significa ter conhecimentos sobre si mesmo; mas descobrir os conhecimentos por si mesmo, que já se encontram inseridos nas células cerebrais, desde quando o universo os codificou, extraindo-os dos seus próprios princípios eternos e imutáveis. Há uma sabedoria que faz morada em algumas células cuja existência eterna, é inerente à natureza destas células, e despertada pela observação silenciosa. A compreensão das informações obtidas através dos sensórios, vem à nossa consciência pelo estímulo das experiências que se nos apresentam a cada instante, o que nos faz lembrar ou abortar os códigos secretos existentes em células nervosas especiais, desde quando se formaram para a composição do organismo animal. Sendo a consciência uma só, mais que, no entanto, o desenvolvimento das habilidades em cada animal depende das inúmeras experiências vividas por cada um deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O universo através das suas leis ou princípios criou tudo que existe. Sendo indescritíveis e incontáveis, eles se apresentam dando vida e significação a todas as criaturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A “vida” é eterna e sempre esteve recriando os universos, através dos seus princípios. Na verdade nunca houve o primeiro Fiat Lux. A matéria universal é coexistente com seus princípios eternos. Galáxias contraem-se e expandem-se a todo instante em suas mortes e nascimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando é dito que a compulsão termina em se compreendendo o condicionamento, as pessoas mostram-se estupidamente incrédulas, pois sentem que já compreenderam tantas situações críticas e não obtiveram os resultados propalados pela auto¬observação. O que elas não compreenderam, no entanto, é que para se alcançar a capacidade da auto-observação, tem que se ter uma preparação decidida à transformação radical da mente, e isto carece de uma atitude advinda do despertar psíquico, que é o fator preponderante para o surgir de um vislumbre intuitivo; como por exemplo, uma nova literatura que lhe venha às mãos e, assim, talvez se sentindo fascinados por ela, dedicarem-se de corpo e alma, afim de compreendê-la, estudando-a profundamente, até perceberem sua viabilidade. Com este estudo virá o autoconhecimento, que será o instrumento propulsor da transformação. Várias situações conduzem ao autoconhecimento, mas têm que vir através da percepção silenciosa, da suprema arte de ver, sentir e ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estando todos os princípios cósmicos codificados nas células especiais, significa que o cérebro humano é pleno de todos os “conhecimentos” que a humanidade possui como teorias estabelecidas pelos descobrimentos ou pelo despertar daqueles princípios. Quando descobertos e teorizados, transformam-se em conhecimentos objetivos que são registrados nas células nervosas comuns, constituindo-se no intelecto, cuja atividade é imprescindível à vivência física. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o conhecimento que o homem possui ou possuirá será apenas interpretações dos princípios eternos. Os princípios da física, da química, da matemática, da música, dos computadores, dos rádios, da televisão, das artes, tecnologias e ciências são princípios eternos e imutáveis em qualquer dimensão do universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 05&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os princípios cósmicos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando alguém se refere à inexistência da vida pessoal, após a morte, é visto de imediato como “materialista” com todas as “cargas” que se atribui a esta palavra. O preconceito, próprio de uma mente obtusa, além de ser autodestrutivo é potencialmente carregado de poderes perniciosos à sociedade, como tem demonstrado a história milenar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os preconceitos são argumentos dos insensatos, que temendo inconscientemente a realidade drástica da sua própria vida, e não tendo capacidade moral de enfrentarem a situação, a qual por certo, iria lhes tirar o privilégio social, utilizam-se deles como meio de escape. Quanto mais se foge, mais o medo e o crescimento do conflito tornam-se maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os preconceitos são finalmente enfrentados, a mente livre poderá, então, ver os céticos como os verdadeiros crentes das verdades factuais que se experimentam, e dos princípios cósmicos, razão de tudo e de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espíritos não são entidades individuais, porém, “princípios” que agem em cada espécie diferente de animais, vegetais e minerais. Um gato, um homem ou outro animal qualquer têm sempre as mesmas características de condutas básicas em todo o planeta, podendo apenas diferirem, nos tipos físicos, aparências e cores, mas basicamente têm o mesmo princípio, ou seja, um princípio desenvolve as características aos homens, outro aos gatos um terceiro para os cães e assim indefinidamente. Ao morrer um homem, acaba apenas o organismo deste, mas o princípio permanece e continua dando seqüência à produção de outros homens - o mesmo acontece com os princípios da matemática, da música, da mecânica ou da química e etc. As transformações que existem conhecidas ou não, atestam a potencialidade infinita desses “princípios”. “A única coisa que não muda é a mutação”. “Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. Estas são leis básicas dos “princípios”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os princípios estão codificados nas sementes, assim como nos genes humanos, onde o princípio criador tem a sua morada. Em cada fruto os princípios, existentes em suas sementes, dão origem a diversas árvores e, assim, sucessivamente para tudo que existe na natureza. Logo tudo é eterno, pois, mesmo que a terra seja destruída amanhã, “os princípios criadores”, abrangendo todo o “cosmos” irão recriar tudo, em alguma outra parte do universo material. Sempre haverá o “Fiat Lux”. Esta ordem reside no silêncio e no vazio cósmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os princípios cósmicos permanecem latentes nas profundezas do cérebro, e não têm aflorado à consciência, porque o homem parou de aprender e apenas está a acumular informações de segunda mão. E esta condição está tornando a mente do homem mecânica, fazendo-a perder as sensibilidades compatíveis com autênticos seres humanos. É necessário que volte a aprender, descobrindo pessoalmente situações novas, pois somente assim deixará de ficar repetindo os mesmos comportamentos físicos e morais, descaracterizando a humanidade, naquilo em que um dia haverá de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As tolices de nossos ancestrais como crenças generalizadas, padrões disso e daquilo, numa sistemática repetitiva têm tornado o desempenho cerebral cada vez mais obtuso, incapaz de penetrar profundamente em algo que realmente possa resolver as questões humanas, hoje, tão destituídas de um sentido digno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que temos de acreditar em alguma coisa, que nos foram contadas por palavras ou literaturas, se não podemos constatá-las por nossos sentidos físicos e intuitivo? Tudo que nos induziram a aceitar como verdadeiro, não passa de imagens que vivemos repetindo e nos acostumamos gostosamente com elas - com tanto apego - por serem consoladoras, embora não resolvam nada como se tem percebido em nossa vida cotidiana - tornaram-se “um mal necessário”, tal é a nossa desdita e o nosso sortilégio psíquico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca se deve divulgar uma mensagem sem que a tenhamos constatado como uma realidade vivenciada pessoalmente, de forma consciente e profunda. Quando é transmitida assim, a mensagem que já é nossa, por que já faz parte de nós, do nosso caráter, ela terá uma força tremenda para induzir ao sucesso outras pessoas, pois representa a expressão da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma verdade quando intuída pessoalmente, reveste-se de uma energia tremenda, que além de influir milagrosamente às outras pessoas, renova a mente de quem a percebeu, dando-lhe saúde e lucidez. Quando me refiro ao intuitivo, faço-o no sentido em que a compreensão esteja ligada à sabedoria, proveniente dos recônditos mais profundos do cérebro, cujas células nervosas, guardam-na desde os primórdios da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observe-se o pensamento quando surge, e verá que ele se transforma em sentimento - o qual é um pensamento expressando uma ansiedade, como o medo ou um desejo - e às vezes, como ação. Continue a observá-lo até que se extinga naturalmente e desapareça do campo mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As informações com as quais estamos familiarizados e as transmitimos como raciocínio ou explicações coerentes, dizemos ser pensamentos e que emanam da consciência. As informações carregadas de ansiedade, de angústia, satisfação, perturbação, enfim, aspectos emotivos, dizemos ser sentimentos nascidos do inconsciente, por que, naturalmente, são compulsórios; surgem mecanicamente e atuam de forma imprevisível e perigosa, podendo criar situações cons-trangedoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que a memória guarda foi percebido pelos sensórios, e tudo que foi percebido sempre existiu nos princípios cósmicos, assim como o processo evolutivo e as alterações nas características animais, conforme as condições ambientais nos aspectos físicos, químicos, psicológicos e econômicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós não pensamos; somos o pensamento que insinua existir o pensador.&lt;br /&gt;Existindo somente pensamentos, compreende-se que não somos indivíduos e sim, todas as pessoas e coisas existentes no mundo. Quando uma pessoa morre significa que estamos, apenas, perdendo uma das pessoas que somos, e que, na verdade não nos faz falta alguma, pois outras estão nascendo, e cada vez mais, em maior quantidade. E não existimos apenas como pessoas, mas em tudo o que existe, pois somos singularmente o universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como as coisas materiais são de acordo com desenhos e plantas arquitetônicas, as idéias também são conforme os princípios cósmicos.&lt;br /&gt;Os princípios da física, da química, da biologia, da matemática e da música, são os fatores naturais à performance cósmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 06&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ilusão do cérebro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das maiores ilusões a que se apegou o cérebro, é a de que ele se conhece ou pode conhecer-se, utilizando-se do seu conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estando condicionado pelos inúmeros hábitos e vícios, o cérebro sequer pode ver a sua desastrosa situação. Para que pudesse ver a sua desdita, teve primeiro que perceber em outros suas capacidades de organizarem-se mutuamente, e a partir disso, desconfiar e questionar seu próprio estado. Com o interesse pela questão, pois começou a vislumbrar a perspectiva de uma qualidade psicológica superior, dedicou-se à procura de poder penetrar cada vez mais profundo na sua subjetividade. Com a penetração conseguida pela observação silenciosa, a um nível de o pensamento não mais interferir como sensor e avaliador moral, as reações da memória tornaram-se compreensíveis a tal ponto de os conflitos serem efetivamente compreendidos e eliminados. Mas, para que a eliminação do observador seja possível tem-se que perceber intrinsecamente, como revelação do autoconhecimento, e nunca se esperando que possa ser apreendida através da comunicação em palavras, orais ou escritas. Com o reconhecimento dos conflitos surgentes no âmago, interferem em seguida outros pensamentos como “sensor moral”, avaliando e tentando modificar a crise; é justamente esta interferência que viabiliza a sua continuidade no campo mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A autoridade dos mestres e dos livros não têm nenhuma serventia para o ensinamento daquilo que é impoluto, imenso, maravilhoso. A verdade é inédita, tem que ser percebida; não pode ser ensinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade terá de vir a cada um de nós, quando, espontaneamente, ocorrer a capacidade de ver e ouvir todos os eventos que se nos apresentem, durante os momentos em que se tenha a oportunidade de contatá-los. Esse contato, obviamente, só poderá ser feito diretamente com o fato, estando o cérebro silenciosamente atento. Aí, sim, a “Mente” ou inteligência cósmica, entra em sintonia com as células nervosas, regenerando-as, eliminando todo o código impresso que as compele às reações neuróticas e mecânicas. As repetições de registros intelectuais e “não factuais” vão cada vez mais lesionando as células nervosas, ao ponto de adoecê-las, influindo nas células totais do organismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao se enfrentar todos os desafios que se nos apresentam, com a atenção pacífica e silenciosa, os registros e reconhecimentos deixarão de ser feitos o que, pelo discernimento alcançado pela própria ação do silêncio, na qualidade de tornar possível a compreensão imediata de toda a ocorrência, fará com que as células comecem a cicatrizar-se até o alcance total de regeneração e eliminação conseqüentes dos seus registros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que pensamos, experimentamos com prazer ou sofrimento, realizando ou deixando de realizar, proveio de pensamentos, nossa cultura - da programação estabelecida pelos sistemas dos relacionamentos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autoconhecimento que na verdade é a revelação de si mesmo, ou auto-revelação, por si só cria o percebimento, simplesmente pela atenção consciente às reações do pensamento, constantes dentro de nós. Não há acúmulo de conhecimentos, mas apenas surgimento de nova capacidade para se cuidar de todas as coisas de forma correta sem carências de teorias ou raciocínios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há como explicar a ação intuitiva, nem forma alguma para promovê-la, ela simplesmente acontece em um momento qualquer e termina da mesma forma. Como por exemplo, poderia apresentar a situação do sono, que começa e acaba sem que se tenha consciência alguma do fenômeno. Ninguém percebe os atos de quando se dorme ou quando se acorda, é um fenômeno realmente impressionante, tal como o próprio sonho, vem do vazio e para o vazio retomam. A intuição, o sono e o sonho são fenômenos atemporais. Em se vivendo atemporalmente, vive-se efetivamente em outra dimensão de consciência, a qual é a expressão da verdade, onde as ilusões não têm cabimento. A visão intuitiva que é a inteligência suprema é inexplicável, inédita; as palavras, as explicações que possam partir de uma fonte profunda têm as características altaneiras, sem nenhuma relação daquelas provenientes da memória, as quais se apresentam sempre, superficiais e não convincentes, por serem limitadas e contraditórias; em que existem sempre desejos antagônicos. A percepção utiliza-se do conhecimento exclusivo dos significados das palavras para expressar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o autoconhecimento, percebe-se a coisa certa embutida ocultamente na coisa falsa, que se ouve e se vê corriqueiramente em diálogos, palestras, literaturas e comportamentos pessoais. E tem-se a compreensão de não reagir, permitindo que o acontecimento revele-se tal como o é em sua natureza. Com o percebimento, as reações que através das lembranças condicionadas, afloram da inconsciência para a consciência, são promotoras dos conflitos; este mesmo percebimento será a causa terminal deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em se percebendo algo, transforma-o em conhecimento, e, com este conhecimento tenta-se resolver uma questão psicológica, nada de concreto será realizado. O conhecimento por ser limitado, não afetará profundamente a raiz do problema e, o pior, dará condições de continuidade ao mesmo. Um problema é sempre limitado ao se ficar envolvido com ele, e é isso que fazemos quando se teoriza a coisa. O problema quando percebido intimamente dá-nos a resposta vinda do silêncio da mente, como uma revelação, e esta resposta tem a realidade e profundeza de sua origem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autoconhecimento, como parece sugerir a própria palavra, não é conhecimento de si próprio, mas percebimento de suas reações mentais. São justamente estas reações que dizem a respeito do que somos. Somos as nossas reações, todo o conteúdo da nossa consciência. É da percepção dos movimentos da mente que temos a compreensão de tudo que ocorre, de forma incontinenti. Nem sempre aquilo que é assimilado pela percepção é possível transmitir através de palavras, tal como não se poderia descrever os sentimentos ou emoções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Psicologicamente, sem autoconhecimento nada de útil pode se realizar, por que para que haja harmonia, estética, realidade, faz-se necessário uma compreensão profunda daquilo a ser realizado. E, somente o autoconhecimento proporciona o discernimento efetivo para as invenções e criatividades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém pode nos dizer alguma coisa que expresse consideração, simpatia ou amor e também a expressão oposta: desrespeito, antipatia ou ódio; mas, a realidade ou falsidade destas expressões, só podem ser detectadas pelo sentir pessoalmente; e, esse sentir provém do autodescobrimento; sem o qual é impossível viver uma vida plena. Isso parece ser bastante claro, quando é feita uma declaração em palavras; e depois, um comportamento ou uma atitude se manifesta ao contrário e, pelas ações ou reações, pode-se perceber, melhormente a autenticidade dessas expressões. Esse percebimento é intrínseco, é a nossa própria luz, que nunca se engana; é esse sentir por si mesmo, o que constitui o autopercebimento. Aí, está a autêntica meditação, fator imprescindível para as atitudes coerentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mente usa truques como “chavões” para enganar-se e enganar a tantas outras, induzida pelo instinto de autopresevação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os truques que a mente nos prega, como as crenças, divertimentos lúdicos, cultivos de teorias, divagações, métodos psicológicos para o desenvolvimento interior e auto-análise, nos afastam de “o percebimento daquilo que é”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma atividade nos é necessária além da percepção holística das coisas observadas, como desafios, pensamentos e sentimentos. Se permitidos forem seus desdobramentos, florescendo até o ponto de murcharem por si mesmos, a mente tornar-se-á una com o universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivem-se duas realidades: a realidade que é e a realidade que se imagina; que gostaríamos que fosse. Ao se perceber efetivamente esta contradição básica da mente ver-se-á também que uma energia tremenda é despertada, o que induzirá de forma natural à libertação de todos preconceitos, e ao enfrentamento consciente aos desafios, sem condenação, sem medo e sem luta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 07&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A consciência particular e cósmica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há duas espécies de consciência: a primeira representada pelos movimentos dos pensamentos e sentimentos, como reações da memória, e, assim, dá-se o reconhecimento de tudo aquilo que por ventura já tenha registros de experiências ou informações anteriores. Esta é a nossa consciência, comum a todos os seres humanos. Esta consciência tem como conteúdo todo o conhecimento; ela é o conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra consciência se constitui no vazio e no silêncio; é a mente silenciosa. Ambas só podem existir independentemente; não podem coexistir; a presença de uma implica na ausência da outra. Quando a consciência silenciosa está presente, não há reconhecimento, não há raciocínio e não há conhecimento, isto é, não há interpretação, não há comparação e não há registro e, sim, autodescobrimento e percepção. Esta consciência constituída da onisciência cósmica faz parte de um grupo, ainda desconhecido, e que se manifesta atuando em células especiais, para que o sistema nervoso possa atuar, quando a consciência condicionada silencia. Só quem por ventura tenha tido, mesmo que por um instante, entrado em contato com o silêncio e o vazio da mente, pode ter percebido este tipo desconhecido de neurônios. São estes os veículos da comunicação cósmica, que sendo estimulados por ela, despertam seus códigos e utilizam-se dos conhecimentos das palavras e informações seletivas em outras células, para expressarem-se harmoniosa e sabiamente, tornando possível um comportamento racional e digno de autênticos seres humanos.&lt;br /&gt;A visão intuitiva, que é a inteligência pura, sem causa e atemporal, tal como a luz surgente, clareia e revela todas as coisas, tornando possíveis as mudanças que se façam necessárias, e de forma incontinenti. O próprio ato de perceber a situação presente provê o discernimento apropriado à escolha das palavras certas, para se colocar às claras toda a comunicação do evento - embora as palavras não possam nunca, descrever com realeza um fato, no entanto, para o efeito de comunicação, elas tem o poder de esclarecer às condições relativas, para adequar a situação ao sistema social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O percebimento é atemporal, não necessitando de raciocínio ou atividade intelectual. De ordinário, a percepção intuitiva só ocorre quando da ausência de pensamentos, quando o cérebro efetivamente silencia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comumente fazem-se afirmações a respeito do absoluto ou do desconhecido. Isto é uma insensatez, não se pode afirmar o absoluto ou o desconhecido, por que qualquer afirmação é relativa, e o que é relativo nada tem a ver com o absoluto. O intelecto é o conteúdo da psique, mas quando se manifesta como conhecimento tecnológico ou científico, nós o chamamos de razão, raciocínio lógico ou discernimento, etc. Quando se manifesta em sentimentos, então, os chamamos de psique, ego. Toda a ação tornar-se-á plena, não-problemática, somente, quando os sentimentos não interferirem na percepção, por que estando o cérebro em silêncio, se dará o contato da Mente com as células cerebrais. Este contato, tal como a luz ao exterminar a escuridão, fará as células nervosas exprimirem-se com palavras, idéias e atitudes corretas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante, para prevenir-se contra sofrimentos frustrantes no futuro, questionar como os choques despertarão as causas das mágoas, ocultas na memória, acerca de eventos, tais como: perda de pessoas queridas, perda do emprego, traição por alguém, solidão ou doenças. Quando entendidas todas estas causas, pode-se, então, enfrentar tranquilamente os choques motivados pelos acontecimentos imprevistos. Isto fará com que a mente saia renovada em todas as experiências drásticas e prevenida para novos desafios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela atenção aos movimentos da mente, percebe-se que qualquer tipo de dependência provoca enorme dor, então, quando ocorrer o choque novamente, a causa da mágoa não mais existe, e uma coisa totalmente diferente surge e nos deixa tranqüilos. Pela reflexão, e conseqüente percebimento do que nos fará sofrer, pela ocorrência de uma perda qualquer, elimina-se imediatamente a causa inserida na perda e, assim, quando houver o choque em outra ocorrência, não haverá a presença de mágoa alguma, e ficamos livres do sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando garoto, estava em férias na fazenda de meu avô, e à noite dormia na esteira, no chão da cozinha, acordei-me com um sapo enorme deitado sobre o meu estômago. A partir daí passei a ter um medo terrível deste animal. A simples presença ou mesmo a sua lembrança me causava arrepios; fiquei neurótico, a ponto de agredir qualquer pessoa que me mostrasse um sapo; certa ocasião um colega de trabalho por pilhéria, e sem noção do meu trauma, pegou um e jogou em cima de mim; se outros colegas não me contivessem, por certo teria cometido um desatino. Mas, com a consciência desperta, atenta regularmente aos movimentos constantes da vida, fatos similares já não mais poderão perturbar uma vez que o ato de ver, sentir e escutar se constitui na fase terminal do medo generalizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li algures, em um livro de metafísica, que me despertou um meio de libertar-me do medo dos animais asquerosos e peçonhentos. Dizia a instrução que para se vencer um problema desta natureza, ou qualquer outra de natureza diferente, deveria enfrentá-lo. E ensinava que se imaginasse brincando com o animal, acariciando-o e convivendo pacificamente com ele. A instrução dizia ainda, que a mente não difere o fato da imaginação. Imaginei a situação sugerida e me libertei realmente, do medo psicológico desses animais, inclusive das pessoas. Denomino este método de reflexão metafísica, e acho importantíssimo fazê-lo em relação aos fatores que provocam sofrimento psicológico; é como preparar-se psicologicamente para eventuais sofrimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observe-se como a mente, por não diferir entre a realidade e a ficção, tem eliminado o medo de assombrações que as pessoas tinham a respeito de filmes de terror ao assisti-los, e que após a familiarização com eles não mais se perturbam, e devem até vir a superar quaisquer superstições; tendo de forma natural, uma libertação de vários problemas emocionais, causados por uma mente medrosa. É interessante que nos acostumemos com aquilo que não gostaríamos enfrentar, afim de que se elimine o constrangimento ao encontrar-se eventualmente com o indesejável. A mente, não diferindo a realidade da ficção, pode permanecer tranqüila diante de um fato real, quando já estiver acostumada com o quadro ou situação fictícia. Assim, colocando-se encima dos móveis objetos representativos de animais e coisas que nos constrangem as pessoas, principalmente crianças, ao se familiarizarem com elas, eliminarão os seus medos inconscientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reflexão metafísica abrange tudo que possa ser imaginado, por que a mente reage emocionalmente tanto a respeito de fatos reais quanto a imaginários. Quando estamos sonhando temos emoções equivalentes àquelas que experimentamos no estado de vigília. Os cinco sentidos operam normalmente, e o sonho só passa a ser irrealidade quando acordamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma outra ocasião, quando morava em alojamento, com operários colegas meus, na portaria preso à parede, junto ao balcão onde ficava o vigia, estava um quadro de madeira, cheio de pregos, onde se colocavam as chaves dos quartos. Sempre que alguém chegava ao alojamento, pegava a chave correspondente ao seu quarto, recolocando-a de volta ao sair. Um dia, estando ansioso, por certo, para descansar após o período de trabalho, ao entrar no alojamento, esqueci-me de pegar a chave, e ao chegar à porta do quarto, fiquei possesso, e esbravejei neuroticamente, pois teria que voltar à portaria a fim de pegá-la. Felizmente, na própria reação de raiva, percebi que o culpado pela desatenção era eu mesmo e, assim, tomei uma atitude surpreendente: voltei à rua e depois, passando propositalmente pela portaria, fingindo ter esquecido de pegar a chave, e atento às reações que por ventura surgissem na mente, constatei que a mente se comportou sem reação alguma, e nunca mais me aborreci com este tipo de ocorrência. Algo fantástico aconteceu evidentemente: as reações condenatórias, ao perceberem que o estado neurótico apresentado faziam parte de sua própria natureza, perderam de imediato o incentivo de continuar com o circo contumaz, e parando a luta insensata. Pela percepção do que estava perturbando, houve um contato da consciência comum com a consciência cósmica, e a ação correta foi implantada. A realidade se apresenta quando não há diferença alguma entre o observador e a coisa observada” .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É imensa a importância de se perceber que o observador é o próprio sentimento observado, pois o término do conflito só é possível com esta constatação, no ato da crise - se virmos, efetivamente, que somos as emoções e todo o conhecimento contidos na consciência, perde-se naturalmente incentivo à luta contra nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sofrimento é despertado sempre que se é apanhado de surpresa por algum acontecimento cujos fatores estão adormecidos no inconsciente. Esses fatores são: o apego às pessoas e às coisas; a dependência à autoridade psicológica, a vontade de conseguir algo causador da rotina e conseqüentes frustrações. Em se fazendo reflexões, colocando-se imaginariamente nessas situações, observando-se todo o movimento dos sentimentos e pensamentos, a partir de seus inícios até a consumação dos mesmos, e se realizada profundamente, esses fatores do sofrimento serão eliminados. Quando naturalmente ocorrer um fato inesperado, a mente não mais sofrerá, pois os fatores da mágoa já não existem. Não se tendo um órgão, ou uma parte do corpo dolorido, pode-se tocar neles sem que haja dor, mas, em havendo quaisquer seqüelas, parece-nos que tudo quer atingi-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na observação sem observador, vêem-se as coisas sem reconhecimento, tal como olhar-se para a escrita chinesa ou japonesa, sem que se tenha qualquer condição de identificar os seus significados. É o observador que se apavora com o que por ventura estivesse escrito, porque não sabe como lidar com as circunstâncias e, ao invés de livrar-se, envolve-se com elas. São as imagens tétricas ou maravilhosas que se faz a respeito daquilo que se observa as despertadoras das emoções tristes ou alegres, inertes na memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mente pode chegar a uma capacidade de não intervir, pelo pensamento, na percepção dos fatos objetivos e subjetivos, de tal forma que não tomará conhecimento de qualquer dor, seja física ou moral. Isto não significa que percamos a sensibilidade, mas que o aspecto doloroso, tal como se esteja tratando um dente sob efeito anestésico, impede que soframos. Sente-se o órgão dolorido, mas não há dor. Efetivamente o problema existe, embora a preocupação a seu respeito esteja ausente. Assim como uma dívida não poderia desaparecer mediante uma reflexão metafísica, mas com certeza a preocupação ou ansiedade seriam descartadas definitivamente do processo de pensamentos. E estando a mente tranqüila encontrará condições adequadas para administrar a dívida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento é um processo de recordações que aborta da memória as lembranças do sofrimento e do prazer, quando da reação a um evento qualquer. Cessando o pensamento, embora não se percam as sensibilidades das circunstâncias da vida, a dor e o prazer não terão efeitos intensivos, que possam alterar o comportamento coerente das pessoas. Pelo estado de percepção, em que a memória não interfere, os eventos se revelam conforme sua própria natureza, e não como o pensamento o faz. A percepção tem o poder mágico de resolver o necessário à vida, e não o que se pretenda que ocorra como satisfação aos anseios pessoais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdadeira paz e harmonia interior dependem da ausência de sofrimentos, e não da presença de condições deleituosas. E, assim, pode-se compreender que o estado de isenção dolorosa não signifique insensibilidade. O sofrimento só é possível pela identificação provinda de lembranças dolorosas, anteriormente registradas nas células cerebrais. Se o movimento do pensamento for cessado, o centro, o sensor moral, não poderá sofrer, pois o pensamento é que é o “sofredor”. Não há entidade alguma que sofra ou tenha prazer: todos os sentimentos provêm das informações contidas na memória. Esta é que dá existência à consciência, e é desta consciência que os sentidos físicos originam-se, e, são suas atividades que dão ênfase àquilo que se convencionou na coisa “eterna” chamada de “eu ou alma”, etc. O cosmos, em eterna contemplação, tem a sensibilidade de tudo que ocorre, mas, não possuindo memória - pois nunca aprendeu nada - não há possibilidades de sofrimento. A sabedoria é imaterial - energia pura - realizando tudo sem envolver-se com coisa alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada sentido físico representa “vinte por cento do que somos”, e, à medida que um homem por acaso for perdendo um deles, sua capacidade como pessoa vai reduzindo-se em vinte por cento - em termos - até “zerar e acabar”.&lt;br /&gt;Morta a memória, morremos também. Somos apenas memórias. Somente o princípio eterno, razão de tudo É. Um corpo sem memória, ainda que funcionando fisiologicamente, está morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um equipamento elétrico deixa de funcionar, por qualquer motivo que bloqueie a recepção da energia elétrica, ele perde sua “vida”; mas, a energia continua movimentando outros, e mais outros, que vão surgindo no mercado, quando entram em contato com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma energia não-mecânica fora das leis físicas, sem causa e efeito - que pode parar a intervenção do pensamento, quando da percepção de algo. Energia esta independente da vontade e que fará o cérebro silencioso, ocorrerá no momento em que o próprio cérebro perceber a necessidade urgente de silêncio. Quando se percebe que os pensamentos não têm capacidade para resolver questões psicológicas, o cérebro espontaneamente silencia, entrando a percepção no comando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos uma só consciência; somos os resultados de todos os conhecimentos e experiências vividos por nossos ancestrais, por todos os séculos. Sempre haverá problemas - desafios apresentados por questões da própria complexidade de condições climáticas, culturais e econômicas de cada país - porém não precisam ter continuidade ou morada na consciência; no momento em que sejam percebidos como truques mentais, para manter o pensamento envolvido com eles, esse mesmo percebimento impede que a memória registre a situação. A consciência particular de cada ser vivente, homens, animais e vegetais é um só princípio, que atuando em suas células lhes dar a condição de viver. Mas, este princípio é um reflexo da consciência cósmica, razão de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o conhecimento e toda a experiência têm como base as leis universais, isto é, tudo que for criado ou inventado, será por obra e graça das leis cósmicas e, estes princípios estão codificados nas células cerebrais dos seres humanos. No próprio viver, pelas necessidades apresentadas, essas leis vão sendo despertadas e transformam-se em coisas através dos projetos humanos afim de suprir o homem. Cada homem que nasce pode despertar estes conhecimentos pelas suas próprias experiências e, como o campo de experiência para cada ser proporciona situações diferentes, cada um desenvolve diferentes personalidades aparentes. Exemplificando: os conhecimentos de cada profissão proporcionam características de personalidades diversificadas, mas, é-nos notório que como seres humanos todos são exatamente iguais. Isto porque as características comuns e primordiais são os sentimentos e os pensamentos; estes são absolutamente os mesmos para toda a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, quando os semens do organismo de nossos pais estão prontos, ali estão todos os conhecimentos da humanidade, impressos geneticamente. A individualidade é apenas formada por caracteres simples. As condições básicas do animal são seus cinco sentidos físicos, e estes são idênticos para todos. Os cinco sentidos são como antenas que trazem as informações do mundo exterior e formam a nossa consciência - única para toda a humanidade. Um mamão, por exemplo, contém centenas de sementes, e qualquer uma delas são réplicas das outras; em se plantando, elas produzirão frutos em cada árvore exatamente iguais. Pode haver apenas algumas diferenças superficiais, devido a influências possíveis da qualidade do terreno, em que por ventura tenham sido plantadas e devidamente cultivadas, com técnicas ou sem técnicas. Sendo plantadas, hipoteticamente, em condições idênticas, obviamente, elas seriam também absolutamente idênticas, na qualidade de suas árvores e frutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se tem a necessidade de se fazer algo, o cérebro age em direção à coisa para saná-la; assim acontece ao se perceber as tolices que a mente está fazendo, o cérebro pára com as atividades perniciosas, tal como quando se percebe que se errou em uma estrada, e se dirige até o próximo retorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cérebro assim não está mais condicionado à sua mecânica de agir baseado nas informações contidas nas células cerebrais comuns. Toda sua ação está orientada pela visão intuitiva que apenas utiliza-se dos conhecimentos e experiências acumulados nos neurônios para transmiti-Ia ao organismo, afim de realizá-la, quando os problemas são objetivos. Problemas subjetivos não têm soluções mecânicas e sim dissoluções, isto é, a percepção simplesmente anula-os, deixando o seu espaço à uma nova dimensão de consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está retida na memória contemporânea a condensação ou essência das informações e experiências centenárias, modificadas pela adição e subtração por experiências posteriores através das gerações. Poderiam Ter sido eliminadas, se percebidas adequadamente por nossos ancestrais, nas oportunidades várias que surgiram, por incidentes e acidentes, comuns em todas as épocas. Informações recentes podem não mais existir na memória - se já compreendidas adequadamente pela percepção - e outras podem persistir indefinidamente, até que uma geração perceba a inconveniência de lhes dar continuidade. Quando a mente interioriza-se, no momento em que se está experimentando um conflito, todo o inconsciente está exposto e susceptível a ser purificado ali mesmo. As emoções, por exemplo, persistem desde os primórdios da humanidade. Foram formadas pelas agressões drásticas das intempéries e animais selvagens. Por instinto autoprotetório o cérebro reagiu física e psicologicamente preservando as emoções, por julgar-se falsamente protegido e fortalecido por elas, impedindo assim, o percebimento de suas ações perniciosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento em que a memória está no umbral da morte (semi-coma), extravasa uma série de lembranças que tanto a acalentara quanto ao medo de sucumbir. Então, as informações armazenadas surgem em forma de sonho, dando continuidade às crenças que gostaria se realizassem após o transe existencial. Uma coisa deve ser esclarecida, afim de que esta ilusão a respeito da vida após morte seja desfeita enquanto vivemos: tudo que vemos ou sentimos provém da memória, por que só podemos reconhecer o conhecido; o desconhecido não se pode reconhecer. Quando a memória acaba pela morte física, ocorre outra dimensão de consciência, que nada tem a ver com a consciência elaborada por ela. Para que se retome a consciência cósmica, a particular tem que acabar. Em contato com a “outra dimensão de consciência” tudo é “novo”; em nada se assemelhando com o “conhecido” - que é a memória ou consciência tradicional, capacitada para as recordações (passado), para o reconhecimento (presente) e as projeções imaginativas (futuro). Vê-se aí, nestas expressões mentais, que o pensamento representa o tempo psicológico e o fator preponderante das ilusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existem coisas no universo que os seus princípios não as tenham criado, inclusive a supremacia do cérebro com os sensórios para experienciá-las, e registrá-las na memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, não há nada na consciência que não tenha sido experienciada pelo cérebro desde os primórdios do universo ate agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mente é a performance do pensamento, da memória armazenada nas células nervosas comuns. Tembém pode ser a performance do percebimento procedente das células nervosas especiais, quando efetivamente pela atenção total, que é silêncio, houve a conecção com a energia pura do universo. Este pode ser o estado dominante em todas as atividades, assim que a compreensão profunda daquilo que é se tenha implantado na consciência, como um todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora se tenha feito a separação entre as consciências cósmica e particular, não há nenhuma dualidade; elas são uma só consciência. A separação foi feita apenas por conveniência didática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 08&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreensão e percepção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreensão é o entendimento físico, mecânico e objetivo de tudo que existe e a percepção é o sentir intrinsecamente e viver a realidade daquilo que é, a cada instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acredite em nada do que tenham escrito, em todos os tempos; este livro não foi elaborado para que se dê algum crédito, mas para que seja constatado por todos pessoalmente afim de que sintam com todo o seu ser - seu organismo - a falsidade ou veracidade de tudo aqui apresentado. Alguém pode estar pensando; e - com razão - como posso constatar algo pessoalmente, se o que disponho para tal é a minha memória condicionada repleta de conhecimentos e experiências das culturas herdadas e das minhas próprias experiências que também estão contaminadas pelas anteriores. Tudo que se conclui tem o respaldo de antigas conclusões, tal como “o vinho novo se armazenado em odres velhos” ficará com as características do antigo. Então, o que fazer para se vir realmente algo tal como se apresenta? Obviamente tem-se que perceber a diferença entre os estados de experiência e experimentar: o primeiro consiste em se observar com a memória - que é a maneira tradicional descrita anteriormente. E o segundo, em observar com a mente silenciosa, ou em estado de atenção passiva e impessoal. Pela prática da auto-observação consciente, chega-se ao estado de atenção plena, e daí à percepção real dos fatos. Quando, por exemplo, observamos tranquilamente e sem comentários o comportamento antiquado de uma pessoa, intuímos de imediato uma forma nova e eficaz de relacionamento com ela e com a sociedade. Nada é preciso fazer para orientar-se sobre relacionamento humano, basta apenas observar como as pessoas se comportam, conosco e socialmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando já se tenha alcançado um nível de decepção por toda a conduta e hipocrisia social, então, é possível chegar-se ao “estado de experimentar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem que tenha autoconhecimento não se dedica à ensinar, ou tenta ajudar a alguém, ou dar-lhe orientação, mas, simplesmente, está compelido pela realidade, e, na sua integridade, procura despertar intensamente os fatos já instalados na própria consciência de cada homem, incentivando-o à percepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o homem estiver realmente interessado em compreender o que está sendo descrito, por si mesmo perceberá o mundo caótico em que está vivendo, e, pela compreensão profunda deste estado calamitoso, terá tranqüilidade e sabedoria suficientes para não se deixar envolver por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade só pode ser transmitida àqueles que decepcionados, tomaram aversão pelas hipocrisias e ilusões vigentes de toda essa podridão camuflada como necessidades básicas: sucesso e realização pessoal enquanto a imensa maioria morre à míngua no estertor pleno de misérias físicas e morais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se compreender uma situação conflitante é necessário que se esteja plenamente atento, e, na atenção não há pensamentos. Se houver, é claro, não se está atento. Então, quando uma análise é feita, para que se entenda o problema, o pensamento interfere, impedindo a atenção - os conhecimentos e teorias são limitados e, assim, na verdade, perturbam mais as vítimas da análise. O analista como tem melhor capacidade para ouvir, é ele, na verdade, quem se beneficia na análise de outrem. A análise pode atenuar um conflito, quando o paciente por intenção própria ou inconsciente, ouvir atentamente o que se lhe diz, porém é esta atenção o fator preponderante para se perceber a crise, o que leva ao término do problema. Mas, é preciso diferir a análise e a percepção do fato em si. Se o analista e o analisado ficam a trocar informações, a análise não terá sentido, mas ao perceber atentamente o que se diz então a análise terá algum valor, principalmente se for feita de forma impessoal, analisando o que acontece com a humanidade, pois o quê a está afetando é comum a todos nós - quando se preserva ou se polui a natureza todos são beneficiados ou prejudicados, sem distinção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A compreensão é diferente da percepção: a compreensão pode vir por exemplo de uma análise das situações compulsórias, e assim, a mente pode criar dispositivos para não cometer desatinos, evitando agravar sua situação física ou moral em detrimento de outrem, mas não fará com que fique livre das compulsões neuróticas. A compreensão é produto do conhecimento podendo induzir a mente ao estado perceptivo, terminando com o conflito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A autopercepção que significa descobrir em si mesma as suas compulsões, fará com que elas sejam eliminadas, pois o próprio ato de perceber se constitui daquilo que se percebe. Ao percebermos que somos as coisas percebidas, ficamos em paz com elas e conosco mesmos. Em não havendo distinção entre observador e observado, não haverá motivo algum para julgamento e conseqüente conflito. É perceber as próprias reações no momento em que ocorrem os desafios. É estar atento aos movimentos da mente: seus pensamentos e sentimentos a todo instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos ideais psicológicos são falsos. Os objetivos podem ser realizados, por que há o conhecimento técnico para concretizá-los. Uma rodovia, um viaduto ou uma edificação qualquer são viáveis, isto é bastante óbvio, mas, em se tratando de mudanças de comportamentos a coisa muda de realidade, pelo fato simples de não se ter condições, de pelo pensamento estabelecer-se qualquer técnica psicológica. Toda técnica implica em método e assim não pode resolver uma questão psicológica. Esta só pode ser compreendida pela percepção cuja natureza intemporal pode compreender o problema e dissolve-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as tentativas dos intentos têm levado ao caos ora existente na sociedade e com possibilidades de agravamentos constantes. O que há é uma estrutura preparada para enganar pessoas, dando-lhes conforto moral e repressão, sem nenhuma condição efetiva de percepção à “moral social”. Em se compreendendo os significados de compreensão e percepção, em suas profundidades, intuir-se-á a essência contida neles, o que provavelmente libertará a mente dos conflitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o cérebro silencia, a mente cósmica entra em contato com as células nervosas especiais, despertando seus princípios inatos (no sentido de não-nascidos; eternos) através dos pensamentos, estimulando os neurotransmissores a agirem na execução de atitudes fisiopsicológicas coerentes e sempre novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os conhecimentos, em suas limitações não podem fazer tudo, porque as experiências de onde foram tiradas nunca são completas. Observe-se como os conhecimentos estão, sempre sendo ampliados, modificados ou invalidados. A análise é uma boa distração, tal como assistir a cultos religiosos e jogos esportivos, mas, para quem já tenha se apercebido dessas realidades contundentes, atenta para si mesmo e elimina os conflitos que aquelas situações nos impõem. As crises não desaparecem, nem suas dívidas, nem seus inimigos, mas perdem o poder pungente, dando-lhes o discernimento necessário de como resolvê-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há profundas diferenças entre os que sabem e os que vêem. Bendito são aqueles que efetivamente silenciam e vêem. A visão silenciosa é o estado terminal de todos os conflitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cumpre que nos relacionemos de acordo conosco, e não de acordo com as pessoas ou coisas. O relacionamento com a sociedade deve ser cordial, mas, sem afetação, sem apego - total independência. A intimidade tem sido o pretexto de muitos conflitos. O relacionamento com a sociedade deve ser como o óleo e a água - juntos mas sem que se misturem. Não haja identificação de pensamentos, sentimentos e ideais; porém vigilância para que isto não aconteça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento é por natureza fragmentário, incompleto, e quando interfere na coisa que se observa, ele começa a teorizar, a racionalizar, a condenar ou aplaudir, a descrever, sem perceber que toda essa verbalização está condicionada, motivada pelas frustrações, opiniões ou preconceitos, na ânsia de como ele - o pensamento - gostaria que fosse. E, assim, a coisa percebida é fragmentada por questões imaginárias, que não têm nada a ver com a sua real natureza, deixando-a no “rol” de tantas outras nunca compreendidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos aprender muitas coisas das pessoas, através de suas palestras, aulas e livros, mas todos estes conhecimentos estarão no campo objetivo, físico e tecnológico. Os conhecimentos subjetivos ninguém poderá nos ensinar; nós próprios é que teremos que descobri-los e, para tal, basta nos conscientizarmos na verificação pessoal de cada ocorrência com toda a atenção, sem a presença das considerações a respeito delas. Os conhecimentos já estão inseridos nas células cerebrais, desde as primeiras experiências humanas, necessitando apenas que sejam despertados.&lt;br /&gt;Não são os conhecimentos sobre nós mesmos que nos livram dos conflitos, mas o percebimento dos conhecimentos e desejos conflitantes, há séculos registrados nos subterfúgios da mente, que por tradição tenham-se repetidamente feitos novos registros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise pensa sempre em termos de causação, esperando que pelos conhecimentos das causas, eliminem-se os seus efeitos. Nós conhecemos as causas e efeitos das guerras, das drogas, das religiões, dos partidos políticos; conhecemos todas as suas pretensões, presunções e artimanhas, e nunca nos livramos deles. Necessário se faz que as pessoas tenham consciência e responsabilidades efetivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquelas pessoas que teorizam contra aqueles descalabros, inconscientemente colaboram na prática com tudo isso, e assim, a humanidade nunca se libertou deles. Todos querem justiça; o fim da violência e das guerras, mas, ninguém pensa efetivamente, em melhorar a si mesmo. Sabemos quais são as causas disso tudo; sabemos que estamos errados e gostaríamos de mudar; refletimos sobre nossos erros e chegamos a detestá-los, mas, continuamos a repeti-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento não pode resolver problemas, ele é a própria causa dos problemas e, sendo assim, para resolvê-los, basta que a mente silencie, em atenção total. Sem pensamentos não há problemas, porque, mesmo que situações adversas continuem existindo e nos desafiando, não têm mais o poder de perturbar ou provocar conflitos; é na busca por respostas que se perpetua a dor. O problema não se encontra naquilo que acontece, e sim como reagimos ao acontecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante como o analista tenta analisar alguém, quando os seus conflitos, pela análise nunca foram extintos - podem ter sido reprimidos, ocultados e nem percebem serem iguais aos do analisado, embora tenham aspectos diferentes, mas basicamente são os mesmos. Todos têm os mesmos problemas, simplesmente porque pensamos basicamente nas mesmas coisas e isto é comum a todos os seres-humanos, cujos raciocínios provêem da memória condicionada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento provém da memória e é nela que estão todos os anseios e frustrações constituindo a natureza da consciência como monopólio humano, pois embora - como tem sido dito - os homens pareçam diferentes pelas suas especializações e culturas regionais, em todo o planeta, basicamente são semelhantes. Todas as emoções são experimentadas igualmente, ou seja, os sentimentos morais são idênticos para todos. O condicionamento social e repetições constantes a respeito do “Eu”, do “Meu”, do “Seu” e do “Você”, implantaram a idéia falsa da individualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise pode ter alguma importância quando ela se limita à condição de propiciar ao cliente a oportunidade de ele perceber os sintomas que estão criando problemas, esclarecendo-o de que para se ficar livre deles é necessário uma atuação metafísica, voltada para a autocompreensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo o pensamento oriundo de informações contraditórias, absorvidas por anos a fio, de diferentes fontes: imprensa, escrita e falada, crenças ou superstições, preconceitos, etc., trouxe-nos tremenda insegurança e conseqüente “medo” que é, na verdade a única emoção que o homem experimenta. O que quero dizer é o seguinte: o medo é a causa de todas as emoções e, assim é que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ciúme - medo de perder alguém;&lt;br /&gt;Inveja - medo de não obter sucesso;&lt;br /&gt;Ambição - medo de ser ninguém;&lt;br /&gt;Orgulho - medo de não ser reconhecido;&lt;br /&gt;Preocupação - medo que ocorra algo desagradável;&lt;br /&gt;Depressão - medo ou incapacidade de enfrentar os fatos;&lt;br /&gt;Vaidade – medo de ser preterido;&lt;br /&gt;Insegurança – medo de viver e de morrer;&lt;br /&gt;Raiva – medo de enfrentar a realidade;&lt;br /&gt;Ansiedade – medo de não alcançar objetivos;&lt;br /&gt;Arrependimento – medo de ser desmascarado;&lt;br /&gt;Esperança – medo de fracassar;&lt;br /&gt;Desespero – medo por estar confuso;&lt;br /&gt;Crença – medo de Deus ou da verdade;&lt;br /&gt;Agressividade – medo de enfrentar o desafio;&lt;br /&gt;Conflito – medo de resolver o problema;&lt;br /&gt;Arrogância – medo de ter medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um posicionamento psicológico que em muito contribuirá para o autoconhecimento que é a percepção pela auto-observação daquilo que somos: ele consiste na presunção de que somos exatamente iguais as outras pessoas; que a consciência é coletiva e assim assume-se o que se é: preguiçoso, mentiroso, ciumento, medroso, invejoso, ambicioso, pérfido, corrupto, insidioso, estúpido, vaidoso, enfim, todos os defeitos morais que antes só víamos nos outros. Com esse posicionamento, tornamos então capazes de estar atentos e descobrirmos de fato que assim somos, porque estaremos então constatando o nosso ego em todo incidente e acidente que nos ocorra. Somos a própria degeneração, mas podemos nos purificar, tornar-nos verdadeiros seres humanos, quando efetivamente quisermos a mutação interior. Não tenha medo dessa verdade agora denunciada, pois é a sua percepção que nos salva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao assumir corajosamente e conscientemente uma qualidade mórbida, como por exemplo a inveja, ela se transforma. Pode-se ver isso claramente quando há interesse, e urge que o tenhamos. Porque a inconsciência do fato psicológico é o motivo da doença psicossomática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inconsciência dos nossos sentimento criam hábitos, e o pensamento pretenso solucionador de problemas faz a escolha e implanta o habito que lhe pareça mais acessível.&lt;br /&gt;O pensamento verbalizado é registrado na memória juntamente com o seu conteúdo emocional, quando da reação de um desafio. Se o pensamento não for verbalizado, não há registro do seu conteúdo, o que vai deixar a memória purificada. As vezes nem mesmo o fato ocorrido é registrado quando a percepção considera o fato insignificante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em se destruindo o medo, tudo ficará em paz. E para destruí-lo basta que se lhe observe sem o pensamento, que é a raiz do medo, do prazer e da dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas adoram ser enganadas tanto pelos outros quanto por si mesmas e, assim, fizeram uma auto-imagem esplendorosa para cada uma delas e defendem-na desesperadamente, ao ponto de tornarem-se tremendamente hipócritas e covardes, pois desejam que ela seja a sua realidade, aparentemente vantajosa. A ilusão não pode trazer vantagem alguma, é ela que nos diz serem as pessoas que chamamos de “nossas”, as melhores do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ato de perceber atentamente é ação, nada sendo preciso fazer, a própria energia da atenção é suficiente para eliminar o conflito, sem que se tenha sequer necessidade de explorá-lo ou entendê-lo; além disso, o que acabou não carece mais de considerações algumas, o estar livre é suficiente. A causa não é interessante, não carecendo entendê-la. O importante é o efeito ou a ação do momento emotivo, que pela atenção pacífica e impessoal serão dissolvidos, sem esforço e sem drama. Quando se pergunta o que está acontecendo e a coisa se nos apresenta, não é preciso mais entender, já estamos vendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém pode presumir-se a mestre; isto é ridículo. Não percebe sequer a ignorância a qual está submetida - nada sabe a respeito de si mesmo e tem a presunção de conhecer como os outros são ou o de que precisam para tornarem-se melhores. E assim, os presunçosos vivem perdidos em si mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem que se conhece realmente, explicará determinadas situações induzindo as pessoas a verem-se como realmente são, desiludindo-as de suas auto-imagens forjadas pelas ilusões que lhe foram transmitidas pela tradição e pelos pretensos líderes. Quando já cônscias de si mesmas, de imediato abandonam todos os livros, incluindo este, pois já têm em si o discernimento implantado, podendo então transmiti-lo a outros de forma idônea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando alguém é reprimido em fazer algo que contraria a ordem, como por exemplo, não cedendo aos caprichos de uma criança que teima em conseguir algo, isto pode lhe modificar a tendência de exigir, porém sua compulsão continua latente e sua personalidade frustrada. Mas, se a criança perceber que não será atendida, quando de suas exigências e sim, quando souber aguardar pelas decisões de seus pais, familiares e educadores, então, a criança que tenha sido atendida, algumas vezes as suas solicitações, depois de ter curtido suas malcriações e a indiferença total das pessoas que a cercam, ela mudará, sem nenhum trauma o seu comportamento, pois, percebeu que o caminho da conquista terá que ser sempre pacífico e digno.&lt;br /&gt;Nos animais que não têm autoconsciência as células especiais permanecem ainda em estado letárgico, sem condições de serem contatadas pela visão intuitiva. Nesse estágio de inconsciência de si mesmos, sequer sabem que existem ou que vão morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 09&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As células especiais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há o conhecimento advindo das experiências próprias da vivência humana desde o seu primórdio até hoje. Estas experiências acumuladas como conhecimentos nas células cerebrais constituem-se na nossa consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os conhecimentos com os quais estamos familiarizados, podendo utilizá-los a qualquer momento para a execução de um trabalho ou atitude moral, didaticamente dizemos ser o consciente. Aqueles, um tanto esquecidos, mas que podem com um esforço natural ser relembrados é o subconsciente. Os outros, remotos e latentes como os genéticos, experimentados por nossos ancestrais, dizemos ser o inconsciente. Compreenda-se que não existe, na verdade diferença alguma entre consciente e inconsciente, pois o que existe é apenas a consciência. A divisão foi feita por questões didáticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo desconhecido que apenas podemos sentir quando a mente consegue o silêncio profundo, mediante a cessação dos pensamentos, e que denominamos de sabedoria cósmica, eterna e imutável - por isso nada tem a ver com experiências ou conhecimentos - e, assim, tal como as informações contidas nas sementes de todos os frutos e do sêmen animal, perpetuam a flora e a fauna. Esta inédita sabedoria tem sua essência estabelecida em um determinado grupo de células e que a ciência ainda não se pronunciou a respeito de sua existência. É esta a energia que comumente chamam de “o poder da mente”. Ao entrar-se em contato com ela, todas as situações psicológicas são dissolvidas, sem nenhum esforço ou tempo. Estabelecida a harmonia cerebral, as questões objetivas e subjetivas tendem a se equilibrar. Os conhecimentos e experiências tecnológicas são necessários à sobrevivência objetiva e fisiológica, e estão codificados nas células nervosas comuns, mas, estendidas às soluções subjetivas não têm eficácia. A sabedoria que funciona no aspecto subjetivo, está contida em células especiais, aguardando ser despertada apropriadamente. Quando já se tenha constatado pessoalmente este fato, vê-se nitidamente que os conhecimentos e experiências devem ser anulados na expectativa de se resolverem questões psicológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cérebro atuando a partir da visão intuitiva, não mais terá experiências, pois, o seu “estado de experimentar”, estando em silêncio, nada interpreta nem registra; só percebe. Neste estado as emoções são compreendidas de imediato, a as ações dirigidas corretamente, sem raciocínio. As condições técnicas ou científicas, são intuídas, e assim solucionadas, utilizando-se da memória, apenas para execução dos aspectos objetivos, na manipulação de instrumentos e equipamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A energia do percebimento é a sua própria ação, é como no acender de uma lâmpada, em que tudo se torna às claras - visíveis. Esclarecendo melhor este aspecto: imaginemos uma pessoa em um ambiente escuro, onde tomou conhecimentos de que ali existe uma série de objetos e alimentos necessários a sua sobrevivência. Para conseguir o que deseja, terá que buscá-lo, e utiliza-se então de sua memória e seus sentidos físicos disponíveis para detectá-los. Como não enxerga nada, sente uma dificuldade imensa para sobreviver, tanto na procura de alimentos quanto a acidentes que poderá sofrer ao chocar-se com objetos, sofrendo escoriações várias. No seu desespero pára de lutar, e na compassiva tranqüilidade da nova decisão, pressente que algo pode ocorrer. Uma janela é aberta e a luz do sol acaba com a escuridão, não precisando mais de procuras nem “apelos”. Tudo está à vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos grupos de células celebrais há comumente a possibilidade de adição ou subtração de experiências ou conhecimentos, mas, naquele “grupo especial” não há qualquer alteração no princípio básico de pureza, onde seu caráter intrínseco é absolutamente preservado; é a sua imutabilidade eterna, compelida às ações sempre corretas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em muitas ocasiões de forma imprevista ocorre um evento qualquer, sendo de imediato levado á interpretação do cérebro, e este, por associação espontânea, traz a lembrança de um fato remoto que tenha causado preenchimento ou decepção, fazendo com que a alegria ou tristeza experimentadas venham, através dos movimentos pensantes, criar seus dramas novamente. Tendo consciência deste processo, a mente torna-se alerta, na expectativa de silenciosamente observar as reações dos pensamentos ao surgirem, quando dos desafios que se lhe apresentam cotidianamente, a todos os momentos. Quando se perceber que o sofrimento e o prazer experimentados são funções do pensamento, e que este é o responsável pelas sensações, o cérebro permanecerá em silêncio, anulando a intervenção da memória. O pensamento é que está ali sofrendo ou usufruindo da sensação. Não há outra entidade promovendo ou experienciando o fato. Quando isto é percebido plenamente, o sofrimento psicológico será extinto, e a dor física atenuada a um nível de tolerância razoável. Com esta consciência nova tem-se uma maior sensibilidade, porém com a pungência minimizada. São estas células especiais que percebem o pensamento elaborando, no campo da mente, as recordações alegres ou tristes, deleituosas ou penosas. O espírito universal, naturalmente contemplativo, percebe os prazeres e conflitos experimentados pelos pensamentos de todos os animais; porém, sua sensibilidade não faz experiências, por que Nele não há pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na percepção tudo é compreendido de imediato, sem pensamentos ou raciocínios. Pensamento é matéria - energia - enquanto a percepção tendo a natureza do amor, no seu estado de ser, torna todas as coisas possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A entidade suposta como espírito ou alma provém da sabedoria cósmica, que em contato com as células especiais percebem todo o movimento das outras células e de todo o organismo; assim, pode-se afirmar como sendo a mente universal a alma de todos os cérebros humanos. O pensamento é o sofredor e o sofrimento a um só tempo. É ele o causador, a causa e o experimentador de si próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há o processo de reflexão metafísica que consiste em imaginar uma situação constrangedora e então, observar as reações do pensamento intervindo para solucioná-la. Nesta observação verifica-se que os pensamentos, pretensos solucionadores, são na verdade os criadores de conflitos. Com esta percepção surge o silêncio - que é o fim da intervenção dos pensamentos-e assim, é implantada a harmonia mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os conhecimentos atuais e vindouros responsáveis pelas tecnologias e ciências presentes e futuras, são interpretações dos “princípios cósmicos” inerentes às células nervosas especiais que aguardam ser despertados e utilizados pelos pesquisadores metafísicos, em prol da humanidade. Todo ser humano que queira vivenciá-los, pessoalmente, poderá fazê-lo sem nenhuma sombra de dúvida, pois eles são pertences de toda a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a mente harmonizada pelo silêncio, a energia suprema entra em contato com as células especiais, onde habita a sabedoria onisciente, despertando-a. Com este despertar, como a luz clareando um caminho, a sabedoria indica a ação correta sem margem alguma de erros, assim como os códigos genéticos, impresso nas sementes das plantas são receptivas às condições do solo, da água, da luz solar e da brisa noturna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observe-se como a compreensão é imediata, quando a coisa a ser compreendida foi atentamente ouvida ou vista. Não há tempo para que se compreenda algo, a coisa é sempre compreendida de imediato. O que foi adiado para uma compreensão posterior, por certo não havia interesse real por compreendê-la e, assim, o adiamento se caracteriza sempre como uma fuga, por medo ou por desinteresse à coisa apresentada. A compreensão é atemporal, ou se compreende agora ou nunca. Na atenção plena o tempo psicológico não existe, por quanto a memória não reage ao evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A compreensão irrestrita só é possível pelo sentir profundamente, quando pela atenção, todos os sensórios estejam alertas à tudo aquilo que se apresenta no campo da mente. Mas, para que os sentidos cheguem a este estágio, o auto conhecimento já deve estar estabelecido nas células nervosas. O discernimento faz com que as células que por ventura tenham sofrido avarias se regenerem totalmente - quando a causa tenha sido por questões emocionais. É claro que células destruídas por acidentes em que houver perda de massa cefálica, não possam ser recuperadas. Pela atenção consciente às crises que estejam nos afligindo, em que havendo um processo de deterioração de neurônios, motivados pôr crises emocionais anteriores, faz com que o processo deteriorante cesse e seja revertido à condição regenerativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mente cósmica possuindo toda a sabedoria necessária à sobrevivência do universo e dos cérebros, através das células especiais - como receptadoras e transmissoras, tais como o rádio e a televisão recebendo através da energia elétrica som e imagens - proporciona inteligência e harmonia àqueles que com ela estiverem sintonizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os elétrons são veículos dos conhecimentos materiais e objetivos que promovem a codificação em todos os cérebros, fitas cassetes e disquetes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mente cósmica cuja sabedoria metafísica, é a base de tudo que existe como energia pura, habita no silêncio e no vazio; de movimento imóvel, pois nela não há nada se movendo, mas é a razão de todos os movimentos. A percepção é o movimento imóvel; nele não há idéias, nem pensamentos, mas há atividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a luz que nos faz ver tudo sem ser vista, estabelece pelo seu estado de ser, todos as coisas percebidas pelos cérebros dos seres vivos como sendo concretas, mas para Ela são apenas efeitos virtuais. O cérebro é programado para perceber através dos sentidos físicos as realidades virtuais da mente cósmica, como fatos relativamente concretos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sensórios, pertinentes à sabedoria cósmica, residem nas células especiais. Tanto os sentidos físicos quanto os metafísicos independem da memória, como por exemplo os princípios da percepção, da compreensão e do amor não têm vínculo com a mesma. Promovem as ações biológicas dos aparelhos: circulatório, digestório e respiratório, assim como andar, ver, sentir e ouvir acontecem, sem que precisemos aprendê-los de outrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São congênitos, e despertam das células especiais, quando o cérebro atento e silencioso faz o contato com a mente cósmica, induzido pela necessidade orgânica e/ou intenção consciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As células especiais não têm nenhum relacionamento recíproco com a memória e entram em contato com a consciência cósmica, quando aquela silencia. Nesse contato, as células cuja função é despertar a suprema inteligência, traduzem-na como percepção da verdade a tudo que os sensórios vão constatando. Assim, os desafios apresentados não produzem conflitos e sim aprendizagem ou autoconhecimento, o que levará por fim sanidade a todas as células do organismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atenção consciente às crises constantes emergentes da memória faz as suas células silenciarem e, como numa mudança de chave elétrica, as células especiais entram em operação no comando do sistema nervoso levando-o ao desempenho efetivamente racional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A suprema inteligência que é a mente cósmica age através de códigos existentes em células nervosas especiais e utiliza-se da memória para ações efetivamente plenas, isentas de geração de conflitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mente é a performance da memória e também da percepção originada das células especiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como performance da memória condicionada, atua em todo o campo da objetividade mecânica, da tecnologia, da ciência e do intelecto. Como performance das células especiais nada tem a ver com a memória. Esta pode, apenas, ser usada para dar explicações, utilizando-se do idioma como conhecimentos e palavras gravadas na memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As células especiais são como as sementes das plantas, cujos códigos são eternos e imutáveis, seguindo naturalmente o movimento cósmico nas destruições e criações constantes. Elas agem apenas para a harmonia e equilíbrio das questões subjetivas ou psicológicas, em todos os sistemas do organismo. Por compreenderem de forma plena e imediata, as percepções dos sentidos sensoriais lhes mostram a direção correta a ser tomada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 10&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é consciência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há na memória informações adormecidas há milhares de anos, mas que podem ser despertadas a qualquer momento desde que ocorra algo que tenha similaridade com elas. Pela associação, um acontecimento recente pode revelar outros que estejam inertes nos subterfúgios da mente. Estas informações só serão banidas das células, quando da ocorrência de um fato qualquer a consciência esteja atentamente acompanhando a associação de idéias até o seu desfecho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comumente as associações só acontecem com eventos recentes, e aqueles que surgem ocasionalmente. Os efeitos conflitantes têm suas potencialidades conforme o tempo cronométrico, entre os acontecimentos de agora com os ocorridos anteriormente e também conforme a gravidade de cada um deles. Quanto mais recentes e graves, maiores suas pungências, e perigosos se tornam as atitudes dos que estiverem submetidos àqueles conflitos atuantes. Uma questão remota pode manter-se sempre recente, quando revivida ou relembrada de forma constante. Convém que seja entendida adequadamente afim de que cesse sua continuidade e conseqüentes conflitos. Com a compreensão do fato a memória pode inibir-se, não reagindo mais quando ele surgir novamente pela lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo que é transladado para os genes da prole é informações dos eventos vivenciados de forma recente ou relembrados - registrados novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os códigos genéticos estão adormecidos tal como muitas informações de um passado remoto, vividos pessoalmente e biologicamente, e que poderão ser despertados, relembrados pela reação a um novo fato. Também as informações genéticas do animal, tanto quanto as codificações nas sementes do reino vegetal, têm seus desempenhos estimulados pelo meio ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O convencionalmente chamado inconsciente e subconsciente são apenas informações adormecidas e semi-adormecidas que serão afloradas à consciência (lembranças) por estímulos exteriores e interiores, mas que sendo percebidos silenciosamente não serão registrados de novo. Em não se repetindo os registros as células cerebrais ficarão livres definitivamente de suas persuasões. As células não registrando novamente suas lembranças vão aos poucos perdendo os registros velhos, a ponto de se virem livres totalmente deles. É o que chamo de regeneração celular. Algo é experimentado, e a memória naturalmente o codifica guardando a experiência. Se não houver qualquer comentário ou alusão referente àquele fato, ele será eliminado simplesmente das células. É o pensar, mesmo involuntariamente, que faculta a continuidade do registro de um evento qualquer. Quando um cérebro percebe que não é preciso dar importância a situações supérfluas, o registro ou continuísmo se dilui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A evolução das idéias vem com as experiências novas, que vão modificando os registros anteriores pelo acrescentar, substituir ou eliminar naturalmente as idéias antigas, tal como, quando se está escrevendo um livro durante suas revisões. As experiências passadas só influem no comportamento quando forem relembradas e mantidas pelas experiências recentes que se associam pelo pensamento àquelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em não havendo associações constantes, as informações antigas se tornam inertes, podendo ser relembradas pelo experimentador, mas sem alguma afetação, se alguém, por acaso, comentá-las em sua presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São as interpretações ou condenações a um fato ocorrido, ao lembrar-se dele, as causas do conflito. Já ocorreram fatos, em que alguém, tendo sido magoado por outrem, ao serem lembrados posteriormente, com o cérebro em alerta, as reações foram apagadas da memória. Esta ao ficar livre não mais apresentou quaisquer resquícios de constrangimento, quando em outros encontros com o desafeto. A coisa foi tão surpreendente que se percebeu nos relacionamentos subseqüentes uma tranqüila simpatia. É realmente uma situação fascinante e que deixa o indivíduo que a experimentou em estado de perplexidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As lembranças recentes ainda incompreendidas ou propositadamente guardadas na memória como mecanismo de defesa, estabelecem situações constrangedoras - o hábito de sentir-se vítima contribui para que crises e pretensões tenham continuidade na memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as informações remotas vêm à lembrança - o inconsciente aflorando à consciência - então o pensamento é compelido a agir segundo elas. Nunca porém, o inconsciente agiria diretamente na execução de atitudes; torna-se necessário que a consciência se lembre do ocorrido anteriormente, através de associações de imagens, para então, após o novo registro que se faz consciente, tomar a iniciativa da próxima ação. Em se querendo estar livre de repetições de atitudes compelidas pela consciência, urge que se lhes percebam as manifestações, no instante em que surgem os desafios, afim de que as lembranças anteriores não interfiram nos novos acontecimentos. É assim que se impedem novos registros e a continuidade das atitudes inconvenientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento em que se nos apresenta um desafio qualquer não há nenhuma emoção, esta ocorre no instante seguinte após a lembrança de algo que sugere perigo ou tristeza; ou seja, assim que se apresenta um quadro imaginativo. Por exemplo: vemos uma mulher de biquíni à beira mar, a emoção só aparece como desejo, no momento em que o pensamento tenha criado a fantasia sexual com ela. Se a mulher for filha ou esposa do observador não haverá a sensação de posse, por que não houve projeção de imagens libidinosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o cérebro efetivamente silencia, então, o insólito surge, obviamente sem procedência da memória coletiva ou das experiências e conhecimentos vivenciados pelo organismo do observador, mas por receptividade das “células especiais”.&lt;br /&gt;O insólito são princípios eternos, fundamentos da sabedoria cósmica: fonte de onde emana todo o universo, toda a criação. Pesquisei-o durante vinte e cinco anos, dentro de mim, para que pudesse senti-lo profundamente de forma inconteste e irrefutável, para a minha consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda situação conflitante será diluída, se quando do seu surgimento, no campo da mente, for percebida de imediato, pois, a única coisa a que os conflitos não podem sobreviver é serem percebidos de forma imparcial, tranqüila e silenciosa - sem identificação, sem censura, sem preocupação ou tentativa de alterar a coisa observada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mente está habituada a procurar soluções através de teorias, ou fugir para entretenimentos religiosos, lúdicos, intelectuais e sociais, sem se aperceber de suas respostas insatisfatórias e, desse modo, incentivando a continuidade dos seus infortúnios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o pensamento e sentimentos, enfim, toda ação ou reação, provêm da memória. O eu, a psique, a alma, a consciência, tudo aquilo que somos é somente memória. Quando esta cessa por um acidente qualquer, coma, desmaio, anestésico, sono, morte - perde-se a consciência e assim desaparece o existir, e nada mais somos. Se não tivermos consciência de estar vivos, na verdade, estamos mortos. A vida é consciência; o homem que ficou louco não vive; não tem existência consciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise é a apreciação dos conflitos através de conhecimentos (teorias) por isso tem pouca validade, porque toda teoria psicológica é incompleta e, assim, ela condiciona mais a mente, predispondo-a a novos conflitos. As frases fabricadas podem apenas dar uma refreada nos impulsos neuróticos, não elimina a compulsão interior e, em outra oportunidade, pode não ser contida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os conhecimentos condicionam a mente a ficar repetindo-os, como reação a todos desafios que vão surgindo a cada momento, impossibilitando que aqueles se revelem tal qual como o são, em suas próprias naturezas. É a intromissão que estabelece uma idéia a respeito do fato, sempre falaciosa, porque a realidade só pode ser compreendida pelo sentir profundamente “aquilo que é”. Quando se observa através das idéias, os fatos sofrem a influência dos anseios e receios ocultos do observador, o que favorece a conclusão falsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há mutação possível através de conhecimentos ou pensamentos; a única transformação só ocorre pelo percebimento do fato em si, pela atenção plena e silenciosa. A atenção é a chave da magia mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convivi quando adolescente com um colega de ginásio, e levei de vista as humilhações e os espancamentos que ele sofrera do pai. Logo após, bastante deprimido pelas cenas presenciadas, ficava confuso quanto à reação do meu amigo, que revoltado afastava-se esbravejando pragas e impropérios terríveis. Anos depois, quando já havíamos constituído família, tomei conhecimento de que o seu genitor estava em falência comercial, e encontrava-se em plena miséria. Ao entrarmos novamente em contato, verifiquei o carinho e a assistência que o amigo dispensava aos pais. Um dia, em diálogo com o velho, este confessou-me que nunca poderia ter imaginado a grandeza do homem que era o seu filho. Procurei sondar a questão, e perguntei ao amigo o porquê de tanto desvelo para com os pais. Respondeu-me tranqüilamente: depois de todo o vexame ocorrido, percebi que as atitudes de meu pai, embora rústicas e cruéis, foram importantes para mim; serviram para que não me envolvesse com as drogas, a hipocrisia social e as más companhias - o que me despertou a responsabilidade perante a vida. Hoje agradeço a Deus, a coragem que o meu velho teve em cuidar de mim; você não sabe, mas, intimamente, eu era um indivíduo perigoso. Fatos como este levaram-me à compreensão de que, em não havendo reação à lembrança consciente ou inconsciente, com motivos ou sem motivos aparentes, o conflito não se estabelece; podendo ser aniquilado ali mesmo, pelo percebimento de “o que é.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O êxito é supremo quando o percebimento ocorre no instante do fato, pois evita que as mágoas se acumulem e desenvolvam uma tragédia. O meu amigo teve a sorte de perceber a situação posteriormente, mas, com certeza sofreu profundamente enquanto durou a sua revolta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoamos quando somos magoados por uma compulsão das crenças, do medo ou por desejar livrar-se do sofrimento que a mágoa sempre nos impõe. Esse “perdoar” significa suprimir a violência interior, e por isso, não tem significado relevante. Quem foi magoado não pode perdoar; pode renunciar a uma vingança, mas o ressentimento permanece intimamente. Com o autoconhecimento a memória alcança a capacidade de não mais registrar situações conflitantes, por tê-las compreendido completamente e de imediato, quando de suas ocorrências. Assim, não haverá necessidade de se perdoar coisa alguma, já que a mágoa não se tenha estabe-lecido na memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem verdadeiramente moral não se escandaliza, nem escandaliza coisa alguma. E, se pelo autoconhecimento, a sua percepção não é sucetível a sentir-se magoada; ele não tem o que perdoar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a vaidade ofendida que perdoa. O homem humilde, por ser infenso, nunca perdoou, nem terá motivos para tal. Sua mente é inabalável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 11&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conhecimento psicológico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Conhecimento psicológico é desastrosamente limitado. Tudo que é expresso em palavras não tem realidade alguma. Talvez o homem possa dizer unicamente uma expressão verdadeira, que seria: eu sou mentiroso. A experiência por ser incompleta produz o conhecimento fragmentado e conseqüente pensamento limitado. Todas as coisas que foram ditas ou escritas no passado, há milhares de anos ou de alguns segundos e as que serão ditas agora ou sempre, por certo nada têm ou terão de real.&lt;br /&gt;Todos os ideais são falsos, assim como as instituições criadas pelo pensamento humano. Todos eles excelentes fugas ao não-enfrentamento dos fatos.&lt;br /&gt;Embora todo diálogo ou escrito sejam ilusórios, algumas declarações podem fazer o homem perceber o verdadeiro no falso, e isso é a grande beleza e oportunidade para quem já tenha a capacidade de saber ouvir. Uma vez descoberta a verdade por si mesma, o homem poderá vivê-la pelo exemplo de dignidade e decência, expresso em um comportamento coerente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreendendo-se de forma efetiva a natureza do pensamento, compreende-se também que quaisquer vitupérios ou exaltações direcionados a uma entidade por ventura sagrada, nenhum significado tenha - uma vez que as considerações atribuídas são apenas jogos de palavras, estruturadas para expressões dos anseios e temores ocultos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento nenhum poder tem para alcançar aquilo que esteja incomensuravelmente além dos seus limites. A consciência humana, produzida pelo cérebro tão limitado, não tem relação alguma com a consciência cósmica. Tudo que projeta através dos seus pensamentos tem a sua relatividade inerente aos seus movimentos em torno do “ conhecido”. O desconhecido nada tem a ver com aquilo que se conhece. O conhecimento é tão insignificante que dentro de milhões de anos, se a humanidade ainda existisse, estaria engatinhando pelo caminho infinito do desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As nossas verdades proferidas têm os seus valores relativos no convívio social em que temos de sobreviver, e funcionam apenas no campo profissional, mecânico ou tecnológico; em situações psicológicas não podem funcionar, por que se constituem nos conhecidos ideais ou meramente concepções ou opiniões. As opiniões, para quem não tenha uma vivência pautada na realidade, são vistas como fatos. Porém, os envolvidos efetivamente pelos fatos, não possuem opiniões - não têm ilusões, crenças, ideais; vivem pelas percepções dos seus sensórios. São os factuais sentidos físicos e os ontológicos metafísicos que nos informam das condições do mundo em que experienciamos suas realidades. Os sentidos físicos mostram-nos o mundo exterior e os metafísicos o interior. Os sentidos metafísicos principais são: a percepção e a visão intuitiva. A primeira ocorre quando, intencionalmente, os sentidos físicos estão unidos na atenção, para a observação de algo físico ou psíquico que se queira entender plenamente. A visão intuitiva ocorre, quando o cérebro acontece espontaneamente silenciar, contatando com a consciência cósmica e tendo, então, discernidas as confusões mentais e restabelecidas as lesões ou avarias, que por ventura lhe tenham afetado física e moralmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é verdadeiro não pode ser elaborado pelo cérebro, consequentemente o real só acontece quando o cérebro silencia, quando a memória estiver ausente.&lt;br /&gt;Quando em contato com a mente cósmica o cérebro é induzido pela visão intuitiva a proceder com probidade, utilizando suas informações de forma coerente, pois a energia pura da consciência atua em células especiais, existentes no cérebro, incentivando-as a emitirem suas sabedorias através do idioma conhecido pela memória. Somente nessa condição de contato Mente-cérebro, pode o homem expressar-se autenticamente pelas atitudes, e, embora tenha o discernimento necessário para proferir palavras, compreende o quanto são limitadas para descrever a verdade ou qualquer emoção. As verdades subjetivas são compreendidas pessoalmente por quem as vivenciam. Quando descritas perdem suas veracidades. Observem as situações dos seres humanos de hoje; são exatamente idênticos aos dos milênios passados, apesar de terem tido todo tipo de orientação psicológica, filosófica e religiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estando o cérebro em sintonia com a mente, o homem age com absoluta integridade, mas não pode transmitir verdade alguma pelas palavras, embora vivendo-a intensamente compreende ser ela absoluta e indizível.&lt;br /&gt;Os sentidos metafísicos ou subjetivos podem interferir nos sensórios, aumentando-lhes as percepções. A afetação oposta é ínfima, sendo inválida a sua intervenção no campo metafísico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Urge que o homem retome à “casa paterna”, e o fará, em se percebendo que o conhecimento e os pensamentos psicológicos são o motivo de todas as suas desditas. Esta mesma percepção o induzirá ao silêncio da memória, reativando as percepções extra-sensoriais, pelo restabelecimento ao contato com a consciência cósmica.&lt;br /&gt;No contato cósmico, a mente particular habilita-se a não procurar soluções, mas, tão somente permanecer silenciosa, assistindo tranqüilamente a todo o drama que se apresente no seu palco. Assim, quando a crise surgir, permaneça com a crise; permita que ela lhe conte toda a sua história - você, então descobrirá mais uma bela história de autêntico amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte psicológica é a ausência da memória. E isto pode ser experienciado quando o cérebro silencia e, em contato com a mente, entra em estado de percebimento ou meditação transcendental. Ao se perceber a morte, em plena vitalidade orgânica e moral, o medo de morrer é totalmente eliminado, e a morte passa a ser a coisa mais querida e sublime da consciência humana. Conviver com a morte é conhecer a liberdade, em sua plenitude e beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mente só terá o esplendor de si própria, viver saudável e suprema inteligência, quando não mais houver a pendência do conhecimento psicológico – conhecimentos não-factuais. Então ter-se-á a energia necessária à destruição de toda crença nas filosofias, teologias, psicologias, livros sagrados e principalmente em tudo àquilo que a própria mente experienciou e acreditou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só quando o pensamento não mais interfere na percepção e no estado de experimentar diretamente o fato é possível se conhecer a verdade, compreender aquilo que é. O estado de experimentar é a condição de percebimento às reações internas e externas a cada momento que passa. A verdade não sendo estática não pode ser aprisionada, retida na memória nem em livros. Ela é o movimento infinito da própria vida – é a própria vida refletindo-se a cada instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que a consciência efetivamente possa estar apta a compreender de imediato os desafios que surgem no campo mental, necessário se faz a liberdade quanto as idéias, teorias, crenças e conclusões. A vida tem que ser experienciada com base em fatos: estando a consciência expurgada de todo conhecimento psicológico.&lt;br /&gt;Em estado de percebimento a mente não esta vazia nem letárgica, apenas livre das intervenções da memória. A compreensão é então plena e imediata pois a mente não mais reage aos desafios; está silenciosamente pacífica, imparcial e pode permanecer em longos períodos sem manifestar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdadeira compreensão é o percebimento imediato daquilo que ocorre no “agora” em que a atenção é suprema e plena de energia. Esse percebimento é ação da sabedoria, a essência própria dos princípios cósmicos, eternamente criativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há privilégios na consciência cósmica, todo o cosmos é cuidado para usufruição de todos os seres vivos, cabendo ao homem – o único animal que pode ser racional – perceber a sabedoria, o poder e o amor que lhe são destinados afim de que reine a paz sobre o seu habitat, conforme o respeito que lhe seja oferecido.&lt;br /&gt;Tendo-se percepção da consciência cósmica, nada mais é preciso fazer, além de se estar cônscio do desafio que se nos apresente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa consciência efetivamente irá dissolver o desafio, transformando-o em nada; será sua ação precisa e definitiva. A mente coletiva, intelectual, expressa-se pela memória, enquanto a mente auto consciente expressa-se pela compreensão.&lt;br /&gt;E, pode a mente deixar de expressar-se pela memória, pelo conhecimento? Este é o grande desafio que se terá de enfrentar, pois a mente só será efetivamente livre quando isto ocorrer. A supremacia da mente se constitui em seu estado absoluto de não-reação. Isto é algo que está muito além dos nossos sonhos nunca sonhados. Mas que, pelo autoconhecimento todas as coisas de caráter psicológico se tornam viáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Josias Nunes Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Postado por Marco Antonio de Cádiz e Luís da Velosa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-3608063284286748871?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/3608063284286748871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=3608063284286748871&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/3608063284286748871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/3608063284286748871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/11/odissia-no-interior-da-mente_12.html' title='ODISSÉIA NO INTERIOR DA MENTE'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-8918659994933262787</id><published>2008-11-08T03:08:00.000-08:00</published><updated>2008-11-08T03:10:33.823-08:00</updated><title type='text'>ODISSÉIA NO INTERIOR DA MENTE</title><content type='html'>Agradecimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me dei conta daquela profunda escuridão; paz e silêncio também profundos; surgiu-me a pergunta – ao sentir que a luz ali estava presente, mas não se denunciava – o que é Deus? E aquela imensidão responde: “EU SOU”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É justamente a você – Oh, luz! Que ofereço o meu trabalho – ínfimo perante a sua Grandeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefácio do autor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há milhares de anos, a humanidade já repleta de experiências próprias e conhecimentos adquiridos uns dos outros, passou ao processo de questionamento e contestações sobre si mesma e todo o quadro apresentado em volta – isto é, começou a olhar intrínseca e extrinsecamente, já desconfiada da veracidade das informações alheias, e das suas próprias experiências que estavam lhe causando medo, arrogância e presunção; numa evidência de que um “eu falso” estava se implantando em sua consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia o interesse vital, ainda que semi-desperto, de descobrir o que faria a eliminação do “eu” – sendo o “eu” a psique, o espírito, a memória com toda a experiência e informações acumuladas, desde os primórdios dos seres humanos, talvez, até mesmo conhecimentos nas células cerebrais, desde os primeiros seres vivos. Subjetivamente, já havia o interesse, embora não aflorado à consciência, da libertação do cérebro dos grilhões do condicionamento que torna o homem uma máquina propensa a cumpri-lo exoravelmente, assim como o escravo compelido pela autoridade do seu senhor. Sentia-se no âmago, algo enérgico, buscando a visão intuitiva. Como é compreendida hoje, a intuição é a energia pura provinda do vazio da mente cósmica, quando o cérebro conseguiu neutralizar o pensamento. Só com o cérebro em silêncio profundo, pode-se contactar com a “origem” – razão óbvia de tudo o que existe: o universo, a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revolução científica e tecnológica proporcionou condições altamente sofisticadas, mas, como tudo que é limitado, criou incríveis destruições e sofrimentos psicológicos, transformando a nossa vida em um “presente de grego”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem hoje, pode conhecer profundamente tudo que as ciências e tecnologias têm conquistado, mas desgraçadamente nada ou muito pouco, sobre si mesmo, justamente a percepção autocognitiva, motriz da libertação dos conflitos da qual o homem tanto carece e dos quais é possível libertar-se radicalmente, se assim o quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a visão intuitiva dirigindo as funções cerebrais, a regeneração das células nervosas tornam-se possíveis, se a degeneração foi provocada por questões emocionais. Se houve perda de massa cerebral por acidente, a recuperação e praticamente nula. O discernimento ou compreensão profunda do que quer que seja, impede qualquer implantação de conflitos. Compreende-se que o sofrimento é a ausência de compreensão. Em se compreendendo o que está a ocorrer, e não havendo reação, não haverá registro na memória, inibindo assim a busca de soluções. Somente o que não foi compreendido é registrado para posterior avaliação; e nessa busca de respostas, que nunca vêm, surge a insatisfação e o conflito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decisão de escrever este livro foi-me acentuada logo após a morte de um excelente amigo, com quem durante anos a fio, mantivemos por telefone, todos os dias, no horário das 20 às 21 horas, considerações metafísicas e das ciências exotéricas. Tínhamos por hábito ler autores que tratavam desses temas, e a noite discutíamos a este respeito. Lemos varias obras de Krishnamurti, Osho, Vernon Howard e outros. Tivemos o cuidado de vivenciá-las; coloca-las em prática, em nossas vidas pessoais, e acreditamos em ter constatado e intuído muito de suas verdades. Com esta convicção, pelo nível da qualidade com que pudemos usufruí-las subjetivamente, é que estou tentando passar a todos aqueles que se encontram desesperados, a chance magnânima de restabelecerem-se emocionalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem efetivamente ler este livro com o carinho com o qual foi escrito, por certo, terá uma recompensa psicológica com a qual nunca sonhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ler este livro, faça-o subjetivamente, procurando entende-lo nas entrelinhas, todas as suas mensagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fazer uma varredura com a luz mental (auto-observação), através dos subterfúgios do cérebro, descobri quanta podridão havia dentro dele. Ainda tenho chorado inquisitivo esta descoberta impressionante, pois, o paradoxo entre esta e o quadro exuberante que fazia sobre a minha imagem, se constituía em um tremendo abismo. Não sei como não morri anojado; porém, o fato é que, a decepção sofrida com a suposta melhor pessoa do mundo despertou-me a visão real dos seres humanos – o único animal depredador da natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com total revolta pelo que o autoconhecimento milagrosamente me esclareceu, desiludi-me a respeito da minha realidade, tanto quanto das outras pessoas. O que me maravilha no entanto, é a capacidade tranquila, sem medo e sem ódio que se me apresentou, criando indubitavelmente uma tolerância profunda para com toda a humanidade – que sou eu mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo aquilo que pode engrandecer ou denegrir está potencialmente em jazigo, dentro de cada ser humano, bastando tão somente oportunidades para acordá-lo. Ninguém é melhor ou pior do que qualquer pessoa, da mesma forma que um leão ou um rato são iguais aos leões e ratos em todo o planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os substitutivos do amor, infelizmente, estão por toda a parte.Vêem-se pessoas tirar do bolso importâncias vultosas para ajudar a outras. Desdobrarem-se em gentilezas extraordinárias, em aspectos vários. Estas coisas são muito fáceis de se apresentar quando se tem justamente a necessidade de exibir bondade, dignidade e altruísmo, sem perceberem que estão representando, tal suas carências de valor e necessidade de justificarem perante si mesmas e para a sociedade os seus remorsos, na ânsia de ficarem em paz com as suas consciências mórbidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é do bolso que deve doar, mas da consciência. Como não podem doar de si mesma renunciando as suas ambições, aos estatus sociais, a presunção ou de terem um diploma universitário que nada significa – em termos de dignidade e decência – então entregam-se a esta tradicional representação. Somos exímios atores no teatro da vida, tal como requer a arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ADVERTÊNCIA PARA A LEITURA DESTE LIVRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sensórios são os meios pelos quais o homem pode efetivamente despertar a consciência altaneira, levando-nos a capacidade para mutação interior. Sabendo-se utiliza-los pela atenção consciente, naturalmente descobrimos a sua suprema eficácia. Mas, como toda proposta nova encontra uma costumeira rejeição, necessário se torna que os conceitos apresentados neste livro tenham a intenção de exterminar as questões conflitantes em todos os ângulos – tal como fotografias tiradas de um ambiente em que se precisa pesquisar - e assim, a sua pesquisa seja envolvida por afirmativas repetitivas quanto à atenção que se deva ter, quando da observação àquilo que se queira compreender e exterminá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geralmente faz-se a leitura com a intenção, embora tácita, de aumentar-se o conhecimento intelectual. Isto, no entanto, é pernicioso porque estamos condicionando, cada vez mais a memória, programando-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mente condicionada não é criativa. Torna-se mecânica, repetitiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A leitura deve ser feita com atenção, que é o estado de percebimento em que o pensamento está latente. Desta forma estar-se-á apto à aprendizagem, descobrindo-se nas entrelinhas e sentindo no âmago, a essência das mensagens nelas contidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos ver a realidade, não a concepção que nos apraz. E quando isto ocorrer, quando se tiver, então, a capacidade de ver, sentir e ouvir com a atenção plena, nada mais será preciso fazer, porque a inteligência desperta é a luz que orienta o viver autêntico, e que a tudo dará sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SUMÁRIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cap.01 - A mente confusa..................................................................&lt;br /&gt;Cap.02 - O sentido do escapismo........................................................&lt;br /&gt;Cap.03 - Somos um só espírito...........................................................&lt;br /&gt;Cap.04 - A falácia dos “Eus”...............................................................&lt;br /&gt;Cap.05 - Os princípios cósmicos..........................................................&lt;br /&gt;Cap.06 - A ilusão do cérebro..............................................................&lt;br /&gt;Cap.07 - A consciência particular cósmica............................................&lt;br /&gt;Cap.08 - Compreensão e percepção....................................................&lt;br /&gt;Cap.09 - As células especiais..............................................................&lt;br /&gt;Cap.10 - A vida é consciência.............................................................&lt;br /&gt;Cap.11 - O conhecimento psicológico...................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odisséia no interior da mente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capítulo 01&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A MENTE CONFUSA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho conversado em várias ocasiões com amigos, familiares e pessoas ao acaso nas ruas, acerca de problemas concernentes sobre o viver e o comportamento social, em todas as suas formas. Veio-me então, após vários anos a idéia de que deveria apresentar estes temas e uma extensão maior da coletividade, e, assim, pensei em escrever um livro no intuito de ganhar algo importante: o despertar total das nossas consciências com o exercitara a mente, levando-a de forma simples e tranqüila, a desabrochar do íntimo, todo o sentimento e aprendizado guardados e não compreendidos, desde a pré-história até os nossos dias atuais, quiçá do primeiro instante da criação do universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a vigília da mente, em várias ocasiões da vida, em determinados momentos, durante todos os dias, fui percebendo-me do porquê de os seres humanos estarem sempre em conflitos; assim compreendi a pesquisa de como poderia livrar-se dos mesmos, sem drama e sem luta, quando já condicionada a mente pela tradição e tão apregoada “sabedoria” dos ancestrais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conhecimento na pesquisa subjetiva é inviável, pois como veremos adiante, constitui-se na elaboração do pensamento – geradores e mantenedores dos conflitos. Não são o prazer, o desejo, o medo e o sofrimento originados e nutridos pelos nossos pensamentos?  Quando se está experimentando uma sensação de dor ou prazer, não é o pensamento que está atuando? E se soubéssemos neutraliza-lo, o que aconteceria? E sendo os pensamentos originários dos conhecimentos não se tornam conclusivos, teorizando o que se experimenta, ao invés de pesquisá-lo? A teorização é fuga àquilo que se não quer enfrentar. É uma forma cômoda que se utiliza a mente para adiar a questão – como se diz vulgarmente: “empurrar com a barriga”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo de suma importância que me parece importante mencionar: os temas psicológicos estão de tal forma contidos uns nos outros que podemos até afirmar que a psicologia resume-se em apenas um aspecto: comportamento. Quando por exemplo se fala em amor, implica em falar do comportamento do ciúme, do ódio, da violência, da inveja, da ambição, inseridos na convivência a dois. Estas reações comportamentais, não negam veementemente, o amor? Claro está, que o amor nada tem de comum com elas. O amor transcende as reações; transcende a memória. O amor sobre o qual tanto se fala não é amor nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho conversado com pessoas objetivando esclarecer-nos do porquê das expressões físicas e psíquicas, chamando a atenção para as distorções mecânicas da mente que tem compelido aos seres humanos a tomarem atitudes absurdas, compenetrada de estar agindo de forma coerente. Não desconfia sequer de estar repetindo o comportamento coletivo. Nas gesticulações e aspectos faciais vêem-se os esforços que se está fazendo para convencer e convencer-se de que seus pronunciamento de fato pode resolver as dificuldades em que se meteu, tal é o drama do homem, ao envolver-se socialmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde os primórdios da humanidade que os seres, suposta e presunçosamente chamados nacionais, tendo através dos séculos lutado desesperadamente pela sobrevivência física e psicológica, nada têm conseguido. Apesar dos avanços sofisticados na tecnologia, continua a humanidade tão infeliz como sempre fora. De nada lhe serviram as conquistas espaciais, o rádio, a televisão, o computador, as autoridades intelectuais, políticas e religiosas e até mesmo as ciências sanitárias. Estas quando de um lado sofisticaram-se no atendimento assistencial, a corrupção motivou-se, crescendo em quantidade as doenças e condições generalizadas a toda espécie de miséria, sem se falar das operações e tratamentos propositadamente realizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Psicologicamente, tem-se tornado o “ser racional” cada vez mais podre, hipócrita e covarde. Na sua esperteza, a que chama de inteligência, vem conseguindo transformar nosso planeta em um autêntico inferno. Na ânsia de escapar ao sofrimento o homem tem feito o que o “diabo duvida”: criaram-se todos os tipos de cultos às “autoridades” psicológicas e sociais,; livros sagrados apareceram e pessoas santas; homens deuses, ideologias e os mitos dos ídolos esportivos e artistas, que de importante só têm os altos salários e a capacidade de iludirem a gentalha que desgraçadamente morrem e matam por eles. Tudo enfim, mesclando o prazer e a dor, como mecânica escapista. Este hábito tornou-se uma obsessão e, inseriu-se nas células cerebrais, de tal maneira que automatizou o cérebro, levando-o naturalmente à procura do alívio nas coisas exteriores, e assim constata-se que o sentido de introspecção silenciosa, parece não mais existir nos genes, tendo perdido, por certo, o registro em códigos, ou na verdade, pelos truques da memória que sempre interferem com suas conclusões. Cada um dos seus sentidos físicos e metafísicos estando codificados nas células cerebrais permanecerá atuante ou não, a depender do cuidado que se tenha com a mente, em percebendo atenciosos a sua dinâmica – pensamentos e sentimentos que surgem no campo mental a todo instante. O autoconhecimento não nos vem pela análise intelectual, mas pela auto-observação silenciosa e exteriormente em volta de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquecer a vigília é como tirar as mãos de um veículo, quando estamos dirigindo; essa atitude nos levaria a acidentes perigosíssimos; o mesmo acontece quando a mente desatenta aos movimentos do corpo deixa-o descuidado. Tem-se que estar atento ao organismo afim de preservá-lo; afinal a qualidade de vida prende-se a sua preservação, e para tal o estado atencioso é indispensável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mente está de tal forma voltada para o exterior que tem esquecido de si mesma, condenando-se a situações embaraçosas em tudo que inventa. Até mesmo a busca da verdade a destrói, por não se perceber que o insólito não pode ser encontrado. Só se procura o que se conhece, o desconhecido não tem com ser reconhecido. Se não conheço uma pessoa como posso identificá-la, mesmo que conviva comigo num ambiente social qualquer? Assim é a situação em que uma pessoa nos pede para encontrar algo perdido. Para que efetivamente possamos ir em busca da coisa procurada temos que nos informar a respeito do que seja, pois somente assim poderá identifica-la – o desconhecido não pode ser encontrado. Só se encontra o que está impresso na consciência. Ou seja, só podemos encontrar o que guardamos – no íntimo e no exterior. Não é a verdade que está perdida, nós é que estamos perdidos. Quando procuramos algo por certo ele já se encontra na consciência criado pelos nossos anseios, tal como gostaríamos que fosse; é mais um truque que a mente está nos pregando. Não podemos encontrá-lo pela busca. Temos que estar perceptivos, com a mente em silêncio e tranquila, pois, somente assim poderá revelar-se. Escolhemos os caminhos quando estamos confusos. Paremos, olhemos para os lados; percebamos nossa confusão, sintamos que estamos perdidos, e o caminho correto apresentar-se-á. Quem procura quer solução sem perceber que está criando problemas. Quando, porém, se está atento aos acontecimentos, sem envolver-se psicologicamente, não há como se criar problemas – pois justamente a ânsia de alterar é que se constitui na confusão. Em se deixando que os acontecimentos sigam o seu curso, naturalmente ocorrerá a diluição deles – pois não estando presente o pensamento para lhes dar continuidade, não terão como prosseguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de estarrecer que a mente não destrua por si mesma todo o conhecimento psicológico (crenças, ideologias; todo o conhecimento não-factual ou imaginário). Que mistério envolve este aspecto tão simples, que seria a salvação do homem e de todo o sentido de viver? É por não ter descoberto isto, os seres humanos vivem para si e pra os outros um drama tétrico, imoral e insano. Que há por trás de tudo isto? Como se há de compreender? A felicidade às nossas mãos e a observamos como algo sem nenhuma importância. Necessário se torna que superstições ou ilusões sejam banidas da mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se já se aperceberam que, muitas vezes, ao termos abandonado um problema, a sua solução surge naturalmente e que a grande maioria das coisas que acreditamos ser necessárias são supérfluas e inconvenientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreendem os que intuíram – ser o conhecimento psicológico o nosso mal – que o verdadeiro ser humano nada precisa saber nem pensar, mas tão somente sentir silenciosamente em absoluta passividade o que está a ocorrer no mundo exterior e interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é mágico, mas não tem consciência disso; possuindo tantas informações de segunda mão, adquiridas e propagandas escritas e faladas, que desenvolveu o hábito da acomodação, pela sutileza oculta de que ali está tudo o de que se precisa. Por influência também persiste o hábito da procura de algo eterno capaz de promover uma modificação profunda na mente. Essa coisa procurada pelo incentivo das ânsias, do medo e idéias congênitas ou adquiridas na convivência com os fatos, real e, assim, pela força do hábito, a falsidade se transformou, para a mente, em verdade. Não mais sabendo o que fazer, sem qualquer opção, mesma desconfiada, luta para acreditar que tem fé, implantando a idéia de que precisamos acreditar que acreditamos, tal é a insegurança mental imposta pelo hábito em negligenciar a contestação de tudo que se nos apresente. Aceitamos, como os mendigos, as esmolas de pessoas carentes, com problemas de consciência e autopiedade, ansiosas por autoprojeção e autopromoção, como se fossem realmente compassivas pelo sofrimento alheio. Esta é que é a grande tragédia da raça humana; perdida, tem que inventar uma saída ou fuga. Percebe que as diversas “crenças” têm provocado guerras, desentendimentos e degenerações, mas a comodidade continua se impondo, e assim matam-se em nome dos seus deuses, seus ideais, suas famílias, suas culturas, seus padrões de vida, com toda a naturalidade e “amor”. Assim, surge uma vida frustrante, repleta de objetivos contraditórios e sentimentos hostis, em caracteres recíprocos, numa competição desastrosa, cheia de perfídia e insídia, onde a esperteza dissimula a hipocrisia, a inveja, a violência e o medo da morte e do viver. Para esta vida miserável ainda se encontra justificativa, induzida pela idéia de se possuir uma individualidade imortal.Teme-se o fim da memória, após o sangue deixar de fluir, destruindo suas atividades cerebrais. Embora morrendo todos os dias – quando em sono profundo – não se tenha consciência alguma da personalidade ou memória do que se foi e do que se é. O mesmo acontecendo quando se perdeu o sentido por um trauma ou quando anestesiados para uma intervenção cirúrgica, o homem ainda pretende continuar sua desgraçada vida, em outra dimensão. Retornarmos apara a dimensão de onde viemos – que foi a “inexistência” – onde não há memória, de forma alguma, a mente se nega a aceitar, tal o seu apego e condicionamento à experiência sórdida que se tem feito sobre a terra. Somos a memória: acabando esta, é claro que perecemos também. É nesse término do “Eu” que se renasce para a unidade cósmica, cuja consciência transcende a realidade da memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em não havendo medo ou ambições por uma vida melhor, compreender-se-á a beleza da não-existência, física e psíquica. Viemos do “nada” e voltaremos ao “nada”. Poucos podem sentir tamanha beleza e imensidão pode este estado de vazio e silêncio eternos. Lembremo-nos de que “tivemos” uma inexistência eterna sem sofrimento algum – sem o desejo que se tem hoje de renascer para esta vida miserável. Voltaremos à inexistência eterna onde estaremos livres de todas as desventuras, por que é o destino de todas as criaturas voltarem ao criador – tudo deverá voltar ao “todo”. Há um evento no cosmos de contração e expansão. E embora se observe alguma massa contraindo-se e expandindo-se hoje, estas condições aconteceram a milhares de anos de separação uma da outra, dificultando o percebimento de o universo estar contraindo-se expandindo-se. È possível até que ambas condições estejam ocorrendo simultaneamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se por ventura houvesse consciência após a morte, o homem sensato não mais gostaria de voltar aqui para passar por tudo o que passou. Ainda que deus lhe pedisse, por certo relutaria em aceitar tal proposta. Para a mente cósmica, a consciência de vida e morte não faz diferença alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida que todos compartilhamos tem-se mantido durante séculos porque utilizou-se sempre de métodos vários, mas que basicamente têm a mesma face. A vida subjetiva não necessita de padrões; ela é sem causa, e a sua própria razão. Temos que ser “a nossa própria luz”, para que haja o sentido real do viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Utiliza-se do intelecto ou memória para resolverem situações psicológicas, quando o acompanhamento das expressões interiores, através da introspecção silenciosa e passiva, as exterminariam radicalmente, com simplicidade e segurança, livrando-nos da impropriedade do método intelectual ou analítico. Este pode aliviar, mas não resolve a crise. Os conhecimentos são necessários na resolução de questões objetivas; em questões subjetivas não funcionam – o abstrato é o não-fato e este em nada se relaciona com as situações reais. A humanidade está tão convencida de que as informações resolvem tudo – apesar das desgraças vigentes não solucionadas por elas – que dificilmente algum ser humano tomará iniciativa de abandoná-las psicologicamente. Tornou-se natural o raciocínio com base em abstrações, ao invés da percepção e constatação pessoal dos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi certa vez, após término da guerra do Vitnam por um radialista, que os vietnamitas estavam desesperados por não saberem como sobreviver num estado novo de paz, por terem perdido as oportunidades dos saques aos despojos dos inimigos em combate. Também estavam desolados pela falta de expectativa pelos momentos imprevisíveis de ataques aéreos e do silêncio das sirenes que os alertavam dos bombardeios iminentes. Conviviam tão conformados com suas desditas que ao se lhe imporem a paz, tornaram-se desprovidos de suas razões de viver. Assim, está a humanidade tão envolvida com os esquemas informáticos que nunca lhe passou pela cabeça a idéia de esvaziar a mente deste lixo tradicional e viver o estado pleno de meditação, onde a visão intuitiva percebe incontinenti, sem a mínima carência de apelar para a memória, tudo o que deverá ser realizado, sem dramatização e sem medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A confusão mental só terá o seu fim quando num relance perceber-se a futilidade de tudo aquilo que nos deram como herança genética e intelectual. Quando libertar-nos das autoridades psicológicas: mestres, salvadores, filósofos, enfim, as autoridades intelectuais, e por fim, passarmos a ver por nós mesmos por todos os movimentos que nos circundam a todo instante quer morais ou físicos. Com a mentalidade do condicionamento dos padrões sociais, da mídia e da própria experiência, tem-se então a oportunidade de começar a aprender. Esse aprender é o autoconhecimento, o movimento eterno em direção ao infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um livro que será publicado, neste espaço do site Usina das Palavras, com direitos reservados ao autor, Josias Nunes Silva, sob Registro, Rio de Janeiro, 2002, em capítulos de 01 a 11. Tamanho A5 (148,5mmx210mm), 64 páginas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Postado por Marco Antonio de Cádiz e Luís da Velosa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-8918659994933262787?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/8918659994933262787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=8918659994933262787&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/8918659994933262787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/8918659994933262787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/11/odissia-no-interior-da-mente.html' title='ODISSÉIA NO INTERIOR DA MENTE'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-3585558975157590872</id><published>2008-10-29T00:02:00.000-07:00</published><updated>2008-10-29T00:10:28.963-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Esta página destina-se a assegurar os direitos dos animais pela divulgação das Leis que regulamentam o assunto  &lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#dir#dir"&gt;direitos&lt;/a&gt; /  &lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#leis#leis"&gt;leis&lt;/a&gt; /  &lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#den#den"&gt;denúncias&lt;/a&gt; /  &lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#doa#doa"&gt;doações&lt;/a&gt; /  &lt;a href="mailto:rosa@flor.com"&gt;E-mail&lt;/a&gt;  &lt;br /&gt;&lt;a name="dir"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DOS ANIMAIS: &lt;br /&gt;(proclamada em assembléia da Unesco, em Bruxelas, no dia 27 de janeiro de 1978)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARTIGO 1:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os animais nascem iguais diante da vida, e têm o mesmo direito à existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARTIGO 2:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) Cada animal tem direito ao respeito.&lt;br /&gt;b) O homem, enquanto espécie animal, não pode atribuir-se o direito de exterminar os outros animais, ou explorá-los, violando esse direito. Ele tem o dever de colocar sua consciência a serviço de outros animais.&lt;br /&gt;c) Cada animal tem direito à consideração, à cura e à proteção do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARTIGO 3:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) Nenhum animal será submetido a maus tratos e a atos cruéis.&lt;br /&gt;b) Se a morte de um animal é necessária, ela deve ser instantânea, sem dor ou angústia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARTIGO 4:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) Cada animal que pertence a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu ambiente natural terrestre, aéreo ou aquático, e tem o direito de reproduzir-se.&lt;br /&gt;b) A privação da liberdade, ainda que para fins educativos, é contrária a este direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARTIGO 5:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) Cada animal pertencente a uma espécie, que vive habitualmente no ambiente do homem, tem o direito de viver e crescer segundo o ritmo e as condições de vida e de liberdade que são próprias de sua espécie.&lt;br /&gt;b) Toda modificação imposta pelo homem para fins mercantis é contrária a esse direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARTIGO 6:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) Cada animal que o homem escolher para companheiro tem o direito a uma duração de vida conforme sua longevidade natural.&lt;br /&gt;b) O abandono de um animal é um ato cruel e degradante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARTIGO 7:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada animal que trabalha tem o direito a uma razoável limitação de tempo e intensidade de trabalho, e a uma alimentação adequada e ao repouso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARTIGO 8:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) A experimentação animal, que implica em sofrimento físico, é incompatível com os direitos do animal, quer seja uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer outra.&lt;br /&gt;b) Técnicas substitutivas devem ser utilizadas e desenvolvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARTIGO 9:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum animal deve ser criado para servir de alimentação, deve ser nutrido, alojado, transportado e abatido, sem que para ele tenha ansiedade ou dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARTIGO 10:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum animal deve ser usado para divertimento do homem. A exibição dos animais e os espetáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARTIGO 11:&lt;br /&gt;O ato que leva à morte de um animal sem necessidade é um biocídio, ou seja, um crime contra a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARTIGO 12:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) Cada ato que leve à morte um grande número de animais selvagens é um genocídio, ou seja, um delito contra a espécie.&lt;br /&gt;b) O aniquilamento e a destruição do meio ambiente natural levam ao genocídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARTIGO 13:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) O animal morto deve ser tratado com respeito.&lt;br /&gt;b) As cenas de violência de que os animais são vítimas, devem ser proibidas no cinema e na televisão, a menos que tenham como fim mostrar um atentado aos direitos dos animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARTIGO 14:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) As associações de proteção e de salvaguarda dos animais devem ser representadas a nível de governo.&lt;br /&gt;b) Os direitos dos animais devem ser defendidos por leis, como os direitos dos homens.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#inicio#inicio"&gt;início&lt;/a&gt;/  &lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#leis#leis"&gt;leis&lt;/a&gt; /  &lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#den#den"&gt;denúncias&lt;/a&gt; /  &lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#doa#doa"&gt;doações&lt;/a&gt; /  &lt;a href="mailto:rosa@flor.com"&gt;E-mail&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="leis"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;LEIS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Constituição Federal de 1988&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Art. 225, 1o, VII - Incumbe ao Poder Público proteger a fauna e a flora, vedadas na forma de lei as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, que provoquem a extinção de espécie ou submetam os animais à crueldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lei da Política Ambiental 6938/81&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a Lei da Política Ambiental 6938/81 com a nova redação da Lei 7804/89 definiu a fauna como Meio Ambiente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lei 5197&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Art. 1º - caracterizou a fauna como sendo os animais que vivem naturalmente fora do cativeiro. A indicação legal para diferenciar a Fauna Selvagem da Doméstica é a vida em liberdade ou fora de cativeiro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Decreto Lei 3688&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Art. 64 da Lei das Contravenções Penais - tipifica a cueldade contra os animais, estabelece medidas de proteção animal e prevê atentados contra animais domésticos e exóticos, que são de competência da Justiça Estadual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DECRETO nº 24.645/34&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Art. 1º - Todos os animais existentes no país são tutelados pelo Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Art. 2º - parágrafo 3º - Os animais serão assistidos em juízo pelos representantes do Ministério Público, seus substitutos legais e pelos membros das Sociedades Protetoras dos Animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Art. 16º - As autoridades federais, estaduais e municipais prestarão aos membros das Sociedades Protetoras dos Animais, a cooperação necessária para se fazer cumprir a lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANIMAIS EM APARTAMENTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Lei nº 4591/64 e artigo 544 do código civil - ampara qualquer animal que viva em um condomínio de apartamentos. Mesmo havendo na convenção condominial cláusula proibindo animal em apartamento, tolera-se ali a permanência deste, quando desse fato não resultar em prejuízo ao sossego, à salubridade e à segurança dos condôminos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LEIS RECENTES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lei Municipal Vigente ( Município do Rio de Janeiro ) - lei nº 2284/95 - proíbe a realização de eventos ou espetáculos que promovam o sofrimento ou sacrifício de animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Código de Posturas Municipal (Florianópolis)- Lei Municipal específica que trata do assunto. É obrigação de todo cidadão, dono ou não de animais, conhecer e zelar pelo cumprimento de seus artigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lei Municipal nº 1224 (Florianópolis)- - Regulamenta a guarda e restringe a circulação de cães em logradouros públicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lei em tramitação na Câmara Federal - lei nº 2155/96 - proíbe favores oficiais a Entidades que promovam ou ajudem no sofrimento ou sacrifício de animais.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#inicio#inicio"&gt;início&lt;/a&gt; /  &lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#dir#dir"&gt;direitos&lt;/a&gt; /  &lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#den#den"&gt;denúncias&lt;/a&gt; /  &lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#doa#doa"&gt;doações&lt;/a&gt; /  &lt;a href="mailto:rosa@flor.com"&gt;E-mail&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="den"&gt;&lt;/a&gt;   &lt;br /&gt;DENÚNCIAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SE VOCÊ CONHECE ALGUÉM QUE NÃO RESPEITA ANIMAIS, DENUNCIE!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vá a uma Delegacia de Polícia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procure o IBAMA (&lt;a href="http://www.ibama.gov.br/"&gt;http://www.ibama.gov.br&lt;/a&gt; )&lt;br /&gt;ou ligue pra a APASFA (0xx11) 6955-4352 &lt;br /&gt;APASFA (Associação Protetora de Animais São Francisco de Assis)  &lt;a href="http://www.apasfa.org/"&gt;http://www.apasfa.org&lt;/a&gt; e o e-mail é &lt;a href="mailto:info@apasfa.org"&gt;info@apasfa.org&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#inicio#inicio"&gt;início&lt;/a&gt; /  &lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#dir#dir"&gt;direitos&lt;/a&gt; /  &lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#leis#leis"&gt;leis&lt;/a&gt; /  &lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#doa#doa"&gt;doações&lt;/a&gt; /  &lt;a href="mailto:rosa@flor.com"&gt;E-mail&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="doa"&gt;&lt;/a&gt;   &lt;br /&gt;DOAÇÕES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que desejarem nos ajudar na campanha a favor dos direitos dos animais poderão fazê-lo depositando qualquer quantia na seguinte conta corrente do Banco do Brasil S/A:&lt;br /&gt;Agência nº 0153-X &lt;br /&gt;C/C 1552-0&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#inicio#inicio"&gt;início&lt;/a&gt; /  &lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#dir#dir"&gt;direitos&lt;/a&gt; /  &lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#den#den"&gt;denúncias&lt;/a&gt; /  &lt;a href="http://www.geocities.com/salve_animais/?200620#leis#leis"&gt;leis&lt;/a&gt; /  &lt;a href="mailto:rosa@flor.com"&gt;E-mail&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-3585558975157590872?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/3585558975157590872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=3585558975157590872&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/3585558975157590872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/3585558975157590872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/10/esta-pgina-destina-se-assegurar-os.html' title=''/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-3766393222889752906</id><published>2008-10-22T06:42:00.001-07:00</published><updated>2008-10-22T06:42:59.338-07:00</updated><title type='text'>CASTRO ALVES DO BRASIL</title><content type='html'>Castro Alves do Brasil, para quem cantastes?&lt;br /&gt;Para a flor cantaste? Para a água&lt;br /&gt;cuja formosura diz palavras às pedras?&lt;br /&gt;Cantastes para os olhos para o perfil recortado&lt;br /&gt;da que então amaste? Para a primavera?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, mas aquelas pétalas não tinham orvalho,&lt;br /&gt;aquelas águas negras não tinham palavras,&lt;br /&gt;aqueles olhos eram os que viram a morte,&lt;br /&gt;ardiam ainda os martírios por detrás do amor,&lt;br /&gt;a primavera estava salpicada de sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cantei para os escravos, eles sobre os navios&lt;br /&gt;como um cacho escuro da árvore da ira,&lt;br /&gt;viajaram, e no porto se dessangrou o navio&lt;br /&gt;deixando-nos o peso de um sangue roubado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cantei naqueles dias contra o inferno,&lt;br /&gt;contra as afiadas línguas da cobiça,&lt;br /&gt;contra o ouro empapado de tormento.&lt;br /&gt;contra a mão que empunhava o chicote,&lt;br /&gt;contra os dirigentes de trevas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cada rosa tinha um morto nas raízes.&lt;br /&gt;A luz, a noite, o céu, cobriam-se de pranto,&lt;br /&gt;os olhos das apartavam-se das mãos feridas&lt;br /&gt;e era a minha voz a única que enchia o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu quis que do homem nos salvássemos,&lt;br /&gt;eu cria que a rota passasse pelo homem,&lt;br /&gt;e que daí tinha de sair o destino.&lt;br /&gt;Cantei para aqueles que não tinham voz.&lt;br /&gt;Minha voz bateu em portas até então fechadas&lt;br /&gt;para que, combatendo, a liberdade entrasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Castro Alves do Brasil, hoje que o teu livro puro&lt;br /&gt;torna a nascer para a terra livre,&lt;br /&gt;deixam-me a mim, poeta da nossa América,&lt;br /&gt;coroar a tua cabeça com os louros do povo.&lt;br /&gt;Tua voz uniu-se à eterna e alta voz dos homens.&lt;br /&gt;Cantaste bem. Cantaste como se deve cantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pablo Neruda – Canto Geral XXIX&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Postado por Marco Antonio de Cádiz&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-3766393222889752906?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/3766393222889752906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=3766393222889752906&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/3766393222889752906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/3766393222889752906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/10/castro-alves-do-brasil.html' title='CASTRO ALVES DO BRASIL'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-1997178674096252808</id><published>2008-10-22T05:43:00.000-07:00</published><updated>2008-10-22T05:46:33.141-07:00</updated><title type='text'>As Presenças em Itaparica</title><content type='html'>Três anos passados da sua Aclamação pelo Senado da Câmara da Cidade do Salvador, ocorrida em 16 de julho de 1823, aporta na Bahia em 28 de fevereiro de 1826, portanto, há 180 anos, D. Pedro I, batizado com o nome de Pedro de Alcântara Francisco Antônio João de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, se deslocando para a povoação de Ponta das Baleias, futura sede da Vila de Itaparica, hospedou-se no Solar de Francisco Xavier de Barros Galvão, construído pelo contratador João Francisco de Oliveira, antiga Casa do Contrato das Baleias e futura Pensão Anita, hoje Solar d´El Rey, sede da Secretaria de Turismo. D. Pedro ao ser recebido por Barros Galvão, “herói da Praia Grande”, beijou-lhe a cicatriz que este trazia no seu punho, vestígio honroso das lutas pela Independência do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após os cumprimentos de estilo, o Imperador revistou a Fortaleza de São Lourenço, construída pelos portugueses no século XVIII, visitou a Igreja de São Lourenço, construção barroca de 1610, rezou no Oratório Nossa Senhora da Piedade, padroeira dos heróis de Itaparica, hoje localizada na Praça da Piedade e bebeu a água mineral que vertia, em bicas de bambu, do Alto de Santo Antônio dos Navegantes, canalizada, mais tarde, para a atual “Fonte da Bica”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Imperador D. Pedro I despediu-se da Bahia, no dia 19 de março de 1826, “ipsis litteris”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Habitantes da Província da Bahia! É chegado o prazo por Mim dado para retirar-se à Corte. Os interesses gerais do Império assim exigem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parto no dia vinte e um, como já havia dito, e sinto não poder demorar-me mais entre vós. As demonstrações de alegria, gratidão e fidelidade com que Me mimoseastes, farão com que Eu sempre Me lembre desta Província, assim como Espero, que sempre vos lembreis de Mim, em que tendes um Soberano, que arrosta e arrostará todos os perigos pela Salvação de seus súditos e que busca fazer-se conhecer deles de todos os modos, para que jamais possam ser iludidos e levados ao precipício por aquêles que se intitulam amadores da Pátria e da Liberdade e que só querem despotisar agrilhoando-a, tratando ùnicamente dos seus interesses a despeito da causa pública. O Amôr da Pátria e do Povo tem sido o alvo a que tenho dirigido os meus Tiros; e assim, Baianos, executei literal a constituição. – Cumpri Minhas Imperiais Ordens e o resultado do que vos Ordeno será a vossa felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bahia, 19 de março de 1826.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imperador”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trinta e três anos depois da visita de D. Pedro I à Itaparica, era a vez do seu filho o Imperador D. Pedro II (1825-1891), batizado Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bourbon Habsburgo e Bragança, que aportou em Itaparica, recebido no Solar da Ponta da Cruz, residência do Comendador José Fernandes de Almeida. Assim, o médico Epiphânio Pedrosa, descreve a chegada de D. Pedro II, ao primeiro torrão insular do Brasil pisado pelo branco europeu, “ipsis litteris”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Havia grande cerração e a chuva era extraordinária. Apesar disso S. M. quis saltar o que realizou com grande admiração de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi recebido com entusiasmo. Várias pessoas da Vila e da Capital a cuja frente se achava o Juiz Municipal Dr. Bento Fernandes de Almeida, esperavam  S. M. no cais para terem a honra de cumprimenta-lo e beijar-lhe a mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Girândolas de foguetes subiam constantemente ao ar, e os sinos repicavam sem cessar, como companhando os vivas que de todos os pontos saíam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S. M. desembarcou em uma ponte puxada ao cais, feita de madeira, forrada de baeta, com grades verdes e amarelas dos lados, enfeitadas com folhas, dando para uma bella escada, que muito facilitou o desembarque, o cais estava coberto de povo. A Guarda Nacional, numerosa como é a de Itaparica, formava alas e saudava o Monarca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Câmara Municipal veio recebê-lo com o Pálio, S. M. debaixo de toda a chuva dirigiu-se a capelinha de N. S. da Piedade [onde orara D. Pedro I] onde beijou o Santo Lenho depois descansou por alguns minutos na casa que Dr. Bento lhe havia preparado com todas as conveniências e com o asseio digno da alta personagem que ía hospedar.&lt;br /&gt;Uma mesa magnífica estava servida, sendo notável a profusão e a riqueza dos doces e frutas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S. M., porém molhado como estava, não se pôde demorar e saudando todos com a sua costumada afabilidade retirou-se prometendo voltar para apreciar os bons sentimentos de que se achavam possuídos, para com sua pessoa, os leais itaparicanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Dr. Bento havia preparado um leito para S. M. no mesmo aposento onde já havia dormido o Sr. D. João VI, naquela mesma casa, onde, mais tarde, passou duas horas o Sr. D. Pedro I. Além dessa coincidência feliz, o Dr. Bento pôde descobrir em poder de uma velha de Nazaré, a cama onde se havia deitado o Sr. D. João VI e o candieiro com que se havia alumiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Cama é de jacarandá, não muito grande e perfeitamente trabalhada. O candieiro é todo de prata, ao gosto antigo com depósito alto cheio de correntes e agulhetas, com bicos para torcida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo que S. M. embarcou na galeota, embarcaram em um saveiro as pessoas mais notáveis que ali se achavam e dirigiram-se ao Apa onde foram benevolamente admitidos a beijar a mão de S. M. a Imperatriz, e onde fizeram suas saudações a S. M. o Imperador”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários itaparicanos ilustres, compareceram à recepção de D. Pedro II, v.g., os professores latinistas Manoel José Pinto e o cônego Francisco Pereira de Souza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio Frederico de Castro Alves, Castro Alves, o “Cecéu”, chegou à Itaparica em 1867, hospedando-se na rua do Canal, na residência de João de Brito, seu amigo e confidente.  Nas areias das praias da ilha, Castro Alves escreveu a poesia “Vozes Misteriosas”, poema que João de Brito ofereceu a Adelaide Guimarães, irmã querida do poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo ano, 1867, Ruy Barbosa, convalescente de uma enfermidade adquirida em Recife, chegou à Itaparica e hospedou-se na quinta do seu bisavô, o Sargento-Mór de Ordenança, Antônio Barbosa de Oliveira. Ruy Barbosa era advogado, jornalista, jurista, político, diplomata, filólogo, ensaísta e orador. Era amigo e colega de Castro Alves, na Faculdade de Direito do Recife e na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, escrevendo o ensaio intitulado “Elogio a Castro Alves”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís da Velosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UBALDO OSÓRIO - A ILHA DE ITAPARICA – História e Tradição, IV Ed., 1979.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-1997178674096252808?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/1997178674096252808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=1997178674096252808&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/1997178674096252808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/1997178674096252808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/10/as-presenas-em-itaparica.html' title='As Presenças em Itaparica'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-2350690090193784640</id><published>2008-10-06T07:41:00.000-07:00</published><updated>2008-10-06T07:42:45.980-07:00</updated><title type='text'>VOZES d'ÁFRICA</title><content type='html'>Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes?&lt;br /&gt;Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes&lt;br /&gt;Embuçado nos céus?&lt;br /&gt;Há dois mil anos te mandei meu grito,&lt;br /&gt;Que embalde desde então corre o infinito...&lt;br /&gt;Onde estás, Senhor Deus?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual Prometeu tu me amarraste um dia&lt;br /&gt;Do deserto na rubra penedia&lt;br /&gt;- Infinito: galé!...&lt;br /&gt;Por abutre – me deste o sol candente,&lt;br /&gt;E a terra de Suez – foi a corrente&lt;br /&gt;Que me ligaste ao pé...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cavalo estafado do Beduíno&lt;br /&gt;Sob a vergasta tomba ressupino&lt;br /&gt;E morre no areal.&lt;br /&gt;Minha garupa sangra, a dor poreja,&lt;br /&gt;Quando o chicote do simoun dardeja&lt;br /&gt;O teu braço eternal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas irmãs são belas, são ditosas...&lt;br /&gt;Dorme a Ásia nas sombras voluptuosas&lt;br /&gt;Dos haréns do Sultão.&lt;br /&gt;Ou no dorso dos brancos elefantes&lt;br /&gt;Embala-se coberta de brilhantes&lt;br /&gt;Nas plagas do Hindustão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tenda tem os cimos do Himalaia...&lt;br /&gt;O Ganges amoroso beija a praia&lt;br /&gt;Coberta de corais...&lt;br /&gt;A brisa de Misora o céu inflama;&lt;br /&gt;E ela dorme nos templos do Deus Brama,&lt;br /&gt;- Pagodes colossais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Europa é sempre Europa, a gloriosa!...&lt;br /&gt;A mulher deslumbrante e caprichosa,&lt;br /&gt;Rainha e cortesã.&lt;br /&gt;Artista – corta o mármore de Carrara;&lt;br /&gt;Poetisa – tange os hinos de Ferrara,&lt;br /&gt;No glorioso afã!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre a Láurea lhe cabe no litígio...&lt;br /&gt;Ora uma c’oroa, ora o barrete frígio&lt;br /&gt;Enflora-lhe a cerviz.&lt;br /&gt;O Universo após ela – doudo amante –&lt;br /&gt;Segue cativo o passo delirante&lt;br /&gt;Da grande meretriz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;......................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu, Senhor!... Eu triste abandonada&lt;br /&gt;Em meio das areias esgarrada,&lt;br /&gt;Perdida marcho em vão!&lt;br /&gt;Se choro... bebe o pranto a areia ardente;&lt;br /&gt;Talvez... p’ra que meu pranto, ó Deus clemente!&lt;br /&gt;Não descubras no chão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nem tenho uma sombra de floresta...&lt;br /&gt;Para cobrir-me nem um templo resta&lt;br /&gt;No solo abrasador...&lt;br /&gt;Quando subo às Pirâmides do Egito&lt;br /&gt;Embalde aos quatro céus chorando grito:&lt;br /&gt;“Abriga-me, Senhor!...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o profeta em cinza a fronte envolve,&lt;br /&gt;Velo a cabeça no areal que volve&lt;br /&gt;O siroco feroz...&lt;br /&gt;Quando eu passo no Saara amortalhada...&lt;br /&gt;Ai! dizem: “Lá vai África embuçada&lt;br /&gt;No seu branco albornoz...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem vêem que o deserto é meu sudário,&lt;br /&gt;Que o silêncio campeia solitário&lt;br /&gt;Por sobre o peito meu.&lt;br /&gt;Lá no solo onde o cardo apenas medra&lt;br /&gt;Boceja a Esfinge colossal de pedra&lt;br /&gt;Fitando o morno céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Tebas nas colunas derrocadas&lt;br /&gt;As cegonhas espiam debruçadas&lt;br /&gt;O horizonte sem fim...&lt;br /&gt;Onde branqueja a caravana errante,&lt;br /&gt;E o camelo monótono, arquejante que desce de Efraim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;......................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não basta inda de dor, ó Deus terrível?!&lt;br /&gt;É, pois, teu peito eterno, inexaurível&lt;br /&gt;De vingança e rancor?...&lt;br /&gt;E que é que fiz, Senhor? Que torvo crime&lt;br /&gt;Eu cometi jamais que assim me oprime&lt;br /&gt;Teu gládio vingador?!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;..........................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi depois do dilúvio... Um viandante,&lt;br /&gt;Negro, sombrio, pálido, arquejante,&lt;br /&gt;Descia do Arará...&lt;br /&gt;E eu disse ao peregrino fulminado:&lt;br /&gt;“Cão!... serás meu esposo bem-amado...&lt;br /&gt;- Serei tua Eloá...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde este dia o vento da desgraça&lt;br /&gt;Por meus cabelos ululando passa&lt;br /&gt;O anátema cruel.&lt;br /&gt;As tribos erram do areal nas vagas,&lt;br /&gt;E o Nômada faminto corta as plagas&lt;br /&gt;No rápido corcel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi a ciência desertar do Egito...&lt;br /&gt;Vi meu povo seguir – Judeu maldito –&lt;br /&gt;Trilho de perdição.&lt;br /&gt;Depois vi minha prole desgraçada&lt;br /&gt;Pelas garras d’Europa – arrebatada –&lt;br /&gt;Amestrado falcão!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristo! Embalde morreste sobre um monte...&lt;br /&gt;Teu sangue não lavou de minha fronte&lt;br /&gt;A mancha original.&lt;br /&gt;Ainda hoje são, por fado adverso,&lt;br /&gt;Meus filhos – alimária do universo,&lt;br /&gt;Eu – pasto universal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em meu sangue a América se nutre&lt;br /&gt;- Condor que transformara-se em abutre,&lt;br /&gt;Ave da escravidão,&lt;br /&gt;Ela juntou-se às mais... irmã traidora&lt;br /&gt;Qual de José os vis irmãos outrora&lt;br /&gt;Venderam seu irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta, Senhor! De teu potente braço&lt;br /&gt;Role através dos astros e do espaço&lt;br /&gt;Perdão p’ra os crimes meus!...&lt;br /&gt;Há dois mil anos... eu soluço um grito...&lt;br /&gt;Escuta o brado meu lá do infinito,&lt;br /&gt;Meu Deus! Senhor, meu Deus!!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Castro Alves&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-2350690090193784640?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/2350690090193784640/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=2350690090193784640&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/2350690090193784640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/2350690090193784640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/10/vozes-dfrica.html' title='VOZES d&apos;ÁFRICA'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-3360159807272980982</id><published>2008-10-06T05:43:00.000-07:00</published><updated>2008-10-06T05:44:34.243-07:00</updated><title type='text'>DO ABALO À TRANSFIGURAÇÃO</title><content type='html'>O abalo que vem sofrendo a sociedade brasileira, tanto nos grandes centros urbanos como no campo, com a crescente investida da criminalidade endêmica, ultrapassa todos os limites de tolerância, raquitizando o organismo nacional e apequenando os seus governantes. Violência e impunidade são dois ingredientes excelentes para que medrem e se espreguicem as ameaças à democracia. Portanto, o momento dantesco que o Brasil experimenta, exige das autoridades e de toda a sociedade, uma resposta competente, imediata, forte, mas humanística, condizente com a índole do Estado democrático de direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, o Brasil está entregue à sanha dos descontentes com a macabra convivência social. A delinqüência se enraizou em quase todos os setores da vida nacional. Hoje, em matéria de absurdidade, o que deveria ser exceção, é regra. A tarefa está em identificar-se a razão desses dois venenos, a violência e a impunidade, irmãs siamesas, máquinas trituradoras que engolfam o Estado brasileiro, estigmatizando, negativamente, a nacionalidade, e, então, combatê-los sem trégua, eficazmente.  A impunidade (para muitos um desejo pétreo...), instalada desde os remotos tempos da conquista, e a inconseqüente obstaculização dos nossos sentimentos e desejos, parece estar mais forte do que qualquer instituição nacional, ou vem ocupando espaços que não se tem vontade política em ocupá-los, ou mesmo por incúria propositada das hienas que ganham com o bem-estar das irmãs siamesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil governar. Sim, é muito difícil. Mas, é preciso. E tem que haver governo, autoridade, responsabilidade. Num Estado, entendendo-se que ele deve ser um serviçal do Direito, não se pode imaginá-lo inerte às investidas dos seus negadores mais cínicos, menos escrupulosos, de pouco siso. Pensemos, inclusive, na repercussão dos nossos desatinos em outras culturas desenvolvidas, nossos parceiros comerciais, investidores, turistas desta plaga e de alhures, etc. Será sempre um retrato negativo, contrário ao ideário do povo brasileiro. A escritora Lya Luft, revela-nos o seu sentimento: “Acredito em líderes com boa vontade e humildade, querendo ajudar à sua gente, usando para isso de seu preparo, informação, grandeza pessoal e valor. Em empresas onde funcionários e operários são tratados como gente, não apenas porque trabalhador bem tratado produz mais, mas porque somos todos irmãos. Talvez eu espere algo miraculoso. Mas, se a gente der um passo real na direção disso, terá valido a pena acreditar em si mesmo, no outro, na família, nos amigos e colegas, nos líderes, nos filhos e nos pais: não como perfeição, mas como esperança, grão de otimismo, vontade de algo melhor.” (“Pode ser melhor”, artigo publicado na Revista Veja, edição 1991-ano 40-nº 2, 17.01.2007, p. 20). É isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os estamentos, principalmente o Congresso Nacional, Casa de ressonância dos anseios da nacionalidade, estão pensando as providências a serem efetivadas diante de quadro tão desolador. Esperamos que os legisladores e, principalmente, os aplicadores da lei, se imbuam das suas altas responsabilidades, no sentido de forjarem uma convivência social suportável. Vamos logicar, mas agindo com vigilância e competência. Claro, evidente, a “Grande Revolução” há de se iniciar com a nossa revolução interior (força centrípeta), como queria e pregava Khrisnamurti, o guru indiano de tantas gerações. Precisamos vencer o sismo moral, ético, espiritual, e nos transfigurar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais vale o bom exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís da Velosa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-3360159807272980982?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/3360159807272980982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=3360159807272980982&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/3360159807272980982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/3360159807272980982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/10/do-abalo-transfigurao.html' title='DO ABALO À TRANSFIGURAÇÃO'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-2772319787708797979</id><published>2008-10-06T05:32:00.001-07:00</published><updated>2008-10-06T05:33:09.584-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"Só me interessa aqueles que ninguém quer."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madre Tereza de Calcutá&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-2772319787708797979?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/2772319787708797979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=2772319787708797979&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/2772319787708797979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/2772319787708797979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/10/s-me-interessa-aqueles-que-ningum-quer.html' title=''/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-8309633961006707183</id><published>2008-10-06T05:26:00.001-07:00</published><updated>2008-10-06T05:26:25.191-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias mesmo expondo-se a derrotas, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito, nem sofrem muito, porém vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitórias nem derrotas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Theodore Roosevelt&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-8309633961006707183?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/8309633961006707183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=8309633961006707183&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/8309633961006707183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/8309633961006707183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/10/muito-melhor-arriscar-coisas-grandiosas.html' title=''/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-6004979746749566063</id><published>2008-10-06T05:23:00.001-07:00</published><updated>2008-10-06T05:23:16.485-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"Não permita que alguém saia de sua presença sem estar melhor e mais feliz."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madre Teresa de Calcutá&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-6004979746749566063?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/6004979746749566063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=6004979746749566063&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/6004979746749566063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/6004979746749566063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/10/no-permita-que-algum-saia-de-sua.html' title=''/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-4636786949255352233</id><published>2008-10-06T05:20:00.000-07:00</published><updated>2008-10-06T05:21:06.700-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"O problema social não é simples questão de estômago. É uma questão de dignidade."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pe. Dehon&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-4636786949255352233?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/4636786949255352233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=4636786949255352233&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/4636786949255352233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/4636786949255352233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/10/o-problema-social-no-simples-questo-de.html' title=''/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-9042034571560168804</id><published>2008-10-06T05:14:00.000-07:00</published><updated>2008-10-06T05:17:10.378-07:00</updated><title type='text'>A IGREJA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO. CONFRARIA. O NOVO SINO. LUIZ DA GAMA. (1)</title><content type='html'>O belíssimo monumento, tombado pelo Patrimônio Histórico, a Igreja do Santíssimo Sacramento, Igreja Matriz (“que tem jurisdição sobre outras igrejas ou capelas de uma dada circunscrição” – Aurélio), é uma construção da iniciativa do Padre Manuel de Cerqueira Tôrres (autor da “Narrativa das Festas Celebradas na Bahia, no Casamento do Infante D. Pedro, com a Princesa D. Maria, filha de D. José Rei de Portugal”), na derradeira década do século XVIII. O venerável templo foi entregue aos fiéis no dia 21 de outubro de 1794, pelo Vigário de Itaparica, Pe. Tôrres, seu edificador, ficando ao deleite dos devotos e visitantes as obras do mestre pintor José Theóphilo de Jesus, v.g., os painéis que reproduzem a Santa Ceia e os milagres de Jesus Cristo, o Nosso Senhor dos Milagres; os painéis da Ordem Terceira do Carmo; a cúpula do Mosteiro de São Bento (os primeiros monges, que muito se empenharam nas ações abolicionistas chegaram à Bahia, no ano de 1581, sendo que o monastério foi fundado por Frei Antônio Ventura, morto em 13 de dezembro de 1591); o retrato do Irmão Francisco do Livramento, natural de Santa Catarina-ES, peça que compõe o acervo da Casa Pia do Colégio dos Órfãos de São Joaquim, e outras obras de rara beleza. Aliás, por oportuno e curioso, conforme informa D. Carmem Tarquínio Bittencourt, atriz e fundadora do Teatro Vila Velha, neta do preclaro industrial socialista Luiz Tarquínio (a escritora Eliana Dumêt – sua bisneta - lavrou uma biografia, completa, fidedigna, sobre a vida do eminente empreendedor de uma obra revolucionária, monumental, que teve como ingrediente motor o humanismo: “Luiz Tarquínio - O Semeador de Idéias”, 1998), aposentada e ex-funcionária paradigma da Casa Pia, que o referido Irmão Livramento, em sendo combativo prosélito da causa da educação infantil, conseguiu de D. João VI, em 12 de outubro de 1825, a licença para a ocupação da antiga Casa dos Jesuítas (portugueses), para abrigar e educar crianças órfãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontra-se, no templo itaparicano, além de outras tantas raridades, uma imagem de São Roque que teria sido trazida da Igreja de Vera Cruz, em 1813, “quando a peste da bexiga assaltara, novamente, a povoação da Ponta das Baleias”. Adornando, também, a Casa de Orações, na Capela-Mór, está pendente uma lâmpada cinzelada (9.346 gramas) por Luiz Soares, o célebre lavrador de pratas que visitou a Ilha em 1827, procedente do Pôrto-PT, pelo conduto de Antônio Raymundo dos Santos, joalheiro, à época estabelecido na Bahia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, a Igreja Matriz, localizada no Centro Histórico de Itaparica, recebe personalidades ilustres do Brasil e do mundo, inclusive governadores do nosso Estado da Bahia, a exemplo de J. J. Seabra, Régis Pacheco, Juracy Montenegro Magalhães, Luiz Viana Filho e Antonio Carlos Peixoto de Magalhães,  este o mais polêmico, o mais aguerrido, demonstrando grande respeito e amor pela Bahia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, em 21 de outubro de 1816, vinte e dois anos após a abertura da igreja do Pe. Tôrres ao culto dos fiéis, foi criada, na mesma igreja, a Irmandade do Santíssimo Sacramento, cujo Compromisso foi reformado em 1830, obtendo do venerando Arcebispo Romualdo Antônio de Seixas a devida aprovação”, ato constante dos arquivos da Confraria, “ipsis litteris”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Exm.º Revdm.º Sr. – A Confraria do SS. Sacramento da Freguesia de Itaparica, conhecendo, pela advertência do Revdmº Cônego Visitador, ter sido erigida sem autoridade e licença de V. Excia., fazendo-lhe ver os erros e superfluidades de um Compromisso pelo qual se governava, determinou fazer o incluso Compromisso para oferecer a V. Excia. E a vista dele conceder a licença necessária para a estabilidade e conservação da referida Confraria, com economia, zelo e fervor dos irmãos, sem haver o mais pequeno abuso.&lt;br /&gt;Esperão, portanto, que V. Exma. Revdma., tomando em sua consideração o exposto, lhe conceda a necessária Licença pelo que ella suplica e espera receber “Mercê”. Despacho: “Aprovamos, na parte Religiosa, o Compromisso junto, da Irmandade do SS. Sacramento da Freguesia de Itaparica, que deverá requerer a S.M. O Imperador a necessária confirmação.&lt;br /&gt;O nosso Revdm.º Cônego Secretário passe a Provisão de Estilo. Residência da Penha 9 de agosto de 1830.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Romualdo – Arcebispo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por doação do português Francisco José Gonçalves Bastos, desembarcou em Itaparica o novo sino de bronze para colocação na torre da Matriz (o primeiro, despencou da única torre, em 5 de março de 1855, quando o mestre José Barbosa era o sineiro), provindo de Lisboa, em 1857, e consagrado, solenemente, tendo como paraninfo o seu doador. Os devotos, ainda sob os fortes efeitos emocionais do sinistro que fez desprender-se da torre o primeiro sino, agora poderiam ouvir as novas badaladas que se traduziam em mensagens de chamamento para os atos religiosos, ou noticiavam qualquer notícia que interessasse ao povo, v.g., naufrágios, incêndios, falecimentos, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, não nos esqueçamos dos principais sineiros de Itaparica: José Barbosa, Agostinho de Santa Mônica e Jacinto da Rocha Pitta. Sobre o sineiro Agostinho, se expressa o historiador Ubaldo Osório:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não teve quem o sucedesse na execução de um repique singelo em que o meião e a garrida cantavam, alacremente, e o sino grande fazia a marcação.&lt;br /&gt;O Velho sineiro, ainda aos 78 anos, tangia os sinos maravilhosamente.&lt;br /&gt;Lamentava não deixar um discípulo a quem pudesse confiar a sua torre.&lt;br /&gt;Efetivamente. Com a morte do Mestre Agostinho, só muitos anos depois, apresentou-se um sineiro que conseguiu restabelecer a fama da torre da Matriz.&lt;br /&gt;Foi o Jacinto da Rocha Pitta”. (2)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas festividades da data magna da Ilha, o Sete de Janeiro, os sinos avisavam a saída do Carro do Caboclo, da Fonte da Bica para a Igreja do SS. Sacramento, onde se entoavam cânticos, em ação de graças, pela vitória dos itaparicanos na guerra pela Independência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As nossas notícias já estão se alongando. Portanto, não vou tecer comentários sobre as principais cerimônias que ali aconteceram. Mas, em homenagem ao nosso povo multiétnico, farei uma breve revelação. Em 1838, foi batizado no Altar-Mór da Matriz do Santíssimo Sacramento, futuro e ilustre abolicionista, Luiz da Gama, que escrevera a Lúcio de Mendonça (advogado, jornalista, contista e poeta, fundador da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira nº 11, ministro do Supremo, Procurador-Geral da República, falecido em 23 de novembro de 1909), conforme nos informa UBALDO OSÓRIO:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nasci na Cidade do Salvador, Capital da Província da Bahia, em um sobrado da Rua do Bângala. Formando ângulo interno em a quebrada, lado direito de quem parte do adro da Palma, Freguezia de Sant´Ana, a 21 de junho de 1830, pelas 7 horas da manhã, e fui batizado, oito anos depois, na Matriz do Santíssimo Sacramento da Cidade de Itaparica” (3)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Gama, filho da sudanesa Luísa Naím, após o seu batismo, foi vendido por seu pai e embarcado para São Paulo onde seria vendido no Mercado de Campinas como escravo. No vil mercado, não havia quem desconfiasse o que seria daquele menino, qual seria o seu futuro. Refugado por um escravocrata, este lhe perguntou, após o garoto informar haver nascido na Bahia: “...bahiano? ... nem de graça! ... Já não foi por bom que te venderam tão pequeno!...” Essa foi a recepção que teve o jovem banido da sua cidade natal, pelo seu pai. O refugado e entregue ao fado, se encontraria, trinta anos depois de rejeitado, com o escravista que não o quis como escravo, por ser baiano(!). Certamente, um fio de despeito daqueles que nasceram na Bahia, ex-sede do Império (aliás, a discriminação com relação à Bahia é sentida e veraz). Era, então, por predestinação, pelo exercício de ações afirmativas, quero crer, um abolicionista ferrenho, poeta, escritor, jornalista e advogado de renome.  Agora, ele sabia quem era o homem que não o quis: O Conde de Três Rios, agora seu amigo. É da lavra de Luiz Gama, o seguinte verso, “ipsis litteris”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se negro sou, ou sou bode,&lt;br /&gt;Pouco importa. O que isto pode?&lt;br /&gt;Bodes há de toda a casta,&lt;br /&gt;Pois que a espécie é muito vasta...&lt;br /&gt;Há cinzentos, há rajados,&lt;br /&gt;Baios, pampas e malhados,&lt;br /&gt;Bodes negros, bodes brancos,&lt;br /&gt;E sejamos todos francos,&lt;br /&gt;Uns plebeus, e outros nobres,&lt;br /&gt;Bodes ricos, bodes pobres,&lt;br /&gt;Bodes sábios, importantes,&lt;br /&gt;E também alguns tratantes...&lt;br /&gt;Aqui nesta boa terra,&lt;br /&gt;Marram todos, tudo berra,&lt;br /&gt;Nobres, condes e duquesas&lt;br /&gt;Deputados, Senadores;&lt;br /&gt;Gentis-homens, vereadores;&lt;br /&gt;Belas damas emproadas&lt;br /&gt;De nobresa empantufadas,&lt;br /&gt;Repimpados principotes,&lt;br /&gt;Orgulhosos fidalgotes,&lt;br /&gt;Frades, bispos, cardeais,&lt;br /&gt;Fanfarrões imperiais.&lt;br /&gt;Gentes pobres, nobres gentes.&lt;br /&gt;Em todos há meus parentes.&lt;br /&gt;Entre a brava militânça;&lt;br /&gt;Fulge e brilha alta bonança;&lt;br /&gt;Guardas, cabos, furriéis,&lt;br /&gt;Brigadeiros, coronéis,&lt;br /&gt;Destemidos marechais,&lt;br /&gt;Rutilantes generais,&lt;br /&gt;Capitães de mar e guerra&lt;br /&gt;Tudo marra, tudo berra” (4)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís da Velosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fontes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1)   UBALDO OSÓRIO - História e Tradição, IV edição, 1979.&lt;br /&gt;(2)   UBALDO OSÓRIO - Figuras que eu conheci.&lt;br /&gt;(3)   LUIZ GAMA – Carta a Lúcio de Mendonça.&lt;br /&gt;(4)   LUIZ GAMA – A Bodorrada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-9042034571560168804?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/9042034571560168804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=9042034571560168804&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/9042034571560168804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/9042034571560168804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/10/igreja-do-santssimo-sacramento.html' title='A IGREJA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO. CONFRARIA. O NOVO SINO. LUIZ DA GAMA. (1)'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-3014134545295126718</id><published>2008-10-06T05:04:00.001-07:00</published><updated>2008-10-06T05:04:58.551-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"Se tiveres amor, farás bem todas as coisas."&lt;br /&gt;Thomas Merton&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-3014134545295126718?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/3014134545295126718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=3014134545295126718&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/3014134545295126718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/3014134545295126718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/10/se-tiveres-amor-fars-bem-todas-as.html' title=''/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-2864577824315328767</id><published>2008-09-26T07:51:00.000-07:00</published><updated>2008-09-26T07:55:20.218-07:00</updated><title type='text'>PIGMALIÃO E GALATÉIA</title><content type='html'>Todo homem solteiro seria um Pigmalião? Claro que não. Há solteiro e solteiro. Tenho mesmo amigos inuptos, que têm quase uma obsessão pelo belo sexo, aliás, o mais belo e complexo dos sexos. Só Balzac o conhecia profundamente. Hoje, ninguém mais o reconhece. Tem também quem o detesta como, por exemplo, Pigmalião. Mas, na verdade, ele gostava de mulher, nas profundezas recônditas de sua alma, mas não de carne e osso. Como era escultor, e tinha intimidade com o marfim, resolveu esculpir uma mulher belíssima, que com nenhuma dessas musas modernas – as famosas e... – poderia assemelhar-se. Tinha que ser de uma beleza sem par. Na verdade, ele teria que ser tão bela, tão linda, que mesmo em sendo uma escultura, teria que parecer sempre animada, como se fosse não por ele feita, mas pela própria natureza. Ele desejava, artista vaidoso ao paroxismo, endeusar-se e fazer da arte uma criação da natureza, divinal. Bem, a obra viva ficou pronta e tornou-se para ele objeto de gestos que a fazia parecer uma mulher de verdade, à qual ele presenteava, acariciava-a, ornava-a de jóias preciosas, lindos vestidos, e muitas outras coisas que só se dá a quem se ama verdadeiramente. Nem a sua nudez esplendorosa, impressionava-o tanto quanto a sua pudica imagem vestida e paramentada. Aí sim, nesse ponto, já a tinha como esposa, até com ela deitando-se sobre lençóis bordados a ouro e púrpura, a cor da realeza e das dignidades eclesiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabedor das proximidades do festival de Vênus, que era celebrado na ilha de Chipre, com pompas faraônicas. Naquele ambiente em que os incensos embalsamavam os ares, Pigmalião, quase genuflexo ao modo da excentricidade que caracterizava as suas extravagantes manifestações, disse, num altar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deuses, peço-vos por todos os teus poderes; por tudo aquilo que quiseres fazer, concedei-me a graça de esposá-la, e que se assemelhe à virgem entalhada em marfim. Vênus, que por perto fazia, endeusada, as honras da Casa, ao ouvir estranho rogo, mas repleto de amor, entendendo o seu propósito, que ele não ousara em oração revelar, e fez o altar clarear intensamente em perfulgência, por três vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando para casa, ansioso de amor, achegou-se à estátua que deitada ao leito transbordava de beleza e beijou-a na boca. Para seu espanto sentiu os seus lábios quentes, osculando-a novamente e abraço-a; o marfim tornou-se macio ao seu toque. Sem acreditar, mas feliz, repetiu os gestos por muitas vezes, ardorosamente, e se convenceu de que o objeto desejado estava fervoroso, vivo. De tantos amores, a virgem abriu os olhos, corada de prazer. Vênus na sua onipresença abençoou as núpcias de Galatéia com Pigmalião, que ela mesma tornou realidade, nascendo, dessa união, Pafos, nome da cidade consagrada a Vênus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís da Velosa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-2864577824315328767?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/2864577824315328767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=2864577824315328767&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/2864577824315328767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/2864577824315328767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/09/pigmalio-e-galatia.html' title='PIGMALIÃO E GALATÉIA'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-1813892671005052854</id><published>2008-09-19T13:54:00.001-07:00</published><updated>2008-09-20T16:13:35.368-07:00</updated><title type='text'>SE EU TE DISSESSE</title><content type='html'>Se eu te dissesse que cindindo os mares,&lt;br /&gt;Triste, pendido sobre a vítrea vaga,&lt;br /&gt;Eu desfolhava de teu nome as pétalas&lt;br /&gt;Ao salso vento, que as marés afaga...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu te dissesse que por ermos cimos,&lt;br /&gt;Por ínvios trilhos de uma país distante,&lt;br /&gt;Teu casto riso, teu olhar celeste&lt;br /&gt;Urgia o lábio ao viajor errante;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu te dissesse que do alvergue à ermida,&lt;br /&gt;Do monte ao vale, da chapada à selva,&lt;br /&gt;Junta comigo vagueou tua alma;&lt;br /&gt;Junta comigo pernoitou na relva;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu te dissesse que ao relento frio&lt;br /&gt;Dei minha fronte à viração gemente,&lt;br /&gt;E olhando o rumo de teu lar – saudoso,&lt;br /&gt;Molhei as trevas de meu pranto algente;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu te dissesse, pela flor das salas!&lt;br /&gt;Que eu dei teu nome dos sertões às flores!...&lt;br /&gt;E ousei, na trova em que os pastores gemem,&lt;br /&gt;Por ti, senhora, improvisar de amores;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu te dissesse que tu foste a concha&lt;br /&gt;Que o peregrino traz da Terra Santa,&lt;br /&gt;Mago amuleto que no seio mora,&lt;br /&gt;Doce relíquia... talismã que encanta!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu te dissesse que tu foste a rosa&lt;br /&gt;Que ornava a gorra ao menestrel divino;&lt;br /&gt;Cruz que o Templário conchegava ao peito&lt;br /&gt;Quando nas naves reboava o hino;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu te dissesse que tu és criança!&lt;br /&gt;O anjo-da-guarda que me orvalha as preces...;&lt;br /&gt;Se eu te dissesse.... – Foi talvez mentira! –&lt;br /&gt;Se eu te dissesse.... Tu talvez dissesses....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santa Isabel, 15 de agosto de 1870. (EF: OC, p. 459-460)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota de Myriam Fraga – “Uma das mais enigmáticas poesias da lírica de Castro Alves quanto à sua inspiradora. Escrito na Fazenda Santa Isabel, o poema é uma declaração de amor que dá testemunho de um sentimento eternizado através do tempo. Se lembrarmos da composição Fé, esperança e caridade, em que também está patente a permanência de um amor que, nascido na infância, acompanha a trajetória do poeta nas várias fases de sua vida, podemos imaginar que a lembrança de Leonídia, a amiguinha de infância, a jovem encantadora que o enfeitiçara na adolescência, a mulher que o amparou na adversidade e na doença, tenha sido realmente uma fonte constante de inspiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podemos esquecer, porém, que, mais que um fingidor, o poeta é um multiplicador. Ele cria sobre o que foi, o que poderia ter sido e o que gostaria que tivesse sido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta a ambigüidade, que torna o poema uma caixa de segredos, um caleidoscópio de sonhos: Se eu te dissesse... Pragmática, a musa desconfia: Foi talvez mentira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para completar o quebra-cabeças, o poema, que foi dedicado a Franklin de Menezes Fraga, irmão de Leonídia, com dedicatória “Ao Tapageateur Franklin”, tem correspondência com Recitativo, de Fagundes Varela (VARELA, Fagundes. Recitativo. In: VARELA, 1943, p. 87-88), o que faz pensar que tenha sido escrito a partir de um mote, seja um assunto, seja uma ocorrência, uma situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta costumava manter um diálogo permanente com os autores de sua predileção e com os amigos, daí sua correspondência cheia de alusões e a constante recorrência às epígrafes nos poemas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referência: FRAGA. MYRIAM. Leonídia a musa infeliz do poeta Castro Alves, 2002, p. 189-190.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-1813892671005052854?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/1813892671005052854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=1813892671005052854&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/1813892671005052854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/1813892671005052854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/09/se-eu-te-dissesse.html' title='SE EU TE DISSESSE'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-2974631108458600569</id><published>2008-09-11T07:02:00.000-07:00</published><updated>2008-09-11T07:05:47.245-07:00</updated><title type='text'>CARTA DE PEDRO I À MARQUESA DE SANTOS - II</title><content type='html'>Pela segunda vez, retomo a leitura das cartas de D. Pedro à Marquesa de Santos, datada de 4 de maio de 1824.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha filha1 e amiga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será possível que tu estimes mais a alguém de que a mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu coração diz-me que não, meus olhos dizem-me sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quem devo acreditar: no coração, que pode ser iludido, ou nos olhos, que a não serem cegos por força hão de apresentar no entendimento o que se lhes pinta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não quero que o coração me engane nem que os olhos falem verdade, mas os ouvidos que ouviram dizer a... que mandasse em tua casa como se fosses tu, puderam enganar o entendimento que percebe2 qual a predileção que tu tens... a despeito do amor que tu me dizes ter-me, que por mim sempre em todas as ocasiões é retribuído, quando não anda adiante do teu? Eu sinto muito ver-me assim tratado, tu podes estimar tua... sem que desprezes a mim e lhe queiras mostrar o quanto a amas, desfeiteando a teu filho que te quer mais bem do que esses que te dizem que não querem ver nada, que só o que querem é estar contigo.3&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu espero que tu me trates como devo ser tratado, não pela qualidade de ser imperador, mas pela de ser teu amigo. Não assuntes4 que falo assim para me querer mostrar agora teu amigo, eu sempre assim te falei. Eu sou imperador, mas não me ensoberbeço com isso, pois sei que sou um homem como os mais, sujeito a vícios e a virtudes como todos o são. Eu sou teu amigo, não mereço de ti nem um mau olhar, quanto mais o que tu disseste no quarto de senhora Joana,* o que terá dito no de... Demais, a minha desconfiança não é já tanto por ciúmes, pois tu me deste a palavra, que eu acredito, mas a minha desconfiança é que tu a estimas mais a ela, o que quando o não sejas tu o queres mostrar. Não há pessoa nenhuma isenta de ser neste mundo ou mais ou menos governada por outra. Eu não conhecia até há pouco quem tivesse ascendente sobre ti senão o teu juízo, mas hoje conheço que... é quem te governa ou ao menos a quem tu pareces respeitar, seja lá pelo que for. Eu não tenho nada que tu a estimes, pois me dizes que com essa estimação tu lhe pagas a obséquios que lhe deves fazer bem, mas nunca deves desprezar, tratar mal a teu filho a ponto de o fazeres desesperar e sabe Deus se enlouquecer. O amor que eu tenho é do coração, pois não precisa proteção nem dinheiro, o amor que eu tenho nasce do fundo da alma, e assim com um outro igual é que pode ser pago metade de tudo, e às vezes tudo que me dão é para ti ainda primeiro que para meus filhos, que te dão a ti p...  A tua consciência consultada por algum tempo não ta pode tal aconselhar. Consulta-a, meu amor, e decerto acharás razão a este que é teu filho, amigo sempre fiel, constante, desvelado, agradecido e verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Imperador5&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Acervo da Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notas (resumo) de Rangel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1)      “Tratamento familiar e carinhoso muito usual nas relações íntimas. Ainda hoje assim se dirigem mutuamente marido e mulher... Uso provindo de Portugal, onde é muito comum o tratamento de filho ou filha entre pessoas diversas, em tom de afeição ou de ironia”. Até os nossos dias esse tratamento é usado entre nós brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2)      “Modificação isolada por metátese dos verbos transitivos perceber, prevenir, precisar, permitir e outros e corrente no falar roceiro.  A lusa pureza da fala do imperador haveria de perder no Brasil parte do seu ranço continental. Como as metáteses, alterações pronominais e formas proclíticas que ele uma ou outra vez deixa gotejar ao longo das suas missivas, muitas outras alterações fonéticas haveriam de modificar a prosódia portuguesa empregada pelo emigrado imperial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3)      “É uma verdadeira carta política, no sentido de que também se liga a essa expressão, a de sua delicadeza intrínseca. Nunca dom Pedro seria mais composto, enunciando as razões, entrando na apanha dos motivos ou acreditando regulares as manifestações do seu apego. Logo de começo ele estabelece a sua tese em termos agradáveis e bem torneados: “Será possível que tu estimes mais a alguém de que a mim? “Meu coração diz-me que não, meus olhos dizem-me sim.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4)      “Verbo transitivo e intransitivo, trazido do sertão e incorporado à nossa língua. Aqui empregado no sentido de dar ou prestar atenção. Dom Pedro por vezes empregava os termos da linguagem particular do Brasil. O convívio com dona Domitila e a sua roda de paulistas te-lo-ía imbuído desses brasileirismos, que bem frequentemente lhe acudiam à pena e à fala, à força de ouvi-los na alcova.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5)      “Esta assinatura, na qual dom Pedro se reveste de sua dignidade de soberano, reproduz 104 vezes neste punhado de cartas ora publicadas. Lembraria frequentemente o monarca à amásia a sua condição oficial, como que oferecida com certa insistência, numa satisfação de autoridade e senhorio muito inseparável dessas regiões freudianas do sentir, onde tanta particularidade aparece como radicalmente extravagante ou extemporânea e afinal se torna de uma explicação tão lógica e natural... O varão atinha-se à firma que lhe era publicamente inseparável ao império das funções, estendendo o sortilégio da função política corrida da sala do Trono aos lençóis da manceba.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marco Antonio de Cádiz&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-2974631108458600569?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/2974631108458600569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=2974631108458600569&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/2974631108458600569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/2974631108458600569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/09/carta-de-pedro-i-marquesa-de-santos-ii.html' title='CARTA DE PEDRO I À MARQUESA DE SANTOS - II'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-3759696712986291752</id><published>2008-09-11T06:16:00.000-07:00</published><updated>2008-09-16T16:42:05.027-07:00</updated><title type='text'>As torres e os adeuses</title><content type='html'>Evitarei falar o óbvio, de tudo o que sobre o assunto todos sabem e alguns nem querem mais saber. Este é um aniversário diferente daqueles em que se comemora com alegria o dia de fatos reais. Hoje há uma tristeza indizível. Deste sentimento é difícil de dizer, de expressá-lo na sua cruel completude... E o que se sentiu foi numa manhã ensolarada, quando o nosso ânimo tende a nos levar até o fim do dia. Sobrevivos. Afinal, adormecemos e acordamos para viver de novo... Mas, naquele dia, parecia-nos ser o último. Uma dor terebrante nos invadiu, irretroativa para a lenidade. Não passaria mais, não seríamos mais os mesmos, os três mil, ou mais, ou menos, não importa quantos. A dor, sim, esta era uma, somente uma bastante para sentirmos e passarmos por uma experiência surpreendente, nunca vista, jamais vivida. A surpresa, os contatos, os gritos e sussurros, as almas agônicas, o barulho das turbinas, os choros, os adeuses, os “eu te amo”. Não pensemos agora em nada. Sequer as causações, as razões (que um homem santo dizia ser a imperfeição da inteligência), nos bons ou maus homens. Pensemos, sim, na insensatez, no paroxismo dos desesperos, na hipertrofia das mágoas, das crenças... Reflitamos, hoje, no vale, aquele de que nos fala o Salmo. E como a uma bóia num naufrágio, nos agarremos no que pode salvar-nos, aplacar o nosso sentimento de impotência, vulnerabilidade, leveza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bahia, 11 de setembro de 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marco Antonio de Cádiz&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-3759696712986291752?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/3759696712986291752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=3759696712986291752&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/3759696712986291752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/3759696712986291752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/09/as-torres-e-os-adeuses.html' title='As torres e os adeuses'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-5308776190347812384</id><published>2008-09-08T11:53:00.000-07:00</published><updated>2008-09-11T03:21:42.851-07:00</updated><title type='text'>O 15 DE NOVEMBRO DE 1825</title><content type='html'>Sabem os historiadores que a independência do Brasil, na verdade, não aconteceu no dia 7 de setembro de 1822. Não. Por razões de ordem diplomática, tidas como de grande espaço na história das nações. Portugal, através de um decreto, reconheceu, definitivamente, “a legitimidade desse império novo, autônomo, que a audácia galharda dom Príncipe moço criara na América.” A quem o Brasil devia essa legitimidade? A Portugal? Mais adiante, conheceremos o real protagonista desse fato que forjou o destino da nossa Nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando D. Pedro I, inspirado pelas razões que invadem a alma dos poderosos, proclamou a independência do Brasil do jugo português, quem era a mais poderosa das aliadas de Portugal? A Inglaterra que, há sete anos, havia derrubado o império napoleônico. Então, D. João VI acreditava que as canhoneiras inglesas ajudariam na sedimentação do império brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D. João VI esquecera de que a Inglaterra sempre foi um país pragmático, curtido pelas injunções da guerra de conquista, inclusive com os exércitos do corso mais poderoso do mundo. E esse senso prático brotou das mentes mais sagazes da “rainha dos mares”. Tratava-se de uma dívida financeira, o que mudou drasticamente o curso da história e atingiu, surpreendentemente, inclemente, contundentemente, a legitimidade do ato heróico do jovem Bragança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naqueles dias, o Brasil espocava de júbilos pela causa da independência. Na Bahia, as forças do General Madeira, derramavam os seus esforços para vencer o que restara de resistência, em defesa de sua terra. Fora vencido! Os Estados Unidos reconhecera, imediatamente, a independência. Mas, a Inglaterra não esquecia do tratado de comércio que celebrara com o Brasil - e queria tirar proveito – que logo, em 1823, teria o seu prazo esgotado. Nada mais proveitoso, então, do que renovar o protocolo com o novel império. Além do mais, outros agravamentos chamariam a atenção dos inglêses, como por exemplo as intenções de Metternich que, em nome da Áustria, com a sua argúcia, logo reinvindicaria, para aquele reinado, o vantajoso tratado de comércio, considerando a pretensão de Francisco Leopoldo, que pugnaria pelo trono da América para a sua filha, por interesses familiares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia, entretanto, um problema seríssimo. O Brasil devia à Inglaterra, 1.400.000 libras, uma importância respeitável. Logo, as reuniões de diplomatas dos respectivos reinos, Inglaterra e Portugal, se sucediam, frenicamente, em Londres. Ninguém se entendia. Parecia que jamais haveria acordo. Assim, diante do impasse, o primeiro Ministro Canning, resolveu enviar Sir Charles Stuart, representante parlamentar em Lisboa, para entender-se, diretamente, com D. João VI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante do rei de Portugal, disse Stuart:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A Inglaterra está resolvida a reconhecer as repúblicas americanas e não pode excetuar o Brasil. Este tem direito de tomar assento entre as nações livres e já os Estados Unidos trocaram com D. Pedro diplomatas para representarem os respectivos países. Não pode a Inglaterra sacrificar as suas conveniências, e deixar a grande república tomar a dianteira nos negócios políticos e comerciais. O Governo inglês, portanto, considera terminada a questão do reconhecimento do Brasil. Seguirá para o Rio de Janeiro Sir Charles Stuart, em caráter diplomático, a fim de negociar com D. Pedro um tratado amistoso que muito interessa à Inglaterra. Aproveite Sua Majestade a perícia do negociador para um entendimento com o filho, de modo a finalizar a guerra. Se o Rei de Portugal não ouvir estes conselhos, o governo inglês abandona-lo-á na luta: e, sem mais considerações, declara que reconhece a independência do Brasil”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O plenipotenciário inglês obteve de D. João VI – diante das altercações inglesas e das desavenças internas em Portugal – plenos poderes para entabular negociações com D. Pedro, inclusive para preservar e manter a independência do Brasil que, àquela altura, estava em perigo de consolidar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebido por D. Pedro, Stuart, expôs-lhe tudo o que havia ocorrido. O jovem D. Pedro, ciente da gravidade daquele qüiproquó (eram dois milhões de libras=1.400.000+600.000, esta destinada a indenizar bens que D. João deixara no Brasil), reuniu o Conselho de Ministros, chamando o Visconde de Barbacena e transmitiu-lhe a encrenca. Em princípio, o gabinete Visconde Barbacena ficou encolerizado, claro, com o ultimato da Inglaterra, dizendo que era um recuo, que estavam pagando com dinheiro o sangue derramado, etc. Um vozeio se instalara. A certa altura, indignada, uma voz se levantou: “Se Portugal quiser reconhecer o novo Império, reconheça. Se não quiser, paciência!”. D. Pedro, ponderou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, nesse caso, Senhor Ministro, a Inglaterra intervém; veja a gravidade disto: a Inglaterra, que é hoje toda poderosa, intervém a favor de Portugal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse alguém:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E que mal há nisso, Majestade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que mal há nisso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, Majestade, tornou o ministro com espavento; que mal há nisso? Se a Inglaterra intervier, Majestade, nós nos bateremos contra a Inglaterra! Nós nos bateremos até à última gota de sangue!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D. Pedro, diante dessa patriotada bestial, irritou-se, ao seu estilo, profundamente! Naquele tempo, muito novo, como poderia o Brasil sustentar uma guerra contra a Inglaterra, “o país mais rico e mais forte do mundo! O Imperador não se conteve:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas enfrentar com o quê, Senhor Ministro? Nós não temos nada... Enfrentar com o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Enfrentar de qualquer jeito, Majestade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, enfrentar de que jeito, Senhor Ministro? De que jeito? Só se for com...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como era do seu temperamento, em pleno Conselho, disse uma palavra chula... E ordenou o pagamento de dois milhões de libras à Inglaterra. E, assim, com a volta de Sir Charles Stuart e a notícia da quitação da dívida monumental, a 15 de novembro de 1825, em Lisboa, D. João VI reconheceu a independência do Brasil. Foi assim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marco Antonio de Cádiz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SETÚBAL.PAULO. As Maluquices do Imperador. Edição Saraiva, 1949. p. 91-102.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-5308776190347812384?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/5308776190347812384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=5308776190347812384&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/5308776190347812384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/5308776190347812384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/09/o-15-de-novembro-de-1825.html' title='O 15 DE NOVEMBRO DE 1825'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-1540983466520192992</id><published>2008-08-25T03:13:00.000-07:00</published><updated>2008-09-06T15:07:45.978-07:00</updated><title type='text'>CARTA DE PEDRO I À MARQUESA DE SANTOS - I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Notez-moi sur un cahier tous les actes de votre journée et je vous dirai votre caractère.&lt;br /&gt;Stendhal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava “namorando” a minha simples biblioteca, mas, lindíssima, numa madrugada chuvosa e friorenta, úmida, como acontece no solstício da invernia, e sempre disposto, com a insônia de sempre, furtei da sua “perfilação” um livro que encerra uma série de cartas de D. Pedro I (o “Demonão”) a D. Domitila de Castro Canto e Melo, que se assinava Domitília, nome de batismo (a “Titília”, no tratamento íntimo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe de mim, pretender fazer uma suma das Notas de Rangel, mas, simples explicações, diminutas, pois, ele era de uma completude que, sumarizá-las, escorreitamente, com detalhes, seria uma temeridade, pelo menos para mim. Então, para que o leitor, que não se dispõe a uma profunda pesquisa, e aqui, apenas ao prazeroso, tentarei dizer-lhe algo para que as conjecturas não se hipertrofiem, criando, para ele, um verdadeiro estorvo, afugentando o deleite da leitura. Todavia o livro está nas livrarias, à disposição de todos. Acho até que, para quem se predispuser a uma pesquisa, não haveria, logo à mão, fonte mais caldalosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santa Cruz, 17 de novembro de 1822.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cara Titília2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi inexplicável o prazer que tive com as suas duas cartas.&lt;br /&gt;Tive arte de fazer saber a seu pai3 que estava pejada de mim4 (mas não lhe fale nisto) e assim persuadi-lo que a fosse buscar e a sua família, que não há cá morrer de fome, muito especialmente o meu amor, por quem estou pronto a fazer sacrifícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceite abraços e beijos e fo...&lt;br /&gt;Deste seu amante que&lt;br /&gt;Suspira pela ver cá o&lt;br /&gt;quanto antes,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Demonão7&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Acervo da Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notas, resumidíssimas, de Rangel:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Fazenda dos Jesuítas, distante do Rio de Janeiro 11 léguas (mais ou menos 72km, chamada légua de sesmaria - Aurélio. D Pedro I, apreciava muito estar por lá.);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Títília, designação íntima de D. Demetília (ou Domitila, Domitilla, como D. Pedro escrevia-o, Demetília, Dimitília, Domitildes e até Metilde;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. O seu pai chamava-se João de Castro, “alcunhado de ‘Quebra-Vinténs’ por sua força física”. Natural de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira e de origem fidalga. Inspetor das Estradas de São Paulo, 1921. Casou-se com D. Escolástica Bonifácia de Toledo Ribas. Gentil-homem da casa Imperial e comendador de Avis, 1825, estribeiro-mor do Império. Foi o primeiro visconde de Castro, em 1826. Antes disso ocupara, em Portugal e no Brasil, respectivamente, inúmeros cargos militares de alta patente (1768-1798).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Como disse Alberto Rangel, que não posso resumir para um bom entendimento: “As relações mais íntimas da paulista com dom Pedro realizaram-se desde agosto de 1822. A prenhez [daí o “... pejada de mim...”] que daria em resultado o aparecimento de dona Isabel Maria, a primogênita de D. Pedro nesses amores espúrios, ter-se-ia iniciado em setembro de 1823. Na data da presente carta deveria andar o estado de gravidez de dona Domitila bastante adiantado. Consta que o primeiro filho de dona Domitila com D. Pedro I foi um menino que não vingou. O barão de Maréschal deve ter a ele aludido, quando a 16 de março de 1826 escrevia: “O que me parece estranho é que à morte do último filho natural do imperador, a qual informei a Vossa Alteza, apesar do profundo sofrimento do príncipe não se fez qualquer aparato na cerimônia fúnebre.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. “Quando dom Pedro tornou de São Paulo em setembro de 1822, onde iniciou em agosto anterior os seus amores com dona Domitila, esta havia ficado em São Paulo, onde vivia separada de seu marido e em companhia da sua família. Só viria para a Corte, com pai, as irmãs casadas e os outros irmãos, a chamado de dom Pedro. E isso quando? Ignora-se a data precisa. Interessante é que nem o seu nome nem o de seus pais e irmãos apareçam em relações de subscrições do primeiro semestre de 1823, como fossem a Relação das quantias pra a expedição da Bahia, a subscrição para os arcos triunfais etc.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Sabe-se que a família de dona Domitila, resumia-se a seus pais, “... seus filhos legítimos e ilegítimos, seus sete irmãos, dos quais quatro masculinos e que foram todos militares do Exército. Cercavam-na, depois de estabelecida na Corte, também, alguns outros parentes: tia-avó, cunhadas, o tio materno Manuel Alves, sobrinhos e duas primas. Dizia o barão de Maréschal, em relatório de 24 de abril de 1827: “A família aflui de todos os cantos; uma avó [seria, talvez, a tia-avó], uma irmã e uns primos acabam de chegar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. “Demonão”, presume-se ser um tratamento dado a D. Pedro por dona Domitila, “... de maior intimidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Luiz de Carvalho Ramos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: CARTAS DE PEDRO PRIMEIRO À MARQUESA DE SANTOS / Arquivo Nacional, Notas de Alberto Rangel, p. 53-63; [coordenação editorial de Emanuel Araújo]. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Luiz de Carvalho Ramos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ANENCEFALIA – FIM DA LINHA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Impor à mulher o dever de carregar por nove meses um feto que sabe, com plenitude de certeza, não sobreviverá, causando-lhe dor, angústia, frustração, importa violação de ambas as vertentes de sua dignidade humana. A potencial ameaça à integridade física e os danos à integridade moral e psicológica na hipótese são evidentes. A convivência diuturna com a triste realidade e a lembrança ininterrupta do feto dentro de seu corpo, que nunca poderá se tornar um ser vivo, podem ser comparadas à tortura psicológica." - Professor Luís Roberto Barroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o "decisum" do eminente ministro do Supremo Tribunal-ST, Marco Aurélio de Mello (27.04.2005 – 7 votos a quatro), concedendo à Confederação Nacional dos Trabalhadores da Saúde – CNTS medida liminar na Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental – APDF, nº 54, autorizando a antecipação terapêutica de parto nos casos de anencefalia, o que levou a sociedade a polemizar o assunto. Naquela oportunidade, acompanharam o voto do ministro Marco Aurélio (1), os eminentes ministros Celso de Mello (2), Sepúlveda Pertence (3), Nelson Jobim (4), Carlos Ayres Britto (5), Joaquim Barbosa (6)e Gilmar Mendes (7). Votaram contra a admissibilidade da ADPF, os eminentes ministros Cezar Peluso (1), Eros Grau (2), Carlos Velloso (3) e Ellen Gracie (4). Ulteriormente, a liminar, em sessão plenária, foi cassada por maioria de votos, auscultada e acatada a manifestação do eminente ministro Eros Grau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A anencefalia, assim é definida pelos médicos: “Uma malformação congênita que se caracteriza geralmente pela ausência da abóbada craniana e massa encefálica reduzida”. Entretanto, o assunto está aberto a discussões. "O termo anencefalia é impróprio, uma vez que não há ausência de todo o encéfalo, como o termo sugere. O encéfalo compreende várias partes, sendo as principais o telencéfalo (cérebro ou hemisférios cerebrais), o diencéfalo (do qual fazem parte o tálamo e o hipotálamo), tronco encefálico (mesencéfalo, ponte e medula oblonga). O cérebro é a parte anterior e superior da massa encefálica e ocupa a maior parte da cavidade craniana”. Pergunta-se, ainda: Havendo morte encefálica a criança não estaria morta? “É importante essa pergunta, pois no encéfalo não se caracteriza a morte encefálica. Inadvertidamente querem igualar a falta de hemisférios cerebrais com a morte encefálica. Os critérios para diagnosticar a morte encefálica não são aplicáveis cientificamente a crianças menores de dois anos, muito menos a crianças intraútero, quando nem se pode fazer os testes necessários ao diagnóstico. Uma vez nascida a criança anencefálica, responde a estímulos auditivos, vestibulares e dolorosos e apresenta quase todos os reflexos primitivos dos recém-nascidos, conforme informam os Professores Aron Diament e Saul Cypel da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em “Neorologia Infantil”, 3ª edição, Editora Atheneu. A criança anencefálica é um ser humano vivo, com toda a sua dignidade que lhe é conferida pela sua natureza humana”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a avaliação que o senhor faz da decisão do ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal brasileiro, de autorizar o aborto em caso de anencefalia fetal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Decisão apressada, tendenciosa e, segundo muitos juristas, é inconstitucional porquanto macula o artigo 5º da lei suprema [corresponde à garantia da proibição de pena de morte], que considera inviolável o direito à vida. Além disso, viola o artigo 4º da Convenção Americana de Direitos Humanos de 1969, também denominada de Pacto de San José da Costa Rica [no inciso 1 do Art. 4: “Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente”, mas admite a pena de morte "oficial", aceitação inserta no inciso 2, nos Estados que não a aboliram, v.g., EEUU, Cuba, China e alguns países árabes], tratado internacional sobre direitos fundamentais a que o Brasil aderiu, e que declara que a vida começa na concepção [a vida em sua plenitude, e não, uma vida que sabemos quase pronta, que não vinga a completude, tornando a morte "inevitável e certa"]. Do ponto de vista ético foi uma aberração conceder aos médicos uma função de carrasco para matar seres humanos inocentes, função para a qual nós, os médicos, não fomos formados ” (“Entrevista com Dernival da Silva Brandão, Especialista em Ginecologia e Obstetrícia e Membro Emérito da Academia Fluminense de Medicina, que esclarece as questões referentes à gestação de um feto com anencefalia e o porquê de não se permitir o aborto neste caso. O tema ganhou destaque na sociedade brasileira, após o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio de Mello, decidir pelo aborto em caso de anencefalia). A entrevista completa, encontra-se no site ZENIT.org.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Dra. Gizele Thame, biomédica, conforme artigo intitulado "Defeitos do tubo neural podem ser causados pela deficiência de folato", nos ensina que “a anencefalia [ausência total ou parcial do cérebro] é doença grave que geralmente causa a morte da criança e poderia ser evitada (como outras patologias) com simples medidas de suplementação de folato (ácido fólico)”. Ela insiste na importância da conscientização da mulher em idade reprodutiva e, principalmente, da classe médica responsável pela recomendação da suplementação antes da gravidez. “A porcentagem de médicos que tem consciência dessa necessidade é muito pequena. Nos centros de indução de ovulação a recomendação seria fundamental, mas nem sempre existe. E como a anemia por falta de ferro é a mais freqüente, estuda-se menos o folato”. Diz o articulista, que a Dra. Gisele Thame enfatiza a importância de medidas preventivas e campanhas nacionais de esclarecimento... “A seu ver, se o feto nasceu sem cérebro, já nasceu com “morte cerebral”. Dra. Gisele já iniciou sua pesquisa de doutorado dando continuidade a este estudo. Para tanto, solicita aos obstetras que encaminhem gestantes com essa diagnóstico para realização de exames de sangue gratuitos”.&lt;br /&gt;Conforme, felizmente, enfatizou a Dra. Gisele Thame, a prática de medidas necessárias que poderiam evitar os defeitos no tubo neural (e outras patologias), "in casu", com a suplementação de folato (ácido fólico) às gestantes, indicando, inclusive, o "modus faciendi" de outras atitudes que debelariam o mal indesejado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais nos impressionou da leitura do texto da biomédica Dra. Gisele Thame, entre outras observações, foi o fato de haver reconhecido que “A porcentagem de médicos que tem consciência dessa necessidade é muito pequena...” De outro modo, portanto, incompossível o aborto. Daqui para frente, no evolver da vida e do Direito, nada mais nos restará senão raspar o fundo da cuia e oferecer à sociedade a trilheira da melhor conduta que satisfaça a todos os envolvidos nessa trama do cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Conselheira do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária - CNPCP, no Parecer Técnico protocolizado sob nº 08001.002110/2005-21, datado de 13 de fevereiro de 2006, opina, com espeque em manifestação médica, "ipsis litteris": "A medicina afirma sem margem de erro: não há possibilidade de vida fora do útero e por isso o feto que padece de anencefalia é considerado natimorto. Mais de 65% dos casos resultam em morte ainda dentro do útero. Ao lado desta constatação, lembrem-se que o nosso sistema jurídico abriga a lei dos transplantes (lei federal 9.434/97) que considera cessada a vida quando se dá a morte encefálica - de acordo com a referida legislação, a retirada de tecidos ou partes do corpo humano para transplante deve ser precedida pela morte encefálica. A resolução do Conselho Federal de Medicina, nº 1.752, de 8 de setembro de 2004, autoriza o transplante de órgãos do anencéfalo após o seu nascimento. A mesma resolução considera os anencéfalos "natimortos cerebrais" e diz que possuem "inviabilidade vital por ausência de cérebro". Assim, considerando o tratamento que o sistema jurídico pátrio confere a estas questões, o projeto de lei em análise está em perfeita sintonia com os valores vigentes em nosso meio; não há nele nenhuma inconsistência ou paradoxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja-se: Se o nosso sistema jurídico punisse a mulher cuja gravidez resultou de estupro e decide abortar; se obrigasse a mulher a sacrificar sua vida em favor da vida em gestação; se obrigasse os médicos a manter os batimentos cardíacos depois de constatada a morte cerebral; se trouxesse valores impassíveis de qualquer espécie de relativização, aí então, e só assim, a proposta em análise traria uma tremenda novidade que estaria a exigir profundo debate pois sua adoção configuraria uma mudança de padrão ético vigente em nossa sociedade. O fato é que, quando da elaboração do Código Penal, inexistia tecnologia apta a fornecer diagnósticos precisos como os atualmente disponíveis. Fosse assim, é provável que o legislador de 40 houvesse incluido no artgo 128 a proposta que agora, passados 66 anos, é capaz de causar tanta polêmica."Pois bem. No dia 13/2/2006, reunido o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária - CNPCP, este órgão aprovou por unanimidade, no uso de suas atribuições, parecer favorável ao Projeto de Lei 4.403, da deputada Jandira Feghali, que insere o inciso III no Art. 128 do CP, “ipsis litteris”: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;III – “Houver evidência clínica embasada por técnica de diagnóstico complementar de que o nascituro apresenta grave e incurável anomalia que implique na impossibilidade de vida extra-uterina”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entretanto, somos sensíveis à emenda do deputado Rafael Guerra, uma vez que o parlamentar alveja a anencefalia, ponto nevrálgico de toda a discussão derredor de tema tão polêmico por razões legais, éticas, morais, religiosas, etc. Outros casos, a meu sentir, deverão ser apreciados de “per se”, rechaçando generalizações, essas abstrações sempre eivadas de temeridade. Sobretudo, vale a boa intenção da deputada Jandira Feghali e do deputado Rafael Guerra, o emendador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O parecer da CNPCP, aprovando o Projeto de Lei 4.403, propiciando o aborto de anencéfalos, será encaminhado ao Congresso Nacional. Enquanto, isso, a ADPF está em curso no Supremo Tribunal Federal – STF. Congratulamo-nos com o STF, CNPCP, que se manifestou, escorreitamente, através do Parecer Técnico, Protocolo 08001.002110/2005-21, Procedência: SUPAR - ART POLÍTICA, sendo da lavra da eminente Conselheira ANA SOFIA SCHMIDT DE OLIVEIRA, que propôs, também, "in fine", a "... alteração da redação para estender a hipótese à gestante incapaz - circunstância em que a autorização será fornecida por seu representante legal e para esclarecer o tipo de diagnóstico que se espera", "ipsis litteris": &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;III - "quando há evidência clínica embasada em técnica de diagnóstico complementar ao da gravidez de que o nascituro apresenta anencefalia e o aborto é precedido de consentimento da gestante, ou quando incapaz, de seu representante legal."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parabenizamos, notadamente, os senhores deputados que teceram o Projeto descriminante (abolitio criminis) , Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, e o Professor LUÍS ROBERTO BARROSO, ilustre advogado da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Saúde - CNTS, o emérito vencedor (temos a certeza) dessa causa que inspira controvérsia, “a latere” da sociedade brasileira, sensível e sedenta pelo aperfeiçoamento do nosso ordenamento jurídico, considerando o evolver do mundo da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, recebo a feliz notícia de que o Supremo Tribunal, auscultará o que diversas entidades têm a dizer, levantando questões e opinando, sobre o polêmico tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, o Supremo Tribunal Federal deverá decidir pela suspensão de gestações de fetos anencefálicos. Certamente, algumas precauções serão impostas pelos juízes daquela Colenda Corte, com o fito de o sucesso dos procedimentos cirúrgico, sejam assegurados, tanto do ponto de vista médico, como legal. Ou seja, na gestante, serão feitos exames modernos de tomografia computadorizada - ou os que que mais apropriados se decida fazer, no caso, por uma equipe médica multifuncional - que revelarão, de forma inequívoca, a anomalia e, então, ficarão afastadas quasquer dúvida do que se trata, realmente. Ou de um feto anencefálico, o que pode por em risco a vida da gestante, afastando, ainda, a possibilidade de que fetos não anecefálicos, sejam retirados de úteros, pelo exercíco de fraudes, ou seja, oferecendo garantias sobra a sanidade, ou não, dos fetos. Todas essas comprovações, darão aos juízes do Supremo Tribunal, a tranquilidade necessária para decidirem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O assunto,  será levado a discussões em audiências públicas, cientistas, juristas, e até mesmo religiosos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Luiz de Carvalho Ramos&lt;br /&gt;Advogado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte:Site CONSULTOR JURÍDICO, 15.02.2006, disponível em &lt;a href="http://www.conjur.com.br/"&gt;http://www.conjur.com.br/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;As demais fontes, constam do contexto desta manifestação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-1540983466520192992?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/1540983466520192992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=1540983466520192992&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/1540983466520192992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/1540983466520192992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/08/anencefalia-fim-da-linha-impor-mulher-o.html' title='CARTA DE PEDRO I À MARQUESA DE SANTOS - I'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-6928643518887375085</id><published>2008-08-19T17:37:00.000-07:00</published><updated>2008-08-19T17:39:11.264-07:00</updated><title type='text'>MAGNIFICAT</title><content type='html'>[7-11-1933]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUANDO É que passará esta noite interna, o universo,&lt;br /&gt;E eu, a minha alma, terei o meu dia?&lt;br /&gt;Quando é que despertarei de estar acordado?&lt;br /&gt;Não sei. O sol brilha alto,&lt;br /&gt;Impossível de fitar.&lt;br /&gt;As estrêlas pestanejam frio,&lt;br /&gt;Impossíveis de contar.&lt;br /&gt;O coração pulsa alheio,&lt;br /&gt;Impossível de escutar.&lt;br /&gt;Quando é que passará êste drama sem teatro,&lt;br /&gt;Ou este teatro sem drama,&lt;br /&gt;E recolherei a casa?&lt;br /&gt;Onde? Como? Quando?&lt;br /&gt;Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo?&lt;br /&gt;É esse! É esse!&lt;br /&gt;Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;&lt;br /&gt;E então será dia.&lt;br /&gt;Sorri, dormindo, minha alma!&lt;br /&gt;Sorri, minha alma, será dia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(FERNANDO PESSOA / OBRA POÉTICA FICÇÕES DO INTERLÚDIO / POESIAS DE ÁLVARO DE CAMPOS )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marco Antonio de Cádiz&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-6928643518887375085?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/6928643518887375085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=6928643518887375085&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/6928643518887375085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/6928643518887375085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/08/magnificat.html' title='MAGNIFICAT'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-1659224639414375459</id><published>2008-08-19T07:08:00.000-07:00</published><updated>2008-08-19T07:09:51.640-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>DANIEL BOONE EXISTIU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um habitante da montanha que, num seriado exposto pela televisão, encantou gerações em todo o mundo, inclusive a minha. Nasceu em Berks Count, Pensilvânia, em 1734, morrendo em 1820. Portanto, entre os nativos norte-americanos, florestas e cidades. “Foi no dia primeiro de maio do ano de 1769 que renunciei temporàriamente à minha felicidade doméstica, deixei a família e a paz do lar às margens do rio Yadkin (seu pai, um ferreiro quaker, se estabeleceu no vale do Yadkin, na Carolina do Norte, onde Boone manteve os seus primeiros contatos com os índios cherokees), para vaguear pelo deserto norte-americano, à procura do país de Kentucky...”. Quem leu a sua autobiografia, logo, logo, há de vislumbrar a saga da colonização americana. Se dizia que ele era um homem de porte físico avantajado, sempre usando como vestimenta o fardamento amarelo-cinzento dos soldados da Revolução de 4 de julho de 1976, contra o domínio inglês, tendo como a sua principal aliada, a burguesia colonial, sedimentando a independência, constituindo os Estados Unidos da América – Massachusettes, Rhod Island, Conecticut, New Hampshire, Nova Jersey, Nova Iorque, Pensilvânia, Delaware, Virgínia, Maryland, Carolina do Sul e Geórgia,  sendo, por conseqüência, o primeiro país a possuir e a submeter-se a uma Carta Política escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boone trilhava a floresta com macieza, “invisivelmente”, como os seus nativos, os índios. Sempre portando um rifle, que dominava como ninguém, com a destreza do bom atirador. Foi, assim, e sempre, que se impunha uma disciplina irreparável, diuturna, de um verdadeiro soldado, levando ao paroxismo as suas aptidões instintivas, principalmente a de defesa, além de uma confiança em si inabalável, tudo isso aliado ao seu vigor físico que o impulsionava ao desbravamento por longas horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pioneiro (havia muitos outros) Daniel Boone, que o político, escritor e historiador Stewart L. Udall disse ser mais valoroso que os camponeses de Jefferson, não era considerado por aquele como um descobridor “no sentido estrito da palavra”, uma vez que outros caçadores e negociadores com os indígenas, haviam penetrado muito antes nas colinas desertas...” E, mais: “A abertura de trilheiras, feita por Boone e outros pioneiros, na década de 1770, representou nota auspiciosa em nossa história, porque coincidiu com os fatos relativos à Revolução.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente, o que movia as ações de Boone era a sua curiosidade extremada e os seus desejos mais recônditos. Apesar de todos os riscos postos à sua visibilidade, Daniel não se continha, podemos dizer, nem mesmo os queria ver. Pelo contrário, a antevisão de tudo que lhe podia ser contrário a continuar na sua caminhada itinerante, servia-lhe de estímulo para que não se detivesse. Ele sabia que encontraria à sua frente, índios ferozes em florestas virginais, animais com péssima fama, a de dilacerarem tudo que o faro lhes açulasse. Mas, ele tinha, sem dúvida, uma tendência inata para os meandros da geografia, a exemplo de tantos dos seus companheiros de viagem, e, assim, bordava o mapeamento do que aparecia e, também, do contrário, daquilo que ainda não tinha descortinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá estava Boone, a caminho dos vales do Kentucky, pelos quais, de tudo que se sabe, era um enamorado (ali passou dois invernos), pois, naquela plaga, de clima temperado, tido como o mais saudável da América, sobreexcedia a caça, não havia terrenos pantanosos, e o gado pastaria livre nos campos, sem que nenhum óbice se revelasse hostil. Enfim, só faltava banhar-se em ambrosia, aquela terra do “blue grass” (capim característico do Kentucky).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz o historiador Udall, que “escrever era uma habilidade que lhe faltava (a Daniel Boone), daí não dispormos de seu testamento pessoal autêntico sobre suas próprias experiências. De sua biografia, escrita por John Filson, apenas um terço reproduz a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel Boone não sabia, mas “decisões sobre o futuro desse próspero território [Kentucky] estavam sendo tomadas, e a febre da especulação o envolveu [Boone] no projeto da Transylvania Land Company de, ignorando a Proclamação do Rei, apossar-se de enorme área além das montanhas e plantar nova colônia no deserto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, em estação primaveril, Boone partiu com 29 companheiros, “pela estrada do sertão, através da garganta de Cumberland.” Boone, agora, era o agente do progresso e fundador de cidades. Isso aconteceu no ano de 1775. Pelos seus serviços, a Transylvania Land Company lhe outorgou a escritura de 100.000 acres, por ele escolhidos. Mas, Daniel Boone, não era um comerciante, então, abandonou o negócio deslocando-se para o Missouri e aceitando uma doação de terras pelo governador espanhol. À época era chamado de coronel Boone. Também, pela sua natureza, perdeu essa concessão. Mais tarde, novamente lhe sorriu o destino, quando o Congresso americano, reconhecendo os serviços à Pátria, deu-lhe como recompensa 800 acres. Mais uma vez Boone perdeu outra benesse. Devendo, vendeu a área concedida pelo Congresso, quando veio a morrer, com 85 anos, sem terras, sem nada, mas sempre um homem livre, amante dos sertões, verdadeiramente o que deixou a sua marca, a sua herança. O seu neto revelou uma afirmação do velho explorador, interessante e fidelíssima: “Eu preferia possuir uma boa espingarda e dois cães fiéis e atravessar o deserto com um ou dois índios amigos à procura de um rebanho de búfalos ou um bando de homossexual, a possuir parte das terras da cidade ou ser o governador do Estado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu epitáfio, segundo Udall, está nessa estrofe de Stephen Vincent Beneti:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando Daniel Boone passa, à noite”.&lt;br /&gt;    Surge a caça como um fantasma&lt;br /&gt;       E Tudo perdido, nos seus olhos&lt;br /&gt;          Parece incendiar-se a América primitiva”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, terminou a saga de Daniel Boone, o indômito índio branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz de Carvalho Ramos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referências:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Udall. Stewart L. - A Crise Silenciosa – A Tragédia do Desmatamento e da Erosão. Título no original THE QUIT CRISIS. Edições O Cruzeiro. Rio de Janeiro.1963, pp. 31 usque 42.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-1659224639414375459?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/1659224639414375459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=1659224639414375459&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/1659224639414375459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/1659224639414375459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/08/daniel-boone-existiu-era-um-habitante.html' title=''/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-8121398296244818799</id><published>2008-08-15T07:20:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T22:00:34.594-08:00</updated><title type='text'>LULA XII</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;LULA XII&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;Je ne sais pas pourquoi je note ces petites choses; c'est peut-être l'éternel désir d'emprisionner avec des mots l'instant qui passe.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julian Green – Journal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"A citação nada mais é do que um pensamento coincidente em que a honestidade pôs um par de aspas”.&lt;/em&gt; (Monttelo. Josué. Diário do Entardecer. 1967. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991. p. 44)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apoiado na asserção de Montello (tem quem não goste e critica, mas eu gosto de citar o que se pensa. Sinto-me constrangido, aí sim, aparentando ser inédito), insculpida no seu Diário do Entardecer, e, após reler, nesta manhã ensolarada, no dia dos que se foram para onde todos iremos, o artigo da lavra de Alceu Amoroso Lima, intitulado A Grande Opção (Revolução Suicida – Testemunho do Tempo Presente.Rio de Janeiro. Ed. Brasília/Rio, 1977. p. 189), achei por oportuno volver a 30 de setembro de 1976, e prazerosamente rememorá-lo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;"&lt;strong&gt;A grande opção&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;A democracia é um regime político baseado em três princípios fundamentais: a relatividade, a rotatividade e a reciprocidade do Poder. Segundo o princípio de relatividade política, só há um poder absoluto de autoridade, o poder de Deus. A autoridade vem de Deus para o Povo e deste é que passa às autoridades públicas que o governam. O absolutismo político, seja do Estado, seja do Povo, é incompatível com a verdadeira democracia. O poder do Estado é limitado e medido pelo Povo. E o Poder do Povo é limitado e medido pelo poder de Deus, segundo as leis morais ínsitas na própria natureza humana e os direitos inalienáveis, que pertencem a cada ser humano. O homem é anterior ao Estado. Este é uma criação do homem, derivada de sua natureza social. Portanto, a liberdade, que é um dos traços essenciais da natureza humana, como ser animal, racional e livre, precede a autoridade. Esta existe para aquela. O Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. A autoridade não é criadora da liberdade, mas sua defensora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao princípio da rotatividade, é uma conseqüência lógica e prática da relatividade do Poder. Sendo este uma delegação do Povo ao Estado, é lógico e justo que essa delegação seja periodicamente renovada, para não correr o risco, natural a toda a autoridade, de passar de relativa a absoluta, pela própria continuidade de seu exercício. O uso do Poder leva naturalmente ao seu abuso. O grande publicista católico inglês, Lord Acton, lançou no século passado a conhecida frase, que se tornou clássica nos anais da política universal: o uso do poder corrompe e o do poder absoluto corrompe de modo absoluto. Daí a exigência da rotatividade no uso do poder político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao princípio de reciprocidade é o que regula as relações entre governantes e governados. Entre o Estado e o povo. Se aquele provém deste e seus direitos devem ser exercidos no sentido de servir ao bem comum do povo, o exercício do poder implica uma reciprocidade de direitos e deveres. Tanto o Estado tem direitos e deveres para com o povo, como este os tem perante aquele. A Justiça, que deve sempre reger as relações entre os membros individuais de uma sociedade, assim como entre os grupos sociais entre si e com os seus membros, apresenta-se sob três aspectos: cumutativo, distributivo e social. Sem entrar nas características de cada um desses tipos de justiça, o que é comum a todos é precisamente a reciprocidade. Devo dar na medida em que recebo. O cidadão tem de dar ao Estado na medida em que recebe. Se a sua liberdade racional não é garantida proporcionalmente pelo Estado, cessa o seu dever moral de respeitar a autoridade pública. Fa-lo-á apenas sob coação e sob protesto. Relatividade, rotatividade e reciprocidade são, portanto, princípios fundamentais de toda verdadeira democracia. De todo Estado de Direito. Todo regime político, que não respeite tais princípios, , está naturalmente excluído da faixa democrática. É o que acontece, na evolução da História, tanto antiga como moderna, tanto oriental como ocidental, tanto cristã como não-cristã, com três regimes políticos, particularmente nos tempos modernos e contemporâneos: a Monarquia do Direito Divino; A Ditadura do Proletariado e a Onipotência de um Chefe, Füehrer ou Duce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses três tipos políticos, monarquias absolutas, comunismos e facismos, por mais opostos que tenham sido ou continuem a ser entre si, apresentam uma identidade fundamental; todos três são anti-relativistas, anti-rotativistas e anti-reciprocistas. Exercem um poder absoluto, que não é medido senão pela sua própria força, êxito e permanência. Não obedecem a nenhum preceito, implícito ou explícito, que os torne temporários. Governam para o povo, mas não pelo povo. Serão, quando muito, demófilos, como dizia Maurras [1868-1952], já que não há regime político que não procure justificar sua legitimidade, por existir para o bem do povo, mesmo quando sustentam que a sua legitimidade não vem do povo. Vem de Deus, nas monarquias absolutas. Vem de uma classe onipotente, que se libertou da opressão, como a Classe Proletária, segundo alega o materialismo histórico. Vem da vontade de um Chefe Supremo e Carismático, que se sente investido do Poder, pela vontade subconsciente do povo, na realização histórica de seus destinos, e pelos direitos inerentes, como alegam, às personalidades carismáticas e aos direitos supremos da autoridade como criadora da liberdade. São esses os pressupostos, conscientes ou subconscientes, de todos os regimes não democráticos ou antidemocráticos, isto é, totalitários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que, recentemente, entre nós, uma eminente autoridade pública, ao assumir um alto cargo militar pronunciou, no seu discurso de posse, as seguintes palavras: “Aspiramos, desejamos mesmo ardentemente, viver num regime democrático, posto que a democracia está na consciência e índole do nosso povo (sic). Todavia, a democracia que vislumbramos não é necessariamente tíbia, omissa, rastejante, pusilânime e inerme, que treme à simples citação de slogans pré-fabricados, tendo por base, capciosamente, liberdade e direitos humanos. Esquecem, ou melhor, propositadamente esquecem os trêfegos defensores dessa linha, aos menos avisados, que a liberdade e direitos emanam do Estado (sic). Este, sim, é que outorga ao homem tais privilégios” (sic) (J.B., 11/09/75).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, como sou um dos “trêfegos defensores” dessa linha democrática, considero que há uma contradição manifesta entre essa índole democrática do nosso povo, que é uma realidade histórica, e a linha antidemocrática de considerar “que liberdade e direitos emanam do Estado. Este sim, é que outorga ao homem tais privilégios”. Acontece que os regimes políticos que não consideram os direitos dos cidadãos como inerentes à personalidade humana mas como simples “privilégios” concedidos pelo Estado, são os regimes absolutistas e totalitários. Sempre que um Estado se arroga a condição de ser o outorgante da liberdade, em vez de ser a sua garantia estamos em face de uma formal negação da democracia. De modo que o povo brasileiro, para ser fiel à sua índole democrática, terá de optar entre um regime em que o Estado seja o defensor e não o criador dos seus direitos e um daqueles três que sustentam o contrário, isto é, uma Monarquia Absoluta, uma Ditadura do Proletariado ou um Chefe Onipotente..."&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pois é. Ontem, a Ordem dos Advogados do Brasil - OAB mostrou-se contrária à Proposta de Emenda Constitucional - PEC, que propugna por reeleições para cargos majoritários. Claro, todos eles desejam, ardentemente, o abuso, mesmo que se lambuzem na contumácia das artimanhas e engessem o curso natural dos destinos das criaturas. São os pedófilos (não os amigos, mas os tarados) que assim tentam desmoralizar a nossa novel, engraçada democracia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas, para não perdermos o trem, mister se faz que digamos sem delongas: mesmo que o presidente Lula não aceite a reinação trienal que lhe vendem as vivandeiras (como vozeira um amigo), outro brasileiro, também mui amigo, afinado com todo o seu ideário, lhe sucederá, podendo até vir a ser algum um contrário "de araque", que mantenha livre trânsito no &lt;em&gt;estabilishiment&lt;/em&gt; e receba o "nihil obstat".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Bahia, 02 de novembro de 2007.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Luís D'Avelosa&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://itaparica1954.blogspot.com/2007/11/luminosidade-e-esperana.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;LUMINOSIDADE E ESPERANÇA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Toma cuidado com o homem e com o rio silenciosos.”&lt;/em&gt; – Ab homine et flumine taciturno cave. (Dicionário de Expressões e Frases Latinas – Compilado por Henerik Kocher, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.hkocher.info/minha_pagina/dicionário/0dicionário" _fcksavedurl="http://www.hkocher.info/minha_pagina/dicionário/0dicionário"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#445566;"&gt;www.hkocher.info/minha_pagina/dicionário/0dicionário&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Direito é dinâmico, ausculta a realidade do mundo da vida. “O que a lei quer, di-lo com precisão”, ensinava Pontes de Miranda. A Lei de Biossegurança quer estar na crista da evolução. A terapêutica com células-tronco (Art. 5º da Lei de Biossegurança) é um milagre da ciência e da tecnologia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0NlzOEKVMI/AAAAAAAAAEE/KjARiPyBuAs/s1600-h/C%C3%A9lulas-tronco+Foto+AFP,+20+nov+2007.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5135059930755781826" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0NlzOEKVMI/AAAAAAAAAEE/KjARiPyBuAs/s200/C%C3%A9lulas-tronco+Foto+AFP,+20+nov+2007.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A &lt;strong&gt;Lei de Biossegurança, n° 11.105, de 24.03.2005&lt;/strong&gt;, estabeleceu normas de segurança e mecanismos de fiscalização sobre o que especifica no Art. 1°, saiu da pantalha e alumiou o destino, os sentimentos e desejos de seres humanos que dependem da terapia com células-tronco ou "células polivalentes que se transformam em qualquer parte do corpo”, afastando a cronicidade e degeneração, portanto, suprimindo a irreversibilidade do mal que os acomete, defendendo o direito à vida do homem universal.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Além do mais, essa descoberta dos coreanos do sul afastou o risco da rejeição, o grande vilão, uma vez que a criação dos órgãos para o respectivo transplante será feito a partir de extratos do próprio paciente. Para aqueles que não estão familiarizados com o significado das células-tronco, esse milagre da natureza, ouçamos o entendimento dos doutos. Com nuanças personalíssimas, manifesta-se a Profª Mayana Zatz respondendo às seguintes questões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que é célula-tronco&lt;/strong&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um tipo de célula que pode se diferenciar e constituir diferentes tecidos no organismo. Esta é uma capacidade especial, porque as demais células geralmente só podem fazer parte de um tecido específico (por exemplo: células da pele só podem constituir a pele).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Outra capacidade especial das células-tronco é a &lt;strong&gt;auto-replicação&lt;/strong&gt;, ou seja, elas podem gerar cópias idênticas de si mesmas.Por causa destas duas capacidades, as células-tronco são objeto de intensas pesquisas hoje, pois poderiam no futuro funcionar como células substitutas em tecidos lesionados ou doentes, como nos casos de Alzheimer, Parkinson e doenças neuromusculares em geral, ou ainda no lugar de células que o organismo deixa de produzir por alguma deficiência, como no caso de diabetes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As células-tronco&lt;/strong&gt; são classificadas como:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Totipotentes ou embrionárias&lt;/strong&gt; - São as que conseguem se diferenciar em todos os 216 tecidos (inclusive a placenta e anexos embrionários) que formam o corpo humano. Pluripotentes ou multipotentes - São as que conseguem se diferenciar em quase todos os tecidos humanos, menos placenta e anexos embrionários. Alguns trabalhos classificam as multipotentes como aquelas com capacidade de formar um número menor de tecidos do que as pluripotentes, enquanto outros acham que as duas definições são sinônimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Oligopotentes&lt;/strong&gt; - Aquelas que conseguem diferenciar-se em poucos tecidos. Unipotentes - As que conseguem diferenciar-se em um único tecido. Quais as funções naturais das células-tronco no corpo humano? Elas funcionam como células curingas, ou seja, teriam a função de ajudar no reparo de uma lesão. As células-tronco da medula óssea, especialmente, têm uma função importante: regenerar o sangue, porque as células sangüíneas se renovam constantemente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Onde ficam as células-tronco&lt;/strong&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As células-tronco &lt;strong&gt;totipotentes&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;pluripotentes &lt;/strong&gt;(ou &lt;strong&gt;multipotentes&lt;/strong&gt;) só são encontradas nos embriões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As totipotentes&lt;/strong&gt; são aquelas presentes nas primeiras fases da divisão, quando o embrião tem até 16 - 32 células (até três ou quatro dias de vida).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As &lt;strong&gt;pluripotentes&lt;/strong&gt; ou &lt;strong&gt;multipotentes&lt;/strong&gt; surgem quando o embrião atinge a fase de blastocisto (a partir de 32 -64 células, aproximadamente a partir do 5.o dia de vida) - as células internas do blastocisto são pluripotentes enquanto as células da membrana externa do blastocisto destinam-se a produzir a placenta e as membranas embrionárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As células-tronco &lt;strong&gt;oligopotentes&lt;/strong&gt; ainda são objeto de pesquisas, mas podemos dizer como exemplo que são encontradas no trato intestinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As &lt;strong&gt;unipotentes&lt;/strong&gt; estão presentes no tecido cerebral adulto e na próstata, por exemplo. O que torna a célula-tronco capaz de formar um tecido ou outro? A ordem ou comando que determina, durante o desenvolvimento do embrião humano, que uma célula-tronco pluripotente se diferencie em um tecido específico, como fígado, osso, sangue etc, ainda é um mistério que está sendo objeto de inúmeras pesquisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que é terapia com células-tronco&lt;/strong&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma terapia celular para tratar doenças e lesões através da substituição de tecidos doentes por células saudáveis. Por exemplo, o transplante de medula óssea para tratar pacientes com leucemia é um método de terapia celular já conhecido e comprovadamente eficiente. A medula óssea do doador contém células-tronco sangüíneas que vão fabricar novas células sangüíneas sadias. A terapia com células-tronco poderá no futuro tratar muitas doenças degenerativas, hoje incuráveis, causadas pela morte prematura ou mau-funcionamento de tecidos, células ou órgãos. Como exemplo, podemos citar as doenças neuromusculares, diabetes, doenças renais, cardíacas ou hepáticas. Para isso, estão sendo feitas inúmeras pesquisas no mundo todo para descobrir como fazer as células-tronco se diferenciarem no tecido que está doente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É possível programar as células-tronco para que se diferenciem nos tecidos que precisam ser reparados&lt;/strong&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem substâncias ou fatores de diferenciação que, quando colocados em culturas de células-tronco in vitro (isto é, cultivadas em laboratório), determinam que elas se diferenciem em um certo tecido. Uma outra possibilidade que está sendo investigada é se células-tronco, em contato com um tecido diferenciado, transformam-se naquele tecido. Por exemplo: células-tronco obtidas de embriões, cordão umbilical ou medula, se colocadas em contato com um músculo, conseguem diferenciar-se em músculo? Isso já foi demonstrado com células-tronco embrionárias, mas ainda não sabemos qual é o potencial que células-tronco de sangue de cordão (adultas) têm de se diferenciar em vários tecidos. Essa é uma das pesquisas em andamento no nosso laboratório, com células-tronco obtidas de cordão umbilical que estão sendo cultivadas juntamente com células musculares. Trata-se ainda de pesquisas experimentais e que ainda não constituem um tratamento comprovado a ser aplicado em seres humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é o uso de células-tronco adultas&lt;/strong&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As células-tronco adultas são encontradas em vários tecidos (como medula óssea, sangue, fígado, polpa dentárea) de crianças e adultos, e também no cordão umbilical e na placenta. Entretanto, ainda não sabemos em que tecidos elas são capazes de se diferenciar. Um estudo recente com células-tronco retiradas da medula e injetadas no coração da própria pessoa, o auto-transplante, sugere uma melhora aparente do quadro clínico em pessoas com insuficiência cardíaca. Mas a questão é se essas células são capazes de formar tecido cardíaco ou só promover uma neo-vascularização (fabricar novos vasos sangüíneos). De qualquer forma, a maior limitação quando usadas células da própria pessoa é que não serviria para portadores de doenças genéticas, pois o defeito está presente em todas as células daquela pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é o uso de células-tronco de embriões&lt;/strong&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pesquisas com células-tronco embrionárias estão sendo feitas nos países que permitem esses estudos. As células-tronco embrionárias têm o potencial de formar todos os tecidos humanos. Elas podem ser retiradas de: a) embriões excedentes que são descartados em clínicas de fertilização, por não terem qualidade para implantação ou por terem sido congelados por muito tempo; b) pela técnica de clonagem terapêutica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que é clonagem terapêutica celular&lt;/strong&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a transferência de núcleos de uma célula para um óvulo sem núcleo. Ela nada mais é do que um aprimoramento das técnicas hoje existentes para culturas de tecidos, que são realizadas há décadas. A grande vantagem é que, ao transferir o núcleo de uma célula de uma pessoa para um óvulo sem núcleo, esse novo óvulo ao dividir-se gera, em laboratório, células potencialmente capazes de produzir qualquer tecido. Isso abre perspectivas fantásticas para futuros tratamentos, porque hoje só é possível cultivar em laboratório células com as mesmas características do tecido de onde foram retiradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A clonagem terapêutica teria a vantagem de evitar rejeição, se o doador fosse a própria pessoa. Seria o caso, por exemplo, de reconstituir a medula em alguém que se tornou paraplégico após um acidente ou substituir o tecido cardíaco em uma pessoa que sofreu um infarto. No caso de portadores de doenças genéticas não seria possível usar as células da própria pessoa (porque todas têm o mesmo defeito genético), mas de um doador que fosse compatível, por exemplo, a mãe de um afetado por distrofia muscular progressiva. Cientistas coreanos anunciaram ter clonado embriões humanos, pela primeira vez, para obter células-tronco. Isso é clonagem terapêutica? Sim. O estudo confirmou a possibilidade de obter células-tronco pluripotentes com a clonagem terapêutica ou transferência de núcleos. O trabalho foi feito graças à participação voluntárias que doaram óvulos e células cumulus (células que ficam ao redor dos óvulos) para contribuir com as pesquisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As células &lt;strong&gt;cumulus&lt;/strong&gt;, que já são células diferenciadas, foram transferidas para os óvulos dos quais haviam sido retirados os próprios núcleos. Dentre esses, 25% conseguiram se dividir e chegar ao estágio de blastocisto e, portanto, capazes de produzir linhagens de células-tronco pluripotentes. Entretanto, essa técnica só teve sucesso quando a célula cumulus e o óvulo pertenciam à mesma mulher. Os pesquisadores coreanos relatam também que não obtiveram sucesso quando usaram células masculinas, o que mostra que essa técnica ainda tem limitações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual é a diferença entre clonagem terapêutica e clonagem reprodutiva&lt;/strong&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A clonagem reprodutiva humana, condenada por todos os cientistas, é a técnica pela qual pretende-se fazer uma cópia de um indivíduo. Nessa técnica, transfere-se o núcleo de uma célula, que pode ser uma célula de um adulto ou de um embrião, para um óvulo sem núcleo. Se o óvulo com esse novo núcleo começasse a se dividir, fosse transferido para um útero humano e se desenvolvesse, ter-se-ia uma cópia da pessoa de quem foi retirado o núcleo da célula. A diferença fundamental entre os dois procedimentos é que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Na transferência de núcleos para fins terapêuticos as células são multiplicadas em laboratório para formar tecidos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) A clonagem reprodutiva humana requer a inserção em um útero humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que a clonagem terapêutica é um assunto polêmico&lt;/strong&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda tecnologia nova gera polêmicas. Os argumentos das pessoas que se opõem à clonagem terapêutica são: isso vai abrir caminho para a clonagem reprodutiva, isso vai gerar um comércio de óvulos e embriões. Nesse sentido é fundamental lembrar que existe um obstáculo intransponível, que é o útero. Basta proibir a transferência para o útero de embriões produzidos por clonagem terapêutica. Quanto ao comércio de óvulos ou embriões, é a mesma situação que ocorre hoje com comércio de órgãos. Qualquer tecnologia tem seus riscos e benefícios. (Mayana Zatz, professora titular de Genética, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano - Depto. de Biologia, Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo - USP). Agência Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, essas descobertas que trouxeram a esperança de vida a quem não mais possuía são alvo de críticas, sendo que a mais contundente argumenta que o uso de embriões "interrompe o desenvolvimento do que seria uma vida humana". Por outro lado, uma geneticista que coordena o Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP) e "que se deslocou até Brasília para convencer os senadores a alterar o Projeto de Lei de Biossegurança", Professora Doutora Mayana Zatz, argumenta com conhecimento de causa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Muita gente não sabe que poderíamos usar os embriões que clínicas de inseminação artificial jogam no lixo a todo momento, já que os médicos aproveitam só os melhores para implantar no útero de quem quer engravidar" (Cláudia Pinho – Colaborou Mariana Barros - Revista &lt;strong&gt;ISTOÉ&lt;/strong&gt;, n° &lt;strong&gt;1793&lt;/strong&gt;, 18 de fevereiro/2004, p. 68/69).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, continua:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;"No Brasil, o debate ético sobre o uso da técnica de clonagem terapêutica, foi atropelado pelo desconhecimento".&lt;/em&gt; Mas , felizmente o saber, como sempre, foi o vencedor e está aí para o benefício, para revitalizar o homem à beira da inumação, a nossa Lei de Biossegurança.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ainda no campo da argumentação, juristas de renome, invocando a Constituição Federal (Art. 5º), o Código Civil (Art. 2º) e até mesmo pactos internacionais (§ 3º, Art. 5º da CF), colocam em discussão a questão da manipulação de células-tronco. Não só juristas e cientistas, mas, outras instituições e a religiosidade, percuciente na defesa dos seus dogmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente, é um tema polêmico que inspira diversas manifestações. E isso é bom sinal, pois, percebemos que num mundo em que se cultua a morte, existem pessoas preocupadas com a vida. E na defesa da vida plena, digna, saudável (como conceitua a Organização Mundial da Saúde–OMS), aquela mesma que interpretamos ser a que nos comunica a Carta Política (Art. 5º), os esforços devem alcançar a exaustão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nos parece fundamental é a inexorabilidade do Direito evolver; a impossibilidade absoluta de frustrar essa destinação pelo bem da humanidade. O que ontem parecia uma absurdez, uma utopia, uma impossibilidade científica, hoje é razoável e revela bom senso. Não se pode negar o avanço da Lei de Biossegurança que haverá de evoluir, por seu turno, quando se apresentarem impositivas, recalcitrantes, as exigências do dia-a-dia. A grandeza do legislador que, sabiamente, não olvidará a dimensão evolutiva da ciência e da tecnologia. Declara o Dr. Volnei Garrafa, presidente da Sociedade Brasileira de Bioética, verbis:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se não investirmos nessa pesquisa, no futuro teremos de importar remédios que vão salvar a vida das mesmas famílias religiosas que hoje condenam a clonagem terapêutica" (Revista ISTOÉ, 1793, p. 69). Daí entendermos que o legislador se houve muito bem na elaboração da referida lei, aprovada, sancionada e promulgada. Referências hospitalares se empenham em pesquisas. “No Hospital Pró-Cardíaco no Rio de Janeiro, e no Instituto do Coração, em São Paulo, por exemplo, seguem promissores experimentos com células-tronco para recuperar o coração. No Hospital Albert Einstein, também em São Paulo, estudos são feitos para diabete e esclerose múltipla. Em todos os trabalhos, as células usadas são retiradas de cordão umbilical ou de medula óssea. Só agora é que os centros de pesquisa poderão ter acesso às células extraídas de embriões, as únicas com potencial para se transformar em qualquer um dos 216 tecidos do corpo humano”. (Eduardo Hollanda – Revista ISTOÉ, nº 1847, 9 de março/2005, p. 35).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo meio de comunicação, se manifesta o cientista Ricardo Ribeiro dos Santos, declarando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Temos que ter os pés no chão”, um alerta para a exacerbação de expectativas hipertrofiadas, portanto, carentes da virtude da paciência e do bom senso imprescindível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“No início de junho, será iniciado o Estudo Multicêntrico de Terapia Celular em Cardiologia, trabalho que envolverá 50 instituições, cerca de 350 especialistas, 1,2 mil portadores de quatro graves problemas do coração e um financiamento de R$13 milhões do governo. De acordo com o Ministério da Saúde, é a maior investigação do gênero feita no mundo” (Francisco Alves Filho, Greice Rodrigues e Lena Castellón, Revista ISTOÉ, nº 1859, JUNHO/2005).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperamos, enfim, para a solução instante dos nossos males, que todos os retrógrados, os de postura intelectual e espiritual retroflexa, sectária, se lembrem ou relembrem de que "O Direito vigente não contém só um pensamento morto; ao contrário: o seu espírito evolve, é vivo, atual... A fim de descobrir o alcance eminentemente prático do texto, coloca-se o intérprete na posição do legislador: procura saber por que despontou a necessidade e qual foi primitivamente o objeto provável da regra, escrita ou consuetudinária; põe a mesma em relação com todas as circunstâncias determinantes do seu aparecimento, as quais, por isso mesmo, fazem ressaltar as exigências morais, políticas e sociais, econômicas e até mesmo técnicas, a que os novos dispositivos deveriam satisfazer; estuda, em suma, o ambiente social e jurídico em que a lei surgiu; os motivos da mesma, a sua razão de ser; as condições históricas apreciáveis como causa imediata da promulgação. Enquadram-se entre as últimas os precedentes, em geral; as concepções reinantes, além de outras influências menos diretas e não menos eficazes, como certos fatos ocorridos no estrangeiro e as legislações de povos cultos. Deve-se supor que os elaboradores do Direito novo conheciam o meio em que viviam, e o espírito da época, e se esmeraram em corresponder, por meio de providências concretizadas em textos, às necessidades e aspirações populares, próprias no momento, bem como às circunstâncias jurídicas e sociais contemporâneas... O bom intérprete foi sempre o renovador insinuante, cauteloso, às vezes até inconsciente, do sentido das disposições escritas – o sociólogo do Direito... Cumpre atribuir ao texto um sentido tal que resulte haver a lei regulado a espécie a favor, e não em prejuízo de quem ela evidentemente visa a proteger”. (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 9ª edição, 1979).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 20.4.2007, aconteceu a audiência pública no auditório do Supremo Tribunal Federal, sob a presidência do eminente ministro Professor Carlos Ayres Britto, objetivando colher informações científicas para o julgamento da ADIN, proposta pela PGR contra a utilização de células-tronco de embriões humanos em pesquisas e terapias. Naquela oportunidade, Patrícia Pranke, neurocientista e pesquisadora-chefe da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, noticiou que somente a partir do 4º dia o embrião pode ser implantado no útero. Revelou, ainda, que os embriões inviáveis, sem qualidade alguma, “nem chegam a ser congelados por algumas clínicas”, e pergunta: “Então, por quê não doá-los para a pesquisa?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A doutora Lúcia Braga, presidente do Instituto de Pesquisa com células-tronco e diretora do Banco de Sangue de Cordão Umbilical do Ministério da Saúde, não fez por menos e disse que se preocupa com o impedimento de pesquisas com este tipo de célula: “Precisamos dar mais chance às pessoas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Professora Doutora Mayana Zatz, como era de se esperar, afirmou que, futuramente, o tratamento de doenças degenerativas, far-se-á com a utilização de células-tronco embrionárias, e mais, que uma célula-tronco embrionária só poderá se tornar um feto se inserida no útero por iniciativa humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da parte contrária, a professora-adjunta do Departamento de Biologia Celular da Universidade de Brasília, Dra. Lenice Aparecida Martins e o professor Marcelo Vacari Mazzetti, vice-presidente do Instituto de Pesquisa de Células-Tronco, argumentaram que a vida tem início na fecundação. Declarou o professor Mazzetti que “não há fato objetivo e concreto que confirme a utilidade de células-tronco embrionárias”, e mais: “Não é preciso interromper a vida para trabalhar com células-tronco.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os 34 especialistas presentes, Instituições como a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil –CNBB e Procuradoria Geral da República – PGR, fizeram-se representar na Audiência Pública.*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Professora MAYANA ZATZ&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“Uma das pioneiras no mundo no estudo das doenças neuromusculares, Mayana Zatz está entre os cientistas mais produtivos e destacados do Brasil. Professora titular de genética humana da USP, coordena o Centro de Estudos do Genoma Humano do Instituto de Biociências da USP e é fundadora e presidente da Associação Brasileira de Distrofia Muscular (ABIM).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coordena um grupo de pesquisas em biologia molecular de genes humanos com enfoque em doenças neuromusculares e sua equipe colaborou para a identificação de seis genes responsáveis por doenças nesta área.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já publicou 260 trabalhos científicos em revistas internacionais e nacionais. Sua atividade na área de saúde tem grande importância social. É responsável por um serviço de Aconselhamento Genético na USP, que já atendeu mais de 21 mil pessoas pertencentes a famílias com afetados por doenças neuromusculares, o que tem contribuído para diagnosticar e pevenir o nascimento de novos portadores de doenças irreversíveis, para as quais não há tratamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mayana Zatz sempre se preocupou com a parte ética da pesquisa e, em particular, a informação gerada pelo projeto Genoma Humano e clonagem humana. Defende pesquisas com células-tronco embrionárias para compreensão da biologia celular e para fins terapêuticos, tendo participado ativamente de processo de votação da Lei de Biossegurança, que permite estas pesquisas.”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nessas condições, sem dúvida, a intenção do legislador foi buscar na evolução científica a suportabilidade para os suplícios que acometem a humanidade, impulsionado pelos milagres que abrolham da ciência e da tecnologia hodiernas, reconhecendo o direito sagrado a uma vida plena, íntegra, longeva. Em assim sendo, é uma exigência legítima que nos é defeso olvidar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Células-tronco – continuação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, junho de 2008, o Supremo Tribunal Federal-STF, que, desde o ano de 2005 (ano de aprovação, pelo Congresso da lei de biossegurança), esperava a oportunidade de decidir sobre a proposição do procurador-geral da República, assentada nos autos de uma ação direta de inconstitucionalidade (ADIN) que pretendia inibir, definitivamente, os efeitos do Art. 5º da Lei de Biossegurança (Lei Nº 11.105, de 24 de março de 2005), ipsis litteris:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Art. 5o É permitida, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento, atendidas as seguintes condições:&lt;br /&gt;I – sejam embriões inviáveis; ou&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;II – sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais, na data da publicação desta Lei, ou que, já congelados na data da publicação desta Lei, depois de completarem 3 (três) anos, contados a partir da data de congelamento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;§ 1o Em qualquer caso, é necessário o consentimento dos genitores. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;§ 2o Instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisa ou terapia com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter seus projetos à apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética em pesquisa.&lt;br /&gt;§ 3o É vedada a comercialização do material biológico a que se refere este artigo e sua prática implica o crime tipificado no &lt;a href="http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/LEIS/L9434.htm#art15"&gt;art. 15 da Lei no 9.434, de 4 de fevereiro de 1997.&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;As discussões se sucederam, com a profundidade e polêmica que a quaestio suscita. Os ministro da Corte Suprema se pronunciaram, na sua maioria, e resolveram rechaçar a pretensão do Ministério Público Federal, alcançando o desiderato, o que a ciência nos oferece de tábua de salvação. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Uma das suas mais aguerridas defensoras, não poderia ser outra pessoa senão a bióloga Mayana Zart, supracitada, que propugnou pela aprovação do predito texto legal, especificamente o que predetermina o seu Art. 5º. E, nesse diapasão, a pró-reitora de pesquisa e coordenadora de Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo-USP, manifestou-se dizendo: &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;“Essa proibição é absurda. Inviolável é a vida de inúmeros pacientes que morrem prematuramente ou estão confinados a uma cadeira de rodas e poderiam se beneficiar dessas pesquisas. É preciso entender que os cientistas brasileiros só querem fazer pesquisa com os embriões congelados que permanecem nas clínicas de fertilização, e sempre com o consentimento do casal que os gerou. Se o casal, por algum motivo religioso ou ético, for contra a doar os embriões, não precisará faze-lo. Deve-se lembrar que o destino dos embriões que não forem utilizados na pesquisa é ficar congelados até ser descartados. Estamos falando de embriões que nunca estiveram num útero, nem nunca estarão. Não existe nenhuma possibilidade de vida para eles.” (Revista Veja, edição 2050 – ano 41 – nº 9, 5 de março de 2008, p. 11). &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;A eminente juíza do STF, eminente ministra Ellen Gracie Northfleet, um pouco mais tarde, em entrevista à referida Revista Veja (edição 20051 – ano 41 – nº 10, 12.03.2008, p. 11), manifestou-se dizendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu não enxerguei, nos artigos da Lei de Biossegurança que falam sobre embriões, nada que ferisse a ordem constitucional. Meu raciocínio parte do princípio de que nosso sistema jurídico protege duas entidades, o “nascimento” e a “pessoa”. Esses conceitos têm um significado muito preciso no direito. O nascituro, a criança que aguarda o nascimento no ventre da mãe, tem algumas expectativas de direito – no campo da herança, por exemplo. Já a pessoa, do ponto de vista do nosso ordenamento, só passa a existir no instante do nascimento com vida. É aí que surge a personalidade jurídica, segundo o nosso Código Civil. Ora, o embrião criado in vitro não é nascituro, pois não foi implantado no útero da mãe, nem pessoa, no sentido técnico. Ele não desfruta as garantias que se aplicam aos dois casos. Quanto ao princípio constitucional do direito à vida, eu creio que ele não é ferido no caso das pesquisas com embriões que seriam descartados ou permaneceriam congelados indefinidamente. Essas pesquisas, a médio ou a longo prazo, devem resultar em benefício para um grande número de pessoas. Elas também têm o objetivo de proteger a vida – uma vida íntegra e saudável para portadores de doenças. Sigo aqui uma linha de raciocínio que tem uma longa história no campo jurídico – aquela que, no conflito aparente entre normas, opta pelo bem maior, produzido com o menor sacrifício possível.” &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Vê-se, portanto, e felizmente, que a ciência e a lei, bem postas, somente trazem benefícios para a humanidade. Despiciendo, então, delongarmo-nos em outros argumentos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Marco Antonio de Cádiz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Referências:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;• Diário do Nordeste - www.diariodonordeste.globo.com • www.hospitalar.com/imprensa/not 1497.html&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;UM HUMANISTA SACRIFICADO&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0LYZ-EKVCI/AAAAAAAAAC0/dP-M_iK0viM/s1600-h/Thomas+More.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134904465824568354" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0LYZ-EKVCI/AAAAAAAAAC0/dP-M_iK0viM/s200/Thomas+More.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;“A abundância sendo extrema, em todas as coisas, não se teme que alguém tire além de suas necessidades. De fato aquele que tem a certeza de que nada faltará jamais, não procurará possuir mais do que é preciso. O que torna, em geral, os animais cúpidos e rapaces é o temor das privações do futuro. No homem em particular, existe uma outra causa de avareza – o orgulho, que o excita a ultrapassar em opulência os seus iguais e a deslumbrá-los pelo aparato de um luxo supérfluo. Mas as instituições utopianas tornam este vício impossível.”&lt;/em&gt; (THOMAS MORE. UTOPIA. 2ª edição. 1979. p. 235)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;THOMAS MORE, nasceu no dia 7 de fevereiro de 1478, em Milk Street, Londres, Inglaterra. Os seus primeiros estudos foram feitos no Saint Antony's School, tornando-se, logo após, pajem do arcebispo de Canterbury, John Morton (1420-1500), que influenciou decisivamente a sua vida intelectual. Dez anos antes de morrer, o arcebispo o encaminhou à universidade de Oxford, onde deu início aos seus estudos de Direito, &lt;em&gt;pari-passu&lt;/em&gt;, aplicando seu espírito no aprendizado de teologia, literatura grega e latina, além de poetizar em inglês e latim, oportunidade em que traduziu quatro dos trinta Diálogos dos Mortos de Luciano de Samósata, de origem síria, mas radicado na Grécia (séc.II d.C). Nos seus Diálogos, “Diógenes é, ao lado de Menipo (filósofo cínico), o mais cínico dos cínicos, o personagem central. Trata-se de trinta diálogos que reúnem as figuras mais famosas da hélade antiga sob o signo da sátira, do humor e da ironia mais rascante”, inclusive biografando a vida de Giovanni Francesco Pico della Mirandola, filósofo italiano (1463-1494).&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; Estudou teologia, grego, hebraico, latim, sírio e árabe. Um dos seus desejos era reconciliar Cristo e Maomé. Escreveu diversos livros e, como Luciano, viveu intensamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a morte de sua primeira mulher Jane Colte, com quem gerou quatro filhos, casou-se, para o seu fado, certamente, com Alice Middleton, uma pessoa avessa à vida intelectual, embora não fosse frívola ou incuriosa, ou memo inábil com relação aos afazeres domésticos e sociais. Em 1504, iniciou a sua carreira parlamentar, abraçando a política até a sua morte. Com a disciplina aplicada aos seus estudos e &lt;em&gt;modus vivendi&lt;/em&gt; estóico, que lhe forjou a personalidade com “inflexibilidade de caráter e irremovíveis convicções religiosas”, aproximou-se, com a morte de Henrique VII (1509), que viveu 52 anos, do rei Henrique VIII, o celerado absolutista que viria a ascender ao trono inglês naquele mesmo ano, seu admirador e futuro carrasco ingrato, injusto e inclemente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0Rev-EKVQI/AAAAAAAAAEk/YimRm9gSJgQ/s1600-h/Cardeal+Wolsey.jpg"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5135333653316523266" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0Rev-EKVQI/AAAAAAAAAEk/YimRm9gSJgQ/s200/Cardeal+Wolsey.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Assumindo diversas posições e missões diplomáticas da mais alta envergadura, veio a suceder o Lord-Chanceler cardeal Wolsey (1529), portanto, alçado ao mais alto cargo do governo britânico, onde desempenhou as altas funções que lhe foram cometidas com absoluta dedicação, probidade, tolerância, altruísmo e altivez, sendo justo para com todos e leal ao endemoninhado rei que, como predisse, nutria por ele incondicional respeito e admiração, não prescindindo dos seus sábios ensinamentos e aconselhamentos, pela erudição e bom-senso.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O homem Thomas More, além de parlamentar de escol, está glorificado pelo seu autêntico humanismo renascentista, tendo como madre os seus estudos de línguas e literaturas greco-romanas, revelados &lt;em&gt;en passant, &lt;/em&gt;com clareza e circunspecção necessárias, na sua obra UTOPIA. Todos nós, &lt;em&gt;mundializados&lt;/em&gt; (como dizem os franceses) ou &lt;em&gt;globalizados&lt;/em&gt;, podemos nela auferirmos ensinamentos que muito nos servirão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, nessas manifestações que o imortalizaram pelo antropocentrismo, ele abominava tudo que era contrário ao bom viver coletivo, ao epicurismo com uma pitada contida de hedonismo, este inclusive para perpetuar a espécie humana por ele imaginada e desejada, que praticava o bem pelo bem. Sentia no mais íntimo de si mesmo, numa transparência vitral, os malefícios de uma sociedade que se permitia concentrar a propriedade fundiária numa emulação desordenada, trituradora, em detrimento de uma esmagadora maioria de hipossuficientes, famélicos, criminalizados e violentados por castigos instituídos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ao contrário, dizia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Os habitantes da UTOPIA aplicam aqui o princípio da posse comum. Para abolir a idéia da propriedade individual e absoluta, trocam de casa todos os dez anos e tiram a sorte da que lhes deve caber na partilha.” &lt;/em&gt;Diferentemente do que acontece em sociedades plantadas em nosso século, notadamente em nossa Pindorama, onde os doentes morrem nas filas que se alongam à frente das instituições de saúde do Estado, &lt;em&gt;“Os doentes são aí tratados (nos hospitais) com cuidado afetuoso e assíduo, sob a direção dos mais hábeis médicos. Ninguém é obrigado a ir para lá; entretanto, não há quem, em caso de doença, não prefira tratar-se no hospital a tratar-se em sua casa.&lt;/em&gt;” Entretanto, o despotismo é sem-cerimônia e não tem solução uma vez enraizado – a não ser com a revolução e a deposição instante do déspota.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0LZD-EKVDI/AAAAAAAAAC8/saliCpZkuls/s1600-h/Henrique+VIII.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134905187379074098" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0LZD-EKVDI/AAAAAAAAAC8/saliCpZkuls/s200/Henrique+VIII.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Para alguns historiadores, Henrique VIII procura em sua casa o chanceler, usando de zumbais, argumentos infundados, simplórios, e o Lord-Chanceler,&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0RfDOEKVRI/AAAAAAAAAEs/9W0aEbU5E4w/s1600-h/Papa+Julio+II.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5135333984029005074" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0RfDOEKVRI/AAAAAAAAAEs/9W0aEbU5E4w/s200/Papa+Julio+II.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; após ouvir o monarca voluntarioso, nega qualquer ingerência no sentido de fazer a vontade do rei, que não era outra senão a de construir trilheiras indecorosas, expedientes cavilosos e incompatíveis com o caráter altivo de Thomas More, no caso, o de assinar o Ato de Sucessão, declarando sem efeito o casamento legítimo com Catarina de Aragão, a Espanhola, o que convalidava o seu matrimônio com Ana Bolena, pensando sempre na sua sucessão. Aqui, os fins justificam os meios. A maioria dos historiadores diz o seguinte: o Papa Júlio II, como &lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0Rgk-EKVUI/AAAAAAAAAFE/-F-a5oVJdm4/s1600-h/Catarina+de+Arag%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5135335663361217858" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0Rgk-EKVUI/AAAAAAAAAFE/-F-a5oVJdm4/s200/Catarina+de+Arag%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;sabia que o casamento (1501) de Catarina de Aragão com Artur Tudor, Príncipe de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0Rg4eEKVVI/AAAAAAAAAFM/q9KRX_m3e9U/s1600-h/MARIA+I+da+Inglaterra.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5135335998368666962" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0Rg4eEKVVI/AAAAAAAAAFM/q9KRX_m3e9U/s200/MARIA+I+da+Inglaterra.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Gales, não havia se consumado, por testemunho de Catarina, ou seja, o débito conjugal não havia sido saldado, por morte do Príncipe de Gales, a dispensou para casar-se com o seu cunhado Henrique, o que se deu com a ascensão deste ao trono, oito anos depois, em 1513. Após gestações frustadas, “Catarina deu à luz um rapaz, Henrique, que morreu pouco tempo depois. A sua última gravidez em 1516 resultou numa filha, a futura Maria I da Inglaterra. Depois de Maria, Catarina não voltou a conceber, o que deixou Henrique preocupado c&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0RgOOEKVTI/AAAAAAAAAE8/d_nav9pivZc/s1600-h/MARIA+I+da+Inglaterra.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;om a sucessão. A guerra das rosas (guerra civil inglêsa, 1455-1485, entre as Casas de York e Lancaster) como consequência de instabilidade dinástica estava ainda bem presente na memória colectiva. Particularmente preocupante para Henrique, um estudioso de questões teológicas, era a afirmação contida no Levítico de que se um homem casar com a mulher do irmão, o casamento será estéril. Convencido de que Catarina teria mentido quanto à consumação do casamento com Artur, Henrique VIII começou a procurar a anulação do casamento em 1527. Ao mesmo tempo, arrancara de Ana Bolena a promessa de que ela seria sua amante e futura mulher. No Vaticano a tomada de decisão arrastou-se por sete anos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0RhJuEKVWI/AAAAAAAAAFU/zOHUTo8Q8lg/s1600-h/Papa+Clemente+VII.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5135336294721410402" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0RhJuEKVWI/AAAAAAAAAFU/zOHUTo8Q8lg/s200/Papa+Clemente+VII.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O Papa Clemente VII não parecia disposto a conceder a anulação por duas razões: primeiro seria uma admissão de equívoco da Igreja que concedera a dispensa, segundo porque Clemente era uma marionete política nas mãos do Imperador Carlos V, sobrinho de Catarina, a quem não convinha o fim da união. Cansado de esperar, Henrique separou-se de Catarina em 1531 e em 23 de Maio de 1533, o Arcebispo da Cantuária Thomas Cranmer anulou a união sem aprovação do Vaticano. A implementação do Acto de Supremacia e a separação da Igreja Anglicana da Igreja de Roma consumou a anulação. Catarina foi separada da filha, a princesa Maria, e exilada da corte para viver na província, embora com todos os previlégios de uma Princesa de Gales. Mas jamais aceitou o divórcio e a despromoção e continuou a assinar a correspondência como Catherine the Queen. Catarina morreu em Janeiro de 1536, vítima de uma doença prolongada, possivelmente cancro, e foi sepultada na Catedral de Peterborough com as honras de uma Princesa de Gales.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0RhaeEKVXI/AAAAAAAAAFc/JFKW93lpqAE/s1600-h/Torre+de+Londres.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5135336582484219250" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0RhaeEKVXI/AAAAAAAAAFc/JFKW93lpqAE/s200/Torre+de+Londres.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A intransigência de Thomas More, valeu-lhe a prisão na Torre de Londres, onde escreveu o “Diálogo de Consolo Contra a Opressão, no qual confortava todos aqueles que, como ele, sofriam por causa de princípios religiosos e de consciência, e negava o direito de qualquer chefe de Estado ditar leis em matéria de crença. Na sua crença manteve-se firme, até a condenação final à morte por decapitação, em 6 de julho de 1535. Beatificado em 29 de dezembro de 1886, foi canonizado em 19 de maio de 1935, quatro séculos depois de seu martírio em defesa da liberdade de pensamento".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ana Bolena ou Anne Boleyn, Marquesa de Pembroke (1550-1536), foi a segunda mulher de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0LZl-EKVFI/AAAAAAAAADM/xf85uVV2lKw/s1600-h/Ana+Bolena.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134905771494626386" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0LZl-EKVFI/AAAAAAAAADM/xf85uVV2lKw/s200/Ana+Bolena.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Henrique VIII de Inglaterra e mãe da rainha Elizabeth I, a inupta. O seu casamento com Henry foi polêmico do ponto de vista político e religioso. (...) A ascensão e queda de Ana Bolena, considerada a mais controversa rainha consorte de Inglaterra, inspiram inúmeras biografias, obras ficcionais. Ana Bolena foi decapitada a 19 de maio de 1536 e onze dias depois, pela terceira vez, Henrique VIII casou-se com Joana Seymour. Um dos fiéis amigos de Thomas More foi Erasmo de Rotterdam, também humanista, que lhe dedicou a extraordinária sátira Elogio da Loucura, no ano de 1508.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Procuremos na comedida, altruísta e corajosa vida alumiada de São Thomas More, o estímulo para contornarmos as tramas do cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As demais esposas de Henrique VIII:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0Rh-OEKVYI/AAAAAAAAAFk/KZEHh08u4W0/s1600-h/JaneSeymour+ou+Joana+Saymour.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5135337196664542594" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0Rh-OEKVYI/AAAAAAAAAFk/KZEHh08u4W0/s200/JaneSeymour+ou+Joana+Saymour.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0RjFuEKVaI/AAAAAAAAAF0/2VQ95ZZsZMw/s1600-h/Catherine+Howard.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5135338425025189282" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 171px; CURSOR: hand; HEIGHT: 172px" height="172" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0RjFuEKVaI/AAAAAAAAAF0/2VQ95ZZsZMw/s200/Catherine+Howard.jpg" width="157" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5135337926808982930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0RiouEKVZI/AAAAAAAAAFs/DjRh9pv1yak/s200/Anne+de+Cleves.jpg" border="0" /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5135338777212507570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0RjaOEKVbI/AAAAAAAAAF8/EXP-W08pF7s/s200/Catherine+Parr.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Luís D'Avelosa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Referências:&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;ERASMO/THOMAS MORE – ELOGIO DA LOUCURA/UTOPIA, Os Pensadores, Abril Cultural, 2ª edição, 1979, pp.154-158, Tradução e notas Paulo M. Oliveira/Luís Andrade; MÁRCIO SCHEEL – Contra a Tradição: A Contradição, 2003.&lt;br /&gt;Fonte: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.phtml?cod=25702&amp;amp;cat=Artigos"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.phtml?cod=25702&amp;amp;cat=Artigos&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;;&lt;br /&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_Bolena PICO della MIRANDOLA –&lt;br /&gt;planeta.terra.com.br/arte/sfv/PicodellaMirandela.html – Tradução &amp;amp; Adições: FELIPE VILLANOVA&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;ITAPARICA II&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Vamos deixando o século XVI a caminho do século XVII, sempre em companhia de Ubaldo Osório e outras fontes. Nosso intuito não é o de fazermos crítica histórica, nos aprofundarmos no pensamento de outros notáveis historiadores, nem almejamos glórias ou reconhecimentos. Basta-nos espanarmos um pouco da poeira de um passado “recente”. Tudo isso é muito evidente. Entretanto, gostaria de dizer um pouco dos nossos três primeiros governadores gerais, antes de adentramos no século XVII: o primeiro, Tomé de Souza; o segundo, Duarte da Costa; o terceiro, Mem de Sá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 21 de março de 1549, Tomé de Souza foi recebido juntamente com a sua comitiva, formada de centenas de colonos, religiosos e degredados, pelo fidalgo da Casa Real Diogo Álvares, o Caramuru, seus filhos e Gramatão Teles, o portador da carta de D. João III, anunciando a vinda do Governador, e chegam a Caramurê, nome primitivo dado pelos tupinambás à nossa cidade, que Fernão Cardim, o “Missionário jesuíta e escritor português, nascido em Viana do Alentejo (1540-1625) autor de uma obra intitulada Do princípio e origem dos índios do Brasil e de seus costumes, adoração e cerimônias, publicada na Inglaterra (1881) e dos Tratados da terra e da gente do Brasil, compilados com anotações de João Capistrano Abreu”, chamou de cidade de El-Rei. Cardim, quando provincial da companhia e reitor do Colégio da Bahia (e do Colégio do Rio de Janeiro) teve como discípulo o Padre Antônio Vieira. Não se sabe ao certo a data de sua instalação da cidade. Fincada a Cruz, dois dias depois do desembarque, uma missa foi celebrada pelo padre Manuel da Nóbrega.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;No Porto da Barra, enseada de todo o mundo, onde estão localizados as fortalezas de Santa Maria e São Diogo, ponto de encontro, na década de 1960-1970, de artistas e intelectuais célebres, principalmente Caetano Veloso, &lt;em&gt;primus inter pares&lt;/em&gt;, existe um monumento, azulejado, comemorativo da chegada do 1º Governador Geral do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manifesta-se Ubaldo Osório, ipsis litteris:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A Tomé de Souza foi dado por D. João III, em Almerim, para governar o Brasil, um Regimento que se encontra entre os Manuscritos recolhidos à Biblioteca de Évora, de onde foi extraída a cópia que D. Pedro, o nosso segundo Imperador, oferecera, em 1856, ao Instituto Histórico Brasileiro. Esse Regimento, que tem 48 Capítulos, é considerado pelo Padre Serafim Leite, documento básico, verdadeira Carta Magna, nossa primeira Constituição”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No governo Tomé de Souza – que o deixou em 13 de julho de 1553, após uma contenda com o Ouvidor Péro Borges, que o acusou de admitir degredados na Vereação da Câmara da Bahia – “foi dada de sesmaria a D. Violante de Távora, descendente de Martim Afonso de Souza, mãe de D. Antonio de Atayde, Conde de Castanheira, co-irmão por via paterna de Martim Afonso, a Ilha de Itaparica, com as suas águas, matos, e pastos, e logradouros, para que fosse povoada e se fizesse, na mesma Ilha, a criação de todo o gênero de gado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, a primeira criação de gado “de todo o gênero”, no Brasil, foi em Itaparica. Digo no Brasil, uma vez que a 1ª Expedição Colonizadora (1530) foi comandada por Martim Afonso de Souza (Governador do Estado Português da Índia, Comendador de Santa Maria de Beja e Mascarenhas - Ordem de Cristo, Capitão-mor do Mar da Índia, Capitão-mor da Carreira da Índia, Capitão-mor de uma Armada ao Brasil (1530-1533) e Capitão-donatário do Brasil (1534-1570), retornando a Portugal em 1533. A ele foi atribuído o primeiro transporte de cana-de-açúcar, escravos e gado para o nosso pedaço de terra. Portanto, se ele chegou à Bahia em 13 de março de 1531 (fundando a Vila de São Vicente, em 1532, a primeira do Brasil), as alimárias chegaram pela primeira vez em terras da Bahia.Tomé de Souza faleceu na Quinta do Ribatejo, Portugal, em 28 de janeiro de 1579.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duarte da Costa, 2º Governador Geral do Brasil, chegou à Bahia em 13 de julho de 1553, governando tumultuadamente até 1558, cercado de problemas de toda ordem, culminando com a desavença entre o filho do governador, D. Álvaro da Costa, e o primeiro bispo do Brasil D. Pedro Fernandes Sardinha. O Bispo veio a ser devorado, a caminho de Portugal (onde prestaria esclarecimentos a D. João III sobre o seu desentendimento com D. Álvaro da Costa), com toda a sua comitiva, pelos antropofágicos índios Caetés, quando a nau que os conduzia naufragou nas costas do Estado de Alagoas (sudeste), hoje município de Coruripe, ou Cururu-Ipe (Rio dos Seixos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MEM DE SÁ, 3º Governador Geral do Brasil, nomeado pela regente de Portugal, D. Catarina D`Áustria (princesa espanhola, filha de Felipe I de Castela, arquiduque da Áustria, e da rainha Joana, filha segunda e principal herdeira de Fernandoo Católico, rei de Aragão, e de Isabel, rainha de Castela. D. Catarina era irmã do imperador Carlos V, e rainha de Portugal pelo seu casamento com el-rei D. João III), em 1557, tomou posse em 4 de julho de 1558. Muito bem se houve frente ao governo geral do Brasil, apesar das extremas dificuldades, este que empreendeu batalhas com índios de Ilhéus e Porto Seguro, além de enfrentar a herança terrível deixada por Duarte da Costa. Da mesma forma empreendeu uma luta titânica contra a conjuração dos Tamoios, na Vila de São Vicente, com a ajuda dos missionários jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta. Na Bahia, erradicou a varíola e a fome, além de suportar os elementos, degredados da pior qualidade, que a metrópole escolhia para substituir os inumados. Jamais desprezou o trabalho empreendido pelos jesuítas com relação aos índios, o que muito lhe valeu. Dizem os historiadores, que o feito de maior monta do 3º governador-geral teria sido a expulsão dos protestantes, liderados por Nicolau Durand de Villegagnon e Coligny, próceres de Calvino, elidindo as suas ambições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei de França apoiou os calvinistas que fundaram a França Antártica. Entretanto, mesmo sem ajuda nenhuma de D. Catarina, até aquele momento, Mem de Sá conseguiu, em 1564, com a chegada do seu sobrinho Estácio de Sá, que como “sua primeira providência fundou um pequeno povoado para abrigar suas tropas, entre os morros Cra de Cão e Pão de Açúcar. Nesse povoado, que deu origem a atual cidade do Rio de Janeiro, os portugueses organizavam suas estratégias contra o inimigo. Em 1567, as tropas portuguesas receberam novos reforços militares e ajuda de índios do cacique Araribóia, tendo expulsado definitivamente os franceses do local. Contudo, Estácio de Sá não conheceu a glória da vitória, pois foi ferido mortalmente por uma flexa envenenada, cerca de um mês antes do combate final”, finalmente, expulsou os franceses da “enseada do Rio de Janeiro”. Em 2 de março de 1572, morreu na Bahia o “pacificador das tribos bravias do Paraguaçu" .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda, Ubaldo Osório: “O benemérito Governador, que sempre teve, pela ilha de Itaparica, o maior desvelo, foi sepultado, na Igreja dos Colégio de Jesus (hoje, a Catedral de Itaparica) em uma campa de pedras de Lisboa, encontrada em 8 de junho de 1915, quando, sob a direção de Monsenhor Flaviano Osório Pimentel.” O professor Mário Vinícius, no seu artigo Algosobre - Os Primeiros Governadores Gerais do Brasil, afirma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Com a morte de Mem de Sá, a Metrópole resolveu descentralizar a administração do Brasil, dividindo-o em dois centros: o norte, com sede em Salvador e a cargo de Luiz de Brito Almeida, que governou de 1573 a 1578. O do sul, tendo por sede o Rio de Janeiro, ficou sob a responsabilidade de Antonio Salema, que governou de 1574 a 1578. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Contudo, o rei de Portugal entendeu que os resultados práticos da experiência não haviam sido proveitosos. Destarte, resolveu tornar Salvador o único centro administrativo do governo do Brasil, sendo enviado Lourenço da Veiga para ser o novo governador-geral, que exerceu o cargo até 1581, ano da sua morte. Antes, em 1580, por questões dinásticas, Portugal passou a ser governado pelo Rei de Espanha, Felipe II, tendo se tornado o Brasil parte do reino espanhol. Este domínio durou até 1640, quando D. João V subiu ao trono português, inaugurando a dinastia de Bragança. Todavia, o domínio espanhol no Brasil teve a duração de sessenta anos, de 1580 a 1640. Nesse período, reinaram Felipe II, Felipe III e Felipe IV, sendo que no reinado deste “foi saqueada, pelos holandeses da esquadra de Jacob WilleKens, a “Armação das Baleias” da Ponta da Cruz, em Itaparica.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís D'AVelosa&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Referências:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Ubaldo Osório. A Ilha de Itaparica, História e Tradição, IV edição, 1979.&lt;br /&gt;- Fernão Cardim. www.sobiografias.hpg.ig.com.br- PORTUGAL.&lt;br /&gt;– Dicionário Histórico. Mem de Sá. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.arqnet.pt/diconario/samem.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;www.arqnet.pt/diconario/samem.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;- Mário Vinícius. Primeiro Governadores Gerais do Brasil. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.algosobre.com.br/"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;http://www.algosobre.com.br/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;- D. Catarina de Áustria. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.arqnet.pt/dicionário/catarinarainha.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;www.arqnet.pt/dicionário/catarinarainha.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;A ILHA DE ITAPARICA I - OS TUPINAMBÁS E PRIMEIROS PERSONAGENS&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Documentos históricos não são fontes comestíveis para que se lhes rejeite a parte verde, apodrecida ou bichada. Simboliza-se a história com um facho para desobscurecer, e não com a tesoura do recorte, o frasco de benzina e o trapo para lhe alimpar as nódoas da túnica..." &lt;span style="font-size:85%;"&gt;ALBERTO RANGEL&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Cartas de D. Pedro I à Marquesa de Santos&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-size:85%;"&gt;1943&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos tentar nestes dizeres, despretensiosos e brevíssimos, falar sobre alguns fatos históricos sorvidos na reluzente bateia do historiador da ilha, Coronel &lt;span style="font-size:85%;"&gt;UBALDO OSÓRIO&lt;/span&gt; (nasceu na Ilha de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.itaparica.ba.gov.br/"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Itaparica&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, na Rua das Beatas, em 16 de maio de 1883, no dia de Santo Ubaldo, morto em Roma no pontificado de Honório XI, filho do Sr. João Osório Pimentel e D. Teolina Gomes Osório Pimentel. Como ele mesmo dissera "cresci numa exaltação íntima pela minha Ilha"), e outros da nossa ilha-mãe onde os portugueses tiveram o primeiro contato com os Tupinambás, que são assim descritos por Gabriel Soares (&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tratado Descritivo do Brasil&lt;/span&gt;), “&lt;span style="font-size:85%;"&gt;o fundador da Etn&lt;/span&gt;ologia &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Indígena &lt;/span&gt;no &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Brasil&lt;/span&gt;”, nas palavras Roquete Pinto, e, é bom que se diga algo sobre o "modus vivendi" daqueles entes explorados, corrompidos e dizimados, ipsis litteris:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;Os Tupinambás, são homens de meã estatura, de cor muito baça, bem feitos e bem dispostos, muito alegres de rosto, e bem assombrados; todos tem bons dentes, alvos, miúdos, sem lhe nunca apodrecerem, - tem as pernas bem feitas, os pés pequenos; trazem o cabelo da cabeça sempre aparado, em todas as outras partes do corpo os não consentem e os arrancam como lhes nascem; são homens de grandes fôrças e de muito trabalho; são muito belicosos, em sua maneira esforçados, e para muitos ainda que atraiçoados, são muito amigos de novidades e demasiadamente luxuriosos, grandes caçadores e pescadores e amigos de lavouras. Quando estas índias entram em dores de parir, não buscam parteiras, não se resguardam do ar, nem fazem outras cerimônias, parem pelos campos e em qualquer outra parte como uma alimária; e em acabando de parir, vão ao rio ou a fonte onde se lavam e as crianças que pariram; e vêm-se para casa, onde o marido se deita logo na rêde onde está muito coberto até que seca o umbigo da criança.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Portanto, não eram preguiçosos como querem os seus imoladores, eram belos, amigos e, como aprendemos nos primeiros anos, a sabedoria natural era uma característica notável. Mas, precisavam “desaparecer” para darem lugar ao gado, às lavouras e aos engenhos dos dominadores. Blás Garay, nos conta que os índios eram “frios”, daí as índias preferirem os colonos. Os padres jesuítas, temerosos de uma despovoação, determinaram dia e hora para as obrigações conjugais, que deveriam ser exercitadas mensalmente, mas que depois foram mais intensificadas, mediante sermões e outras ameaças infernais. Mas, de nada adiantou. Vieram ao mundo os mamelucos e estão aí até os nossos dias, compondo a nossa fantástica diversidade étnica. Existia, também, um outro costume interessante: as índias se identificavam como virgens, trazendo abaixo do joelho uma faixa vermelha que chamavam de tupacurá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele ambiente, nasceu Catarina Paraguaçu (rio grande), filha do morubixaba Taparica, que conviveu por muitos anos com o fidalgo da Casa Real Diogo Álvares, o Caramuru, “&lt;span style="font-size:85%;"&gt;o náufrago da Mariquiquiig&lt;/span&gt;” (&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mariquita&lt;/span&gt;), localidade onde o mar bate forte, no bairro do Rio Vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O naufrágio deve ter ocorrido em 1510, uma vez que o historiador fixa a data da morte de Diogo Álvares, no dia 5 de outubro de 1557 e afirma que ele viveu 47 anos entre os tupinambás, com quem teve 4 filhas: Ana, Genebra, Apolônia e Grácia. Seus filhos ilegítimos, pelo menos o que a história registrou: Isabel Álvares, Catarina Álvares, Diogo Álvares, Gaspar Álvares, Marcos Álvares, Jorge Álvares, Manoel Álvares, Felipa, Madalena Álvares, Elena Álvares e Beatriz Álvares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, o “árbitro de todas as contendas que se suscitavam entre os índios visinhos”, conquistando o respeito dos chefes indígenas, era um verdadeiro patriarca. Todos os caciques desejavam que Caramuru casasse com suas filhas, mas o nativo de Viana do Minho preferiu a filha do mais respeitado, Taparica - notícia de Inácio Accioli nas Memórias Históricas e Políticas da Bahia. &lt;span style="font-size:85%;"&gt;UBALDO OSÓRIO&lt;/span&gt;, cita Wandfgang Hoffman que diz: “Viveu com várias amantes ameríndias e teve muitos filhos. Mais de cem.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catarina Paraguaçu, nem os seus filhos, conheciam o idioma do conquistador, daí o Padre Luiz da Grã (nasceu em Lisbôa, estudou direito em Coimbra e entrou na Companhia de Jesus em 1543. Chegou ao Brasil em 1553 na companhia do 2º Governador Geral do Brasil, D. Duarte da Costa, chefiando a terceira missão jesuítica ao lado de José de Anchiêta e outros. Faleceu em 16 de novembro de 1609, no Colégio dos Jesuítas, em Pernambuco, o Fundador da Redução de Vera Cruz de Itaparica) haver traduzido da língua brasílica para o português (Deus é testemunha de que a tradução foi fidedigna...), a doação feita por Catarina (foi batizada Catarina do Brasil, em Saint-Malô, na França, no dia 28 de julho de 1528, acompanhada por Caramuru, levados por Jacques Cartier, um contrabandista de pau brasil, "sendo padrinho o nobre senhor Guiyn Jamyn, reitor de Sain-Jagu, e madrinhas Catarina de Granges e Francisca Le Gobien, filha do procurador de Sain-Malô, tendo servido como oficiante, monsenhor Lancelot Ruffier, Vigário Geral, no dia e ano supracitados. Padre Troblet." Esta informação é de Olga Obry, na sua obra Catarina do Brasil - das terras da Graça ao Mosteiro de São Bento, em 16 de julho de 1586, escritura transcrita no Livro Velho do Tombo do referido monastério, conforme citação de Ubaldo Osório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Guaimin-Pará, Catarina Paraguaçu, “&lt;span style="font-size:85%;"&gt;a Eva do Paraíso Tropical&lt;/span&gt;”, como bem disse Pedro Calmon, está sepultada na Igreja da Graça, eternizada em pintura na sua nave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taparica, o morubixaba de diversas nações – não só de Itaparica – veio a falecer, naturalmente, antes de Paraguaçu, acontecimento de suma importância, sendo o seu sepultamento tecido num ritual para um grande chefe, conforme trechos da manifestação de Viriato Correia nas suas “Belas Histórias da História do Brasil”, ipsis verbis: “Logo que o valente guerreiro expirou saíram mensageiros a avisar os povos amigos. A Aldeia inteira, ou melhor, as aldeias tupinambás, desde a véspera, ali estavam juntas da óca do moribundo, à espera que ele fechasse os olhos para sempre. (...) Lavou-se o cadáver. Depois lambuzaram com mel de abelha da cabeça aos pés e o cobriram com pasta de algodão e com penas multicores de pássaros. Puzeram, em seguida, de cócoras, dentro de um grande pote, a que eles chamam de &lt;span style="font-size:85%;"&gt;IGAÇABA&lt;/span&gt;. É o caixão de defunto dos indígenas. Colocou-se a igaçaba na &lt;span style="font-size:85%;"&gt;ÓCARA&lt;/span&gt;, ou melhor, no terreiro da aldeia [“Praça das cerimônias”], e, junto dela expuseram as armas que o finado guerreiro se servia, nos combates, e também os objetos que ele mais usava e amava, na vida. Chegaram os chefes das outras tabas, maiorais de outras tribos, enfeitados como para uma festa. A família do morto, vestida ricamente, veio colocar-se perto do cadáver. É a hora do enterro. Os caciques, e os mais afamados homens de guerra das aldeias visinhas, entram na &lt;span style="font-size:85%;"&gt;ÓCARA&lt;/span&gt; e param diante do defunto. E começa uma discurseira interminável. Cada um deles, em voz alta, põe-se a elogiar a coragem e o valor que tivera o pai de Paraguaçu. E enquanto vão falando, todas as pessoas presentes choram num berreiro ensurdecedor. Forma-se o cortejo a caminho da &lt;span style="font-size:85%;"&gt;TIBICOÁRA&lt;/span&gt; ou cemitério. Na frente vai o pote, com o corpo. Atrás, o povo entoando cantos tristes. A cova está aberta. Dentro dela colocam a &lt;span style="font-size:85%;"&gt;IGAÇABA&lt;/span&gt;. E colocam também as armas que o morubixaba usou na terra e muita caça, farinha, aipim, mel, frutas para que o morto se alimente no outro mundo. Cobre-se, depois, tudo isso com terra. Durante cerca de um mês, noite e dia, a família chorou-o junto a sepultura. Paraguaçu, cortou os cabelos em sinal de luto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enterro de Faraó, mas não se fala em ouro, prata ou pedras preciosas levadas ao túmulo. Estamos no século &lt;span style="font-size:85%;"&gt;XVI&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís D'Avelosa&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Referências:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Osório.Ubaldo. A Iha de Itaparica&lt;/span&gt; – História e Tradição&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, IV edição, 1979.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Revista do Instituto Genealógico da Bahia, Edição Comemorativa, 60 anos, Nº 22, 2005&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;REMINISCÊNCIAS&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GWleEKU8I/AAAAAAAAACE/sLjAjmSMUuA/s1600-h/P7212307_noite.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GWleEKU8I/AAAAAAAAACE/sLjAjmSMUuA/s1600-h/P7212307_noite.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134550620648920002" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GWleEKU8I/AAAAAAAAACE/sLjAjmSMUuA/s200/P7212307_noite.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Chegamos à cidade da ilha de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.itaparica.ba.gov.br/"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Itaparica&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, situada no sudoeste da Baía de Todos os Santos, no mês de abril de 1954, a bordo do navio Mascote (diz o povo que o Mascote era um iate que pertencia ao ator americano Gary Cooper). Meu pai, engenheiro agrônomo, foi nomeado para administrar a Fazenda Mocambo, gleba do Estado, localizada na parte oriental da ilha, onde se cultivava o coco e o dendê.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Anoitecia. Relampejava, trovejava e chovia torrencialmente. Mar encapelado. A ventania envolta num frio incomodativo, revelava alto percentual de umidade. Essa a primeira visão da ilha que nos pareceu uma pintura impressionista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade estava na escuridão, melancólica, despovoada. Desembarcados, ainda ventando e choviscando, tomamos o caminho da Rua Fonseca Lima, onde residimos por seis anos (1954-1960), e veraneamos até os dias de hoje. Era um casarão construído no início do século XX (incendiou-se após a construção, e logo reconstruído), com nove quartos e duas grandes salas. Ao fundo limitava-se com o mar. A casa era antiga, telha-vã sustentada por oito toras de pau-ferro. Na falta de luz elétrica, acendemos os candeeiros. Muita conversa, mas extenuados, fomos dormir vencidos pelo cansaço que nos envolve nessas circunstâncias. Os lençóis estavam muito frios e adormecemos num silêncio de profundezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos meus olhos, tudo em volta era fantástico. Tudo iluminava o dia seguinte. Os passarinhos cantavam nas duas mangueiras enraizadas no pátio da residência dos Gordilho, defronte de nossa casa. Percebi que no dia anterior, na escuridão mal-assombrada, seria impossível vislumbrar o quanto era belo a Avenida D. Jerônimo Tomé da Silva, o "Boulevard", com as suas casas de arquitetura eclética. Nos seus duzentos metros de comprimento, calçados de paralelepípedos desgastados, era sombreado por frondosas árvores de fícus e castanheiros, até nos confrontarmos com o Jardim do Forte, ao lado da bela Fortaleza de São Lourenço (o Forte). Quando esquecíamos das sandálias, os pés "pegavam fogo".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O canto do bem-te-vi quebrava o silêncio. Tudo parecia de uma calmaria cabralina, rompida na maioria dos dias pelas tormentosas chuvas de abril, que encharcavam a cidade. Do Jardim do Forte, vislumbrávamos a cidade do Salvador, envolta em cerração. A maré vazia, “coroa” a descoberto, deixava exalar o estimulante cheiro de sal iodado. Como dizia um primo nosso, que por lá esteve à procura de cura para os seus males, inspirando fundo:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GSvOEKU6I/AAAAAAAAAB0/sCGSBcOaD3M/s1600-h/P7212286.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GSvOEKU6I/AAAAAAAAAB0/sCGSBcOaD3M/s1600-h/P7212286.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134546390106133410" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GSvOEKU6I/AAAAAAAAAB0/sCGSBcOaD3M/s200/P7212286.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Ah! O ar iodado...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O primeiro mês foi de inúmeras providências, incluindo a decisão materna que me obrigou a estudar com as freiras do Seminário São Vicente de Paula (inaugurado por D. Álvaro Augusto Cardeal da Silva, em 1941), localizado numa grande chácara que pertencera ao Conselheiro Luiz Álvares, uma vez que as matrículas regulares estavam encerradas. Assim, começariam as minhas incursões pela ilha adentro, convivendo com a cultura nativa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A dona do Brasil, a índia tupinambá Catarina Paraguaçu, filha dileta do morubixaba Taparica, foi batizada Catarina do Brasil (Saint-Malô, França, no ano de 1525), herdeira das terras tupinambás, mulher do fidalgo da Casa Real Diogo Álvares Corrêa, O Caramuru, náufrago da Mariquita (1510), enseada rochosa onde o mar quebra forte, localizada no bairro do Rio Vermelho. Ninguém se preocupou em fixar para a História, a data de nascimento e morte de Catarina, sequer onde foi sepultada, o que poderia ter sido em alguma igreja, considerando o costume da época, particularmente a de Nossa Senhora da Graça, ou, na própria ilha, sob os seus domínios. Parece-nos que ela teve muito pouca influência naqueles dias no processo de aculturação, a não ser os filhos que tivera com Caramuru. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas, como nem só do passado vive o homem, a minha primeira experiência foi com a pescaria. Logo, em companhia de meu pai, fui à loja do galego Joaquim, pessoa inesquecível pela bondade e retidão, onde havia todos os apetrechos de pesca, inclusive o jereré que possibilitou saborearmos as moquecas de siri. Certamente, um dia de “grandes negócios”. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Logo aprendi que a pescaria, além de uma atividade prazerosa, era uma arte. Os amadores e profissionais acorriam para a velha ponte de madeira ou arriscavam o mergulho sob a carcaça de um navio grego (explodiu com uma carga de carvão de pedra, nos anos 1930), santuário de piscosidade. Que o diga o colega Figueredo, veranista, pescador emérito, mergulhador das profundezas silenciosas. Enfim, entre nós a pescaria era mesmo uma atividade gregária, portanto, não necessariamente um esporte dos que gostam de ficar a sós. Quase diariamente, lá estava embaraçando-me nas linhas, chumbadas e anzóis, construindo amizades para sempre. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Lembro-me, perfeitamente, do pescador Sr. Tote e seus dois filhos, Ademir e Eduardo, homens de bem. Moravam aos fundos do solar João das Botas. Alugávamos o barco, vela de pena, e bordejávamos nas águas orientais, aos caprichos do forte vento Nordeste, apoitando no Mutá, onde, após abraçarmos os amigos, principalmente o "Jacaré" (alcunha pela sua intimidade com a fubuia tradicional), nossa companhia para "o que desse e viesse". &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GXQuEKU9I/AAAAAAAAACM/heqCwNCyAxQ/s1600-h/P7212302.JPG"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134551363678262226" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GXQuEKU9I/AAAAAAAAACM/heqCwNCyAxQ/s200/P7212302.JPG" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Naquele lugarejo paradisíaco, terra de artistas, cantores e compositores, saboreávamos a "gasosa de limão" ou o "guaraná", ambos os resfrigerantes fabricados pela Fratteli Vita, famosa fábrica baiana dos anos 1950-1960, hoje nas prateleiras da extinção. Na mesma ocasião, visitávamos Cações, outro lugarejo encantador, próximo a Mutá, onde a quituteira Tereza, mulata belíssima, inzoneira, e que hoje seria uma pedofilazinha, pois, adorava "bulir" com a meninada, preparava a moqueca de caçonete, com leite de ouricuri, azeite de flor de dendê, muitos temperos e o saboroso molho lambão. Para rebater, uma cerveja bem gelada, às vezes sorvida em caneco de alumínio, ato final de canonização daquelas tardes inesquecíveis. Barriga cheia, o meu velho começava a relembrar as peixadas e caranguejadas de Atalaia, a sua ilha de Canavieiras. Sol se pondo, voltávamos a Itaparica.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Depois dos magistrais ensinamentos da professora Belazinha, na sua casa do Campo Formoso, saíamos ansiosos para chegar em casa, trocar a farda pelo caução, e rumávamos para o campinho das Quintas. O "baba" era indispensável e inadiável. Todos se reuniam sentados na graminha, escalavam o time e o jogo começava. Os gritos de sempre, as acusações dirigidas ao juiz, xingamentos, os góis sempre contestados pelos adversários, e o famoso "pare a bola", quando se aproximava uma pessoa mais velha, ou até mesmo uma bela jovem. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GTeuEKU7I/AAAAAAAAAB8/rNx3xAL6t1g/s1600-h/P7212299.JPG"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134547206149919666" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GTeuEKU7I/AAAAAAAAAB8/rNx3xAL6t1g/s200/P7212299.JPG" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Terminado o baba, todos suados e cansados, íamos para a "escadinha" das Quintas e o banho de mar acontecia, quando discutíamos as ocorrências futebolísticas. A água salgada sempre morninha àquelas horas da tarde, na boca da noite, era campo aberto para a investida do friozinho na saída, incomodativo, quando deixávamos acertado o encontro da noite, em alguma festa, algum bar ou em qualquer outro lugar. Em casa, nos esperava o pote ou a moringa - água gelada era proibida - com água mineral. Não raras vezes, a mucosa bucal ficava irritada com a presença do sal iodado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Os filhos da ilha, meus companheiros de estripulias, não os esqueço: Gilberto, filho do sargento do Forte; Nenéu, Budião, Antônio França (advogado), filho do Sr. Dadi, outro cidadão inesquecível; Nadinho de Colô, Sete Gatos (ou Gato Sete), Davino, Jacob; Roque, filho do Sr. Antônio, comerciante de prestígio e filantropo; os irmãos Borba Fróes: Alberto, Edgard e Antônio. Jorge Borba Fróes, o caçula, meu colega do curso primário e, anos depois, de faculdade. Está morto. Era genial (sabia mais do que estudava), um bom e belo homem, agora na eternidade para onde todos caminhamos. Walter Freitas Veiga, este o mais póximo de todos, e tantos outros caríssimos companheiros de infância e adolescência. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Êpa! Os camboeiros de setembro!... Terminaram as chuvas torrenciais, apesar da história lembrar que no mês de novembro, visitando a ilha, D. Pedro II enfrentou um aguaceiro de fazer inveja às florestas tropicais. Sua Majestade, retornou a Salvador, o mais rápido que resolveu. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Estamos terminando o inverno. O famoso e “caliente” verão se aproxima, trazendo veranistas e&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GChuEKU3I/AAAAAAAAABc/SJeUPaipRuk/s1600-h/P7212302.JPG"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134528565991854962" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GChuEKU3I/AAAAAAAAABc/SJeUPaipRuk/s200/P7212302.JPG" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; todo um ânimo de divertimento e relaxamento da lida metropolitana. Para mim, era um sonho realizado, tudo acontecendo... O veraneio era uma festa. O sol brilhava, água morna do mar, as portas se abriam, o comércio ressurgia, as missas se multiplicavam, o cassino do Grande Hotel reabria, os xodós aconteciam no frenesi romântico dos “anos dourados”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GAYuEKU2I/AAAAAAAAABU/2pPMsxuqj3c/s1600-h/P7212306.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134526212349776738" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GAYuEKU2I/AAAAAAAAABU/2pPMsxuqj3c/s200/P7212306.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Certo dia, apareceu na ilha um cidadão sírio-libanês, Luís, que instalou um barzinho nos fundos da Pensão Anita, antiga Casa dos Contratos, Praça da Piedade, onde se hospedou D. João VI, Pedro I e Pedro II, hoje sede da Secretaria de Turismo de Itaparica, que muito tem se ocupado em propagar a beleza insular. No Sírio, como chamávamos o boteco, políticos e banqueiros, empresários, profissionais liberais, estudantes (principalmente aqueles que acabavam de “passar” no exame vestibular) e todo o povo, comemoravam a vida com a saborosa cerveja, frango assado, frutos do mar, etc. Essa investida estendia-se até altas horas da madrugada, e na alvorada lá estávamos nos folguedos das libações.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Depois de muito lero-lero, íamos para a Fonte da Bica, que nasce no Alto de Santo Antônio dos Navegantes, onde sorvíamos a água mineral digestiva, curativa, milagrosa, famosa em todo o mundo. Desjejum feito, após um banho doce, voltávamos à Praia do Forte, onde tudo recomeçava. Mulheres não participavam dos “banquetes”... Eram outros tempos. As nossas namoradinhas eram “moças de família”. As “damas da noite” não apareciam... Eram o pecado encarnado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Dia 7 de Janeiro, comemorativo da festa de Independência de Itaparica (1823). O “Carro do Caboclo” arrastava a história. Uma festa onde todos se irmanavam numa exaltação aos feitos heróicos que nos libertou do jugo português. O auge da celebração acontece no Campo Formoso, jardim público encantador, rodeado por um cinema, cadeia, um posto de puericultura e o Seminário São Francisco de Paula, hoje Centro de Treinamento de Líderes, e pelas casas dos coronéis da Guarda Nacional (meu bisavô materno, João Antônio, era um deles, assim como meu avô materno era Major). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Naquele ambiente, veranistas e o povo nativo se uniam com o propósito de comemorar os feitos heróicos dos itaparicanos. Ali, o sorveteiro, seu Moreira, personagem de livro, mercadejava a guloseima caseira, apreciada por todos. Aliás, o famoso sorveteiro, também vendia nos conveses dos navios da linha Salvador-Itaparica, e vice-versa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GEB-EKU4I/AAAAAAAAABk/sCcdxCboiDs/s1600-h/P7212303.JPG"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134530219554263938" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GEB-EKU4I/AAAAAAAAABk/sCcdxCboiDs/s200/P7212303.JPG" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Durante os festejos, aproveitávamos para marcar o próximo encontro na Praça da Quitanda, com projeto de mudança para Praça João Ubaldo Ribeiro, local onde se reúnem todos os que estão pisando na terra dos desejos. Depois da caranguejada, íamos jogar pôquer aberto no Hotel Icaraí, por benevolência do seu proprietário, o inglês Samuel, israelita, um humanista. Aí, era outra festa! Como o bar do Sírio ficava defronte do hotel, sempre o visitávamos depois das partidas, lá bebericando até a atracação do navio ao sol poente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Havia na cidade um cinema que nada ficava a dever ao tema do festejado “Cinema Paradizo”, mas poucos freqüentavam, muito mais o povo da terra. Era desconfortável e com tecnologia ultrapassada, de modo que o filme partia-se a todo o momento, terminando a sessão em tempo muito além do esperado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Impossível esquecer os baquistas interessantes e outros de hábitos excêntricos, que impressionavam os circunstantes: Baiacu, Piroca, Americano, Maria de Lázaro, Maria Patejó e Ioiô C.V.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Baiacu&lt;/strong&gt;, apareceu em Itaparica nos idos de 1955/1956. Tinha mania pelo militarismo, carregando o seu inafastável cassetete de madeira. Quando nos via fazia continência, ao que respondíamos com o mesmo cumprimento. Dessa forma, trabalhava na prefeitura e sofria do mal maior que desfigura a autoridade: o “abuso de poder”. Certa manhã, defronte do Solar João das Botas, na Praça da Quitanda, Piroca estava “discursando”, ensandecido pelo etanol, proferindo impropérios ao seu “primo rico”, pecuarista e açougueiro Caetano, que, alheio aos insultos costumeiros cuidava dos seus negócios. Eram primos carnais. Aliás, em Itaparica todos são parentes, fenômeno das cidades antigas e que pouco se desenvolvem economicamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Então, “Baiacu”, resolveu aplicar uma cacetada em Piroca, abrindo-lhe o coro cabeludo. Afinal de contas ele era o “mantenedor” da ordem pública. Sangue no chão, gritos por todos os lados, uma verdadeira algazarra. O povo não admitiu o gesto do miliciano alienígena, aprazando o seu &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;banimento para o dia seguinte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Era uma indignação generalizada. Um estranho querendo mandar, “enquadrar” e espancar os nativos. Insuportável, jamais! Os nativos não aceitavam o ato tresloucado. No dia seguinte, sete horas, lá estava no convés do Mascote, o estrangeiro que se tornara "persona non grata" dos ilhéus itaparicanos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Americano&lt;/strong&gt;, era filho de Nazaré das Farinhas. Nesta aprazível cidade viveu durante alguns anos como alfaiate. A história oral registra que sofreu uma desilusão amorosa e afogou-se na cachaça. Perambulava pelas ruas da cidade, passos ligeiros, irregulares, balançando os braços desordenadamente. Dormia na varanda de uma casa no Campo Formoso. Não criava caso, mas não falava com ninguém, a não ser ser “comendo água", quando dizia: “Apoiado!”. Só isso, só essa asserção. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GRSOEKU5I/AAAAAAAAABs/onxLSJOk984/s1600-h/Maria+de+L%C3%A1zaro.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134544792378299282" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GRSOEKU5I/AAAAAAAAABs/onxLSJOk984/s200/Maria+de+L%C3%A1zaro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Maria de Lázaro&lt;/strong&gt; (foto), que de tão magra parecia sempre de perfil, como diria Vargas Llosa referindo-se a Antônio Conselheiro, era uma anciã afro-descendente que diziam enlouquecida por amor perdido. Seu ex-marido, Lázaro, era um mestre de obras conceituado, que a morte surpreendeu, deixando Maria na viuvez e penúria. Não fosse o seu sobrinho, Astério, pescador e vendedor de peixes, a franzina viúva morreria antes dos seus 106 anos de existência terrena. Maria tinha um hábito do qual ela nunca abdicou: acordava, tomava o seu cafezinho preto, caminhava alguns passos até a igrejinha de Santo Antonio dos Navegantes, orava, e logo estava na Fonte da Bica enchendo a sua garrafa d´água. “Água santa”, como ela propalava convicta. Sempre estava derredor de nossa família, uma vez que foi babá de minha irmã Lêda. Dizia minha mãe que ela dormia catando camarões. Era a repulsa à obrigatoriedade laboral, uma das qualidades dos nativos. Maria era divertida, cantava canções antiqüíssimas e, nos intervalos, sorvia um gole da água santa. Lembro-me do início de uma dessas canções: “Que noite tão bela que belo luar, não vejo a donzela a quem desejo amar...” Era católica e ignorava as batidas dos tambores que ecoavam dos terreiros de candomblé do Alto de Santo Antônio dos Navegantes e de Amoreiras. Dizia com orgulho e solene circunspecção: “Não gosto de candomblés. Meu Deus é Santo Antônio.” Vestia-se ainda com modelos do século XIX, vestidos que chegavam quase a cobrir-lhe os pés, sempre escuros com florzinhas brancas e sandálias de couro cru, bem gastas pelo uso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Piroca&lt;/strong&gt;, cidadão de origem familiar de tradição, diariamente, exceto nos finais de semana, postava-se “na Praça da Quitanda, e do seu ângulo “desmoralizava” e desafiava Caetano, sem ligar para o conjunto de facas do açougue, machadinhas e furadores, xingando até a sua própria mãe, e o chamava para a luta corporal a todo tempo. Era um discurso de horas, quase ininteligível. Caetano era o seu único alvo, mas não perdia o aplomb.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Maria Patejó,&lt;/strong&gt; estava sempre sobre si. A sua coluna vertebral era absolutamente deformada, arqueada. Morava e zelava por uma casa antiga, talvez do século XIX, na avenida que nos leva à Fonte da Bica. Nós, meninos terríveis, brincávamos com ela o que a enfurecia, batendo com o ancinho no portão de ferro, sempre fechado a cadeado, proferindo palavrões. Xingava-nos, esbravejando. Nada se sabia da sua vida, mas daquela casa ela não saía para lugar algum. Viveu mais de um século.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Sinhozinho C.V. ou Ioiô C.V., &lt;/strong&gt;somente saía à noite. Traje passeio completo de casimira escura, camisa branca, gravata de cor cinza e sapatos pretos de oleado. Era um dos Veiga, família tradicional da ilha, outrora detentora de poder político e muitas riquezas. O cabelo negro, pintado, repartido ao meio e penteado ao gosto das brilhantinas, contrastava com a lividez do rosto e das mãos. Vivia sob a sombra de um passado remoto, daqueles dias de fausto e mando, tão a gosto das burguesias emergentes. Assim, ele andava por toda a cidade, abraçado pela noite sob o reluzir da estrelas, ou nas varandas, esperando a chuva passar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Essa era a nossa ilha encantada. *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís D’Avelosa&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:180%;"&gt;Faça seus comentários, mais abaixo:&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0GWleEKU8I/AAAAAAAAACE/sLjAjmSMUuA/s1600-h/P7212307_noite.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3515618764692100063-8121398296244818799?l=itaparica1954.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://itaparica1954.blogspot.com/feeds/8121398296244818799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3515618764692100063&amp;postID=8121398296244818799&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/8121398296244818799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3515618764692100063/posts/default/8121398296244818799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://itaparica1954.blogspot.com/2008/08/lula-xii.html' title='LULA XII'/><author><name>Marco Antonio de Cádiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11662705495505374378</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/SNaHA27rRRI/AAAAAAAAAJ4/xDmOmMZLLEc/S220/tio+005.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vxvw2GXzcHg/R0NlzOEKVMI/AAAAAAAAAEE/KjARiPyBuAs/s72-c/C%C3%A9lulas-tronco+Foto+AFP,+20+nov+2007.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3515618764692100063.post-6195767764074800165</id><published>2008-08-14T20:34:00.000-07:00</published><updated>2008-09-08T01:04:33.848-07:00</updated><title type='text'>CONTINUAÇÃO DO SINDÉRESE</title><content type='html'>Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007&lt;br /&gt;&lt;a name="6795289746929236075"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://itaparicano.blogspot.com/2007/11/anencefalia-fim-da-linha.html"&gt;ANENCEFALIA - FIM DA LINHA&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Impor à mulher o dever de carregar por nove meses um feto que sabe, com plenitude de certeza, não sobreviverá, causando-lhe dor, angústia, frustração, importa violação de ambas as vertentes de sua dignidade humana. A potencial ameaça à integridade física e os danos à integridade moral e psicológica na hipótese são evidentes. A convivência diuturna com a triste realidade e a lembrança ininterrupta do feto dentro de seu corpo, que nunca poderá se tornar um ser vivo, podem ser comparadas à tortura psicológica." - Professor Luís Roberto Barroso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após o "decisum" do eminente ministro do Supremo Tribunal Federal - STF, Marco Aurélio de Mello (27.04.2005 – 7 votos a quatro), concedendo à Confederação Nacional dos Trabalhadores da Saúde – CNTS medida liminar na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental – APDF, nº 54, autorizando a antecipação terapêutica de parto nos casos de anencefalia, o que levou a sociedade a polemizar o assunto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naquela oportunidade, acompanharam o voto do ministro Marco Aurélio (1), os eminentes ministros Celso de Mello (2), Sepúlveda Pertence (3), Nelson Jobim (4), Carlos Ayres Britto (5), Joaquim Barbosa (6) e Gilmar Mendes (7). Votaram contra a admissibilidade da ADPF, os eminentes ministros Cezar Peluso (1), Eros Grau (2), Carlos Velloso (3) e Ellen Gracie (4). Ulteriormente, a liminar, em sessão plenária, foi cassada por maioria de votos, auscultada e acatada a manifestação do eminente ministro Eros Grau.&lt;br /&gt;A anencefalia, assim é definida pelos médicos:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Uma malformação congênita que se caracteriza geralmente pela ausência da abóbada craniana e massa encefálica reduzida”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o assunto está aberto a discussões. "O termo anencefalia é impróprio, uma vez que não há ausência de todo o encéfalo, como o termo sugere. O encéfalo compreende várias partes, sendo as principais o telencéfalo (cérebro ou hemisférios cerebrais), o diencéfalo (do qual fazem parte o tálamo e o hipotálamo), tronco encefálico (mesencéfalo, ponte e medula oblonga). O cérebro é a parte anterior e superior da massa encefálica e ocupa a maior parte da cavidade craniana”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Pergunta-se, ainda:- &lt;strong&gt;Havendo morte encefálica a criança não estaria morta? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“É importante essa pergunta, pois no encéfalo não se caracteriza a morte encefálica. Inadvertidamente querem igualar a falta de hemisférios cerebrais com a morte encefálica. Os critérios para diagnosticar a morte encefálica não são aplicáveis cientificamente a crianças menores de dois anos, muito menos a crianças intraútero, quando nem se pode fazer os testes necessários ao diagnóstico. Uma vez nascida a criança anencefálica, responde a estímulos auditivos, vestibulares e dolorosos e apresenta quase todos os reflexos primitivos dos recém-nascidos, conforme informam os Professores Aron Diament e Saul Cypel da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em “Neorologia Infantil”, 3ª edição, Editora Atheneu. A criança anencefálica é um ser humano vivo, com toda a sua dignidade que lhe é conferida pela sua natureza humana”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Qual a avaliação que o senhor faz da decisão do ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal brasileiro, de autorizar o aborto em caso de anencefalia fetal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Decisão apressada, tendenciosa e, segundo muitos juristas, é inconstitucional porquanto macula o artigo 5º da lei suprema [corresponde à garantia da proibição de pena de morte], que considera inviolável o direito à vida. Além disso, viola o artigo 4º da Convenção Americana de Direitos e 1969, também denominada de Pacto de San José da Costa Rica, no inciso 1 do Art. 4:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente”, mas admite a pena de morte "oficial", aceitação inserta no inciso 2, nos Estados que não a aboliram, v.g., EEUU, Cuba, China e alguns países árabes], tratado internacional sobre direitos fundamentais a que o Brasil aderiu, e que declara que a vida começa na concepção, ou seja, uma expectativa de vida em desenvolvimento pleno, e não, uma vida que sabemos quase pronta, que não vinga à completude, tornando a morte "inevitável e certa". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista ético foi uma aberração conceder aos médicos uma função de carrasco para matar seres humanos inocentes [uma absurdidade, “permissa maxima venia”, a ilação do entrevistado], função para a qual nós, os médicos, não fomos formados" [sic] “Entrevista com Dernival da Silva Brandão, Especialista em Ginecologia e Obstetrícia e Membro Emérito da Academia Fluminense de Medicina, que esclarece as questões referentes à gestação de um feto com anencefalia e o porquê de não se permitir o aborto neste caso. O tema ganhou destaque na sociedade brasileira, após o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio de Mello, decidir pelo aborto em caso de anencefalia". A entrevista completa, encontra-se no site ZENIT.org. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Dra. Gizele Thame, biomédica, conforme artigo intitulado "Defeitos do tubo neural podem ser causados pela deficiência de folato", nos ensina que “a anencefalia [ausência total ou parcial do cérebro] é doença grave que geralmente causa a morte da criança e poderia ser evitada (como outras patologias) com simples medidas de suplementação de folato (ácido fólico)”. Ela insiste na importância da conscientização da mulher em idade reprodutiva e, principalmente, da classe médica responsável pela recomendação da suplementação antes da gravidez. “A porcentagem de médicos que tem consciência dessa necessidade é muito pequena. Nos centros de indução de ovulação a recomendação seria fundamental, mas nem sempre existe. E como a anemia por falta de ferro é a mais freqüente, estuda-se menos o folato”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Diz o articulista que a Dra. Gisele Thame resalta a importância de medidas preventivas e campanhas nacionais de esclarecimento... “A seu ver, se o feto nasceu sem cérebro, já nasceu com “morte cerebral”. Dra. Gisele já iniciou sua pesquisa de doutorado dando continuidade a este estudo. Para tanto, solicita aos obstetras que encaminhem gestantes com essa diagnóstico para realização de exames de sangue gratuitos”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Conforme, felizmente, enfatizou a Dra. Gisele Thame, a prática de medidas necessárias que poderiam evitar os defeitos no tubo neural (e outras patologias), "in casu", com a suplementação de folato (ácido fólico) às gestantes, indicando, inclusive, o "modus faciendi" de outras atitudes que debelariam o mal indesejado. O que mais nos impressionou da leitura do texto da biomédica, entre outras observações, foi o fato de haver reconhecido que “A porcentagem de médicos que tem consciência dessa necessidade é muito pequena...” De outro modo, portanto, incompossível o aborto. Daqui para frente, no evolver da vida e do Direito, nada mais nos restará senão raspar o fundo da cuia e oferecer à sociedade a trilheira da melhor conduta que satisfaça a todos os envolvidos nessa trama do cotidiano. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Conselheira do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária - CNPCP, no Parecer Técnico protocolizado sob nº 08001.002110/2005-21, datado de 13 de fevereiro de 2006, opina, com espeque em manifestação médica, "ipsis litteris":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A medicina afirma sem margem de erro: não há possibilidade de vida fora do útero e por isso o feto que padece de anencefalia é considerado natimorto. Mais de 65% dos casos resultam em morte ainda dentro do útero. Ao lado desta constatação, lembrem-se que o nosso sistema jurídico abriga a lei dos transplantes (lei federal 9.434/97) que considera cessada a vida quando se dá a morte encefálica - de acordo com a referida legislação, a retirada de tecidos ou partes do corpo humano para transplante deve ser precedida pela morte encefálica. A resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.752, de 8 de setembro de 2004, autoriza o transplante de órgãos do anencéfalo após o seu nascimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma resolução considera os anencéfalos "natimortos cerebrais" e diz que possuem "inviabilidade vital por ausência de cérebro". Assim, considerando o tratamento que o sistema jurídico pátrio confere a estas questões, o projeto de lei em análise está em perfeita sintonia com os valores vigentes em nosso meio; não há nele nenhuma inconsistência ou paradoxo. Vejamos: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;a) se o nosso sistema jurídico punisse a mulher cuja gravidez resultou de estupro e decide abortar;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;b) se obrigasse a mulher a sacrificar sua vida em favor da vida em gestação;c) se obrigasse os médicos a manter os batimentos cardíacos depois de constatada a morte cerebral; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;c) se trouxesse valores impassíveis de qualquer espécie de relativização, aí então, e só assim, a proposta em análise traria uma tremenda novidade que estaria a exigir profundo debate pois sua adoção configuraria uma mudança de padrão ético vigente em nossa sociedade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O fato é que, quando da elaboração do Código Penal, inexistia tecnologia apta a fornecer diagnósticos precisos como os atualmente disponíveis. Fosse assim, é provável que o legislador de 1940 houvesse incluido no artgo 128 a proposta que agora, passados 66 anos, é capaz de causar tanta polêmica.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Pois bem. No dia 13/2/2006, reunido o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária - CNPCP, este órgão aprovou por unanimidade, no uso de suas atribuições, parecer favorável ao Projeto de Lei 4.403, da deputada Jandira Feghali, que insere o inciso III no Art. 128 do CP, “ipsis litteris”:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"III – Houver evidência clínica embasada por técnica de diagnóstico complementar de que o nascituro apresenta grave e incurável anomalia que implique na impossibilidade de vida extra-uterina”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entretanto, somos sensíveis à emenda do deputado Rafael Guerra, uma vez que o nobre parlamentar alveja a anencefalia, ponto nevrálgico de toda a discussão derredor de tema tão polêmico por razões legais, éticas, morais, religiosas, etc. Outros casos, a meu sentir, deverão ser apreciados de “per se”, rechaçando generalizações, essas abstrações sempre eivadas de temeridade. Sobretudo, vale a boa intenção da nobre deputada Jandira Feghali e do deputado Rafael Guerra, o emendador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O parecer da CNPCP, aprovando o Projeto de Lei 4.403, propiciando o aborto de anencéfalos, será encaminhado ao Congresso Nacional. Enquanto, isso, a ADPF está em curso no Supremo Tribunal Federal – STF. Congratulamo-nos com o STF, CNPCP, que manifestou-se escorreitamente, através de Parecer Técnico, Protocolo 08001.002110/2005-21, Procedência: Supar - Art Política, sendo da lavra da eminente Conselheira Ana Sofia Schmidt de Oliveira, que propôs, também, "in fine", a "... alteração da redação para estender a hipótese à gestante incapaz - circunstância em que a autorização será fornecida por seu representante legal e para esclarecer o tipo de diagnótico que se espera", "ipsis litteris":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III - "quando há evidência clínica embasada em técnica de diagnóstico complementar ao da gravidez de que o nascituro apresenta anencefalia e o aborto é precedido de consentimento da gestante, ou quando incapaz, de seu representante legal."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parabenizamos, notadamente, os senhores deputados que teceram o Projeto descriminante (abolitio criminis) , Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, e o Professor Luís Roberto Barroso, ilustre advogado da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Saúde - CNTS, o emérito vencedor (temos a certeza) dessa causa que inspira controvérsia, “a latere” da sociedade brasileira, sensível e sedenta pelo aperfeiçoamento do nosso ordenamento jurídico, considerando o evolver do mundo da vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Luiz de Carvalho Ramos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Referência: Site Consultor Jurídico, 15.02.2006, disponível em &lt;a href="http://www.conjur.com.br/"&gt;http://www.conjur.com.br/&lt;/a&gt;As demais fontes constam do contexto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Postado por Marco Antonio de Cádiz às 14: &lt;a href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8723638411818004859&amp;amp;postID=6795289746929236075&amp;amp;isPopup=true"&gt;0 comentários&lt;/a&gt; &lt;a href="http://itaparicano.blogspot.com/2007/11/anencefalia-fim-da-linha.html#links"&gt;Links para esta postagem&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a title="Editar postagem" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=8723638411818004859&amp;amp;postID=6795289746929236075"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="6026311220556893796"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://itaparicano.blogspot.com/2007/11/as-duas-pulses-e-ternidade.html"&gt;AS DUAS PULSÕES E A ETERNIDADE&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Era um belo rapaz, corpo esbelto e tez pálida, grandes olhos vivos, negra e basta cabeleira, voz possante, dons e maneiras que impressionavam a multidão, impondo-se à admiração dos homens e arrebatando paixões às mulheres. Ocorrem então os primeiros romances, que nos faz sentir em seus versos, os mais belos poemas líricos do Brasil”.“Sobre sua época de menino escreve Carneiro Ribeiro, seu Mestre, no Ginásio Baiano: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Muito verde em idade, muito afável, de índole benévola, fisionomia por extremo simpática, olhos quase à flor do rosto, fronte alta e espaçosa; estimadíssimo no colégio por diretor, professores e condiscípulos, alguns dos quais lhe chamavam Cecéu, nome que lhe dera a família”, no depoimento de Xavier Marques. Praticava o bem com o coração aberto, com prazer... Castro Alves fazia o bem com participação do sentimento e do amor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Jorge Amado escreveu: “Castro Alves foi um artista que encarou a vida de frente, que não teve medo de se envolver nos problemas dos homens”. É que, segundo o romancista: “Na Bahia aprendera com seu tio o valor do povo. Estava apto para o Recife, para o ambiente da faculdade, para lutas e também para o amor. Recife há de lhe dar a sua amada, aquela que encherá de alegria e de desgraça a sua vida tão breve e tão imensa. A índole sociável de Castro Alves era muito desenvolvida e seu encanto pessoal sensibilizava os corações mais frios. Sua bela aparência física impressionava fortemente. Expansivo, encontrou um escoadouro criativo por meio da sua poesia comunicativa e aliciante. Era elegante e se trajava com apuro, sendo sua maior tentação o prazer, incluindo o prazer da visão, do gosto, do tato, das emoções”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antônio Frederico de Castro Alves, mais conhecido pelo nome de Castro Alves, ou Cecéu, na intimidade, deixou este mundo no dia 6 de julho de 1871, às 15h30, 24 anos de idade (E eu morro, ó Deus! Na aurora da existência, quando a sede e o desejo em nós palpita – Mocidade e Morte), em seu quarto, cômodo lacrado do Solar do Sodré, construído no séc. XVIII, Rua do Sodré, nº 43, Salvador, residência de sua família que ali chegou em 1862, e, mais tarde, sede do Ginásio Ipiranga, onde estudou Jorge Amado e outras celebridades. A rua íngreme nos conduz à Cidade Baixa, com acesso pela Ladeira de Santa TerezaMuseu de Arte Sacra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando expirou estava ao colo de sua amada irmã, Adelaide Guimarães. Passaram-se 136 anos, e, hoje, estamos aqui a dizer algumas palavras que rememoram momentos da vida e obra do poeta. Uma coisa podemos dizer: morto, maior que vivo, como dissera alguém diante do esquife onde repousava o corpo de Victor Hugo.Castro Alves nasceu, há 160 anos, no dia 14 de março de 1847, na fazenda Cabaceiras, distante 42km da vila de Nossa Senhora da Conceição de “Curralinho”, hoje município de Castro Alves, na Bahia, filho de Dr. Antônio José Alves, médico cirurgião e professor da Faculdade de Medicina da Bahia, e D. Clélia Brasília da Silva Castro. Saindo de “Curralinho”, manteve breve contato com o município de Muritiba e foi residir na cidade São Félix, localizada às margens do rio Paraguaçu, ligada à cidade de Cachoeira pela ponte D. Pedro II, recôncavo baiano, onde aprendeu a ler e a escrever.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mudando-se para a Cidade da Bahia em 1854, e, dois anos mais tarde, com o seu irmão José Antônio, ingressou no Ginásio Baiano, que tinha como fundador e dirigente, educador Abílio César Borges (1824-1891), futuro barão de Macaúbas (1881). É possível que, em sendo abolicionista ferrenho, César Borges (que também educou Ruy Barbosa e outros vultos de renome, no mesmo Ginásio Baiano) tenha influenciado Castro Alves na sua luta em prol da libertação dos escravos, inspiração dos poemas “A Canção do Africano”, “O Navio Negreiro” e “Vozes D’ África”, título que substituiu “Tragédia no Mar”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dia seguinte ao casamento de seu pai, em segundas núpcias, 26 de janeiro de1862, viaja para a capital pernambucana, a aprazível cidade do Recife, acompanhado do seu irmão José Antônio, prestando exames para admissão na Faculdade de Direito do Recife, quando foi reprovado. Mas, nem por isso abandonou a terra natal de Gilberto Freyre (1900-1987), Miguel Arraes de Alencar (1916-2005), Marco Antônio de Oliveira Maciel, Jarbas de Andrade Vasconcelos, Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque, Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da Repúbica, e outros que se perderam na lembrança, não menos fulgentes, ali permanecendo glorificado como orador e poeta:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Se Rui Barbosa, conterrâneo e contemporâneo, que chegou a dividir aposento com Castro Alves, em São Paulo, disse dele “encanto irresistível, desses que transfiguram um orador ou poeta”, o paraibano José Camelo de Mello Rezende, autor do clássico folheto de cordel O Pavão Misterioso, no auge de sua indignação, cantou: “Levantai-vos Castro Alves/do túmulo onde dormes/Vinde já neste momento/Com vossa lira feliz/Permutar as Vozes d’África’/Pelas de vosso país.” Em 1863, chega ao Recife a atriz portuguesa Eugênia Câmara e se apresenta no Teatro Santa Izabel.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Castro Alves toma conhecimento da sua presença e começam os jogos amorosos que tanto influenciariam o célebre e cruel destino do poeta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em 1864, o seu irmão suicidou em Curralinho e o poeta consegue transpor os umbrais da Faculdade de Direito do Recife, e viaja para a Bahia, retornando ao Recife no mês de março de 1865, quando deu início a um romance com a jovem Idalina, de quem muito pouco se sabe. Em dezembro, alistou-se no Batalhão Acadêmico de Voluntários para a Guerra do Paraguai, onde jamais combateu.Escreve, ainda em 1864, Mocidade e Morte. O poeta Manuel Bandeira, relata:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Mas, na noite de 9 de novembro de 1864, ao toque na meia-noite, na sotéia em que morava, o poeta, que sem dúvida se balançava na rêde, fumando muito, sentiu doer-lhe o peito, e um pressentimento sinistro passou-lhe na alma. Pela primeira vez, ia beber inspiração nas fontes da grande poesia: essa a importância do poema Mocidade e Morte na obra de Castro Alves. Uma dor individual, dessas para as quais “Deus criou a Afeição”, despertou no poeta os acentos supremos, que ele depois saberá entender às dores da humanidade, aos sofrimentos dos negros escravos (O Navio Negreiro), ao martírio de todo um continente (Vozes d’África).Não era mais o menino que brincava de poesia, era já o poeta-condor, que iniciava os seus vôos nos céus da verdadeira poesia. Naquela mesma noite escreve o poema, tema pessoal, logo alargado na antítese mocidade-morte, a mocidade borbulhante de gênio, sedenta de justiça, de amor e de glória, dolorosamente frustrada pela morte sete anos depois. A versão primitiva do poema foi conservada em autógrafo, documento precioso porque revela duas coisas: o poeta não se contentava com a forma em que lhe saíam os versos no primeiro momento de inspiração; na tarefa de os corrigir e completar procedia com segura intuição e fino gôsto. Cotejada a primeira versão com a que foi publicada pelo poeta em São Paulo, por volta de 68-69, verifica-se que tôdas as emendas foram para melhor. Baste um exemplo: o sexto verso da segunda oitava era na primeira versão Adornada com os prantos do arrebol, substituído na definitiva por Que banharam de pranto as alvoradas, verso que forma com o anterior um dístico de raro sortilégio verbal: Vem! formosa mulher – camélia pálida, Que banharam de pranto as alvoradas.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em janeiro de 1866, morre o seu pai, e o poeta, agora acadêmico de Direito, volta ao Recife, funda uma sociedade abolicionista com Ruy Barbosa, e outros. Torna-se amante de Eugênia Câmara. Fase de profusa criação literária dá início ao seu proselitismo em defesa da abolição da escravatura e da implantação da República, fato que inspirou o seu drama “Gonzaga ou a Revolução de Minas”, apresentado na Bahia, em 1867, “um mau drama”, na opinião de Manuel Bandeira. Registros históricos dão conta de que a peça teve um assento triunfal, na sua estréia no Teatro São João, que se localizava derredor da praça que hoje tem o seu nome – Praça Castro Alves, hoje cantada em verso e prosa, onde se ergue a estátua em bronze do poeta e os seus restos mortais. Estava, então, ao lado do seu grande amor, Eugênia Câmara.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neste mesmo ano, conforme notícia do historiador Ubaldo Osório, o poeta “João de Britto hospeda na casa em que viveu por muitos anos, na antiga Rua do Canal, em Itaparica, Castro Alves, que escreveu, nas praias da Ilha, a poesia Vozes Misteriosas, cujo autógrafo João de Brito, seu amigo e confidente, quatorze anos depois, oferecera a d. Adelaide Guimarães, irmã e colecionadora da obra esparsa do cantor peregrino que viveu “aureolado pelo sonho de imperecível beleza e tocado pela eterna flama do gênio”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Recebidos por José de Alencar e visitados por Machado de Assis, Castro Alves e sua amante Eugênia Câmara desembarcam no Rio de Janeiro, fevereiro de 1868, e lá permanecem até março quando viajaram rumo a São Paulo. ”A sua passagem pelo Rio assinalou-se pelos mesmos triunfos já alcançados em Pernambuco.” Rompe com Eugênia Câmara.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na paulicéia, matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo, sem prejuízo de sua presença nas tertúlias literárias, aproximando-o dos talentosos Joaquim Nabuco, Ruy Barbosa, Fagundes Varela, Rodrigues Alves, Afonso Pena, e tantos outros. Era um jovem de 21 anos de idade! “Em São Paulo, nos fins de 68, feriu-se num pé com um tiro acidental por ocasião de uma caçada, do que resultou longa enfermidade, em que teve o poeta que se submeter a várias intervenções cirúrgicas e finalmente à amputação do pé. O depauperamento das forças conduziu-o à tuberculose pulmonar, a que sucumbiu em 71 no sertão de sua província natal. Antes de regressar a ela, publicara, em 70, o livro Espumas Flutuantes, cantos por ele definidos como rebentando por vêzes “o prisma fantástico da ventura ou do entusiasmo”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ruy Barbosa, companheiro e amigo do poeta, pronuncia, no décimo ano de sua morte, portanto, em 1881, o discurso ELOGIO DE CASTRO ALVES, iniciando-o assim, e dizendo em outros trechos, &lt;em&gt;ipsis litteris&lt;/em&gt;:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Minhas senhoras, meus senhores. Obedeço, ainda assustado e confundido, à honra da eleição que me eleva até aqui. Incapaz de ambicioná-la, nem sonhá-la, achei-me, todavia, desarmado para lhe resistir. Cativo à espontaneidade dela, não menos cativo me senti à origem dêste mandato, à bela geração nova de minha terra, aos moços, àqueles que, em todo país suscetível de ressurreição ou de progresso, representam a aliança da generosidade com a fôrça, o grande desinterêsse e as grandes aspirações. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, designado para esta homenagem ao poeta o último dentre vós, arriscaste-vos a uma temeridade, que me deixou perplexo, enquanto não sondei ìntimamente o vosso desígnio. Agora sim, que o percebo. Não foi um excesso de inexperiente confiança; foi, pelo contrário, uma deliberação maduramente refletida: para demonstrar a profundeza da influência da obra dêsse extraordinário representante da nossa poesia, a voz que a houvesse de atestar, devia partir, não dos cimos, mais próximos do astro, deslumbrados pelo seu esplendor, escaldados pela sua irradiação, mas cá da humildade do vale, que de tão longe contempla. Neste sentido, a infimidade da escolha foi um novo tributo ao nome que comemorais, e a êste título a vossa designação acertou. Bastar-me-á, pois, ser sincero, para ser fiel à vossa intenção; tanto mais quanto, distanciado dêle pela diferença das nossas vocações, pele eminência da sua predestinação, bem perto estive de sua alma pela amizade. Ela, todavia, não foi longa, pôsto nos encontrássemos desde o primeiro período da vida, em que êle me precedeu apenas alguns anos. Estava reservada aos mais saudosos da nossa passagem pelos estudos superiores uma intimidade, que a comunhão do mesmo teto estreitou, na formosa S. Paulo, onde a musa celebrou uma vez a aliança do Paraguaçu com o Ipiranga, entre as flores agrestes de cuja várzea desfiou pròdigamente as pérolas dos seus versos, e cujas neblinas, ainda muito mais tarde, vagamente flutuavam nas cismas da sua poesia.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais adiante: “Tacham-no de faltar-lhe a pureza clássica da palavra, que assinala as obras imperecíveis. Certamente a sua privilegiada capacidade se teria opulentado de recursos incalculáveis nas fontes da nossa prodigiosa língua, não menos soberana, não menos imensa, não menos onipotente que a de Itália. Ninguém mais do que eu deplora que lhe escasseie às vezes essa flor de vernaculidade que acrescenta ao gênio um perfume indizível. Para êsses fecundíssimos estudos tê-lo-ia atraído creio eu, o seu gosto de artista, se a morte lhe não vedasse a segunda florescência do seu talento; mas um feliz instinto da sua vocação supria freqüentemente nêle a aplicação investigadora, e revelou-lhe no idioma pátrio excelências de primeira água. Sem negar-lhe incorreções, de que aliás a crítica, que por aí o intenta deprimir, é de ordinário, entre nós, a primeira a dar os piores exemplos, o fato, não menos certo, é que elas não são numerosas, nem tão graves que maculem a beleza geral das suas concepções, ou prejudiquem aos grandes contornos da sua obra. São rápidos lapsos do cinzel, avultando-os, mas que não destroem a expressão e a grandeza do conjunto.Acusam-no de amplificações enormes, de hipérboles extravagantes, de empolas colossais. Não tenho, senhores, a dita de ser iniciado nos mistérios da crítica; o que não quer dizer que não compreenda a sua utilidade, quando ensina e adverte. Mas detesto-a, quando se reduz a amesquinhadora das grandes coisas, e amontoa acidentes, para converter em aleijão o sublime.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Possuamo-nos, senhores, agora da alma do poeta, para penetrar nessa galeria de fragmentos admiráveis da grande obra, de que o seu escopro talhou apenas membros dispersos, mas que, não obstante, ficará sendo no Brasil o “poeta dos escravos”. Aventuraram que êle lhe dedicara uma parte comparativamente insignificante da sua vida. Não é difícil porém, demonstrar que, pelo contrário, essa idéia sempre o absorveu quase totalmente; que da sua existência êle empregou a mais extensa quadra, a melhor sazão e os mais abençoados frutos nesse pensamento imortalizador. Desde 1865 votou o poeta seu canto a essa causa divina: Traze a bênção de Deus ao cativeiro; Levanta a Deus do cativeiro o grito (Castro Alves: Espumas Flutuantes). É a profissão de fé do apostolado a que se consagra. Na espinhosa jornada Deus acompanhe o peregrino audaz (Espumas Flutuantes).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde então começa a aureolar da sua poesia a raça vitimada. Mas, acenando com a liberdade às gerações nascentes, não esquece os que cerraram os olhos no cativeiro; e, nos primeiros passos da sua peregrinação, destaca-se a imagem do poeta, adorável como uma evocação evangélica da caridade, aljofrando de pranto a lápide nua do escravo:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Caminheiro, do escravo desgraçado O sono agora mesmo começou. Não lhe toques no leito do noivado: Há pouco a liberdade o desposou (Castro Alves: A cruz da estrada, in Os Escravos). Não é, porém, uma salmodia o que êle empreende, mas um combate. Quer intervir profundamente na ação social. A impaciência do reformador freme no peito do poeta contra a tergiversação dos homens, capazes de querer Que o porvir na ante-sala espere o instante, Em que o deixem subir (Castro Alves: Estrofes do Solitário) Canta, batalha e vaticina. Essa lei que redimiu a maternidade aos descendentes de África, não a antevedes, como ao relâmpago de uma profecia, nesta súplica encantadora? Senhor Deus, dá que a bôca da inocência. Possa ao menos sorrir, Como a flor da granada abrindo as pétalas Da alvorada ao surgir (Castro Alves: Súplica) Só seis anos mais tarde se decretou a reforma de 28 de setembro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas a semente era de benção, e germinou muito antes; porque já em 1869, numa loja maçônica, a América, infatigável semeadora de inteligência e liberdade em São Paulo, um grupo de moços, entre os quais tive a fortuna de achar-me (permiti à minha memória a legítima satisfação desta reminiscência despretensiosa) promovia, e fazia adotar como compromisso obrigatório a todos os membros daquela família, a emancipação dos frutos da escrava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas a musa abolicionista não é só a vidente, a cujos olhos se faz diáfano o porvir: é ainda a Nêmesis do remorso, mergulhando nos abismos dessa história tenebrosa da escravidão, para extrair de lá nos sofrimentos seculares do cativo o corpo de delito de barbaria da sociedade opressora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A voz do poeta, projeta ao longe a sua sombra sinistra esse quadro técnico do Navio Negreiro, necrópole flutuante, onde os sepultados&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nem são livres... p’ra morrer;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Onde o látego mede a uma coréia de fantasmas vivos a cadência de uma dança inaudita, e em tôrno do qual o mar parece perder-se num círculo infinito de gemidos. A exclamação shakespeariana prorrompe de tôdas as almas: “pois os céus puderam presenciá-lo, sem se abalarem? – Did heaven look on, And would not take their part? (Shakespeare: Macbeth, IV,III, 223).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;And wouldO patriotismo chora nos olhos do poeta:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Existe um povo que a bandeira emprestaP’ra cobrir tanta infâmia e covardia!...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta,Que impudente na gávea tripudia?!... Silêncio!... Musa! Chora tanto,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que o pavilhão se lave no teu pranto...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para tamanha indignação, porém, não havia lágrimas bastantes: a chama estua, rebenta, e estala num fuzilar de cólera, que varre o oceano, e rasga de extremo a extremo o horizonte:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Andrada! Arranca êsse pendão dos ares!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Colombo! Fecha a porta de teus mares!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O assunto encarna-se no poeta; as chagas da raça crucificada reabrem-se-lhe nos cantos. O cativo representa-se alí pelas suas duas faces: ora Cristo, ora ódio. O ódio é o “Bandido Negro”, a “seara vermelha” êsse rubro cântico de Espártaco, onde vibram dessas frases “para se ulularem” como os terrores de Macbeth, “na solidão de ares desertos, longe de ouvidos humanos”:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;But I have wordsThat would be howl’d out in the desert air,Where hearing should not latch them. (Shakespeare: Macbeth, IV, III, 195).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Cristo é essa dorida inspiração das Vozes d’África; essa mãe que traz Filhos e algemas nos braços; êsse hálito expirante, que dir-se-ia exalado de um Gólgota, quando a agonia borbota neste grito:Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqui deixamos este esforço singelíssimo; uma lembrança daquele que embalsamou os ares perfumados onde adejam as poesias. Conseguiu a proeza de unir idéia e ação, raramente juntas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;Luís D’Avelosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referências: - Castro Alves. Wikipédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rabelo. Laurindo. José da Silva. O GÊNIO E A MORTE. JORNAL DA POESIA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sena. Consuelo Pondé. CASTRO ALVES – A ÍNDOLE DE CECÉU. jornal A TARDE, 15/03/97, in JORNAL DA POESIA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POESIAS COMPLETAS DE CASTRO ALVES. Notícia sobre o Poeta. Prefácio de Manuel - Bandeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OSÓRIO. UBALDO. A Ilha de Itaparica – História e Tradição. Fundação Cultural do Estado da Bahia, IV edição, 1979, p. 185.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruy Barbosa. Elogio de Castro Alves. Discurso pronunciado na comemoração do décimo aniversário da morte do poeta. Composto e impresso nas oficinas da Empresa Gráfica da “Revista dos Tribunais” Ltda., São Paulo, para “EDIÇÃO “ORGANIZAÇÃO SIMÕES”, Rio, em 1950.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MATOS. Edilene. CASTRO ALVES – A sedução da voz – o verso. Jornal A TARDE, 15/03/97, in Jornal da Poesia.MANOEL BANDEIRA. Prefácio. Poesias Completas de Castro Alves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Postado por Marco Antonio de Cádiz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8723638411818004859&amp;amp;postID=6026311220556893796&amp;amp;isPopup=true"&gt;0 comentários&lt;/a&gt; &lt;a href="http://itaparicano.blogspot.com/2007/11/as-duas-pulses-e-ternidade.html#links"&gt;Links para esta postagem&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="Editar postagem" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=8723638411818004859&amp;amp;postID=6026311220556893796"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="7237186267390779415"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DISPENSA E INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os institutos da dispensa e da inexigibilidade de licitação, têm provocado polêmicas quando invocados pelos órgãos licitadores, obrigados ao cumprimento das disposições insertas na Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, que Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aliás, não só têm causado controvérsias, mas escândalos que a mídia revela, bem assim sindicâncias, inquéritos, processos, apenações, inclusive as que inspiram demissões de funcionários públicos ou comissionados (alto e baixo escalão), que, por ignorância ou má fé (esta prepondera), pretendem usar e abusar do instituto logo que a “necessidade” se faz presente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A lei é translúcida e não permite equívocos, apontando as hipóteses em que a dispensa e a inexigibilidade podem e devem ser exercitadas, não permitindo interpretações ampliadas ou inconseqüentes para se eximirem da obrigatoriedade de licitar, ou não. Além disso, a doutrina e a jurisprudência derredor dos temas são riquíssimas. Assim, o Art. 24, I (Redação dada pela Lei nº 9.648, de 27.5.98) &lt;em&gt;usque&lt;/em&gt; XXVIII, Parágrafo Único, elenca os casos em que a licitação é dispensável. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entretanto, desnecessário dizer que, não raras vezes, o inciso IV do Art. 24 (nos casos de emergência ou calamidade pública, quando caracterizada urgência de atendimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens, públicos ou particulares, e somente para os bens necessários ao atendimento da situação emergencial ou calamitosa e para as parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias consecutivos e ininterruptos, contados da ocorrência da emergência ou calamidade, vedada a prorrogação dos respectivos contratos) é chamado a pêlo, indevida e propositadamente, servindo-se, o intérprete de má fé, dos vocábulos emergência e urgência, ou mesmo a calamidade, naquele inciso insertos, para encobrir um mau planejamento, inconsistente, desgarrado da realidade, ou uma programação inescrupulosa da Administração. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era uma das idiossincrasias de Voltaire, antes de quaisquer discussões, solicitar do interlocutor, a definição dos seus termos. Portanto, vejamos a significação precisa desses vocábulos, inclusive a calamidade, para que não pairem dúvidas. Ensina DE PLÁCIDO E SILVA, (Vocabulário Jurídico, 5ª edição, Forense, 1978), &lt;em&gt;verbis&lt;/em&gt;:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;EMERGÊNCIA. Derivado de emergir, do latim emergere (mostrar-se, aparecer, nascer), é aplicado vulgarmente para designar toda situação incidente ou ocorrência fortuita, que não era, pois, nem prevista, nem esperada. Em tal sentido, portanto, tem equivalência ou analogia com os vocábulos eventualidade, contingência, transe ou seja com todas as expressões que venham significar mudanças de situações ou alterações possíveis, decorrentes de eventos ou fatos que chegam ou nascem naturalmente...Emergência possui bem essa significação de incerteza, que se pode gerar de eventos perigosos e inesperados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;URGÊNCIA. Do latim "urgentia" de "urgere" (urgir, estar iminente), exprime a qualidade do que é urgente, isto é, é premente, é imperioso, é de necessidade imediata, não deve ser protelado, sob pena de provocar, ou ocasionar um dano, ou um prejuízo. Assim, assinala o estado das coisas que se devem fazer imediatamente por imperiosa necessidade, e para que se evitem males, ou perdas, conseqüentes de maiores delongas, ou protelações. Juridicamente, a justificativa da urgência provém, invariavelmente, não somente da necessidade da feitura das coisas, como do receio, ou do temor, de que qualquer demora, ou tardança, possa trazer prejuízos. O reconhecimento da urgência, em regra, estabelece a preferência em relação à coisa, ou ao fato, para que seja feita, ou executado, em primeiro lugar e em maior brevidade, dispensando-se, mesmo, em certos casos, o cumprimento de certas formalidades, ou o decurso de prazo, próprios aos casos normais. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;CALAMIDADE. Vocábulo formado da palavra latina calamitas, quer significar todo evento infeliz ou desgraça, que venha transtornar, aflitivamente, toda vida normal de uma cidade ou vila, ou de parte dela, por tal forma que os poderes públicos se vêm na contingência de tomar medidas assecuratórias do sossego público e de proteção aos habitantes da zona por ela atingida, medidas estas que se designam socorros públicos. Vários fatores podem motivar a calamidade: a guerra, as inundações, os terremotos, as epidemias, as secas prolongadas, enfim, qualquer outro flagelo que se mostre ruinoso ou prejudicial à coletividade, exigindo enérgicas e imediatas medidas de proteção, para que as populações por eles atingidas não venham a perecer ou não fiquem em doloroso desamparo. Giza o Ar. 8º, &lt;em&gt;caput&lt;/em&gt;, e seu Parágrafo Único, &lt;em&gt;verbis&lt;/em&gt;: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Art. 8º - A execução das obras e dos serviços deve programar-se, sempre, em sua totalidade, previstos seus custos atual e final e considerados os prazos de execução”. Certamente, incuriosa no planejamento, provocando atrasos na execução do objeto da licitação – o que, sem dúvida, implicaria em aumento de custos – não pode a Administração, elidir o que a lei quer sob alegações de cumprimento do que negligenciou quando da elaboração do edital, lei interna do procedimento licitatório, e contratar diretamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Praágrafo Único - É proibido o retardamento imotivado da execução de obra ou serviço, ou de suas parcelas, se existente previsão orçamentária para sua execução total, salvo insuficiência financeira ou comprovado motivo de ordem técnica, justificados em despacho circunstanciado da autoridade a que se refere o art. 26 desta Lei”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Conforme o magistério do prof. Meirelles, “A emergência há de ser reconhecida e declarada em cada caso, a fim de justificar a dispensa da licitação para obra, serviços, compras ou alienações relacionadas com a anormalidade que a Administração visa corrigir, ou com o prejuízo a ser evitado. Nisto se distingue dos casos de guerra, grave perturbação da ordem ou calamidade pública em que a anormalidade ou risco é generalizado, autorizando a dispensa de licitação em toda a área atingida pelo evento” ( Licitação e Contrato Administrativo, 5ª edição, p. 94).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mesmo assim, é bom frisar, não bastam as justificativas pertinentes da dispensa, previstas no Art. 26, &lt;em&gt;caput&lt;/em&gt;, da Lei 8666/93, mas a contratação direta deve ser precedida da formalidade, também, exigida no Parágrafo Único do predito artigo, &lt;em&gt;verbis:&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Art. 26 - O processo de dispensa, de inexigibilidade ou de retardamento, previsto neste artigo, será instruído, no que couber, com os seguintes elementos:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;I– caracterização da situação emergencial ou calamitosa que justifique a dispensa, quando for o caso;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II – razão da escolha do fornecedor ou executante;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;III – justificativa do preço; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;IV – documento de aprovação dos projetos de pesquisa aos quais os bens serão alocados (Inciso incluído pela Lei nº 9.648, de 27.5.98).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Finalmente, é bom que se diga, os funcionários que compõem a Comissão de Licitação e os órgãos requisitantes, responsáveis pelos pedidos de licitação, devem atentar para os dispositivos elencados no Capítulo IV – DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS E DA TUTELA JUDICIAL; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Seção I – Disposições Gerais;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seção II – Das Sanções Administrativas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seção III – Dos crimes e das Penas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seção IV – Do Processo e do Procedimento Judicial, principalmente, ao que dispõe o &lt;em&gt;caput&lt;/em&gt; do Art. 89 da lei específica, &lt;em&gt;verbis&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Art. 89 - Dispensar ou inexigir licitação fora das hipóteses previstas em lei, ou deixar de observar as formalidades pertinentes à dispensa ou à inexigibilidade: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pena – Detenção, de 3 (três) a 5 (cinco) anos, e multa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto à inexigibilidade de licitação, a lei é clara e, portanto, não se faz necessário a consulta ao seu espírito. A sua disciplina está prescrita nos Arts. 25, I, II, III, § 1º, §2º e Art. 26, Parágrafo Único I, II, III e IV (incluído pela Lei nº 9.648, de 1998) da legislação específica. A característica única desse instituto singular é a inviabilidade de competição, naquilo que predeterminam os dispositivos preditos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A doutrina é exaustiva em comentários sobre a inexigibilidade, portanto, ocioso repisar o assunto. O que importa é o cumprimento da lei e, sempre, durante ou depois da elaboração das justificativas pertinentes para justificar a inexigibilidade, solicitar o &lt;em&gt;nihil obstat&lt;/em&gt; dos departamentos jurídicos das instituições envolvidas. Os gestores têm o preconceituoso costume de não ouvirem os seus advogados (a maioria das vezes, propositalmente, os evitam para não "atrapalharem" o curso do procedimento administrativo), que ali estão para impedirem a conspurcação, e, portanto, garantirem a incolumidade dos princípios constitucionais e da legislação infraconstitucional.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;Luiz de Carvalho Ramos&lt;br /&gt;Advogado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8723638411818004859&amp;amp;postID=7237186267390779415&amp;amp;isPopup=true"&gt;0 comentários&lt;/a&gt; &lt;a href="http://itaparicano.blogspot.com/2007/10/dispensa-e-inexigibilidade-de-licitao.html#links"&gt;Links para esta postagem&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="Editar postagem" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=8723638411818004859&amp;amp;postID=7237186267390779415"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="1411819927609172526"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://itaparicano.blogspot.com/2007/10/reminiscncias.html"&gt;REMINISCÊNCIAS&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chegamos à cidade da ilha de Itaparica, situada no sudoeste da Baía de Todos os Santos, no mês de abril de 1954, a bordo do navio Mascote (diz o povo que o Mascote era um iate que pertencera ao ator americano Gary Cooper). Meu pai, agrônomo, inspetor zootécnico, foi nomeado para administrar (1954) a Fazenda Mocambo (vide Relatório, anexo único), gleba do Estado, localizada na parte oriental da ilha, onde se cultivava o coco e o dendê.Anoitecia. Relampejava, trovejava e chovia torrencialmente. Mar encapelado, a ventania envolta num frio incomodativo, revelava alto percentual de umidade. A primeira visão da ilha nos pareceu uma pintura impressionista. A cidade era um breu, melancólica, despovoada. Desembarcados, tomamos o caminho da Rua Cônego Fonseca Lima, onde residimos por seis anos (1954-1960). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era um casarão construído no início do século XX, com nove quartos e duas grandes salas. Ao fundo se limitava com o mar. Na falta de luz elétrica, acendemos os candeeiros. Muita conversa, mas extenuados, fomos dormir vencidos pelo cansaço que nos envolve nessas circunstâncias. Os lençóis estavam muito frios. A casa era antiga, telha-vã sustentada por oito colunas grossas, também de madeira. Adormecemos sob um silêncio de profundezas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naquele tempo, tudo em volta era de um realismo fantástico. Era o luminoso dia seguinte. Os passarinhos cantavam nas duas mangueiras, enraizadas no pátio da residência dos Gordilho, defronte da nossa casa. Percebi que no dia anterior, na escuridão mal-assombrada, seria impossível vislumbrar o quanto era belo o “boulevard”, a Avenida São Jerônimo. Nos seus duzentos metros de comprimento, era sombreado por frondosos arbustos de fícus e mungubeiras, até nos confrontarmos com o Jardim do Forte, ao lado da bela Fortaleza de São Lourenço, o “Forte”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O canto do bem-te-vi quebrava o silêncio. Tudo parecia de uma calmaria cabralina, rompida na maioria dos dias pelas chuvas torrenciais de abril, que encharcavam a cidade. Do Jardim do Forte, vislumbrávamos a cidade do Salvador, envolta em cerração. A maré vazia, “coroa” a descoberto, deixava exalar o estimulante cheiro de sal iodado. Assim dizia um primo nosso, que por lá esteve à procura de cura para os seus males, inspirando fundo:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ah! O ar iodado!...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O primeiro mês foi de inúmeras providências, incluindo a decisão materna que me obrigou a estudar com as freiras do Seminário São Francisco de Paula, uma vez que as matrículas regulares estavam encerradas. Assim, começariam as minhas incursões pela ilha adentro e a convivência com os nativos, descendentes de Catarina Paraguaçu, filha dileta do morubixaba Taparica, batizada Catarina do Brasil em Saint-Malô, França, no ano de 1525 (levada por um tal de Cartier, canadense, contrabandista de Pau Brasil) , Deus sabe a razão, herdeira das terras tupinambás, mulher do fidalgo da Casa Real Diogo Álvares Corrêa, o “Caramuru”, náufrago da Mariquita (1510), enseada rochosa onde o mar quebra forte, localizada no bairro do Rio Vermelho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A primeira experiência foi com a pescaria. Logo, em companhia de meu pai, experiente com as coisas do mar, fui à loja do galego Joaquim, pessoa inesquecível pela bondade e retidão, onde havia todos os apetrechos de pesca, inclusive o jereré que possibilitou saborearmos as deliciosas e inesquecíveis moquecas de siri. Certamente, um dia de “grandes negócios”. Logo aprendi que a pescaria, além de uma atividade prazerosa, era uma arte. Os amadores e profissionais acorriam para a velha ponte de madeira ou arriscavam o mergulho sob a carcaça de um navio grego (explodiu com uma carga de carvão de pedra, nos anos 1930), santuário de piscosidade. Enfim, entre nós a pescaria era mesmo uma atividade gregária, portanto, não necessariamente um esporte dos que gostam de ficar a sós. Quase diariamente lá estava embaraçando-me nas linhas, chumbadas e anzóis, construindo amizades para sempre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembro-me, perfeitamente, do pescador, Sr. Tote, e seus dois filhos, Ademir e Eduardo, homens de bem. Moravam aos fundos do solar João das Botas. Alugávamos o seu barco, vela de pena, e bordejávamos nas águas orientais, aos caprichos do "sopro" Nordeste, indo apoitar no Mutá (recôncavo), onde, após abraçarmos os amigos, inclusive "Jacaré", que nos acompanhava por todo canto, saboreávamos a "gasosa de limão" ou o "guaraná Fratteli Vita", hoje nas prateleiras da extinção.Em outras ocasiões, esticávamos até Cações, localidade próxima a Mutá, onde outras experiências aconteciam. O "velho" pedia a Tereza, uma mulata crudelíssima que "bulia" até com os meninos, e que, em nossos dias, seria uma linda pedofilazinha, para preparar a moqueca de caçonete! Que delícia! O molho lambão terminava por "canonizar" a iguaria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outros companheiros de estripulias: Gilberto, filho do sargento do Forte; Nenéu, Budião, Antônio França, advogado, e o irmão Aurelino, filhos do Sr. Dadi, outro cidadão inesquecível; Nadinho, um dos quinze filhos de Colô; Manuel "Sete Gatos" ou "Gato Sete"; Davino, que morava ao lado da padaria do Sr. "Dente"; meu querido amigo Roque, do Alto de Santo Antônio dos Navegantes, filho do Sr. Antônio (comerciante de prestígio e filantropo); os irmãos Borba Fróes: Jorge, advogado e meu querido colega do curso primário e de faculdade. Genial (sabia mais do que estudava), boêmio, um belo homem, agora na eternidade, aguardando a todos nós. Antônio, Edgard e Bertinho; Celso e Walter Veiga, e tantos outros companheiros de infância e adolescência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, estamos terminando o inverno. O famoso e “caliente” verão se aproxima, trazendo veranistas e todo um ânimo de divertimento e relaxamento da lida metropolitana. Para mim, era um sonho realizado, tudo acontecendo... O veraneio era uma festa. O sol brilhava, água morna do mar, as portas se abriam, o comércio ressurgia, os sinos repicavam, as missas se multiplicavam, o cassino do Grande Hotel reabria, os xodós aconteciam no frenesi romântico dos “anos dourados”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Certo dia, apareceu na ilha um cidadão sírio-libanês, Luís, que instalou um barzinho nos fundos da Pensão Anita, antiga Casa dos Contratos, Praça da Piedade, onde se hospedou D. João VI, Pedro I e Pedro II, hoje sede da Secretaria de Turismo de Itaparica, que muito tem se ocupado em propagar a beleza insular. No Sírio, como chamávamos o "pub", políticos e banqueiros, empresários, profissionais liberais, estudantes (principalmente aqueles que acabavam de “passar” no exame vestibular) e todo o povo, comemoravam a vida com a saborosa cerveja, frango assado, frutos do mar, etc. Essa investida estendia-se até altas horas da madrugada, e na alvorada lá estávamos nos folguedos das libações.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de muito lero-lero, íamos para a Fonte da Bica, que nasce no Alto de Santo Antônio dos Navegantes, onde sorvíamos a água mineral digestiva, curativa, milagrosa, famosa em todo o mundo. Desjejum feito, após um banho doce, voltávamos à Praia do Forte, onde tudo recomeçava. Mulheres não participavam dos “banquetes”... Eram outros tempos. As nossas namoradinhas eram “moças de família”. As “damas da noite” não apareciam. Eram o pecado encarnado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dia 7 de Janeiro, comemorativo da festa de Independência de Itaparica (1823). O “Carro do Caboclo” arrastava a história. Uma festa onde todos se irmanavam numa exaltação aos feitos heróicos que nos libertou do jugo português. O auge da celebração acontece no Campo Formoso, jardim público encantador, arborizado, rodeado por um cinema, cadeia, um posto de puericultura, o Seminário São Francisco de Paula, hoje Centro de Treinamento de Líderes, e pelos casarões antigos, inclusive o de propriedade do coronel da Guarda Nacional, José Paulo, irmão do historiador da ilha, também coronel da Guarda Nacional, avô do escritor João Ubaldo Ribeiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naquele ambiente, colorido e festivo, veranistas e o povo nativo se uniam com o propósito de comemorar os feitos heróicos dos itaparicanos. Ali, o sorveteiro, seu Moreira, personagem de livro, mercadejava a guloseima caseira, apreciada por todos. Aliás, o famoso sorveteiro também vendia nos conveses dos navios da linha Itaparica-Salvador, e vice-versa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Durante os festejos, aproveitávamos para marcar o próximo encontro (das pencas)na Praça da Quitanda, local onde se reúnem todos os que estão pisando na terra dos desejos. Depois da caranguejada, íamos jogar pôquer aberto no Hotel Icaraí, por benevolência do seu proprietário, o inglês Samuel, israelita, um homem bom. Aí, era outra festa!... Como o bar do Sírio ficava defronte do hotel, sempre o visitávamos depois das partidas, lá bebericando até a atracação do navio, à tardinha, sol poente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Havia na cidade um cinema que nada ficava a dever ao tema do festejado “Cinema Paradizo”, mas poucos freqüentavam, muito mais o povo da terra. Era desconfortável e com tecnologia ultrapassada, de modo que o filme partia-se a todo o momento, terminando a sessão em tempo muito além do esperado. Além do mais, os "moleques" (como Valdemar, o proprietário, tachava os cinéfilos) faziam uma algazarra terrível. Bastava o fita partir-se e o caos se instalava na sala, onde ecoavam os gritos de "ladrão, cadê o meu dinheiro"? Valdemar respondia: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Enquanto vocês não se educarem, não passarei o filme"! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os apupos íam diminuindo, até à normalidade.A projeção continuava. Depois de quinze minutos, outro incidente e tudo recomeçava. Enfim, o filme começava às 20h e terminava depois das 23h. Mas, era divertido e todos saíam satisfeitos e sorridentes. Talvez , mais pelo que os esperava: a farra, a boêmia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Impossível esquecer os baquistas interessantes, e outros de hábitos excêntricos, que impressionavam os circunstantes: Baiacu, Piroca, Americano, Maria de Lázaro, Maria Patejó e Ioiô C.V. Também, alguns veranistas (dias maravilhosos, que os anos não trazem mais), davam o tom da sua presença, "armando"...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Baiacu&lt;/strong&gt;, apareceu em Itaparica nos idos de 1955/1956. Tinha mania pelo militarismo, carregando o seu inseparável cassetete de madeira. Quando nos via, fazia continência, ao que respondíamos com o mesmo cumprimento. Dessa forma, trabalhava na prefeitura e sofria do mal maior que desfigura a autoridade: o “abuso de poder”. Certa manhã, defronte do Solar Tenente João das Botas (um dos heróis das lutas pela Independência), na Praça da Quitanda, Piroca estava “discursando”, ensandecido pelo etanol, proferindo impropérios ao seu “primo rico”, pecuarista e açougueiro Caetano, que, alheio aos insultos costumeiros cuidava dos seus negócios. Eram primos carnais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aliás, em Itaparica todos são parentes, fenômeno das cidadezinhas. Então, “Baiacu”, resolveu aplicar uma cacetada em Piroca, abrindo-lhe o coro cabeludo. Afinal de contas ele era o “mantenedor” da ordem pública. Sangue no chão, gritos por todos os lados, uma verdadeira algazarra. O povo não admitiu o gesto do “soldado de milícia”, aprazando o seu banimento para o dia seguinte. Era uma indignação generalizada. Um estranho querendo mandar, “enquadrar” e espancar os nativos. Insuportável, jamais! Os nativos não aceitavam o ato tresloucado. Piroca, cidadão de origem familiar de destaque, diariamente, exceto nos finais de semana, postava-se “na Praça da Quitanda, e do seu ângulo “desmoralizava” e desafiava Caetano, sem ligar para o conjunto de facas do açougue, machadinhas e furadores, xingando até a sua própria mãe, e o chamava para a luta corporal a todo tempo. Era um discurso de horas, quase ininteligível. Caetano era o seu único alvo. Mas, o primo rico não perdia o &lt;em&gt;aplomb&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Americano&lt;/strong&gt;, era filho de Nazaré das Farinhas e lá viveu durante alguns anos no ofício de alfaiate. Diz a história oral, que ele sofreu uma desilusão amorosa e afogou-se na cachaça. Perambulava pelas ruas da cidade, passos ligeiros, sem cambalear, apenas balançando os braços descompassadamente. Dormia numa varanda, no Campo Formoso. Não criava caso, mas não falava com ninguém, a não ser se “cruzasse” com um transeunte, quando dizia: “Apoiado!”. Só isso, só esta asserção.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Maria de Lázaro&lt;/strong&gt;, que de tão magra parecia sempre de perfil, como diria Vargas Llosa referindo-se a Antônio Conselheiro, era uma anciã afro-descendente que diziam enlouquecida por amor perdido. Seu ex-marido, Lázaro, era um mestre de obras conceituado, que a morte surpreendeu, deixando Maria na viuvez e penúria. Não fosse o seu sobrinho, Astério, pescador e vendedor de peixes, a franzina viúva morreria muito e muito antes dos seus 106 anos de existência terrena [encontrava-me ao seu lado, sempre triste). Maria tinha um hábito do qual ela nunca abdicou: acordava, tomava o seu cafezinho preto, caminhava alguns passos até a igrejinha de Santo Antonio dos Navegantes, orava, e logo estava na Fonte da Bica enchendo a sua garrafa d´água. “Água santa”, como ela propalava convicta. Sempre estava derredor de nossa família, uma vez que foi babá de minha irmã Lêda. Dizia minha mãe que ela dormia catando camarões. Era a repulsa à obrigatoriedade laboral, uma das qualidades dos nativos. Maria era divertida, cantava canções antiqüíssimas e, nos intervalos, sorvia um gole da água santa. Lembro-me do início de uma dessas canções: “&lt;em&gt;Que noite tão bela que belo luar, não vejo a donzela a quem desejo amar...”&lt;/em&gt; Era católica e ignorava as batidas dos tambores que ecoavam dos terreiros de candomblé do Alto de Santo Antônio dos Navegantes e de Amoreiras. Dizia com orgulho e solene circunspecção: “Não gosto de candomblés. Meu Deus é Santo Antônio.” Vestia-se ainda com modelos do século XIX, vestidos que chegavam quase a cobrir-lhe os pés, sempre escuros com florzinhas brancas e sandálias de couro cru, bem gastas pelo uso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Maria Patejó&lt;/strong&gt;, estava sempre sobre si, ou seja, a sua coluna era absolutamente deformada, arqueada. Morava e zelava por um casarão antigo, na avenida que nos leva à Fonte da Bica. Nós, meninos terríveis, brincávamos com ela o que a enfurecia, batendo com o ancinho no portão de ferro, sempre fechado a cadeado, proferindo palavrões. Xingava-nos, esbravejando. Nada se sabia da sua vida, mas daquela casa ela não saía para lugar algum. Viveu mais de um século.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Ioiô C.V&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, somente saía à noite. Traje passeio completo de casimira azul-marinho, camisa branca, gravata de cor cinza e sapatos pretos de oleado. Era um dos Veiga, família tradicional da ilha, outrora detentora de poder político e muitas riquezas. O cabelo negro, pintado, repartido ao meio e penteado ao gosto das brilhantinas, contrastava com a lividez do rosto e mãos. Vivia sob a sombra de um passado remoto. Assim, ele andava por toda a cidade, abraçado pela noite sob o reluzir das estrelas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa era a nossa ilha encantada!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Luiz de Carvalho Ramos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Anexo - &lt;strong&gt;Relatório apresentado ao Secretário da Agricultura, pelo engº agrônomo João Velloso&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Ramos&lt;/strong&gt;, ao assumir a administração da Fazenda Mocambo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A "Fazenda Mocambo", está localizada no extremo norte-oriental da ilha de Itaparica. Uma gleba de propriedade do governo da Bahia. Em 1954, o governador Régis Pacheco, nomeou o engº agrônomo JOÃO VELLOSO RAMOS, administrador, gestão que perdurou por cinco anos, tempo em que o referido agrônomo residiu na cidade de Itaparica, na Rua Cônego Fonseca Lima, nº 9, início do famoso "boulevard", até o ano de 1960 quando retornou, com sua família, a Salvador.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No Mocambo, cultivava-se o coco e o dendê. Quero dizer, por oportuno, que o Dr. João Velloso Ramos (n. 29.05.1901- 16.03.1974) era meu pai. Então, nomeado e empossado pelo governador Régis Pacheco, elaborou o seguinte relatório:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Senhor Secretário da Agricultura da Bahia, prof. Nestor Duarte:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;1. A "Fazenda Mocambo" - 198 ha., 24 a. e 34 ca. de boas terras situadas no extremo norte-oriental da vizinha Ilha de Itaparica - é um dos mais valiosos bens agrícolas do nosso Estado. A despeito, porém, de sua potencialidade econômica, e não obstante as privilegiadas condições geográficas, agrícolas, e mesmo panorâmicas que oferece, essa patrimônio tem sido menosprezado pelos governos passados, a julgar pelo estado de abandono em que me foi transmitido. E, para efeito de documentação tão somente, relatar esse estado seu; dar conta da minha atividade na administração; analisar, em bases concretas, as múltiplas conveniências da sua recuperação; fornecer, como contribuição despretensiosa ao programa administrativo de V.Exa. no particular, um projeto de plano para essa recuperação, eis os objetivos únicos do presente trabalho. Para melhor esclarecimento, achamos oportuno, antes de entrar no assunto propriamente dito, juntar-lhe alguns dados históricos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;2. Em 1936, o Sr. Juracy [Montenegro] Magalhães então Interventor da Bahia, num expressivo testemunho de larga visão administrativa, houve por bem incorporar a "Fazenda Mocambo" ao patrimônio do Estado, para que dela se fizesse, em bases racionais, uma estação frutícola modelo. A 19 de novembro de 1946, pelo Decreto-Lei 879, teve sua "posse", "responsabilidade e manutenção" e "todos os encargos atinentes aos estudos, análises e pesquisas inerentes às palmáceas do gênero &lt;em&gt;Elaes guineensis&lt;/em&gt; e os relativos à indústria de óleos, manteigas, gorduras e sementes oleaginosas em geral", transferidos ao I.Q.A.T.B. hoje I.T.B [Instituto de Terras da Bahia-ITB]. Em 1947 era revertida à Secretaria da Agricultura para ser, em 1949, arrendada à exploração particular, mediante acordo. Expirado o prazo de vigência desse acordo, quando já à frente da Secretaria da Agricultura o Engº Antônio Nonato Marques, e por ato administrativo deste, teve por fim a "Fazenda Mocambo", em julho de 1954, sua administração transferida à minha responsabilidade, condição em que se acha até o momento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;3. A "Fazenda Mocambo" como a recebi. Das casas residenciais, a principal, uma mansão que, na pujança dos seus alicerces, na fartura das suas dimensões e na fisionomia arquitetônica de suas formas, mostra ainda sinais de sua imponência histórica, achei-a em tão ruinoso estado que se torna ainda duvidosa a viabilidade de sua recuperação. A casa menor, vizinha daquela, a despeito dos requisitos de higiene e conforto de que mostra haver sido dotada noutros tempos, encontrei inabitável pela sujeira, carecendo reparos inadiáveis. O grupo residencial de operários - uma afronta aos sentimentos de humanidade, uma negação requintada dos mais elementares preceitos de higiene - um quadro típico de miséria. As casas outras de operários, custa-nos aceitar que abriguem semelhantes nossos. A usina de extração de óleo de dendê, órgão central da Fazenda, não obstante a solidez de sua estrutura, carecendo de reparos na cobertura e na parte mecânica. A usina de energia - um valioso termo-gerador Deutz - parado por falta de reparo e oxidado à falta de conservação. A bomba rotativa elevadora de água nas mesmas condições. Disso resulta a falta dos recursos básicos à habitação nas casas da administração - luz e água. O gado, representado por algumas cabeças de muar imprestáveis e 4 de bovino, velhíssimas. Um bom viveiro, com capacidade provada de 150 a 200 Kg de peixe por ano, transformado em pântano. As aguadas sujas e quase aterradas. As cêrcas caíram na maioria de sua extensão. De máquinas e instrumentos agrícolas apenas encontrei, e ali estão restos esparsos, que amontoei na casa grande. Os 300 coqueiros, somente pela absoluta nudez, mostravam um dos poucos indícios de que ali houvesse passado a mão do homem. A preciosa população de dendezeiros, infestada de pragas e doenças, carecendo de tratos culturais, decadente enfim. As mangueiras, pela qualidade e abundância dos frutos já têm tradição, na exiguidade das suas últimas safras mostra a falta de limpeza e tratos outros. De outras culturas não encontrei vestígio sequer. Uma ponte de atracação, de madeira, foi uma das benfeitorias que encontrei em bom estado. Como meio de condução, apenas encontrei restos de uma charrete que não pude recompor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;4. Providências administrativas. As condições acima documentadas determinaram a seguinte situação: impossibilidade de residir na sede da fazenda dado o estado das habitações, absoluta falta de água, de luz e de condução;a renda da usina reduzida quase a zero em virtude, já das péssimas condições técnicas, já da escassez do dendê determinada pelo mau estado do dendezal. As mangueiras não frutificavam. Além dessas circunstâncias, contribuintes todas para a redução da receita, a falta de conservação requeria despesas maiores para o restabelecimento da organização e manutenção do pessoal. Recorri nessa altura, como único recurso, às providências do Governo, tendo conseguido mesmo a visita do próprio Governador. E, de promessa em promessa, vi correr o tempo, vi se assoberbarem os compromissos, vi tornar-se calamitosa a situação dos trabalhadores, sem que nenhum auxílio me viesse. Tive-me então na contingência de dispor dos bovinos para pagar o pessoal, vender telhas velhas as que restavam das que vinham sendo roubadas para custear as despesas de reparos inadiáveis da usina de óleo; e de favores constantes, ter condução e mão de obra mecânica para esses reparos. O trato do dendezal e das mangueiras; a limpeza de viveiros e aguadas, e derruba do mato que ainda hoje barra o acesso à residência principal - são cuidados que tiveram que ser sacrificados.E a situação geral da Fazenda, se não se agravou, mau grado meu, também não foi substancialmente melhorada até o momento em que, profissionalmente pesaroso, faço o presente relato.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;5. O que pode representar a Fazenda Mocambo. Racionalmente organizada e judiciosamente administrada, a Fazenda Mocambo poderá preencher simultaneamente as seguintes funções: órgão de produção, estação de estudos originais de cultura do dendezeiro e industrialização de seus frutos; estação de repouso. A favor da oportunidade das duas primeiras cogitações, depõem, a importância econômica já hoje apreciável dos produtos do dendê, e para cujas possibilidades futuras é difícil prever limitações; as condições agrícolas que oferece, provadamente favoráveis à cultura de pomareiras e hortícolas, a disponibilidade da matéria prima - que hoje sabemos de boa qualidade - para as indústrias de cerâmica e de cal. Todas as condições com explorabilidade altamente favorecida pela situação e disposição geográficas que garantem, ao lado de fácil ligação com a Capital, acesso aberto ao transporte marítimo pelos ancoradouros naturais e ponte de atracação de que dispõe. Quanto a convir como estação de repouso, considerem-se as suas privilegiadas condições panorâmicas e climáticas. Ao lado dessas conveniências intrínsecas na sua exploração, oferece a Fazenda Mocambo a singular garantia de se bastar financeiramente, graças à produção de óleo de dendê e de produtos cerâmicos que oferece. Para que essa auto-suficiência se atinja é suficiente uma inversão inicial para a sua reorganização.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;6. Bases para recuperação da Fazenda. A reorganização da Fazenda, de modo a pô-la em regime de funcionamento regular, constaria das seguintes providências e recursos:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;a) Casas e abrigos. Reforma das casas, grupos de residências e abrigos de máquinas; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;b) Usina. A Reforma da cobertura; reforma da chaminé da caldeira e demais peças da máquina cujo mau estado compromete o rendimento econômico da produção de óleo; se possível, troca da caldeira por outra de maior capacidade afim de que se possa, a um só tempo, cosinhar o azeite e virar as máquinas; reforma do sistema de cozinhamento do dendê; substituir, no decantador, a serpentina por camisa de aquecimento pela base; modificar a despolpadeira de modo a que funcione automaticamente, dispensando um operário; adquirir outra prensa ou trocar a existente por outra de maior capacidade para que possa trabalhar em regime contínuo, e pequena adaptação para os caracteres especiais do óleo de dendê; aquisição de 8 carros de mão para entrada das amêndoas; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;c) Os dendezeiros. Limpar o dendezal e ampliar, racionalmente, a sua população, tendo em vista a seleção genética e as condições de cultivo. Paralelamente, poderá a S.A.I.C (Secretaria da Agricultura, Indústria e Comércio) dispor desse material para pesquisa; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;d) O grupo gerador e a bomba. Reparar e manter; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;e) Mangueiras. Limpar, fertilizar e replantar;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;f) Outras culturas.São viáveis ainda, conforme conclusão de experimentos realizados, as seguintes culturas: bananeira, abacateiro, sapotizeiro e hortaliças em geral;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;g) Forragem. Replanta das capineiras antigas;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;h) Pecuária. Dez vacas leiteiras para abastecimento da fazenda; suinos e aves; muares para carga, e cavalos para montaria do administrador. Limpeza e restauração do viveiro;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;i) Reparo de cêrcas e construção de outras;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;j) Condução. Uma viatura (Jeep ou caminhonete) para transporte de pessoal e pequenas cargas; uma canoa para transporte por mar e pescaria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;7. Com recursos para essas simples providências poderia, como dissemos, ser a Fazenda Mocambo transformada, do triste quadro que é hoje, uma fazenda modelar; poderia a Fazenda Mocambo, em toda a extensão demográfica que influência e cobre, restaurar a fé e o acatamento que, para bom termo dos empreendimentos governamentais, precisam contar os administradores da coisa pública; poderia a Fazenda Mocambo, da negação berrante que é das possibilidades administrativas do Governo, fazer-se um afirmação de sua capacidade realizadora, um testemunho da sua ação educativa, uma prova de que tem por merecer a confiança do povo que o constitui. Por tudo isso, estou certo de que a vigência da nova ordem governamental da Bahia poderá a Fazenda Mocambo mostrar a sua razão de ser como patrimônio do Estado.E na tranqüilidade dessa certeza, aguardo o pronunciamento de V.Exa., oferecendo-me para, quando julgado oportuno, apresentar um plano com orçamento para realização das medidas que ora, com a devida venia, permito-me sugerir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mando a V.Exa, Senhor Secretário, minhas melhores expressões de consideração e apreço.&lt;/div&gt;&lt;div ali
